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terça-feira, maio 25, 2021

terrorismos de estado -- ou a União Europeia como seguro de vida de Lukashenko, enquanto Putin não se fartar



O sequestro de um avião de passageiros em trânsito entre Atenas e Vilnius (duas capitais da União Europeia) por meios aéreos da aviação bielorrussa é uma acto gravíssimo, sequer à luz do Direito Internacional, como dos próprios Direitos Humanos.

Tenho ouvido umas indignações selectivas quanto ao acto de pirataria, esquecendo que não há muitos anos, a força aérea americana desviou um outro avião onde seguia Evo Morales, obrigando-o a aterrar em Viena, já nem me lembro bem porque razão (talvez estivessem atrás do Snowden não me recordo). 

Pirataria por pirataria, portanto, é o pão nosso de cada dia. O que me importa é o casal de reféns daquela criatura que dá pelo nome de Lukashenko. Aliás, a Ryan Air nunca deveria ter levantado voo sem os passageiros, e depois é que iria ver-se.

Que ele faz o que faz porque tem as costas quentes do Putin (não sei se lhe foi pedir autorização), é evidente. Uma crise como esta só é possível pelo acantonamento de Putin, que, obviamente, entre ter um títere à porta de casa e um agente da CIA, só se fosse estúpido preferiria o segundo, dando o flanco à pirataria dos Estados Unidos, com um longo cadastro, aliás bastante assinalável na região, das Ucrânias às Geórgias.

Como tudo se irá passar, não será sob os nossos olhos. Na Europa manda a Alemanha, que nunca perdeu o tique de grande potência, com as suas áreas de influência, que disputa com a Rússia. Mas como na Alemanha mandam os Estados Unidos, até ver, creio que as coisas se podem complicar. Para quem? Em primeiro lugar para o refém de Lukashenko; depois só para a União Europeia. 

Porquê? Porque Putin não brinca em serviço, e sabe que a aposta americana é a neutralização da Rússia; e sabe também que a União Europeia, para as questões estratégicas, nada mais é do que um cãozinho obediente do presidente que estiver no cargo. 

Porque Lukashenko sabe que com o Putin não se brinca, é que se permitiu a uma diabrura destas. Portanto: a irresponsabilidade, cegueira e estupidez dos Estados Unidos (não é novidade) e da UE (também não...) protegem o ditador bielorrusso, que Putin só fara cair se e quando lhe apetecer.

quinta-feira, julho 04, 2013

da dignidade, e da falta dela

Além desta coreografia mimosa com que Portas & Coelho brindam o país, o MNE ainda conseguiu tornar-se protagonista dum grave incidente diplomático com a Bolívia e, por extensão, com a América do Sul, pela postura acocorada do governo. (E atenção que eu não sou antiamericano. Nada me irrita mais do que o antiamericanismo primário e bacoco. Para ser antiamericano, teria de ser, antes disso e ainda mais, anti-russo, antichinês ou antialemão...). 
Morales, que parece ter mais dignidade que os governantes portugueses, não vai deixar passar o caso em claro.

quinta-feira, maio 04, 2006

Escrever na areia - A falar fininho

O índio Morales resolveu, como presidente democraticamente eleito da Bolívia, ter uma palavra a dizer sobre a exploração dos recursos naturais do seu país. Os governos dos estados a que pertencem as empresas visadas mostraram uma natural preocupação pelo ditame do Cocalero. Mas, como é óbvio, estão a dialogar, no que são acompanhados -- de acordo com as últimas notícias -- pela Petrobras e pela Repsol, que já fizeram saber da sua aceitação de princípio das reivindicações bolivianas.
Decisão politicamente legítima, embora controversa, foi acolhida entre nós com aquela histeria a que nos habituaram alguns plumitivos esportulados. Cheguei a ler que era uma medida que retirava «credibilidade» ao país, dificultando a atracção do investimento estrangeiro... Ora a Bolívia, que não é propriamente o Canadá, ou sequer a Argentina, nunca até agora foi particularmente conhecida pela credibilidade... Mas para os escreventes amestrados, que não sabem ver para além da sua carteira de títulos, todos os particularismos -- como a circunstância de grande parte daquela população viver em extrema pobreza, independentemente dos governos credíveis e amigos das empresas que tem conhecido ao longo das décadas -- são irrelevantes. Há que debitar pela cartilha, com autoridade e voz grossa.
As multinacionais, como não podem deslocalizar o subsolo boliviano, contemporizam, que remédio!, pelo menos até o índio Morales ser apeado ou comprado. Mas, para já, comove vê-las a falar tão fininho...