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sexta-feira, maio 04, 2018

Sócrates, o PS, eleições, etc.

Chegado aqui, creio que reafirmo tudo o que escrevi sobre o caso Sócrates. (É fácil ver se há incoerência da minha parte: cliquem na etiqueta 'José Sócrates', e vão lá ver).


No entanto, há novidades.


A primeira é a difusão das gravações dos interrogatórios, agora em imagem, depois de terem sido, pelo menos parte delas, bastamente transcritas pelos jornais. Assisti à quase totalidade do que foi transmitido pela sic, e sobre isso já escrevi; no canal do correio da manha só assisti, por puro voyeurismo, ao interrogatório a Fernanda Câncio, com comentários toscos em off para a audiência analfabruta. Um dos casos em que não se pode alegar "interesse público", mas intromissão e violação grosseira e criminosa dos direitos básicos de uma cidadã.

A maior novidade é a admissão por parte de Sócrates de um esquema para alcandorar o seu livro ao top de vendas. Enfim, por piedade, dispenso-me de classificar esse comportamento e a justificação dele, dizendo, no entanto -- e sem que isso seja uma atenuante --, que no mundo dos livros conheço vários casos de miséria moral, de autores que se prostituem e envilecem por causa das obritas paridas pelas suas cabecitas. É evidente que para este tipo de pessoas, a literatura em geral, seja ela de ficção ou de ideias, é puramente instrumental. Normalmente, o tempo, mais cedo do que tarde, acabará por remetê-los, livritos & autorecos, para a irrelevância que foi sempre a sua, por muitos topes, lançamentos e aparições na televisão que logrem. A imagem de grand seigneur com que Sócrates fantasiou -- impossível para quem, como eu, tem memória de elefante e se lembra da entrevista dos "filósofos espanhóis" -- resulta improcedente desde a confissão do pecadilho da vaidade.

O PS não podia deixar de reagir, ainda por cima com o caso Manuel Pinho a aquecer a Primavera. Fê-lo bem um apreensivo António Costa, no Canadá; pelo que li dos outros, terão ficado pior na fotografia: protestos de potencial vergonha, com 'ses' e tudo, ou se manifesta logo com os 'ses' devidos ou guarda de Conrado o prudente silêncio´, pelo menos até ao anúncio duma sentença, e não agora porque há eleições à vista. Se, à conta destas tropelias, o PS não tiver maioria absoluta e a direita continuar arredada do Poder, já valeu a pena.

O texto de Sócrates no Jornal de Notícias.

P.S. (post sciptum) - no meio disto, os vigaristas da direita continuam incólumes, dos submarinos do CDS aos próceres do cavaquismo.

sábado, outubro 21, 2017

Sócrates: isto está a ficar cómico

Correndo o risco de me chamarem socrático -- para o que, devo dizer em bom português, me estou a cagar --, a trágica semana que passou teve, pelo menos, dois afloramentos sobre Sócrates plantados nos noticiários, particularmente cómicos pelo que parecem revelar duma certa aflição do Ministério Público em fazer prova das acusações em que "acredita" (entre aspas, porque é um termo muito utilizado pelo jornalistas a quem têm sido servidas fatias do processo, ao longo dos último meses):~

a primeira que li por aí é que -- para responder à perplexidade de Sócrates ser acusado de corrupção nos casos Parque Escolar, PT, TGV e Vale do Lobo, enquanto os ministros das respectivas pastas saíram incólumes -- dava-se conhecimento à opinião pública de que os governantes foram manipulados, não tendo consciência do que estavam a despachar. Fui ver a composição dos governos, e verifiquei que nas pastas das Finanças, Ambiente, Economia, Educação e Obras Públicas, Transportes e Comunicações, estiveram: Campos e Cunha (o único que se pôs ao fresco), Teixeira dos Santos, Nunes Correia, Dulce Pássaro, Manuel Pinho, José Vieira da Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Isabel Alçada, Mário Lino e António Mendonça. É capaz de ser gente a mais a revelar-se tão ingénua e/ou impreparada. Enfim, parece-me difícil;

a segunda, típica campanha orquestrada, foi a de ontem: "Sócrates não é engenheiro", titularam todos os media, a partir de um esclarecimento difundido pela respectiva Ordem, vindo, obviamente,  confundir a opinião pública (ah, o curso...). Ora acontece que Sócrates é mesmo engenheiro por formação académica, um engenheiro que não exerce, como sucede a tanta gente: Fialho de Almeida era médico, médico era Jaime Cortesão, enquanto que o seu irmão, Armando Cortesão, foi engenheiro agrónomo, ou Jorge de Sena, engenheiro civil. Nada disto é extraordinário, mas percebe-se o objectivo, o que leva-me a perguntar: está o MP assim tão inseguro? E, já agora: giro, giro teria sido a distinta Ordem dos Engenheiros pronunciar-dr quando Sócrates era primeiro-ministro. Agora, presta-se ao pouco dignificante papel de vir ajudar a malhar em quem, com razões ou sem elas, está no chão.