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quinta-feira, setembro 08, 2022

que era isabelina?

Designação de certo modo, inevitável, com setenta anos de reinado. Mas a História dirá. A sua homónima, Isabel I, também de longo reinado (quarenta e quatro anos) é a rainha da afirmação marítima do país -- depois de desbaratada a Invencível Armada, de Felipe II --, a soberana de Francis Drake, Walter Raleigh, mas também de Shakespeare ou John  Dowland -- a era isabelina, o teatro isabelino, sobressaindo do âmbito mais largo da dinastia Tudor. Este brilho irá preparar o apogeu inglês e britânico noutro longo reinado (sessenta e quatro anos), o de Vitória, imperatriz das Índias. O que foi a era vitoriana, creio que ainda hoje o sentimos: de Disraeli a Dickens, de Darwin a Thomas Hardy, dos Pré-Rafelitas a Elgar, e um longo etc. -- é quase parvoíce desfiar nomes.

Com Isabel II, de Churchill a Thatcher, a inevitável desagregação imperial, uma transformação vertiginosa, entrada e saída na UE. Entre muitas outras coisas, vai ser o período dos Beatles, oh se vai, mas também dos Sex Pistols e dos Smiths. E bom é que assim seja, pois irá sedimentá-la mais no tempo histórico que viveu.

sábado, fevereiro 20, 2021

por que não te calas?

 


Este malabarista condena a violência, designando-a como um ataque à democracia, e a Espanha, diz ele, é uma democracia plena. É para rir, para quem não for "espanhol". Uma democracia plena não subjuga nações pela força e a democracia espanhola do Sanchez, do Iglésias, do Felipe VI, está mais próxima da ditadura do Mobutu do que da nossa ou da inglesa. 
No longínquo 1977, quando os Pistols editaram o God Save the Queen ("She ain't no human being") o máximo que aconteceu, salvo erro, foi a sua proibição na BBC; ou quando os Smiths lançaram The Queen is Dead ( "I say, Charles, don't you ever crave / To appear on the front of the Daily Mail / Dressed in your Mother's bridal veil?").  Quarenta e quatro anos depois um rapper é preso por patacoadas. É essa violência e outras de que este gajo devia falar

quarta-feira, setembro 04, 2013

JornaL - Will Sergeant

«If I were stuck on a desert island, I wouldn't take Never Mind The Bollocks, it'd be Meddle or Foxtrot. That kind of music keeps your brain going.»

Prog #37, Jul. 2013,
entrevista a Rob Hughes

quinta-feira, novembro 02, 2006



Com Lost in Transaltion, Sofia Coppola já me dera um dos grande filmes dos últimos anos. Marie Antoinette, que vi ontem, ficará como um dos filmes mais impressivos que guardarei na memória.
Kirsten Dunst está admirável, não repisarei mais o que já outros disseram; ela é a Maria Antonieta que gostávamos tivesse de facto existido.
A atenção da realizadora aos pormenores de conforto e luxo é primorosa e um dos aspectos mais bem conseguidos do filme: do mobiliário e da indumentária às iguarias, desembocando nos ceremoniais e nas festividades, tudo concorrendo para dar de Versalhes o brilho da corte de «grande estrondo» -- nas palavras do diplomata português José da Cunha Brochado, que representara o nosso país junto de Luís XIV.
Gostei particularmente da abordagem de Sofia Coppola ao cerimonial de corte, divertidíssima -- embora, ao contrário do que se possa pensar, todas aquelas regras de precedência de que se compunham as normas de etiqueta fossem mais do que um mecanismo sofisticado dum expediente de futilidade. Antes se tratava de uma construção ideológica de que a coroa francesa lançou mão para controlar a nobreza que, noutros momentos da história de França exacerbara o seu poder à custa da fraqueza do poder real. O que sobressai, contudo, é a acumulação de tensões provocada pelos estritos preceitos comportamentais que não deixam ninguém incólume, nem o próprio rei -- como se verifica nos episódios protagonizados pela du Barry, amante de Luís XV, cuja aceitação nem ela nem o soberano conseguem lograr.
Uma palavra ainda para a transgressão de Sofia Coppola, que traz o selo dos criadores de raça: uma banda sonora que mistura Vivaldi e os Strokes, exemplarmente. (O mesmo sucede com os cartazes, cujo grafismo remete irresistivelmente para o Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols.)
E um pormenor: só reconheci Marianne Faithfull (a imperatriz Maria Teresa de Áustria) pela voz...
Li algures que, ainda no outro dia rodado, Marie Antoinette já é um filme de culto. Não tenho a esse respeito muitas dúvidas.