«Não se contenta a gente portuguesa, / Mas seguindo a vitória estrui e mata; / A povoação sem muro e sem defesa / Esbombardeia, acende e desbarata.»
Os Lusíadas (1572) I-90
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«Não se contenta a gente portuguesa, / Mas seguindo a vitória estrui e mata; / A povoação sem muro e sem defesa / Esbombardeia, acende e desbarata.»
Os Lusíadas (1572) I-90
«Eis nos batéis o fogo se alevanta / Na furiosa e dura artilharia; / A plúmbea péla mata, o brado espanta; / Ferido, o ar retumba e assobia.»
Os Lusíadas (1572) , I-89
«Entre gentes tão poucas e medrosas, / Não mostra quanto pode, e com razão, / Que é fraqueza entre as ovelhas ser leão.»
Os Lusíadas (1572) - Canto I-68
«"Desse Deus-Homem, alto e infinito, / Os livros, que tu pedes, não trazia, / Que bem posso escusar trazer escrito / Em papel o que na alma andar devia.. ["]»
Os Lusíadas (1572) - I-66
«Nem sou da terra, nem da geração / Das gentes enojosas de Turquia, / Mas sou da forte Europa belicosa; / Busco as terras da Índia tão famosa.»
Os Lusíadas (1572) - Canto I
«E, porque tudo note e tudo veja, / Ao Capitão pedia que lhe dê / Mostra das fortes armas de que usavam / Quando c'os inimigos pelejavam.»
Os Lusíadas (1572) - I, 63
«Também o Mouro astuto está confuso, / Olhando a cor, o trajo e a forte armada; / E, perguntando tudo, lhes dizia / Se porventura vinham de Turquia.»
Os Lusíadas (1572) - I-62
Está a gente marítima de Luso / Subida pela enxárcia de admirada, / Notando o estrangeiro modo e uso, / E a linguagem tão bárbara e enleada.»
Os Lusíadas, I-62 (1572)
«Os furiosos ventos repousavam / Pelas covas escuras peregrinas; / Porém da armada a gente vigiava, / Como por longo tempo costumava.»
Os Lusíadas , I-58 (1572)
São pequenas aberrações, larvas para extermínio antes que se desenvolvam. A polícia deve saber onde param, nas claques dos futebóis, por exemplo, mas não só. Atacaram em grupo, como é timbre destes cobardes, que se dizem nacionalistas, mas aposto que cada-palavra-cada-erro. Nacionalistas, dizem-se, pobres diabos, que atacam o actor Adérito Lopes, que, n'A Barraca, sob a direcção de Maria do Céu Guerra, interpretava o papel de Camões no Dia de Camões. Nacionalistas de caricatura cujo grupo se autoidentifica com um nome inglês... Trinta anos depois de o pacato Alcindo Monteiro ser assassinado por criaturas destas.
"Remigração", parece que estava escrito nos papelotes que estes inúteis deixaram no local do crime. Compreende-se, têm medo que o RSI não dê para todos... "Remigração" é também uma palavra usada pela cúpula do Chega, o segundo partido da parvalheira. Les beaux esprits...
Grande admiração pela classe de Maria do Céu Guerra, enorme!, no modo como se refere ao sucedido; e elogio claro a Carlos Moedas, que logo se deslocou ao local, dizendo que "isto não pode acontecer"! (Estou-me nas tintas se estamos em pré-campanha.) Pois não pode... Isto não é caso de polícia, mas de contraterrorismo. Têm os meios, mexam-se!...
«A noite se passou na lassa frota, / Com estranha alegria e não cuidada, / Por acharem, da terra tão remota, / Nova de tanto tempo desejada.»
Os Lusíadas, I, 57 (1572)
«Tão brandamente os ventos os levavam / Como quem o Céu tinha por amigo;»
Os Lusíadas, I,43 (1572)
| Rafael Bordalo Pinheiro |
Escritor
completo, cultivou todos os géneros literários: é o efabulador romântico de Romance de um Homem Rico (1861) e Amor de Perdição (1862), o escritor
realista de A Queda dum Anjo (1866) ou
O Retrato de Ricardina (1868), o
romancista “histórico” de A Filha do Regicida (1875), o autor
ironicamente à la page com o
naturalismo em Eusébio Macário (1879)
e A Corja (1880); é o poeta de Nas Trevas (1890); o dramaturgo de O Morgado de Fafe em Lisboa (1861); o
folhetinista de cordel de Maria! Não me
Mates que Sou Tua Mãe (1841); o polemista de O Clero e o Sr. Alexandre Herculano (1850) ou Vaidades Irritadas e Irritantes (1866); o memorialista das Memórias do Cárcere (1862); o crítico de
Esboços e Apreciações Literárias
(1865); o biógrafo de D. António
Entre as convulsões da Guerra Civil e a agonia do Ultimato, o Portugal do século XIX, dos Cabrais à Regeneração, espelha-se na obra de Camilo. Mas, erudito, vem de trás, das crónicas vigiadas de Fernão Lopes aos cartapácios fantasiosos de Frei Bernardo de Brito; prosador exímio e mestre da língua, é herdeiro do Padre António Vieira e está também na génese de Aquilino Ribeiro; instável, sarcástico, violento e ao mesmo tempo lírico, encerra uma verdade envolta em fingimento que não deixa indiferente o leitor do século XXI.
É um dos génios tutelares da cultura portuguesa. O seu nome próprio, Camilo, tem dimensão idêntica aos de Camões, Vieira, Bocage, Garrett, Antero, Eça, Cesário ou Pessoa. Amor de Perdição emparceira em peso e relevância canónicos com Os Lusíadas, Menina e Moça, Viagens na Minha Terra, Os Maias, O Livro de Cesário Verde, Só, Clepsidra, Mensagem, Andam Faunos pelos Bosques, A Selva, Mau Tempo no Canal, Sinais de Fogo, Para Sempre – clássicos absolutos. Escritores como Teixeira de Pascoais, Aquilino, Vitorino Nemésio, José Régio, João de Araújo Correia, entre muitos outros de primeira água, sentiram-se interpelados pelo génio do «colosso de Seide», dedicando-lhe estudos de amplitudes várias; também artistas plásticos como Roque Gameiro, Stuart Carvalhais, Francisco Valença, Leal da Câmara, Diogo de Macedo, Tom, João Abel Manta ou Mário Botas não lhe ficaram indiferentes.
O tempo, ele próprio – em boa parte graças aos jornais e às bibliotecas itinerantes, primeiro, ao audiovisual e aos curricula escolares, depois – encarregou-se de tornar o acervo literário de Camilo em elemento identitário dos portugueses, o que se verifica quando a cultura popular se deixa impregnar pela criação erudita, e vice-versa. Esse intercâmbio fecundo é a glória dos criadores: por um lado assegura a perenidade do seu nome e de parte da sua obra; por outro, acrescenta densidade à comunidade nacional em que o autor e os seus livros se fizeram.
O
legado artístico camiliano constitui-se como património incomparável. O mesmo
se passa com outras manifestações seculares equivalentes em importância: das
cantigas de D. Dinis e os autos de Gil Vicente à obra romanesca dos nossos maiores
escritores contemporâneos; das gravuras rupestres do Vale do Côa aos projectos
de Siza Vieira, passando pelos painéis de Almada Negreiros; das sonatas de
Carlos de Seixas às sinfonias de Luís de Freitas Branco e à guitarra de Carlos
Paredes; dos retábulos da escola de Nuno Gonçalves às telas de Júlio Pomar, dos
retratos de Columbano aos cartoons do
seu genial irmão, Rafael Bordalo Pinheiro – a cultura portuguesa não é susceptível
de ser apreendida sem estas, e outras, manifestações do espírito. Assim com
Camilo Castelo Branco.
Texto inédito, datado de 31-V-2010
«Já no largo Oceano navegavam, / As inquietas ondas apartando;»
Os Lusíadas I-19 (1572)
«E enquanto eu estes canto, e a vós não posso, / Sublime Rei, que não me atrevo a tanto, / Tomais as rédeas vós do Reino vosso: / Dareis matéria a nunca ouvido canto.»
Os Lusíadas, I-15 (1572)
«Nem deixarão meus versos esquecidos / Aqueles que nos Reinos lá da Aurora / Se fizeram por armas tão subidos, / Vossa bandeira sempre vencedora; / Um Pacheco fortíssimo e os temidos / Almeidas, por quem sempre o Tejo chora, / Albuquerque terríbil, Castro forte, / E outros em quem poder não teve a morte.»
Os Lusíadas I-14 (1572)
«Pois se a troco de Carlos, rei de França, / ou de César, quereis igual memória, / Vede o primeiro Afonso, cuja lança / Escura faz qualquer estranha glória.;»
Os Lusíadas, I-13 (1572)
«Por estes vos darei um Nuno fero, / Que fez ao rei e ao Reino tal serviço; / Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero / A cítara para eles cobiço;»
Os Lusíadas I-12 (1572)
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.