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quarta-feira, maio 20, 2026

4 versos de Camões

«Não se contenta a gente portuguesa, / Mas seguindo a vitória estrui e mata; / A povoação sem muro e sem defesa / Esbombardeia, acende e desbarata.» 

Os Lusíadas (1572) I-90

sexta-feira, maio 08, 2026

4 versos de Camões

«Eis nos batéis o fogo se alevanta / Na furiosa e dura artilharia; / A plúmbea péla mata, o brado espanta; / Ferido, o ar retumba e assobia.» 

Os Lusíadas (1572) , I-89

terça-feira, março 31, 2026

3 versos de Camões

«Entre gentes tão poucas e medrosas, / Não mostra quanto pode, e com razão, / Que é fraqueza entre as ovelhas ser leão.» 

Os Lusíadas (1572) - Canto I-68

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

4 versos de Camões

«"Desse Deus-Homem, alto e infinito, / Os livros, que tu pedes, não trazia, / Que bem posso escusar trazer escrito / Em papel o que na alma andar devia.. ["]» 

Os Lusíadas (1572) - I-66

quinta-feira, janeiro 29, 2026

4 versos de Camões

«Nem sou da terra, nem da geração / Das gentes enojosas de Turquia, / Mas sou da forte Europa belicosa; / Busco as terras da Índia tão famosa.» 

Os Lusíadas (1572) - Canto I

quinta-feira, janeiro 08, 2026

4 versos de Camões

«E, porque tudo note e tudo veja, / Ao Capitão pedia que lhe dê / Mostra das fortes armas de que usavam / Quando c'os inimigos pelejavam.» 

Os Lusíadas (1572) - I, 63

sexta-feira, dezembro 12, 2025

4 versos de Camões

«Também o Mouro astuto está confuso, / Olhando a cor, o trajo e a forte armada; / E, perguntando tudo, lhes dizia / Se porventura vinham de Turquia.» 

Os Lusíadas (1572) - I-62

segunda-feira, outubro 20, 2025

4 versos de Camões

Está a gente marítima de Luso / Subida pela enxárcia de admirada, / Notando o estrangeiro modo e uso, / E a linguagem tão bárbara e enleada.» 

Os Lusíadas, I-62 (1572)

quinta-feira, julho 17, 2025

4 versos de Camões

«Os furiosos ventos repousavam / Pelas covas escuras peregrinas; / Porém da armada a gente vigiava, / Como por longo tempo costumava.» 

Os Lusíadas , I-58 (1572)

quarta-feira, junho 11, 2025

bandidos à solta

São pequenas aberrações, larvas para extermínio antes que se desenvolvam. A polícia deve saber onde param, nas claques dos futebóis, por exemplo, mas não só. Atacaram em grupo, como é timbre destes cobardes, que se dizem nacionalistas, mas aposto que cada-palavra-cada-erro. Nacionalistas, dizem-se, pobres diabos, que atacam o actor Adérito Lopes, que, n'A Barraca, sob a direcção de Maria do Céu Guerra, interpretava o papel de Camões no Dia de Camões. Nacionalistas de caricatura cujo grupo se autoidentifica com um nome inglês... Trinta anos depois de o pacato Alcindo Monteiro ser assassinado por criaturas destas.

"Remigração", parece que estava escrito nos papelotes que estes inúteis deixaram no local do crime. Compreende-se, têm medo que o RSI não dê para todos... "Remigração" é também uma palavra usada pela cúpula do Chega, o segundo partido da parvalheira. Les beaux esprits...

Grande admiração pela classe de Maria do Céu Guerra, enorme!, no modo como se refere ao sucedido; e elogio claro a Carlos Moedas, que logo se deslocou ao local, dizendo que "isto não pode acontecer"! (Estou-me nas tintas se estamos em pré-campanha.) Pois não pode... Isto não é caso de polícia, mas de contraterrorismo. Têm os meios, mexam-se!...

4 versos de Camões

«A noite se passou na lassa frota, / Com estranha alegria e não cuidada, / Por acharem, da terra tão remota, / Nova de tanto tempo desejada.» 

Os Lusíadas, I, 57 (1572)

quinta-feira, maio 15, 2025

2 versos de Camões

«Tão brandamente os ventos os levavam / Como quem o Céu tinha por amigo;» 

Os Lusíadas, I,43 (1572)

sexta-feira, abril 11, 2025

«"presença": esboço para uma antologia pessoal»


Um divertimento com barbas, que a generosidade e bonomia de Isabel Cadete Novais e Manuel Matos Nunes acolheram no #31 do Boletim do Centro de Estudos Regianos -- que me encontra em leituras regalada (há Régio, sempre, Régio e Camões, o grande Júlio / Saul Dias, a presença, claro. Pode e deve ser comprado aqui.
 

domingo, março 16, 2025

Camilo Castelo Branco, no dia do bicentenário

Rafael Bordalo Pinheiro
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Bairro Alto, Lisboa, 1825 – São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1890).

Escritor completo, cultivou todos os géneros literários: é o efabulador romântico de Romance de um Homem Rico (1861) e Amor de Perdição (1862), o escritor realista de A Queda dum Anjo (1866) ou O Retrato de Ricardina (1868), o romancista “histórico” de A Filha do Regicida (1875), o autor ironicamente à la page com o naturalismo em Eusébio Macário (1879) e A Corja (1880); é o poeta de Nas Trevas (1890); o dramaturgo de O Morgado de Fafe em Lisboa (1861); o folhetinista de cordel de Maria! Não me Mates que Sou Tua Mãe (1841); o polemista de O Clero e o Sr. Alexandre Herculano (1850) ou Vaidades Irritadas e Irritantes (1866); o memorialista das Memórias do Cárcere (1862); o crítico de Esboços e Apreciações Literárias (1865); o biógrafo de D. António Alves Martins – Bispo de Viseu (1870); o epistológrafo da Correspondência com Vieira de Castro (1874); o antologiador do Cancioneiro Alegre (1879); o historiador comprometido do Perfil do Marquês de Pombal (1882); o publicista de O Vinho do Porto (1884)…

Entre as convulsões da Guerra Civil e a agonia do Ultimato, o Portugal do século XIX, dos Cabrais à Regeneração, espelha-se na obra de Camilo. Mas, erudito, vem de trás, das crónicas vigiadas de Fernão Lopes aos cartapácios fantasiosos de Frei Bernardo de Brito; prosador exímio e mestre da língua, é herdeiro do Padre António Vieira e está também na génese de Aquilino Ribeiro; instável, sarcástico, violento e ao mesmo tempo lírico, encerra uma verdade envolta em fingimento que não deixa indiferente o leitor do século XXI.  

É um dos génios tutelares da cultura portuguesa. O seu nome próprio, Camilo, tem dimensão idêntica aos de Camões, Vieira, Bocage, Garrett, Antero, Eça, Cesário ou Pessoa. Amor de Perdição emparceira em peso e relevância canónicos com Os Lusíadas, Menina e Moça, Viagens na Minha Terra, Os Maias, O Livro de Cesário Verde, , Clepsidra, Mensagem, Andam Faunos pelos Bosques, A Selva, Mau Tempo no Canal, Sinais de Fogo, Para Sempre – clássicos absolutos. Escritores como Teixeira de Pascoais, Aquilino, Vitorino Nemésio, José Régio, João de Araújo Correia, entre muitos outros de primeira água, sentiram-se interpelados pelo génio do «colosso de Seide», dedicando-lhe estudos de amplitudes várias; também artistas plásticos como Roque Gameiro, Stuart Carvalhais, Francisco Valença, Leal da Câmara, Diogo de Macedo, Tom, João Abel Manta ou Mário Botas não lhe ficaram indiferentes.

O tempo, ele próprio – em boa parte graças aos jornais e às bibliotecas itinerantes, primeiro, ao audiovisual e aos curricula escolares, depois – encarregou-se de tornar o acervo literário de Camilo em elemento identitário dos portugueses, o que se verifica quando a cultura popular se deixa impregnar pela criação erudita, e vice-versa. Esse intercâmbio fecundo é a glória dos criadores: por um lado assegura a perenidade do seu nome e de parte da sua obra; por outro, acrescenta densidade à comunidade nacional em que o autor e os seus livros se fizeram.

O legado artístico camiliano constitui-se como património incomparável. O mesmo se passa com outras manifestações seculares equivalentes em importância: das cantigas de D. Dinis e os autos de Gil Vicente à obra romanesca dos nossos maiores escritores contemporâneos; das gravuras rupestres do Vale do Côa aos projectos de Siza Vieira, passando pelos painéis de Almada Negreiros; das sonatas de Carlos de Seixas às sinfonias de Luís de Freitas Branco e à guitarra de Carlos Paredes; dos retábulos da escola de Nuno Gonçalves às telas de Júlio Pomar, dos retratos de Columbano aos cartoons do seu genial irmão, Rafael Bordalo Pinheiro – a cultura portuguesa não é susceptível de ser apreendida sem estas, e outras, manifestações do espírito. Assim com Camilo Castelo Branco.


Texto inédito, datado de 31-V-2010

sexta-feira, fevereiro 21, 2025

2 versos de Camões

 «Já no largo Oceano navegavam, / As inquietas ondas apartando;»

Os Lusíadas I-19 (1572)

terça-feira, janeiro 07, 2025

4 versos de Camões

«E enquanto eu estes canto, e a vós não posso, / Sublime Rei, que não me atrevo a tanto, / Tomais as rédeas vós do Reino vosso: / Dareis matéria a nunca ouvido canto.» 

Os Lusíadas, I-15 (1572)

quinta-feira, dezembro 26, 2024

uma oitava de Camões

«Nem deixarão meus versos esquecidos / Aqueles que nos Reinos lá da Aurora / Se fizeram por armas tão subidos, / Vossa bandeira sempre vencedora; / Um Pacheco fortíssimo e os temidos / Almeidas, por quem sempre o Tejo chora, / Albuquerque terríbil, Castro forte, / E outros em quem poder não teve a morte.» 

Os Lusíadas I-14 (1572)

quarta-feira, dezembro 18, 2024

4 versos de Camões

«Pois se a troco de Carlos, rei de França, / ou de César, quereis igual memória, / Vede o primeiro Afonso, cuja lança / Escura faz qualquer estranha glória.;» 

 Os Lusíadas, I-13 (1572) 

quarta-feira, novembro 13, 2024

4 versos de Camões

«Por estes vos darei um Nuno fero, / Que fez ao rei e ao Reino tal serviço; / Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero / A cítara para eles cobiço;» 

Os Lusíadas I-12 (1572)