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quinta-feira, maio 07, 2026

Ucrânia e Portugal, os burros do Expresso, o deputado Núncio, etc.

Já me ri hoje com este título analfabeto do Expresso; mas o que não deve ser deixado passar em claro são as reacções asnáticas no parlamento, equivalentes ao asinino título do Expresso, no que respeita à posição do PCP.

Ora o PCP tem salvo a honra daquele convento.  Pessoalmente, talvez preferisse que os únicos deputados (creio) que sobre a guerra da Ucrânia têm uma posição decente e ponderada, tivessem permanecido no hemiciclo em silêncio e sem aplaudir (como pode o silêncio ser eloquente, em certas situações...) -- mas eles é que sabem.

Quem insulta a inteligência é a criatura que pergunta sobre qual seria a posição do PCP se a Rússia invadisse Portugal -- arre, que não tem vergonha na cara, ou então é estúpida todos os dias; ou o acólito do CDS que pediu desculpa à Ucrânia pela posição do PCP.

Não sei do que me ria mais: se do deputado Núncio (oh, são tantas as vezes...) ou dos burros do Expresso.

terça-feira, abril 07, 2026

cheira a sangue no tabloidismo televisivo

No Now, ontem à noite, insersor alerta para a série "Inferno no Irão", assim tal e qual, à espera da mortandade, como qualquer necrófago; o mesmo a CNN-Portugal, relógio em contagem decrescente, excitação para as massas; imagino a sic, mas raramente passo por lá; talvez a RTP seja mais parcimoniosa, não reparei.

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

10 dias 10 - quem brinca com quem?

Sim, atira-se tudo ao Sócrates -- é tão fácil, não é? E ninguém quer passar por parvo. Todos topamos o gajo, manobras dilatórias, etc. Ontem num canal qualquer, um jornalista (!) espumava de raiva por a terceira advogada ter renunciado à defesa do ex-PM. Isto  tornou-se uma coisa pessoal, para uns quantos.

E então as burrices, incompetências, manipulações e vigarices da acusação, do espectáculo televisivo inicial até a constituição de megaprocessos de onde não se sairá?

E esta brincadeira de o tribunal dar prazos de meia dúzia de dias para que os advogados de defesa a possam exercer, também não? Para não falar daquele que esteve internado com uma pneumonia, tendo os meretíssimos dado de ombros à convalescença prescrita.

Segundo uns tipos espertíssimos há uma máquina bem oleada que aproveita todas as brechas que as nossa legislação -- normalmente redigidas por tipos que não sabem escrever (ler paleio de advogados & congéneres é de estarrecer). Se calhar até há, tal máquina que leva tudo à frente. E eu pergunto-me, siderado com tanta miséria intelectual: então os advogados não têm um nome na praça a defender? É que se tudo está tudo montado, como espumava o raivoso de ontem, quer dizer que os advogados que aceitam sujeitar-se a tais maquinações têm-se em muito pouca conta e a sua tabuleta não vale um caracol. Mas será mesmo assim? 

E quando o Estado tiver de indemnizar Sócrates, sabe-se lá daqui a quantos anos, quem será responsabilizado? Ninguém, é claro; não se pode responsabilizar falecidos nem exonerar ou despedir aposentados.

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

o que dirá a História destes quatro anos da Guerra da Ucrânia

Haverá questões sempre susceptíveis de debate, como "O que é a Ucrânia?"; ou os temas operacionais estratégicos e tácticos: do erro de cálculo e excesso de confiança da Rússia no início da Operação Militar Especial, que rapidamente degenerou em guerra, ao envolvimento no teatro de operações de países terceiros. 

O que a História dirá é que esta é mais uma das várias guerras iniciadas sob falsos pretextos, mas que nunca com até aqui houvera uma avalanche de propaganda e desinformação sobre as opiniões públicas ocidentais, nomeadamente europeias, para convencê-las da necessidade do desvio de recursos para "ajudar a Ucrânia" -- e também de tropas, se preciso for --, numa guerra de desgaste que os Estados Unidos decidiram mover à Rússia, usando a população da Ucrânia, e estribando-se no acirrar do nacionalismo radical e neo-nazi local.

Uma guerra que devastou um país, comprometeu o seu futuro próximo, alegadamente liderado por um humorista judeu de língua russa, que se fez eleger presidente assegurando que iria resolver os diferendos com o país vizinho. Muitos dos que enganou e lhe deram o seu voto, estão agora mortos; outros deixaram de ter a nacionalidade ucraniana: ou são russos, ou estão espalhados pelo resto da Europa. O estado do país é catastrófico, a perda de vidas humanas, a troco de nada, ou pior ainda: a troco de menos, é e será insuportável.

A União Europeia pôs-se ao serviço da anterior administração dos Estados Unidos, herdando agora o problema, depois de a política em Washington mudar. Ainda não se sabe o que irá acontecer à UE. mas a sua fraqueza e desunião nunca foram tão visíveis como hoje. Que UE teremos no fim da década? Ainda haverá UE?

O testemunho da chusma de nulidades jornalísticas e académicos medíocres que cobriram este conflito será utilíssimo, quando alguém no futuro vier a elaborar sobre O que foi e o que não foi a Guerra da Ucrânia.

domingo, novembro 30, 2025

serviço público - Pedro Ponte e Sousa

O custo da não-diplomacia: a inevitabilidade do plano de paz para a Ucrânia e o isolamento estratégico da Europa

Neste artigo, Pedro Ponte e Sousa faz uma análise muito serena e pormenorizada da catástrofe que tem sido para a União Europeia e para a própria Ucrânia a política seguida de confronto com a Rússia -- peitar a Rússia com as costas aquecidas pela Administração Biden, abdicando de uma posição própria, que agora querem ter, quando lhes falta os meios. They don't have the cards...

O que já então era um disparate e um absurdo é-o agora ainda mais. Não é só Ursula e quem a rodeia que são uma catástrofe; também as lideranças nacionais (quase todas) , na sua estupidez incomensurável, a que se juntou uma constelação de detritos académicos e meia dúzia falcões já de pantufas postas, cuja insânia poluiu e condicionou o ambiente informativo e me(r)diático, É difícil lembrar manipulação mais rasteira, veiculada pelos palerminhas da comunicação social -- designação horrível para o verdadeiro jornalismo. 

sexta-feira, agosto 01, 2025

elogio do jornalista Henry Galsky

Ao contrário de boa parte dos colegas do estúdio -- uns bonecos sem brio profissional ou coluna vertical, que não se importam de ser títeres -- Galsky aceitou fazer uma reportagem altamente condicionada; no entanto, não se deixou manipular. Se as autoridades israelitas quiseram fazer propaganda sobre a maquinação da fome em Gaza por parte do Hamas, o repórter desmontou esse intento. Mais que isso: não só desmontou como o contexto em que o faz não deixa que quem o está a ver -- o cidadão -- perceba minimamente o que está a acontecer, para além dos labirintos da propaganda. 

Não tem grande espectacularidade, a reportagem; mas é mil vezes preferível um breve apontamento asseado e digno. Asseio e dignidade é o que falta a muitos colegas de Henry Galsky.

Em tempo: o pseudojornalismo abaixo de cão leva-nos a elogiar um repórter por fazer normalmente o seu trabalho...

quinta-feira, julho 24, 2025

manipular para a cidadania - o papel dos 'merdia'

Anteontem, num espaço de debate com Miguel Relvas, Pedro Adão e Silva e Rui Moreira, com a mesma falta de rigor com que noticia a guerra da Ucrânia, a cnn-Portugal largava uma bomba 'noticiosa' que rezava mais ou menos assim: a educação sexual estará fora do currículo da disciplina de Educação para a Cidadania (ou lá como se chama).

Ora, aquilo que o ministro Fernando Alexandre veio esclarecer ontem, já o fizera na semana passada, se não antes, dizendo que a única restrição que haveria incidia sobre a questão da 'identidade de género'. Li-o na imprensa escrita, salvo erro no DN, que ainda é o único jornal que consigo comprar (Deixo o tema para outra altura, pois o meu propósito é o de escrever sobre o papel dos merdia), estando os conteúdos do programa serem trabalhados por especialistas.

Resumindo: a cnn-Portugal sabia que estava a noticiar uma mentira -- fake news, como diria o Trump --, pelo que vemos, cheio de razão, a avaliar pela amostra. A cnn-Portugal não quer informar, quer espectáculo, controvéria, polémica, audiências, lucro, dinheiro, carcanhol. Como órgão de informação, a cnn-Portugal é uma reles puta.

Mas é lamentável que os comentadores, em especial Relvas e Adão e Silva (Rui Moreira esteve bastante melhor) tenham mordido o anzol e começarem um estúpido despique sobre uma 'notícia' -- que eles, como comentadores (além disso, presumo que bem pagos) tinham a obrigação de saber que era não só incorrecta ou sensacionalista; pior que isso, era falsa.

E por isto, volto a uma velha questão: como é possível estas porcarias de televisões privadas, que gozam de um bem público como a concessão pública de sinal de transmissão usarem os canais informativos para a manipulação mais soez, em vez da informação a que deveriam estar obrigadas; sem falar (faço-o uma e outra vez...) das badalhoquices que transmitem nos canais generalistas, tornando o espaço público numa pocilga?... 

Não vamos esperar que o poder político lhes dê um aperto merecido e lhes faça qualquer aviso sério -- não se pode pedir isso aos cúmplices que precisam das estações para se promover ou agradar. Também não será esta sociedade civil amorfa e narcotizada que irá proceder a qualquer contestação, quer à vigarice informativa -- coitada da sociedade civil, que engole tudo o que se lhe põe à frente... -- e menos ainda à boçalidade recreativa.

sábado, julho 12, 2025

desisto de falar de 'jornalistas'

Há três anos e meio que ando a aguentar a sua incompetência, estupidez, ignorância, sabujice, insolência. Estou farto deles. O último caso, uma pobre caricatura que não se enxerga, tirou Carlos Branco do sério; já na véspera ia tentando o mesmo com Agostinho Costa, mas este, já escaldado com as aventesmas que lhe põem à frente, teve ainda a paciência para fintá-lo. Sexta à noite, noutro canal o coronel Mendes Dias -- já tinha saudades -- alternando com um pateta dum jornalista do Expresso, um dos muitos pobres de cristo evacuados das redacções para os estúdios, a propósito do maestro Valery Gergiev -- a grande dignidade com que respondeu, sem responder, ao palonço que tinha à frente.

Desisto de falar destes tipos, não valem a tinta que não se gasta aqui a escrever sobre eles.

P.S. 

quinta-feira, julho 10, 2025

Sócrates, 4 - MP, 0

O novo julgamento de José Sócrates está a ser um deleite. 

Tenho cá umas ideias a propósito do que fui assistindo ao longo destes anos, que terei oportunidade de confirmar,  infirmar  ou antes pelo contrário.

Para já, ninguém desilude.

Sócrates e a sua postura imbatível de arrogância, muitas vezes justificada; o humor cáustico e a irascibilidade. No caso de inocente, aprecio bastante; tendo cometido algum dos crimes graves de que é acusado, entramos no domínio da desfaçatez pura, com laivos de mitomania e desequilíbrio psíquico

Os pobres jornalistas de plantão, lamentáveis, como de costume; só é pena que em vez deles lá não estejam os respectivos directores e chefes-de-redacção, da nossa em geral vil imprensa;

A boçalidade que vai pelo Ministério Público é indiscritível  (gravação de Sócrates a conversar com Granadeiro, relatando umas chalaças de Soares e Almeida Santos sobre a sexualidade do Salazar...) "Era para provar que eram muito próximos", justifica a criatura. A juíza, dignamente, lamenta o ocorrido.  

A juíza: trabalho dificílimo; excepcionalmente, gostaria de estar na pele dela.



domingo, junho 22, 2025

como disse Agostinho Costa, os EUA atacaram o Irão em dois dias

Foi na quinta-feira à noite, diante de uma incompetente malcriada, que há três anos vem com conversa de meia-tigela sobre a guerra na Ucrânia, para não falar do burrico de turno que faz o papel de jornalista.

Priva, aliás, de que Israel estava (está?) à rasca, caso contrário não precisariam que os americanos viessem em seu socorro.

Vejamos o que se segue no jogo de sombras da diplomacia e na acção dos serviços secretos de todas as partes.

(Estava a ouvir em directo Carlos Branco na cnn-Portugal, e agora, na RTP3,  dois jornalistas a sério: Miguel Szymansky e José Manuel Rosendo.)

segunda-feira, junho 09, 2025

amanhã é feriado, vou perguntar ao Zelensky se está bom no Guincho

 Nos canais de bardanotícias aqui da parvónia, o Zelensky continua a ser um Churchill -- como disse, certo dia, o Fareed Zakaria... pouco importa que tenha sido uma marioneta de americanos e britânicos contra os ucranianos e com isso tenha deitado o seu país a perder, em função dos interesses americanos e não só (lembremos o papel de duas abjecções como Joe Biden e Boris Johnson no prolongar da guerra, para esvair a Rússia -- o verdeiro objectivo -- quando da primeira tentativa de acordos de paz).

Não especulo sobre as intenções deste bicho, se vai morrer de armas na mão, como seria sua obrigação, depois do mal que tem feito, ou se há alguma ponta de verdade no que dizem os seus detractores, sobre um eventual e bem esportulado enriquecimento ilícito -- não vou por aí, não me interessa, nem sequer é preciso...

Basta dizer que à conta da criatura e de quem a sustenta, a Ucrânia está como está, e a caminhar para muito pior. Mas, não contente com isso, seguindo à risca o gizado pela trupe neo-con do lado de lá do Atlântico, tem procurado, desde o princípio, envolver-nos a todos na guerra -- o que só não conseguiu ainda, não por bom-senso das lideranças europeias (meu deus, a nulidade do Costa, parece que engenheiro de pontes, é presidente do Conselho Europeu...), mas porque ainda não puderam. Mas há quem não descanse enquanto tal não suceder, não só do lado de lá, como, pasme-se, do lado de cá do Atlântico. Que imbecis, que vigaristas...

Para as notícias dos bardacanais, e os zeros que os dirigem, Zelensky, em vez de a sua acção ser abordada segundo um prima jornalístico (chamam àquilo jornalismo, certo?) -- ou seja: um político apanhado em determinadas circunstâncias, reagindo melhor ou pior de acordo com elas, o que nos dão é uma caricatura de propaganda reles, em que cada espirro e cada flato que o homem emane equivale a um tratado de clarividente liderança; ele tudo sabe, tudo vê, é um predestinado, um Churchill.




sexta-feira, junho 06, 2025

ucraniana CCCXCI - o jornalismo por e para atrasados mentais - e começa no título

É da prestimosa cnn-Portugal, e reza assim: "Rússia lança um dos maiores ataques aéreos de sempre contra civis depois do ataque da Ucrânia aos bombardeiros russos"

Vejamos: "Rússia lança um dos maiores ataques aéreos de sempre". O cidadão comum que se aflige com a guerra, embora tudo aquilo o ultrapasse (questões políticas, económicas, culturais, militares -- geoestratégicas, em suma), depois de sujeito à propaganda esmagadora que os do seu lado lhe impingiram, hecatombes russas, baixas sobre baixas, etc., fica de pulga atrás da orelha quando lê, ao fim de 18 pacotes de sanções, que a Rússia lança "um dos maiores ataques aéreos de sempre". Sente-se estúpido, enganado, não acredita no que vê e lê, e já desconfia das próprias imagens. Bravo, "jornalismo"! 

E contra quem lança a Rússia este poderosos ataques aéreo: "contra civis", pois claro -- não há-de escapar um ataque com míssil hipersónico contra qualquer jardim infantil; há três anos e meio que os russos declararam guerra contra creches, hospitais, parques infantis, lares da terceira idade, canis, num genocídio atroz...

Vamos ler a "notícia" e quantas vítimas resultaram de "um dos maiores ataques de sempre contra civis"?: "pelo menos quatro mortos"Se eu fosse um palestino de Gaza, ou habitante do Rio de Janeiro, quereria rapidamente procurar refúgio na Ucrânia.

Palma-cavalinhos que não se enxergam; são tão estúpidos, ó valha-me deus!... 

segunda-feira, junho 02, 2025

debate sobre o controlo da comunicação e das mentes, a propósito da Guerra da Ucrânia -- é claro que vou!

Haverá uma jornalista a moderar, e ainda bem, pois jornalismo é coisa que raramente se viu até agora -- pelo contrário: impreparação, ignorância, desleixo, descaso, mediocridade crassa, enfim. No liceu, tive uma cadeira chamada 'Iniciação ao Jornalismo'. Aí aprendi que o jornalismo deve, por exemplo, reportar ambos os lados de um conflito. Alguém, com excepção de um free lancer, mandou uma equipa de jornalistas ao outro lado?, alguém ouviu os habitantes da Crimeia, do Donbass? A RTP, televisão do estado, é gritante: enviou para Kiev um lamentável pé de microfone da propaganda americana, chamado Cândida Pinto; correu com o rebarbativo Raul Cunha, demasiado inconveniente; convida Agostinho Costa quando o rei faz anos; foram preciso quase três anos de guerra para que uma das vozes mais cultas, críticas e lúcidas (o grande problema é mesmo ignorância e boçalidade cultural) do espaço público, como Viriato Soromenho-Marques, fosse dizer qualquer coisa à RTP, e primeiramente a propósito de outro assunto (as eleições americanas); Carlos matos Gomes, um militar que foi um intelectual esplêndido, além de romancista de alto coturno, nunca lá pôs os pés, que eu saiba (a não ser para falar sobre a Guerra Colonial); Pezarat Correia nunca aparece. Em geral, quem aparece são uns marrões que seguiram a carreira académica, atrasos de vida que lêem imensos papers, lixo igual ao que produzem, ou então não percebem nada do que lhes passa debaixo dos olhos. A generalidade das estações de notícias (a sic e a grotesca parelha Rogeiro-Milhazes, ou a falcoa Vaz Pinto), exceptuando a cnn-Portugal, valha-nos deus, apesar do humorista Botelho Moniz e da inefável Soller, entre tantas outras personagens da carnavalização do comentário geopolítico). Da imprensa escrita e radiofónica, nem se fala. 

Por isso, vou fazer o sacrifício de pegar em mim e ir de Cascais a Lisboa -- talvez fique a perceber por que razão o que nos é vendido como jornalismo não passa da negação do próprio jornalismo.




quinta-feira, maio 08, 2025

não é D. Tolentino, ó palermas...

Sempre me irritou esta preguicite de cortarem o nome às pessoas. Foi mais um mau hábito que caiu no goto, não se percebe bem porquê. Agora, por causa da eleição do novo papa, a toda a hora os me(r)dia nacionais convocam o nome do cardeal José Tolentino Mendonça, chamando-lhe D. Tolentino... Se o homem se apresenta e assina com o nome próprio, a referência correcta será sempre D. José T. M. Vivemos imersos numa tosca porcaria.

sexta-feira, abril 04, 2025

charlatanismo woke e jornalismo gasoso

Não vi, nem me interessa ver, a entrevista de Boaventura Sousa Santos dada há dias na televisão; tenho lido nos jornais os ecos. Por vezes até concordo com alguns dos seus pontos de vista, mas trata-se de um guru, susceptível de adoração e adulação (e agora de execração) o que me provoca sempre urticária. Depois, é um inoculador do vírus woke aqui na parvónia. O que lhe tem acontecido -- acusações de assédio sexual, aproveitando-se do poder que detinha -- é simplesmente grotesco. E das duas, uma: ou o homem é um reles charlatão, que faz o contrário do que apregoa, ou é vítima de uma cabala e lavagens cerebrais em que ele era o sumo-sacerdote da seita. Não estou grandemente interessado no assunto.

Anteontem no Diário de Notícias, surgiram relatos de alegadas vítimas suas e do antropólogo Bruno Sena Martins. Se ambos forem inocentes, nada poderá reparar o dano. Mas não é a propósito disso que quero escrever, mas sobre o veneno inculcado por esta espécie de sacerdotisos. A certo passo, uma das eventuais vítimas referia-se aos seminários de Verão na Curia como (cito de memória) sessões de descolonização das mentes e da luta contra o fascismo, o capitalismo e o patriarcado. Não é de rir? Como se perde tempo e gasta dinheiro público com parvoíces. E depois queixam-se do Trump...

Também é particularmente cómico que Sena Martins, tendo revelado a prática de um ménage à trois consensual -- parabéns para ele --, seja citado num questionário de Proust do Público, segundo o qual,  a qualidade que mais aprecia no homem e na mulher, seja   (de memória, outra vez) qualquer coisa como o desprezo profundo por manifestações de masculinidade, ou coisa que o valha. Poderia ter falado em marialvismo, que é a masculinidade de grunho.

Nem de propósito, no DN de ontem, aproveitando o balança da tal série que anda nas bocas do mundo, "Adolescência", creio -- que tem que ver com patologias psíquicas e sociais -- surge com este título, entre aspas: "'A masculinidade mata os homens'", com perorações no interior de vários júliosmachadosvazes, assim, sem sequer direito ao adjectivo substantivado "tóxico".

Mais: apresenta-se o crime de violação como prática de masculinidade. Fiquei sem saber, pois, que raio é isso de masculinidade, mas sei que desvios sexuais como violação, pedofilia, entre outros, são manifestações doentias e patológicas da personalidade por via sexo, que merecem tratamento psiquiátrico e eventualmente internamento compulsivo. O que raio tem isso que ver com 'masculinidade'?

Mas nada desta terminologia é para levar a sério. Não passa de charlatanismo pseudo-científico de que se nutre uma boa parte das chamadas "ciências sociais", lixo académico, portanto, que não serve para nada, a não ser aos maluquinhos da ideologia de género -- o que quer que isso possa ser e a quem possa interessar que não sejam as criaturas que se chateiam que possa haver muita e boa relação homem-mulher a vários níveis, não tendo ele que ser um pé-de-salsa ou ela um estafermo. E normalmente chateiam-se porque não gostam de si próprias. A psicanálise costuma ser útil. 

Talvez seja altura de dizer várias coisas -- ou até de repeti-las, como, por exemplo, que qualquer homem decente é feminista, qualquer homem que ama, gosta, aprecia mulheres, por tudo o que são e representam, qualquer homem que deseje uma mulher, é, tem de ser feminista -- se não for um traste --, e é claro que há muito traste  por aí, aliás de ambos o s sexos; e é verdade que vimos de uma sociedade asquerosamente machista, e nela fomos educados. No entanto, lutar pela justiça, direitos humanos e igualdade na complementaridade entre homens e mulheres não é incompatível com a virilidade do homem e muito menos com a mais do que desejável feminilidade da mulher, para não falar da necessidade do próprio feminismo. Mas isso ficará para outra ocasião.

segunda-feira, março 31, 2025

ucraniana CCLXXXVI - preparem-se para a propaganda da guerra

Melhor dizendo, para a sua intensificação -- ou seja: 

os russos já começaram a atingir hospitais e creches, como no princípio;

o Zelensky quer-nos lá, já, para tentar limpar-se da merda que fez; 

embaixatrizes organizam chás, com a presença do PR e com especialistas de centros académicos surgidos para comentarem um estudo de um think tank lituano, ou lá o que seja, sobre a desinformação russa, levantando suspeições sobre quantos têm uma posição crítica quanto à guerra da Ucrânia;

noventa por cento dos comentadores da academia continuam os mesmos atrasos de vida, e noventa por cento dos pivôs dos telejornais persistem analfabetos;

já há cartazes motivacionais para aliciar os nossos filhos e netos morrerem na Ucrânia, para (não) resolver uma guerra criada pelos americanos, com a cumplicidade de britânicos, franceses, alemães e parceiros menores.



sexta-feira, março 28, 2025

saiu no JL

De há  meses para cá tememos que o último JL seja mesmo o último Publica-se há 45 anos, sempre com o mesmo director (e fundador), José Carlos de Vasconcelos. Tem número óptimos, compensando largamente um ou outro menos conseguido. O seu previsível (embora ainda não anunciado) fim ser(i)á catastrófico. Duvido que possa ser substituído. Comecei a lê-lo ainda estava a acabar o liceu, e tenho o primeiro número que comprei. (Qualquer dia farei aqui uma resenha). E guardei muitos outros, sem falar nos recortes.

Enquanto se mantiver, passarei a arquivar aqui citações retiradas de cada número que entretanto se publique. Talvez possa levar alguém a comprá-lo.

«Camões viajou e viveu o seu próprio poema ao mesmo tempo que o escrevia.» Manuel Alegre

«[...] jornalismo, artes, literatura e compromisso social são colunas de um mesmo templo que, hoje, se redefine, correndo riscos de esboroamento porque a corrente da formatação desenfreada tudo parece levar à sua frente...» António Carlos Cortez 

«[...] (o mundo já foi criado para sempre.)» Carlos de Oliveira

«Perante a guerra, o que se espera de um intelectual é o exercício da sua capacidade analítica, antecipada pela procura dos dados empíricos que são as fontes primárias que alimentam o pensamento crítico.» Viriato Soromenho-Marques



JL #1421, 19-III-2025


terça-feira, março 25, 2025

hei-de ver mais tarde a entrevista do Rodrigues dos Santos a Paulo Raimundo -- parece que só deu Ucrânia

Espero sempre o pior deste ignorantão doutorado (o que mostra bem a miséria em que está parte da Universidade portuguesa -- mas miséria mesmo). 

Já me estou a rir antecipadamente pelo rol de imbecilidades que antevejo. Tenho a certeza de que não me desapontará.

Adenda: Vi. É jornalismo de compostagem: cretinismo e má-fé. Sem novidade.

sexta-feira, março 07, 2025

defesa europeia, ou começar a casa pelo telhado

Ao contrário do que escrevem para aí uns asnos todos os dias, a unanimidade de ontem  quanto ao rearmamento europeu é muito mais aparente do que efectiva. É facílimo concordar com empoderamento (peço desculpa pela palavra horrível) europeu quando se embrulha a Ucrânia com a Gronelândia e o Árctico com o Sahel...

Quando for a doer é que se vai ver, já dizia o Shakespeare: quem comanda quem e o quê, e quem é comandado, contra quem, onde e como. Minudências...

Como até a minha boxer já percebeu, não é possível uma política externa e de defesa comum com esta União Europeia -- felizmente, acrescento, porque se é para isto, mais vale deixar como está.

Continuam sem perceber um boi, estas andorinhas do jornalismo. Mas não são as únicas (ainda ontem, ao ouvir o quase sempre lastimável debate com Agostinho Costa, malgré lui). Tenho aliás aprendido que há tetrápodes que riem e burricos que moderam.

quarta-feira, fevereiro 19, 2025

ucraniana CCLXXXI - quando o pseudo-jornalismo é ao mesmo tempo tendencioso, desonesto e ignorante

Está aqui na TSF, podia ser o Público, e a imprensa quase toda. Depois de resumirem as declarações do Trump, o redactor introduz um período da sua lavra, para explicar aos mentecaptos que o lêem que ele, Trump, está a trumpar, está a mentir. Leia-se:  

«[,,,] "Hoje ouvi dizer 'não fomos convidados'. Bem, vocês [Ucrânia] estão lá há três anos. Deviam ter acabado com isto há três anos. Nunca o deviam ter começado", disse Trump sobre o conflito na Ucrânia. / A guerra foi desencadeada pela Rússia que invadiu o país em fevereiro de 2022.» (sublinhado meu)

E o pior é que este incompetente e analfabeto (ou analfabeta) provavelmente acha que está a ser honesto, que foi realmente assim, mesmo que, deixando a deontologia pelas ruas da amargura, sinta a necessidade de meter o bedelho na matéria noticiosa -- um pouco como aqueles inomináveis pivôs, que, após declarações de um convidado que diga algo diferente das convicções do criaturo, rematam com um aparte discordante a declaração que o seu convidado acabava de fazer, tendo assim -- malcriadamente e desrespeitando também os telespectadores -- a última palavra...  

Nada disto é novo, e no que respeita à guerra da Ucrânia (entre a Rússia e os Estados Unidos, q.e.d.) há três anos que estamos a aguentar esta pocilga informativa.