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segunda-feira, março 02, 2020

Polanski, grande Polanski

O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX.  Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do  escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.



sexta-feira, agosto 30, 2019

JornaL

Boris Johnson. Chico-esperto. E, pelos vistos, a monarquia não serve para nada, Só não torço para que ela acabe porque assim deixaria de ver todos os dias a Kate Middelton, normalmente na secção das notícias estúpidas, como esta, de onde tirei a fotografia; mas tratando-se de uma mulher incrivelmente bela, quero lá saber. E antes uma foto dela do que deste PM que arrisca ser defenestrado.
Carlos Moedas. Parece que era o primeiro a levar a cacetada dos zombies da troika, no tempo de Passos Coelho. Não sei que papel teve no PSD quando este chumbou o PEC IV -- depois da comédia do leite achocolatado -- que nos entregou nos braços da dita troika; espero que não tenha esse cadastro. Amadureceu muito, e esteve bem durante a Geringonça, ao contrário de vários dos colegas de partido.
Chacais. Aqueles que já andam a enviar mensagens odientas aos pais da miudinha do medicamento de dois milhões.
Elisa Ferreira. Muito bem, claro.
Extinção. O Ministério Público pede a extinção do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas. Talvez fosse de pedir também a extinção do MP e fazer outro no seu lugar, com um Conselho Superior só constituído por trabalhadores. Gostava de lá ver, por exemplo, as peixeiras da lota de Cascais -- muito melhor figura.
Iberdrola. O Governo declarou de "imprescindível utilidade pública" a construção de duas barragens no Tâmega, a cargo da Iberdrola. A Quercus diz que um dos ecossistemas mais importantes do país vai ser abatido.  Depois do atentado em Alcochete, outro crime ambiental em perspectiva. Amazónia, não é?....
Partidos. É normal que gastem dinheiro em propaganda, comícios, espectáculos e até em brindes. Em agências de comunicação, enoja-me.
Polanski, grande Polanski. Terá sido um porco, mesmo bêbado e com uma mãe a pôr-lhe a filha adolescente a jeito. Nem há desculpa, nem é admissível uma perseguição eterna. Há quantas décadas isso foi? Não se retratou?; a vítima não lhe perdoou já?; o longo período em cativeiro na Suíça sem saber se seria extraditado para aquele país em que é perseguido por um juiz injusto, e certamente punheteiro, não foi já calvário suficiente? Não, claro que não, para estes inquisidores de meia-tigela. Mas ele aí está, e a fazer grande cinema. A propósito: a sua mulher e grande actriz é Emmanuelle Seigner. Seigner, mulher de Polanski há mais de trinta anos, declinou um convite para pertencer à academia de cinema de Hollywood, feito, aliás, depois de expulsar o marido. Onde estão os maus, os perversos?

domingo, novembro 10, 2013