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quarta-feira, julho 19, 2023

150 portugueses #12. Pedro Hispano / João XXI (Lisboa, c. 1215 - Viterbo, 1276)

 

Para um futuro blogue. Único papa português, foi um grande nome da medicina, da filosofia e da teologia do seu tempo. Filho de um médico da corte e também chanceler de D. Sancho I, Pedro Julião Rebolo, nascido em Lisboa, terá estudado na Sé, desde muito jovem, seguindo depois para Paris ou Montpellier, onde foi discípulo de S. Alberto Magno, e condiscípulo de S. Tomás de Aquino e São Boaventura, tendo Pedro Hispano escrito comentários em primeira mão a Aristóteles -- o primeiro a comentar De Anima -- a partir dos filósofos árabes, como Averróis, Avicena e outros. Dento da escolástica medieval, como informa João Ferreira no verbete do Dicionário de História de Portugal, a especulação filosófica de Pedro Hispano, dava-se em torno das potenciais relações alma/corpo. Enquanto médico, foi autor de vários tratados, dos quais se destaca o Thesarus Pauperum, com mais de oitenta edições e traduções nas principais línguas europeias. Se Santo António foi o primeiro português a firmar o nome na história da cultura ocidental -- palavras de Francisco Fernando Lopes, que já citei --, seguiu-se-lhe Pedro Hispano. Eleito papa em Setembro de 1276, os seus oito meses de pontificado são intensíssimos, até que a morte sobrevém, atingido por uma pedra durante uma visita às obras da catedral de Viterbo, o que deu origem às especulações do costume. Na Divina Comédia, Dante situa-o no Paraíso, pois claro.

Uma edição do séc. XVI do Thesaurus Pauperum


domingo, janeiro 10, 2021

os debates (8)

 Ana Gomes-Marcelo Rebelo de Sousa. Uma superioridade visível no debate por parte do actual PR, com o caldo a entornar-se no fim, desnecessariamente, com aquela alusão viperina a Ricardo Salgado, desnecessária além de deselegante. Ana Gomes, mal assessorada, com o fito de marcar uns pontinhos, teve uma atitude em tudo idêntica à do ignóbil Ventura com a alusão a Paulo Pedroso.

Marisa Matias-Tyago Mayan Gonçalves. Talvez o melhor debate de todos. O formato, no entanto é péssimo, e portanto não deu para muito mais para além do que já se sabia.

João Ferreira-Vitorino Silva. O Tino de Rans é uma personagem de quem todos gostam, de uma maneira ou outra. Independentemente das suas ambições mais profundas, se as tem, é um indivíduo interessantíssimo e desarmante. Acho que nunca vi o João ferreira tão risonho como hoje...

O formato dos debates foi péssimo, meia hora para debater é indigente. Mas a verdade é que não havia grande debate a fazer-se numa eleição presidencial como esta. Nada ou muito pouco de política externa, CPLP, património histórico e cultural, de que o Presidente deve ser o principal garante, e um longo etecetera.


sábado, janeiro 09, 2021

os debates (7)

Ana Gomes-André Ventura. O esgar de nojo que por duas vezes Ana Gomes assestou ao boneco bastou. Dos três à esquerda quem, para mim, melhor susteve a marioneta foi Marisa Matias; mas o os mais eficazes foram os outros três, Marcelo em primeiro lugar.

João Ferreira-Maria Matias. O único verdadeiro debate da noite. Aprecio ambos, prefiro o discurso de Ferreira.

Tiago Mayan Gonçalves-Vitorino Silva. O liberal não disse nada que já não lhe ouvíramos; Tino é um homem do chão que eleva os outros.

quinta-feira, janeiro 07, 2021

os debates (5)

André Ventura-Marcelo Rebelo de Sousa. Não me lembro de ver Marcelo tão irritado, apesar da bonomia exemplar que usa. Aliás, é precisa a paciência dum santo para aturar aquele linguarejar para a tasca. Marcelo esteve muito melhor do que esperava. Boa moderação.

João Ferreira-Tiago Mayan Gonçalves. Uma interessante troca de pontos de vista sobre duas inexequibilidades. A moderação foi competente. O único verdadeiro debate, uma vez que o anterior não pode realmente ser considerado como tal. É possível discutir com um vendedor de banha da cobra? Não é. Há apenas que expô-lo na aldrabice larvar. 

Ana Gomes-Vitorino Silva. Não foi um debate. 


quarta-feira, janeiro 06, 2021

os debates (4)

Ana Gomes-João Ferreira. Quando ia a começar a haver debate, o tempo acabou. Alguém explica àquele tipo que debates não são entrevistas paralelas? Um inferno.

André Ventura-Tiago Mayan Gonçalves. O candidato liberal e o candidato de taberna. A incompatibilidade foi total e a clara. Já se esperava, mas esplêndido.

Marisa Matias-Vitorino Silva. Não houve debate, como era previsível. De qualquer modo, ficámos a saber que era o João XXI, é o Guterres e há-de ser o Tino.

terça-feira, janeiro 05, 2021

os debates (3)

João Ferreira-Marcelo Rebelo de Sousa. Um bom debate, sem uma moderação excepcional, mas que pelo menos permitiu algum diálogo, embora sem grande controvérsia. As divergências eram conhecidas e o debate fez-se com civilidade e simpatia mútuas. 

Ana Gomes-Marisa Matias. Passei um bocado pelas brasas, tenho de confessar. Já conhecíamos as diferenças e as semelhanças. Aguardo os próximos. A moderação cansou-me.

André Ventura-Vitorino Silva. E Tino de Rans foi ao Forte de Peniche tomar alento para o frente-a-frente. Trouxe do mar pedras de várias cores e pô-las na mesa. Lindo.

domingo, janeiro 03, 2021

os debates

Marcelo Rebelo de Sousa-Marisa Matias. É a candidata mais empática, mais despida dos artifícios performativos da actuação política. Seria talvez a melhor presidente, mesmo vinda de um partido que cada vez mais me é desagradável. Foi envolvida por Marcelo, essa velha raposa. Estiveram ambos bem, num debate que não acrescentou nada, a não ser a explicação convincente relativamente à "falta" para com a viúva do imigrante assassinado por agentes do Estado, Ihor Omeniuk. O moderador, sempre em correria, cansou-me. Candidato à pergunta mais idiota: a de saber se um mau resultado prejudicaria a eventual pretensão de Maria a coordenadora do BE. A intriga, o sarro de politica-lha com que se entretêm entre si e só interessa esse tipo de parasitas que se nutrem à volta dos jogos de poder.

André Ventura-João Ferreira. Se é uma questão de decibéis e falta de vergonha, Ventura ganhou o debate, mesmo quando Ferreira expõe o carácter mentiroso do oponente e lhe lança no fim com os três votos sobre o Novo Banco: contra, abstenção e a favor. Nunca visto. Claro que o atirar das torpezas do bolchevismo e a impossibilidade de João Ferreira de demarcar daquilo, não o favorece. Este devia ter sido mais incisivo no destapar dos financiadores de Ventura, de quem este é testa de ferro, fantoche. A moderadora, que aprecio como pivot, foi muito atacada. Não é fácil pôr ordem naqueles galifões. mas a acusação de que as perguntas estavam montadas, até pela suspeição de que um dos financiadores de Ventura é accionista da TVI é gravíssimo. O jornalismo nunca foi grande coisa neste país, mas está assim tão baixo?

domingo, dezembro 20, 2020

JornaL - por favor, não me cansem com conversa fiada

Graça Freitas. Agradeceu à Natureza o ter passado incólume pelo ataque do SARS.Cov2. Por cá ainda não temos a parvoíce de agradecimentos públicos a Deus ou encomenda de orações, como sucede nos Estados Unidos, essa espécie de Arábia Saudita em potência do Ocidente.

Partidos. Cheguei à conclusão que, no actual sistema, os partidos mais necessários à ecologia dos portugueses são o PCP e o CDS. Um dia destes explico. A propósito: a entrevista de João Ferreira à RTP foi bastante boa. Zero de demagogia. Gostei.

Presidenciais. Já tive mais vontade de votar em Marcelo, na verdade o único candidato a sério. No entanto... Decido-me depois dos debates. 

Tortura. Ihor Omeniuk foi torturado até à morte num cubículo sem câmaras de vigilância. Enquanto não houver um sistema de interno de captação de imagens, susceptível de ser requisitado para visionamento, excepto nos sanitários, escusam os responsáveis de virem maçar os cidadãos com conversa fiada. Quero começar a ouvir o que os partidos políticos têm a dizer sobre isto. É insuportável

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

os candidatos às eleições europeias

A sério -- o PS não arranja melhor do que Pedro Marques?... Deve ser um rapaz muito esperto, mas pensamento sobre a Europa foi coisa que nunca ouvi vindo dali. Até posso perceber que em tempos cristínicos e cretinos não seja, digamos, mobilizador avançar com alguém com substância como cabeça de lista, como, por exemplo Maria João Rodrigues; ou, mudando de partido, que o PSD continue a apostar num demagogo bem falante, em vez, por exemplo, de José Manuel Fernandes, que parece ser um grande deputado europeu. É por estas e por outras que os partidos progressivamente se alienam da cidadania
Os tempos não estão fáceis. O CDS, completamente desinteressante e irrelevante, joga pelo seguro; Bloco e CDU, idem, mas estes não são europeístas: BE, numa inconsistência de nem-carne-nem-peixe; PCP, em isolacionismo tipo albanês, apesar de os deputados (BE e PCP) serem muito bons; porém, não interessam: se votar em Marques, Rangel ou Melo é um voto deitado para o lixo, que não serve para nada, Matias ou Ferreira representam partidos que são puros impasses em política europeia -- e um dos problemas da UE é o impasse, o imobilismo, a estagnação, a letargia.
Ou seja: a União Europeia, e estas eleições, que são talvez as mais importantes de sempre, passam à margem dos cinco partidos parlamentares; quem quiser discutir e pensar a União Europeia nestes tempos críticos, e não apenas crestínicos, de forma estruturada, só terá duas hipóteses a atender: o Livre, qualquer que venha a ser o candidato, que pensa a Europa desde que foi fundado (aliás, a Europa e a União que integramos está nos fundamentos do próprio partido), veremos como se vai comportar; e, curiosamente, um partido anedótico, o Aliança, que surpreende com Paulo Almeida Sande, o único cabeça de lista dos anunciados com músculo europeu.