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quarta-feira, julho 15, 2026

2 versos de Fernando Assis Pacheco

«No ano em que eu era comido pelo escorbuto / chegavam as tuas enviadas com limões de oiro»

Memórias do Contencioso (1976)

terça-feira, junho 23, 2026

6 versos de Fernando Assis Pacheco

«e derramem-se-me os óleos / do coração e a / vista se me feche e cuspam / de longe neste gafo // se for para calar-me e não disser / o teu nome no fim, sempre o teu nome» 

Memórias do Contencioso (1976)

sexta-feira, junho 05, 2026

3 versos de Fernando Assis Pacheco

«a palavra não vinha / eu sentia-me cobrir lentamente de / com esse bolor espesso o Inverno» 

Memórias do Contencioso (1976)

terça-feira, abril 21, 2026

1 verso de Fernando Assis Pacheco

«"Deste um nome de incêndio a certas palavras» 

Cuidar dos Vivos (1963) - «Os amantes desencontrados»

terça-feira, março 24, 2026

1 verso de Fernando Assis Pacheco

«Com peso triste caminha na rua o Outono.» 

Cuidar dos Vivos (1963) -- «Tentas, de longe»

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

1 verso de Fernando Assis Pacheco

«Quem sabe, amor, onde o amor se fere?» 

Cuidar dos Vivos (1963)

terça-feira, fevereiro 10, 2026

3 versos de Fernando Assis Pacheco

«Eu vi as amantes ensandecerem / com esse peso de Outono. Perderem as forças / com o Outono masculino e sangrento.» 

Cuidar dos Vivos (1963) - «Peso de Outono» 

segunda-feira, janeiro 12, 2026

3 versos de Fernando Assis Pacheco

«acho tudo belo a Primavera no fim as árvores da praça / adormeceria aqui sentado / repleto com a minha meia idade atordoante» 

Siquer Este Refúgio (1976) - «Quarto Bairro, Paris»

segunda-feira, dezembro 01, 2025

2 versos de Fernando Assis Pacheco

«Como são belas de facto as árvores na Place des Vosges! mas nesse dia / eu andava pelo Marais com a mais uma vez morte presa aos cabelos» 

Siquer Este Refúgio (1976) - «Quarto Bairro, Paris»

quarta-feira, outubro 29, 2025

1 verso de Fernando Assis Pacheco

«Saudades de Luísa que me queria para novio é Agosto "amor o muerte" com o assentimento de pai e mãe» 

Siquer Este Refúgio (1976) - «Bouzas de Fondo, Orense: a muiñeira»

quarta-feira, outubro 08, 2025

2 versos de Fernando Assis Pacheco

«não: era de noite àquela hora a alegria / das casas funde-se com um estalido cruel» 

Siquer Este Refúgio (1976)

domingo, dezembro 15, 2024

os três guitarristas de Mark Knopfler

Os melhores e os seus mestres: para Mark Knopfler serão Hank Marvin (The Shadows), Chet Atkins e Stevie Ray Waughan, este um bluesman, o do meio um countryman, o primeiro, e único ainda vivo, um inglês de Newcastle. E faz todo o sentido. Como já tinha dito, a propósito das escolhas do Phil Collins, relativamente aos bateristas preferidos, o tipo que aqui fala sabe do que fala, e com que propriedade ele fala. Citando Fernando Assis Pacheco, fiquei freguês.

segunda-feira, abril 29, 2024

1 verso de Fernando Assis Pacheco

«cedo à "inspiração" para anotar o dístico há mais de um ano tentando a sua vez de ser um fecho aceitável» Siquer Este Refúgio (1976)

quinta-feira, abril 18, 2024

3 versos de Fernando Assis Pacheco

«acho tudo belo a Primavera no fim as árvores da praça / adormeceria aqui sentado / repleto com a minha meia idade atordoante»  Siquer Este Refúgio (1976)

terça-feira, abril 02, 2024

2 versos de Fernando Assis Pacheco

«Era de noite e eu pensava / não: era de noite uma outra noite mais antiga do que a narrativa deixa subentender» Siquer Este Refúgio (1976)

terça-feira, outubro 31, 2023

antologia improvável #522 - Fernando Assis Pacheco

 

3:


e vá-se-me dos dedos toda a agilidade escrevente

que eu já possa ditar só metade de versos


e que ao oitavo dia se me fujam

as referências do mundo visível


que eu dure sem préstimo lá ao canto

ao pé da telefonia, "o da manta de lã"


e as filhas venham casadas e com filhos

tentar amar esse madeiro podre


se a maldição for tanta que na morte

do entendimento se me vá teu cheiro


Memórias do Contencioso (1976)

quinta-feira, setembro 14, 2023

antologia improvável #505 - Fernando Assis Pacheco


 2:

em 1973 ponho de parte alguns 

álibis a começar pelo da fealdade própria

que mais me serve e tu soubeste

sempre para fingir libertino


tento aprender um jogo

afinal simples: desnudar-me e logo depois um outro:

revestir-me em quatro segundos ao cronómetro

pensava eu na minha que se deve à amada

tudo inclusive o espectáculo íntimo


entretanto falhamos porque estas coisas batem

no plexo solar viciam o salto

vamos dar com os cornos tristemente

no sítio onde a piscina é mais baixa


a sopa, adiante, escalda; e rias-te


Memórias do Contencioso (1976)



quinta-feira, março 30, 2023

mais do que um "divulgador"

Era um dos grandes escritores vivos, no que há crónica diz respeito. Fernando Lopes-Graça foi outro caso semelhante, um dos grandes do século passado, embora o próprio Lopes-Graça só se assumisse como músico e compositor, propositadamente, pois não queria contribuir para menorizar aquela que era a sua razão de ser, a música.

José Duarte, que morreu hoje, além de um ouvido sobredotado e uma capacidade nata de comunicar -- e não é nada fácil falar de música sem cair no oco lugar-comum --, foi um extraordinário escritor, como eu muitas vezes lho disse e até escrevi. Ele gostava, claro, e dizia-me que também Fernando Assis Pacheco lhe elogiava a forma, e esta, acrescento, não é menos importante que o fundo. Vai-se o homem com as suas imperfeições, ficam (não só) os livros. 

quarta-feira, dezembro 26, 2018

vozes da biblioteca

«Chamo-o docemente: "Platero", e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guizalhar ideal...» Juan Ramón Jiménez, Platero e Eu (1914) (tradução de José Bento)

«No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5.30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.» Gabriel García Márquez, Crónica de uma Morte Anunciada (1981) (tradução de Fernando Assis Pacheco)

«O relógio de pêndulo, esse, que balançava na sua caixa de vidro luxuosamente esculpida em madeira, e, no seu balanceiro de cobre amarelo, cortava em bocadinhos o dia que parecia interminável, mostrava a hora: meio-dia e trinta minutos.» Deszö Kosztolányi, Cotovia (1924) (tradução de Ernesto Rodrigues)

quinta-feira, abril 19, 2018

«Fluida, indecisa, volátil, / inconcreta, a ideia não se submete facilmente / ao cerco insidioso / da palavra.» Rui Knopfli, «Ideia do poema», O Corpo de Athena (1984)

«Que o nome que era o seu o persigam os ecos, / O gritem no deserto as gargantas com sede, / O murmurem no escuro os mendigos com frio, / O clamem na cidade as crianças com fome, / O soluce o amante de súbito impotente, / O maldigam no exílio as almas sem descanso.» José Carlos Ary dos Santos, «In memoriam», A Liturgia do Sangue (1963)

«de toda a mais volátil / é a categoria tempo» Fernando Assis Pacheco, Memórias do Contencioso (1976)