quarta-feira, setembro 02, 2026
1 verso de José Miguel Silva
sexta-feira, julho 31, 2026
3 versos de Camões
«Oh caminho da vida nunca certo, / Que aonde a gente põe sua esperança / Tenha a vida tão pouca segurança!»
Os Lusíadas (1572)
quarta-feira, julho 22, 2026
Camões, pobre Camões
Por cima do maior aquífero de água doce da Península Ibérica, e com um aeroporto já construído ao lado (Beja -- a muito menos de uma hora da capital em TGV), os zombies que há décadas governam continuam a empurrar o/um novo aeroporto às portas de Lisboa, o mesmo é dizer, na grande Lisboa.
Rebentar com o país, encher o bandulho aos industriais do turismo, aos empreiteiros e aos lacaios que lhes tratam das papeladas continua a ser o grande desígnio nacional.
Como velhíssimo do Restelo, lamento que o Camões continue a servir de fantoche a estes arautos do desenvolvimento e do crescimento -- na verdade da ganância mais desavergonhada.
quinta-feira, junho 18, 2026
5 versos de Camões
«Mas a deusa em Cítera celebrada, / Vendo como deixava certa a rota / Por ir buscar a morte não cuidada, / Não consente que em terra tão remota /Se perca a gente dela tanto amada,»
Os Lusíadas (1572) - I,100
quarta-feira, maio 20, 2026
4 versos de Camões
«Não se contenta a gente portuguesa, / Mas seguindo a vitória estrui e mata; / A povoação sem muro e sem defesa / Esbombardeia, acende e desbarata.»
Os Lusíadas (1572) I-90
sexta-feira, maio 08, 2026
4 versos de Camões
«Eis nos batéis o fogo se alevanta / Na furiosa e dura artilharia; / A plúmbea péla mata, o brado espanta; / Ferido, o ar retumba e assobia.»
Os Lusíadas (1572) , I-89
terça-feira, março 31, 2026
3 versos de Camões
«Entre gentes tão poucas e medrosas, / Não mostra quanto pode, e com razão, / Que é fraqueza entre as ovelhas ser leão.»
Os Lusíadas (1572) - Canto I-68
quinta-feira, fevereiro 19, 2026
4 versos de Camões
«"Desse Deus-Homem, alto e infinito, / Os livros, que tu pedes, não trazia, / Que bem posso escusar trazer escrito / Em papel o que na alma andar devia.. ["]»
Os Lusíadas (1572) - I-66
quinta-feira, janeiro 29, 2026
4 versos de Camões
«Nem sou da terra, nem da geração / Das gentes enojosas de Turquia, / Mas sou da forte Europa belicosa; / Busco as terras da Índia tão famosa.»
Os Lusíadas (1572) - Canto I
quinta-feira, janeiro 08, 2026
4 versos de Camões
«E, porque tudo note e tudo veja, / Ao Capitão pedia que lhe dê / Mostra das fortes armas de que usavam / Quando c'os inimigos pelejavam.»
Os Lusíadas (1572) - I, 63
sexta-feira, dezembro 12, 2025
4 versos de Camões
«Também o Mouro astuto está confuso, / Olhando a cor, o trajo e a forte armada; / E, perguntando tudo, lhes dizia / Se porventura vinham de Turquia.»
Os Lusíadas (1572) - I-62
segunda-feira, outubro 20, 2025
4 versos de Camões
Está a gente marítima de Luso / Subida pela enxárcia de admirada, / Notando o estrangeiro modo e uso, / E a linguagem tão bárbara e enleada.»
Os Lusíadas, I-62 (1572)
quinta-feira, julho 17, 2025
4 versos de Camões
«Os furiosos ventos repousavam / Pelas covas escuras peregrinas; / Porém da armada a gente vigiava, / Como por longo tempo costumava.»
Os Lusíadas , I-58 (1572)
quarta-feira, junho 11, 2025
bandidos à solta
São pequenas aberrações, larvas para extermínio antes que se desenvolvam. A polícia deve saber onde param, nas claques dos futebóis, por exemplo, mas não só. Atacaram em grupo, como é timbre destes cobardes, que se dizem nacionalistas, mas aposto que cada-palavra-cada-erro. Nacionalistas, dizem-se, pobres diabos, que atacam o actor Adérito Lopes, que, n'A Barraca, sob a direcção de Maria do Céu Guerra, interpretava o papel de Camões no Dia de Camões. Nacionalistas de caricatura cujo grupo se autoidentifica com um nome inglês... Trinta anos depois de o pacato Alcindo Monteiro ser assassinado por criaturas destas.
"Remigração", parece que estava escrito nos papelotes que estes inúteis deixaram no local do crime. Compreende-se, têm medo que o RSI não dê para todos... "Remigração" é também uma palavra usada pela cúpula do Chega, o segundo partido da parvalheira. Les beaux esprits...
Grande admiração pela classe de Maria do Céu Guerra, enorme!, no modo como se refere ao sucedido; e elogio claro a Carlos Moedas, que logo se deslocou ao local, dizendo que "isto não pode acontecer"! (Estou-me nas tintas se estamos em pré-campanha.) Pois não pode... Isto não é caso de polícia, mas de contraterrorismo. Têm os meios, mexam-se!...
4 versos de Camões
«A noite se passou na lassa frota, / Com estranha alegria e não cuidada, / Por acharem, da terra tão remota, / Nova de tanto tempo desejada.»
Os Lusíadas, I, 57 (1572)
terça-feira, junho 10, 2025
quinta-feira, maio 15, 2025
2 versos de Camões
«Tão brandamente os ventos os levavam / Como quem o Céu tinha por amigo;»
Os Lusíadas, I,43 (1572)
sexta-feira, abril 11, 2025
«"presença": esboço para uma antologia pessoal»
domingo, março 16, 2025
Camilo Castelo Branco, no dia do bicentenário
| Rafael Bordalo Pinheiro |
Escritor
completo, cultivou todos os géneros literários: é o efabulador romântico de Romance de um Homem Rico (1861) e Amor de Perdição (1862), o escritor
realista de A Queda dum Anjo (1866) ou
O Retrato de Ricardina (1868), o
romancista “histórico” de A Filha do Regicida (1875), o autor
ironicamente à la page com o
naturalismo em Eusébio Macário (1879)
e A Corja (1880); é o poeta de Nas Trevas (1890); o dramaturgo de O Morgado de Fafe em Lisboa (1861); o
folhetinista de cordel de Maria! Não me
Mates que Sou Tua Mãe (1841); o polemista de O Clero e o Sr. Alexandre Herculano (1850) ou Vaidades Irritadas e Irritantes (1866); o memorialista das Memórias do Cárcere (1862); o crítico de
Esboços e Apreciações Literárias
(1865); o biógrafo de D. António
Entre as convulsões da Guerra Civil e a agonia do Ultimato, o Portugal do século XIX, dos Cabrais à Regeneração, espelha-se na obra de Camilo. Mas, erudito, vem de trás, das crónicas vigiadas de Fernão Lopes aos cartapácios fantasiosos de Frei Bernardo de Brito; prosador exímio e mestre da língua, é herdeiro do Padre António Vieira e está também na génese de Aquilino Ribeiro; instável, sarcástico, violento e ao mesmo tempo lírico, encerra uma verdade envolta em fingimento que não deixa indiferente o leitor do século XXI.
É um dos génios tutelares da cultura portuguesa. O seu nome próprio, Camilo, tem dimensão idêntica aos de Camões, Vieira, Bocage, Garrett, Antero, Eça, Cesário ou Pessoa. Amor de Perdição emparceira em peso e relevância canónicos com Os Lusíadas, Menina e Moça, Viagens na Minha Terra, Os Maias, O Livro de Cesário Verde, Só, Clepsidra, Mensagem, Andam Faunos pelos Bosques, A Selva, Mau Tempo no Canal, Sinais de Fogo, Para Sempre – clássicos absolutos. Escritores como Teixeira de Pascoais, Aquilino, Vitorino Nemésio, José Régio, João de Araújo Correia, entre muitos outros de primeira água, sentiram-se interpelados pelo génio do «colosso de Seide», dedicando-lhe estudos de amplitudes várias; também artistas plásticos como Roque Gameiro, Stuart Carvalhais, Francisco Valença, Leal da Câmara, Diogo de Macedo, Tom, João Abel Manta ou Mário Botas não lhe ficaram indiferentes.
O tempo, ele próprio – em boa parte graças aos jornais e às bibliotecas itinerantes, primeiro, ao audiovisual e aos curricula escolares, depois – encarregou-se de tornar o acervo literário de Camilo em elemento identitário dos portugueses, o que se verifica quando a cultura popular se deixa impregnar pela criação erudita, e vice-versa. Esse intercâmbio fecundo é a glória dos criadores: por um lado assegura a perenidade do seu nome e de parte da sua obra; por outro, acrescenta densidade à comunidade nacional em que o autor e os seus livros se fizeram.
O
legado artístico camiliano constitui-se como património incomparável. O mesmo
se passa com outras manifestações seculares equivalentes em importância: das
cantigas de D. Dinis e os autos de Gil Vicente à obra romanesca dos nossos maiores
escritores contemporâneos; das gravuras rupestres do Vale do Côa aos projectos
de Siza Vieira, passando pelos painéis de Almada Negreiros; das sonatas de
Carlos de Seixas às sinfonias de Luís de Freitas Branco e à guitarra de Carlos
Paredes; dos retábulos da escola de Nuno Gonçalves às telas de Júlio Pomar, dos
retratos de Columbano aos cartoons do
seu genial irmão, Rafael Bordalo Pinheiro – a cultura portuguesa não é susceptível
de ser apreendida sem estas, e outras, manifestações do espírito. Assim com
Camilo Castelo Branco.
Texto inédito, datado de 31-V-2010
sexta-feira, fevereiro 21, 2025
2 versos de Camões
«Já no largo Oceano navegavam, / As inquietas ondas apartando;»
Os Lusíadas I-19 (1572)