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sexta-feira, setembro 13, 2024

ucraniana CCLXIII: o que vale é que os nossos generais-falcões estão aí para nos sossegar. E se os russos responderem?

1. Não sei o que se irá passar quando Starmer se encontrar com Biden. Sempre receei este momento: perante a possibilidade de Trump ganhar as próximas eleições, os neocons que funcionam com democratas e republicanos arriscarem, em desespero, subir a parada. Os ingleses, cães-de-fila dos americanos.

2. Entretanto um dos maiores criminosos de guerra vivos, Dick Cheney, declarou apoio a Kamala Harris, como se houvesse dúvidas sobre o que é o partido democrata. Aterroriza-me mais a influência deste facínora e doutros do mesmo jaez, que o aldrabão do Trump, com a sua campanha dirigida ao gado eleitoral, a propósito da dieta alimentar dos imigrantes.

3. Quando foi eleito, Zelensky, que não era o candidato dos americanos, prometeu trazer a paz à Ucrânia. E trouxe: a paz dos cemitérios.

4. Cenários para o cumprimento da ameaça: ainda consigo achar graça às ameaças de Medvedev. Claro que, subindo a parada, os russos não atacarão a Grã-Bretanha, nesta fase. Prevejo, nesse caso, duas possibilidades, para além de cenas malucas no ciberespaço, o pão-nosso-de-cada-dia: uma ameixa nuclear táctica em solo ucraniano, com um alvo muito bem escolhido (Lviv, quem sabe? Seria uma mortandade...); ou uma acção contra a Inglaterra directamente proporcional à sabotagem dos Nordstream. Acredito mais nesta possibilidade.

5.  O que vale é os nossos generais-falcões, Isidro e Arnaut, nos garantirem de que isto é tudo paleio dos russos, ou seja, vão comer e calar, ou ladrar e não morder. Não sei. Parece que os russos já têm dinheiro para comprar botas, e aumentaram as importações das máquinas de lavar...

terça-feira, julho 23, 2024

ucraniana CCLVII - Arnaut e Isidro, a minha concordância com ambos; mas um pouco de coerência é precisa desse lado

Nesta guerra cuidadosamente preparada pelos Estados Unidos contra a Rússia tento ouvir, de vez em quando os militares que estão do lado de lá, ou seja do conglomerado CIA-Pentágono, aka Estados Unidos da América. Eles lá têm as suas razões como eu tenho as minhas; no entanto, ao contrário da maior parte dos pobres académicos das RI e do Direito Internacional, que não percebiam nada do que se estava a passar, em 2022, os militares sabiam e sabem-no muito bem.

Foi por isso divertido ouvir, na passada sexta-feira, a propósito da previsível eleição de Trump, o seguinte:

1) De manhã, na Rádio Observador, o general Arnaut Moreira sai-se com esta: não pense Putin que com Trump serão favas contadas, uma vez que o homem é imprevisível, e tanto pode cair para um lado como para o outro. 

Fiquei sonhador... Então o Trump não era uma marioneta do Putin, que este fizera eleger?... Em que ficamos?

2) À noite, talvez já na madrugada de Sábado, o general Isidro Morais Pereira, comentando também a possibilidade de novo-velho inquilino na Casa Branca, a partir do ano que vem, defendia que não será nada fácil a Trump inflectir o caminho já percorrido, dado o poder fortíssimo (creio que foi assim que classificou; não juro, mas a ideia é essa) do complexo militar-industrial norte-americano o tornaria muito difícil

Fenece-me o entendimento. Então também o general Isidro aponta o conglomerado militar americano -- que nós, radicais-e-mais-não-sei-o-quê  acusamos como principais fautores do belicismo americano -- como um factor importantíssimo na continuação da guerra?...

Quando convém, Trump passa de títere a enfant terrible; já o altruísmo americano, que no fundo no fundo só quer ajudar a Ucrânia a livrar-se do urso russo, e todos os biliões de dólares que generosamente os Estados Unidos dão e emprestam ao país para comprar o seu armamento -- com a aquiescência bovina da União Europeia -- afinal, afinal os americanos são uma cambada de interesseiros, que põem o país a ferro e fogo para salvá-lo dos russos, é claro, mas não devemos esquecer que o interessezinho da indústria de armamento tem de ser levado em conta; e é-o de tal maneira que nem o futuro presidente, o horrível e imprevisível Trump terá força suficiente para domá-los.  Ah, pois é...

Suponho, pois, que, de acordo com o nosso general, a saga da emancipação dos ucranianos continuará, mesmo que à custa da Ucrânia e dos ucranianos, sem esquecer os onagros da UE. É sempre bom ouvi-los, de vez em quando.

PS - Ah, e claro!, a Nato avançar para as fronteiras russas com a cia a desestabilizar e a criar "revoluções" no interior, isso é tudo teoria da conspiração, é claro. Afinal, há lá coisa mais bela que a democracy, que o digam os iraquianos, os palestinos e os reféns israelitas. 

domingo, fevereiro 25, 2024

ucraniana CCXXV - a derrota do jornalismo, da cidadania e da liberdade: dois anos de incompetência e miséria moral

Uma regra básica do jornalismo é a de ouvir ambas as partes em qualquer situação. E nem me refiro às versões dos dirigentes, que essas passam sempre de um modo ou de outro, mas as pessoas, os lados, e já agora também as opiniões.

Para além das doses maciças de propaganda a que somos sujeitos, algo nunca visto desde a Guerra Fria, para além da censura objectiva, como o do acesso aos canais russos (de propaganda, segundo a Comissão Europeia), não me lembro de ter assistido a um atropelamento tão grosseiro da liberdade de informar e do direito a ser informado.

Exemplo: enquanto que o sofrimento da população ucraniana é mostrado (e bem), o sofrimento dos russos do Donbass -- aqueles que o Bloco de Esquerda e o Livre esquecem quando dizem defender o direito à autodeterminação dos povos -- é praticamente silenciado, até porque ali não devem ter escolas, nem parques infantis, nem crianças (as tais que foram deportadas para a Rússia...).

Não é crível que, nomeadamente nas televisões e nas rádios, não haja jornalistas com deontologia. Claro que há; mas ou vão por sua conta, como Bruno Amaral de Carvalho (com o bónus de serem insultados por colegas de profissão), ou então é claro que não temos notícias do outro lado. (Honra seja feita à CNN-Portugal, creio que o único órgão de imprensa que transmitiu as suas reportagens).

Este atentado grosseiro à cidadania e à liberdade de informar e ser informado, é tragado por nós com a facilidade com que se bebe um copo de água.

Para além do básico, que é a ausência, ocultação e manipulação da informação, e do condicionamento dos cidadãos como se fossem atrasados mentais, temos o afastamento, silenciamento -- sem esquecer as múltiplas pressões e suspeições -- levantadas sobre quem tem uma perspectiva não alinhada (salvo, outra vez, a CNN-Portugal, apesar das doses maciças de propaganda da casa-mãe que despeja, e da impreparação de muitos dos pivôs). A RTP, televisão pública, é claramente insatisfatória, e é vergonhoso não ter ainda enviado um repórter para o Donbass, talvez porque o patrão não deixe. Tenho muitas vezes criticado José Eduardo Moniz, mas comparado com a nódoa do congénere da RTP, que nem sei quem é, fez mais aquele pela cidadania e pela liberdade, numa estação privada do que a televisão pública.

Poderia falar de outros casos grosseiros de manipulação e condicionamento, como o da Rádio Observador, para quem já nem serve o coronel Mendes Dias, assumido defensor de uma vitória do Ocidente, mas analista honesto, para não falar do major-general Carlos Branco, que rapidamente deixou de ser convidado para comentar. Para eles, militares só os majores-generais Isidro e Arnaut e civis do jaez do catedrático de circo cardinali que por lá têm. 

Claro que por muita censura da Comissão Europeia e manipulação merdiática, hoje podemos sempre aceder à informação que queremos, sem termos de estar exclusivamente sujeitos às declarações patetas dos nossos governantes e escapando à informação unilateral que procura impedir-nos de formarmos o nosso juízo.

Haver uma estação pública de televisão e rádio que, numa guerra desta magnitude e consequências, se abstém do dever de informar com equilíbrio e isenção, ouvindo e reportando o que sucede nos dois lados, é o grau zero do jornalismo, um atentado à cidadania, um crime contra a liberdade.   

sexta-feira, outubro 20, 2023

não percebo se Biden é só estúpido ou acumula com a patifaria (ucranianas CCXVIII)

1. Agora é que está mesmo bom para o complexo militar-industrial norte-americano. Bora lá então para uma guerra generalizada. Isto, porque os Estados Unidos quiseram neutralizar a Rússia antes de se atirarem à China. O plano gizado para a harpia Clinton tem a sua efectivação com este senil.

2. Biden, o velho destroço arranjado pelo referido complexo militar-industrial, a arengar à carneirada.

3. Costumo apanhar o major-general Arnaut Moreira, com aquela sua pinta de entertainer, em várias, digamos, incongruências. Hoje de manhã na rádio Observador -- cujos comentadores da guerra são cuidadosamente escolhidos (já nem o coronel Mendes Dias lhes serve, apoiante declarado da estratégia Nato, mas sério na análise) -- (hoje de manhã) uma explicação geo-política para o antagonismo do Irão relativamente a Israel: segundo o militar, o estado judaico é a única entidade que pode obstar à supremacia iraniana na região, dado o poder militar de que dispõe. É extraordinário que este comentador se esqueça, numa análise semanal, certamente preparada com muita cabeça e não à cabeçada, como por vezes parece, que a maior força militar da região é a Turquia... Um pormenor que lhe estragaria a argumentação. 

segunda-feira, setembro 12, 2022

aconselho um pouco de calma (ucranianas CXXIII)

 Nota prévia: sou ignorante em muitas matérias, uma das quais a que concerne à táctica militar. A opinião que se segue estriba-se no que ouvi entre sábado à noite e hoje de manhã a três militares -- Mendes Dias, Arnaut Moreira e Isidro Morais Pereira --, todos partidários de uma derrota russa, embora, quanto a mim, apenas o primeiro se mostrasse objectivo e isento.

A contra-ofensiva ucraniana parece ser um facto, tal como os russos parecem ter sido surpreendidos, pelo que, a acreditar nas imagens vindas a público, estaremos entre a fuga, pela surpresa do ímpeto atacante e a retirada táctica, para reagrupamento e contra-ataque.

Não sei se o que fez a diferença foi o tal armamento ocidental; pelo que tenho ouvido, não terá sido decisivo, como desde o início sucede, o auxílio da Nato nas informações prestadas -- além, obviamente do ímpeto de quem defende o país, de onde deveremos retirar o Donbass, de maioria russa e em guerra desde 2014 (o que serve para os ucranianos serve também para os russos), para não falar na Crimeia, russa até à medula, reposta que foi a normalidade, corrigindo-se a parvoíce etilizada do camarada Krushtchev,

Passando da táctica para a estratégia, só podemos arriscar prognósticos, pois ninguém ainda sabe como isto vai acabar e se o bom senso irá prevalecer em ambos os lados:

A Rússia sairá sempre vitoriosa, embora parcialmente, se mantiver Donetsk e Lugansk -- a Crimeia é um dado mais do que adquirido --, além da interdição permanente da pertença da Ucrânia à Nato (quanto à UE, vamos ver); será derrotada se algum destes pressupostos não se verificarem -- para além da derrota objectiva que significa a adesão da Finlândia e da Suécia; no entanto estas não têm, nem de perto nem de longe a importância, desde logo simbólica que a Ucrânia tem para a Rússia.

Mas pode ser que o bom senso não impere, que o Pentágono -- a entidade que está a dar guerra aos russos utilizando a mão-de-obra ucraniana -- ache que pode alcançar um pouco mais e contribuir para a queda de Putin, o grande objectivo, uma jogada muito arriscada. Nesta altura, como mencionou Mendes Dias, há na Rússia mais radicais que o Putin no que respeita à Ucrânia e à guerra surda -- e agora sou eu que digo -- que os Estados Unidos lhe movem, com a cumplicidade perversa ou a subserviência enconada europeias, conforme os casos. Os próximos tempos dirão o que irá prevalecer, tudo depende da habitual ponderação dos interesses em jogo de cada parte.   

Quanto à situação no terreno, aconselho calma e algumas orações concernentes à resposta russa. Demasiado importante, Kiev tem sido poupada, e esperemos que assim continue.

   

segunda-feira, agosto 01, 2022

alucinações televisivas: a tudóloga, o sonso e a cabeça do major-general (ucranianas CXVI)

1. Inês Pedrosa, escritora e tudóloga, afirmou que a Nato já deveria ter intervindo na Ucrânia, nem se lembrando ou querendo saber que a aliança é alegadamente defensiva, e que por isso nunca haveria uma base jurídica -- que aqui entre nós não é para as grande potências: os russos não quiseram saber do Direito Internacional, quando se sentiram ameaçados na Ucrânia, nem os Estados Unidos, quando pretenderam pilhar o Iraque. Mas o descabelo é tal que passa por cima de uma mais que evidente III Guerra Mundial, como observou Raquel Varela, e bem, sendo que, para Pedrosa já lá estamos. Não percebe nada. Se estivéssemos já em III Guerra Mundial, ela não estaria ali sentada no estúdio a dizer asneiras.

2. Com a RTP, Vítor Gonçalves agraciou-nos com uma entrevista à conhecida jornalista Anne Applebaum, apresentada também como "historiadora". Nem para jornalista serve, quanto mais historiadora. O pretexto era o Holodomor, mas o propósito era fazer a identificação de Putin com Stálin, debitando toda a propaganda pentagonal. Ouvi dizer que a RTP anda à rasca de dinheiro, e vais gastar tempo e a minha paciência com merdas destas? Foda-se. Parecia a Cândida Pinto quando foi enviada da estação no início da guerra: estar lá ou estar em Lisboa seria a mesma coisa, pois também ela debitava vastamente a propaganda preparada pelo Pentágono para os seus bonecos. Ser jornalista não é isto, nem nada que se pareça. E um pormenor: Gonçalves, na introdução, referiu-se a Stálin como sendo russo, e não georgiano. Uma leitura benévola, alivitraria que o homem se enganou e terá querido dizer "soviético", mas eu não acredito, a minha benevolência já se esgotou há muito.

3. Cereja no topo do bolo: o major-general Arnaut Moreira, que sempre fez suas as palavras da propaganda, afirmou -- na sua "humilde opinião": se a Rússia não for travada na Ucrânia, "atenção ao Báltico!" Ora o major-general sabe que um ataque a um país da Nato será um ataque a todos, satisfazendo-se assim a vontade da tudóloga Inês Pedrosa. Mas ao contrário desta, o major-general até pesca disto, por isso assalta-me a pergunta: onde estava a cabeça do major-general? 

quinta-feira, março 31, 2022

sobre a guerra, os que oiço ou leio com atenção (ucranianas LVI)

 Susceptível de actualização ou correcção, os comentadores que vale a pena ouvir -- mesmo alguns mais alinhados com a Nato, ou mais anti-russos -- porque informados -- e inteligentemente prudentes:

militares: Agostinho Costa, Arnaut Moreira, Carlos Branco, Mendes Dias, Raul Cunha.

académicos: Filipe Vasconcelos Romão, Miguel Monjardino, Sónia Sénica.

jornalistas: Ana de Freitas (pivô incomparável da SIC); José Manuel Rosendo (RTP).

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