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terça-feira, fevereiro 04, 2025

diários

{1/2/1969] .../... «Segundo a Regina, as virtudes que tenho têm mesmo raízes viciosas:  tolerância por fraqueza, interesse pela arte, por vaidade e coisas assim. Não digo que aconteça isso com todas as ditas virtudes; mas com algumas deve ser verdade. Chega.» Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 1 (1969-1976) (1980)

[6/6/1948] .../... «É precisamente essa Democracia de que somos servidores e discípulos. / Daí a tristeza de ver Eduardo Benes desaparecer, para sempre, do Mundo que ele tanto amou, roubando-se ao universo sensível um dos espíritos luminosos que mais trabalhou e se sacrificou pelo progresso e desenvolvimento material e espiritual do homem e da sociedade.» Vasco da Gama Fernandes, Jornal (1955) 

[14/8/1961] .../... «À procura da resposta, desci esta manhã a vertente triunfal dos Campos Elísios e, acotovelando-me entre os perfis erectos da mulher parisiense e o cosmopolitismo berrante dos visitantes estivais, cheguei ao fim da perspectiva, a belíssima Praça da Concórdia -- primitiva Place Neuve e depois Praça da Revolução, onde, no cesto da guilhotina, caíram as cabeças de Maria Antonieta e de Carlota Corday.» António de Cértima, Doce França (1963)

quinta-feira, dezembro 05, 2024

diários

.../... «E então lembrei-me: e se eu tentasse uma vez mais o registo diário do que me foi afectando? Admiro os que o conseguiram desde a juventude. Nunca fui capaz. Creio que por pudor, digamos, falta de coragem. Um romance é um biombo: a gente despe-se por trás. Isto não.» .../... Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 1 (1969-1976) (1980)

.../.. «Desde o recordatório histórico das lutas ingentes da humanidade para a sua esforçada emancipação até à esquematização das eficazes soluções para a consolidação da Democracia moderna, tudo Benes focou com inteligência e invulgar cultura. / Quem se debruçou sobre essa obra de meditação e de crítica aprendeu, através duma prosa fácil e emotiva a lição dum extraordinário pensador, sociólogo de primeira plana e político de rasgados horizontes.» .../... Vasco da Gama Fernandes, Jornal (1955)

.../... «Sentimo-nos regressar às fontes da pureza em todas as intenções humanas, mesmo nas mais malignas ou convencionais. // -- Afinal, onde é Paris? / Esta interrogação leva-nos à ideia de uma concepção perimétrica que nos faz recuar desde o actual plano da urbe até aos círculos pantanosos donde emergiram as colinas de Santa Genoveva e Montmartre, sentinelas defensivas da pequena ilha de Lutécia, a cujos juncais aportariam um dia os nautas parisii, fundadores do burgo.» .../... António de Cértima, Doce França (1963)

sábado, novembro 16, 2024

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«1-Fevereiro (sábado). Fiz cinquenta e três anos há dias. Como é óbvio, não acredito. Mas enfim, é a opinião do Registo Civil. Acabou-se, fiz cinquenta e três. É aliás uma idade inverosímil, a minha, desde os cinquenta. A "vergonha" da idade (que não tenho) deve vir daí.» Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 1 (1969-1976) (1980)

.../ ... «A esta sensação de plenitude junta-se também uma ideia de plenitude que nos converte, física e mentalmente, nos seres mais felizes da criação. Entra em nós uma espécie de fenómeno cósmico de dissipação generosa, fraternal, que nos põe de bem até com todos os credos políticos e sistemas sociais; perdoando tudo, não odiando nada, desejando sòmente -- ser, sentir, pensar.» António de Cértima, Doce França (1963)

.../... «Benes era, sem dúvida, um homem de excepcional envergadura intelectual e moral. / Quem teve a ventura de ler o seu livro "Democracia de hoje e de amanhã" verificou, sem esforço, que o antigo Presidente da República checoslovaca não conseguiu, sòmente, de maneira superior, interpretar os grandes problemas do nosso tempo. Não se limitou a isso. Foi mais longe.» .../... Vasco da Gama Fernandes, Jornal (1955)

segunda-feira, outubro 28, 2024

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«Agosto, 14  [1961] / Na esplanada do George V, às 6 da tarde. Esta sensação de estar "aqui", no centro vital (e mundano) da Grande Cidade, não encontra fundura ou medida para compará-la com qualquer outra que nos possa advir não importa em que solene paisagem ou ponto geográfico do mundo. Vivemos a vida em cachão, no cume das ideias e dos sentimentos.» .../... António de Cértima, Doce França (1963)

«JANEIRO O Bernardino Machado telegrafa-me de Madrid, onde se tem eternizado: "Fica aí? Cumprimentos". Este telegrama põe-me fora de mim. Assim este homem não tem outra coisa a dizer-me depois do que se passou! Se fico aqui? Onde quer ele que eu fique?» João Chagas, Diário - 1918 (póst., 1930) 

«Junho, 6 [1948] - Terminou há dias a longa e dolorosa agonia de Eduardo Benes. / A notícia, embora esperada, deixou-me triste. Senti, verdadeiramente, que se apagara uma luz forte nos horizontes daquela Democracia, que julgo ser a única solução para as prementes necessidades humanas, nesta encruzilhada demoníaca que é a vida dos nossos dias.» .../... Vasco da Gama Fernandes, Jornal (1955)