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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Globo erra feio ao não renovar o contrato de Elizabeth Jhin

 A jornalista Patrícia Kogut noticiou na sexta-feira passada, dia 4, que a Globo não renovou o contrato com Elizabeth Jhin, após 30 anos de parceria. O esquema do fim de contratos longos já é uma realidade na emissora há alguns anos. Poucos têm o privilégio no momento e nem o time de autores escapou. Todavia, o canal comete um erro grave ao dispensar uma autora tão talentosa e que já encantou o público com tantas novelas lindas. 

A escritora trabalhou como colaboradora de vários autores por 13 anos, entre eles Manoel Carlos e Antônio Calmon ---- "Felicidade" (1991); "História de Amor" (1995); "Era uma vez..." (1998); "Andando nas Nuvens" (1999) e "O Beijo do Vampiro" (2002) foram alguns folhetins que contaram com seu trabalho. Foi 'lançada' como co-autora em "Começar de Novo", de 2004, ao lado de Antônio Calmon. A trama foi um fracasso (e merecido), mas a Globo apostou no talento de Jhin e a colocou como autora titular em 2007.

 O primeiro trabalho autoral de Elizabeth foi a ousada "Eterna Magia", dirigida por Carlos Manga e supervisionada por Silvio de Abreu. A produção das 18h tinha como temática a bruxaria e o mundo da magia. O público rejeitou inicialmente a história, mas com algumas adaptações feitas ao longo do percurso a audiência melhorou e o enredo entrou nos trilhos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016: as melhores cenas do ano

Mais um ano se passou e foram muitas cenas merecedoras de elogios exibidas ao longo de 12 meses. Vários atores se destacaram, protagonizando sequências repletas de drama, tensão e comicidade. Teve momento para todos os gostos e uma retrospectiva dessas grandiosas interpretações (incluindo, claro, direção e texto) merece ser feita. Vamos, então, relembrar tudo o que aconteceu de mais marcante na teledramaturgia em 2016.





Cena final do penhasco em "Além do Tempo":
Elizabeth Jhin foi muito feliz nessa sua novela e o último capítulo foi em grande estilo, reproduzindo a sequência mais marcante do final da primeira fase, mas com um desfecho diferente. Pedro (Emílio Dantas) matou Melissa (Paolla Oliveira) e os mocinhos Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) na vida passada, só que mais de cem anos depois foi ele quem pagou por tudo o que fez. Melissa matou o vilão com um tiro e se regenerou, salvando a vida dos até então inimigos, os retirando do precipício com a ajuda do anjo Ariel (Michel Melamed). A sequência ficou tão boa quanto a da primeira fase e os atores deram um show.




Mariana morre de tristeza em "Ligações Perigosas":
Após descobrir que Augusto (Selton Mello) era um galanteador e estava apenas a usando, Mariana começa a definhar. A religiosa que adorava a vida perdeu a alegria que tinha e mergulhou em uma profunda depressão, vivendo praticamente estática em uma cama. Apesar dos cuidados das freiras e de pessoas próximas, não conseguia mais comer e mal andava. Só tinha força para chorar. No final, se entregou para a morte. A interpretação visceral de Marjorie Estiano impressionou e a atriz mais uma vez mostrou a grande atriz que é. Foi impossível não ter se emocionado vendo a personagem naquele estado deplorável.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!" formaram uma trinca de ouro no horário das seis

A faixa das seis da Globo apresentou uma boa sequência de novelas, começando no início de março de 2015 e chegando ao fim em agosto deste ano. Uma novela impecável foi substituída à altura e a substituta cedeu lugar à outra tão boa quanto. Ou seja, três folhetins da melhor qualidade e que presentearam o público com histórias repletas de atrativos. As produções são "Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!", escritas por Lícia Manzo, Elizabeth Jhin e Walcyr Carrasco, respectivamente.


As novelas não apresentam semelhança alguma no quesito história, entretanto, as similaridades se dão justamente através de pontos fundamentais de um bom folhetim: elenco bem escalado, trilha sonora primorosa, personagens construídos com competência, dramas envolventes, conflitos convidativos e bom ritmo. As três tramas enriqueceram o horário das seis, cada um a seu modo. Para completar o conjunto harmonioso, todas representaram um crescimento de audiência na faixa, expondo o interesse do telespectador.

"Sete Vidas" elevou em dois pontos a média do horário, obtendo 19,4 no salgo geral, revertendo uma queda que parecia inevitável. Lícia Manzo conseguiu emocionar o público mais uma vez, após já ter atingido o objetivo com sua primeira novela, exibida em 2011: a inesquecível "A Vida da Gente".

quinta-feira, 24 de março de 2016

Os vencedores da nona edição do "Prêmio Quem" de TV

Aconteceu na noite da última terça-feira (22/03), a nona edição do "Prêmio Quem". O evento da conhecida revista ocorreu no Grand Mercure Riocentro, no Rio de Janeiro. A cerimônia premiou nomes que se destacaram em 2015 em diferentes áreas --- televisão, gastronomia, literatura, música, cinema, moda, beleza e teatro ---- e a premiação contou com a presença de vários artistas, como já era de se esperar. No seguimento da TV, foram seis categorias e uma honrosa homenagem a Tony Ramos, em virtude da sua respeitável trajetória e admirável carreira (além, claro, do seu irretocável desempenho em "A Regra do Jogo").


O vencedor da Categoria Melhor Ator foi Alexandre Nero, que foi homenageado pela colega Cássia Kiss durante a entrega do troféu. Ele realmente foi merecedor, uma vez que seu desempenho em "A Regra do Jogo", na pele do controverso e covarde Romero Rômulo, foi merecedor de todos os elogios. Apesar do curto intervalo de tempo entre uma novela e outra, o ator conseguiu apagar completamente a figura do comendador José Alfredo, de "Império", incorporando totalmente aquele homem que não conseguia ser mocinho e nem bandido.

Porém, muitos concorrentes de Alexandre também mereciam a honraria. Vide Domingos Montagner, que brilhou absoluto em "Sete Vidas", e Tonico Pereira, que deu um show na pele do trambiqueiro Ascânio, em "A Regra do Jogo". Tony Ramos era outro indicado merecedor, afinal, o ambíguo Zé Maria era um dos melhores personagens da novela de João Emanuel Carneiro e foi o grande destaque da reta final da novela.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Com proposta ousada e trama clássica, "Além do Tempo" foi a melhor novela de Elizabeth Jhin

Após ter escrito três folhetins na faixa das seis (a boa "Eterna Magia", a irregular "Escrito nas Estrelas" e a fraca "Amor Eterno Amor"), Elizabeth Jhin fechou o ciclo de sua quarta e melhor novela até agora. "Além do Tempo" chegou ao fim nesta sexta-feira (15/01), apresentando um desfecho lindo, onde todos os personagens confraternizaram em uma bela festa, com todos felizes e evoluídos, após tantos sofrimentos e mágoas. A trama, dirigida com competência por Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos, foi excelente e conseguiu substituir a primorosa "Sete Vidas" da melhor forma possível, mantendo a qualidade do horário e obtendo uma média geral de 20 pontos (um a mais que a anterior).


A história era baseada na reencarnação, abordando o espiritismo, tema que a autora já havia retratado em suas duas novelas anteriores. O enredo se tratava de um dramalhão clássico, onde todos os clichês folhetinescos eram usados sem qualquer vergonha. Porém, Elizabeth ousou e entrou para a história da teledramaturgia contando sua trama em duas fases distintas, onde cada uma teve início, meio e fim. A primeira foi ambientada no século XIX, por volta de 1895, e a outra contada em 2015, com todos os perfis reencarnados, com os mesmos nomes, em uma cidade fictícia do Sul. Nunca antes um folhetim sobre vidas passadas havia apresentado o roteiro dessa forma inovadora.

Foi uma novela 'duas em uma'. Uma de época, com desenvolvimento impecável, figurino caprichado e enredo envolvente. E outra contemporânea, com um início um pouco lento, cuja quebra de ritmo pôde ser claramente sentida, mas que ganhou fôlego perto da reta final, conseguindo se mostrar tão atrativa quanto a anterior.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache tiveram uma grandiosa parceria em "Além do Tempo"

"Além do Tempo" chega ao fim nesta sexta (15/01) e foram muitas as qualidades do melhor trabalho de Elizabeth Jhin, dirigido por Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos. A novela fecha seu ciclo cumprindo sua missão muito bem e um dos vários acertos da produção foi a parceria de Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache. As grandes atrizes protagonizaram inúmeras cenas juntas e brilharam em todas, fazendo jus ao que se espera delas.


Emília di Fiori e Vitória Castellini eram inimigas mortais na primeira fase da trama, ambientada no século XIX, e a rivalidade moveu todo o enredo desenvolvido por volta de 1895. A Condessa nunca aprovou o romance de seu filho Bernardo (Felipe Camargo) com a 'nora' e nutria um ódio ferrenho pela saltimbancos apelidada de Alegra. Tentou até matá-la duas vezes: provocando um 'acidente' de coche ---- mas acabou quase matando o próprio filho, que estava no veículo no lugar da noiva ---- e incendiando a taberna onde a humilde mulher morava.

As atrizes foram muito exigidas e vivenciaram vários embates com extrema competência. As inimigas não conseguiam conviver e nem mesmo Lívia (Alinne Moraes) conseguiu promover a paz entre elas. Tanto que em uma das últimas cenas da primeira fase, as rivais não se perdoaram, mesmo diante dos apelos da mocinha, e continuaram travando uma guerra de ódio.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Brilhando na pele da íntegra Gema, Louise Cardoso ganhou um ótimo papel em "Além do Tempo"

Ela tem mais de 30 filmes e mais de 30 participações em televisão. Louise Cardoso é uma profissional que honra o ofício de atriz e finalmente está sendo valorizada como merece na atual novela das seis, "Além do Tempo", que está em plena reta final. Após um longo período ganhando apenas figurações de luxo em folhetins, a intérprete ganhou de Elizabeth Jhin a íntegra Gema e tem correspondido à altura desde então.


A personagem, na primeira fase, era a melhor amiga de Emília (Ana Beatriz Nogueira) e mãe de Pedro (Emílio Dantas) e Anita (Letícia Persiles). Ela estava sempre pronta para apoiar a fiel companheira e ajudou a criar Lívia (Alinne Moraes). O papel desde o início teve uma boa importância para a história e as cenas eram quase sempre dramáticas. Gema ainda teve um lindo romance com Raul (Val Perré), ex-escravo que tinha um filho chamado Chico (João Gabriel D`Aleluia) ---- e o garoto considerava a namorada do pai uma verdadeira mãe.

A atriz conseguiu se destacar em vários momentos e foi bastante exigida, principalmente na reta final da trama ambientada no século XIX. A relação de Gema e Raul, aliás, despertava a fúria do racista Pedro e o casal não teve um final feliz no encerramento da primeira fase ---- terminaram separados e o preconceito foi o vitorioso.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os destaques do ano

A última retrospectiva e a última postagem do ano, honrando a tradição do blog, é sobre os grandes destaques de 2015. A Globo não teve sorte no horário nobre, mas em compensação emplacou o maior sucesso das 23h e exibiu duas novelas das seis primorosas. Já a Record conseguiu um êxito jamais alcançado com sua primeira novela bíblica, enquanto o SBT manteve a boa média alcançada com mais uma novelinha infantil. A Band exibiu duas ótimas temporadas do melhor reality culinário do país e o canal a cabo GNT produziu algumas boas séries. Enfim, vamos aos destaques deste ano:






"Verdades Secretas".
A melhor novela do ano e o maior sucesso de 2015. A primeira trama inédita das 23h (após quatro remakes), com 64 capítulos e média de 20 pontos, foi mais um grande acerto do autor Walcyr Carrasco, que repetiu a bem-sucedida parceria com o diretor Mauro Mendonça Filho, cuja direção primorosa foi um dos trunfos do folhetim. A história abordou com maestria uma sucessão de temas polêmicos e pesados, prendendo o telespectador diante da televisão até o começo da madrugada. Prostituição, submundo da moda, sexo, drogas, traição, enfim, foram várias temáticas fortes que permearam o roteiro da novela das onze. Destaque também para o excelente elenco, os dúbios personagens, a bela fotografia, além da trilha sonora de qualidade e dos instigantes conflitos.




"Sete Vidas".
A segunda novela de Lícia Manzo teve apenas 104 capítulos, ficando cerca de quatro meses no ar. E a autora mais uma vez, após a envolvente e impecável "A Vida da Gente" (2012), conseguiu emocionar o telespectador com seu texto repleto de sentimentos e com sua história recheada de personagens totalmente reais. Dirigida por Jayme Monjardim, a trama sobre um navegador solitário e traumatizado, que se via diante de sete filhos desconhecidos, foi fascinante e ainda abordou muito bem as novas formações familiares. O bem escalado elenco soube representar com competência todas as pessoas criadas pela talentosa autora e foi um prazer acompanhar todos os desdobramentos de uma história onde a grande vilã era a vida. O grau de realismo dos dramas era tão alto que muitas vezes o público tinha a sensação de espiar tudo pelo buraco da fechadura. Linda novela e elevou em dois pontos a média do horário.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: as melhores cenas do ano

Como foi um ano de grandes interpretações, automaticamente foi um ano de grandiosas cenas também. Vários atores se destacaram em 2015 (colocados na lista anterior) e foram muitas as sequências merecedoras de aplausos. Quase todas as novelas e séries contaram com bons momentos que merecem ser mencionados em mais uma retrospectiva. Vamos a eles.






Passeio no parque em "Sete Vidas". 
Foi a cena mais linda e tocante do ano. Lícia Manzo escreveu e os atores interpretaram uma delicada sequência, onde os sete irmãos do título se encontraram em um parque de diversões, retomando uma infância não vivida. Isso depois de uma briga séria protagonizada por todos. O momento serviu para uma bonita reconciliação, que resultou em um show de sensibilidade. Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Thiago Rodrigues, Michel Noher, Ghilherme Lobo e Maria Eduarda de Carvalho emocionaram em meio a uma perfeita trilha sonora ("Reckoner", do Radiohead, em uma linda versão de Vitamin String Quartet). Foi impossível não ter chorado assistindo. 




Condessa finalmente encontra Bernardo em "Além do Tempo".
Irene Ravache protagonizou inúmeras cenas grandiosas na trama de Elizabeth Jhin e essa foi uma delas. O momento em que Vitória, após anos procurando, reencontra o filho desaparecido foi lindo demais. A atriz expôs toda a alegria da personagem só pelo olhar e Felipe Camargo também merece elogios por sua atuação. Apesar do Conde ter sido amarrado por Bento, a delicadeza do momento se fez presente. A cena ainda culminou em uma virada na reta final da primeira fase da história, o que resultou em ótimas sequências posteriores. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os melhores casais do ano

Seguindo com a retrospectiva do ano que passou, nada mais justo do que relembrar os melhores casais da ficção. Assim como costuma ocorrer em todos os anos, foram muitos pares que transbordaram química e despertaram torcidas. Claro que os equivocados também existiram, mas esses nem merecem menção. O que vale é a listagem dos romances que engrandeceram os enredos e conquistaram o telespectador.






Lígia e Miguel ("Sete Vidas"): A novela de Lícia Manzo foi um primor e um dos muitos destaques foi o casal protagonista, formado por uma mulher segura de si e um homem complexado. O romance conturbado foi envolvente do primeiro ao último capítulo e os dois não tiveram que enfrentar vilões ao longo da história: o grande impedimento para a felicidade do casal era justamente a vida e todos os traumas que ela causou no sofrido navegador, que se viu no meio de um furacão e cercado por sete filhos completamente desconhecidos. Débora Bloch e Domingos Montagner repetiram a boa química vista em "Cordel Encantado" e combinaram perfeitamente.



Danny Bond e Marília ("Felizes para sempre?"): A prostituta conheceu o amor da sua vida em um programa a três, quando foi chamada para apimentar a relação de um casal que estava em crise. Ela acabou provocando a obsessão de Cláudio (Enrique Diaz) e apresentou a pureza de um sentimento verdadeiro para Marília, mulher que estava a cada dia mais infeliz no casamento. As duas protagonizaram lindas cenas na obra de Euclydes Marinho, onde a cumplicidade se fazia presente em meio a uma trama repleta de podridão e corrupção por todos os lados. O final foi trágico ---- a garota de programa foi assassinada pelo marido do seu amor ----, mas o breve romance foi muito bonito e cheio de sensualidade. Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido estavam totalmente entregues.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Áudio da primeira fase vira um dos trunfos da segunda de "Além do Tempo"

Que Elizabeth Jhin inovou com "Além do Tempo" não há dúvidas. Afinal, transformar duas novelas em uma, e ainda ter coragem de mudar drasticamente uma trama que estava dando tão certo, é para poucos. Porém, a direção de Rogério Gomes e Pedro Vasconcellos também merece menção pela ótima ideia de inserir vários áudios de diálogos marcantes da primeira fase na segunda. O que começou de uma forma mais comedida no início do enredo ambientado em 2015, acabou virando uma marca do folhetim.


A estratégia deixa as situações ainda mais interessantes de serem acompanhadas e muitas vezes provoca um impacto bem maior. Algumas vezes, o áudio é inserido no meio da cena, enquanto os personagens se olham, já em outras é colocado no encerramento do capítulo, enquanto os créditos sobem. A ida para o intervalo, dependendo da cena que acabou de ser exibida em questão, também é contemplada com o som de embates do século XIX, assim como a própria abertura da novela, onde a música tema ("Palavras ao Vento", cantada lindamente por Cássia Eller) é retirada para a inserção dos diálogos mais marcantes da vida passada.

Esta 'mistura' de fases funcionou muito bem no conjunto de "Além do Tempo" e ainda serviu para manter a memória viva de todo o enredo ambientado por volta de 1895. Não que esse recurso fosse necessário para o público se lembrar de tudo o que houve antes, entretanto, funcionou como uma espécie de união do útil ao agradável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Racismo e a pouca diferença entre ficção e realidade

Em julho deste ano, Maria Júlia Coutinho, que se destacou em 2015 na previsão do tempo do "Hora Um", sendo promovida para o "Jornal Nacional", foi vítima de ataques racistas na internet. Já em novembro, a vítima da vez foi a atriz Taís Araújo. E, poucos dias depois, as atrizes Cris Vianna e Sheron Menezzes foram os novos alvos dos criminosos. Milhares de negros sofrem preconceito todos os dias no país e há séculos, ou seja, nada disso é novidade. Tanto que a teledramaturgia aborda esse assunto constantemente e várias novelas já levantaram a questão, que infelizmente está longe de acabar.


E os casos recentes que aconteceram com as quatro figuras conhecidas mencionadas apenas comprovam que há pouca diferença entre ficção e realidade. Ainda que alguns considerem o tom do racismo explorado em algumas obras 'exagerado' ou 'forçado', a verdade é que o assunto é apenas exposto da forma como ele infelizmente é. E foram muitos folhetins que exploraram a questão racial, tanto que nem tem como citar todos. O preconceito é exibido em função da ficção (retratando também a sociedade, obviamente) desde o surgimento da telenovela e da dramaturgia no geral.

Atualmente, por exemplo, "Além do Tempo" vem abordando o preconceito de uma forma explícita e competente. Na primeira fase da obra de Elizabeth Jhin, ambientada no século XIX, Raul (Val Perré) era um ex-escravo que vivia sendo ofendido por Bento (Luiz Carlos Vasconcelos) e Pedro (Emílio Dantas). Na época, claro, o racismo era vomitado com 'orgulho' e nem era considerado crime.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Enquanto Alinne Moraes e Rafael Cardoso esbanjam química em "Além do Tempo", Lívia e Felipe honram o título da novela das seis

A principal característica de "Além do Tempo" é a presença de duas fases completamente distintas, com longa duração cada uma. A primeira se passou no século XIX, por volta de 1895, e a atual se passa no século XXI, em 2015. E um dos grandes motivos para a transição de fase é justamente o casal protagonista, composto por Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso), cujo amor atravessa o tempo. Ou seja, se o par não funcionasse, a história fatalmente naufragaria. Mas funcionou.


A clássica história do amor de outras vidas, desta vez, foi contada de forma diferente, mantendo a essência folhetinesca. Ao contrário do que sempre costuma ocorrer em obras espíritas ---- através de flashbacks inseridos durante a história, quase sempre frutos de regressões ----, a vida passada do casal foi contada, na íntegra, ao longo de 87 capítulos na primeira fase e sem final feliz. Tudo para que o novo ciclo do amor pudesse ser reiniciado com o público já sabendo de todos os meandros daquele romance.

E a estratégia ousada de Elizabeth Jhin foi muito benéfica para a novela, que nada mais é do que duas obras em uma. Já a imensa química entre os atores e a ótima construção dos personagens foram vitais para que tudo funcionasse e conquistasse o telespectador. Até porque um dos maiores desafios para um autor hoje em dia é justamente conseguir criar um casal principal que empolgue e desperte torcida do público.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

"Sete Vidas", "Verdades Secretas" e "Além do Tempo" foram as melhores novelas da Globo em 2015

A Globo não tem motivo para comemorar seu cinquentenário levando em consideração a sua principal faixa de teledramaturgia. Rejeitada por crítica e público, "Babilônia" foi o maior fracasso da história do horário nobre e "A Regra do Jogo" encontrou dificuldades em reagir nos números de audiência nos primeiros meses ---- seu início foi prejudicado pelo sucesso de "Os Dez Mandamentos", na Record, e a demora em deslanchar a história também contribuiu para afastar o público. Porém, 2015 foi um ano muito rico 'novelisticamente' para a emissora no horário das seis e das onze.


"Sete Vidas" e "Além do Tempo" engrandeceram a faixa das 18h, enquanto "Verdades Secretas" levantou a chamada 'segunda linha de shows', nome que a Globo usa para classificar os produtos que vêm depois das produções pós-novela das nove. Os três folhetins apresentaram ---- no caso de "Além do Tempo" vem apresentando, pois ainda está no ar ---- qualidade de sobra e tramas muito bem escritas, dirigidas e escaladas, honrando a boa audiência conquistada.

A novela de Lícia Manzo estreou em março (dia 9) e chegou ao fim em julho (dia 10), ou seja, ficou apenas quatro meses no ar ---- tendo 106 capítulos. Após o êxito da impecável e comovente "A Vida da Gente" (2011), a autora novamente conseguiu arrebatar o telespectador com um enredo inovador e repleto de dramas bem escritos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Paolla Oliveira brilha na pele da dissimulada Melissa em "Além do Tempo"

O ano de 2015 tem sido ótimo para Paolla Oliveira. Em janeiro, ela brilhou absoluta na minissérie "Felizes para sempre?", onde interpretou a prostituta Danny Bond, o seu melhor papel na carreira até agora. Seis meses depois, a atriz entrou em "Além do Tempo" e, desde então, vem se destacando no folhetim das seis, na pele da dissimulada Melissa, uma típica vilã que faz de tudo para separar o casal de mocinhos ----- no caso, Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso).


Na primeira fase da trama de Elizabeth Jhin, Paolla imprimiu um tom caricato, perfeitamente apropriado para uma espécie de 'patricinha' do século XIX. Filha da interesseira Dorotéia (Júlia Lemmertz) e irmã do malandro Roberto (Rômulo Estrela), a vilã tinha um tom afetado e vivia dando chiliques em meio a diversas situações, sempre quando suas vontades não eram cumpridas. A personagem, de grande destaque, sempre aparecia impecavelmente vestida e era um poço de beleza, mas transbordava futilidade.

A atriz conseguiu dominar bem o papel, escrito com competência pela autora, e ainda soube aproveitar os traços de comicidade involuntária da vilã, sempre quando a personagem estava junto da mãe e do irmão ---- eram nesses momentos que ela se mostrava exatamente do jeito que era, sem máscaras.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A nova fase de "Além do Tempo"

A impecável primeira fase de "Além do Tempo" chegou ao fim no dia 21 de outubro, depois de dois adiamentos ---- um no começo da trama, com uma extensão de mais 20 capítulos (acabaria por volta do 65 e foi até o 87), e outro perto do desfecho, tendo o encerramento prolongado em um dia. Portanto, após uma longa e elogiada jornada, o século XIX saiu de cena, cedendo lugar ao ano de 2015, em pleno século XXI. E o que se vê, como já era de se esperar, é uma nova novela.


Elizabeth Jhin ousou ao produzir dois folhetins em um e a atitude corajosa da autora fica clara no começo da segunda fase, iniciada após um final trágico da primeira, onde Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) morreram juntos e Melissa (Paolla Oliveira) acabou assassinada por Pedro (Emílio Dantas). A primeira imagem já despertou curiosidade pela nova saga, uma vez que mostrou os mocinhos se olhando em uma estação de metrô, como costuma ocorrer em filmes românticos, simbolizando ainda o amor além da vida.

E a estratégia de ir apresentando as demais tramas aos poucos, priorizando neste início as explicações para os novos arranjos familiares, foi inteligente. Até porque realmente a mudança brusca foi sentida e era inevitável. Difícil não sentir falta do requinte da trama de época, dos linguajares, dos figurinos, enfim...

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

"Além do Tempo" finaliza a primeira fase de forma primorosa e inicia um novo ciclo promissor

A primeira fase de "Além do Tempo" durou praticamente quatro meses e teve 87 capítulos. Após muitas semanas de história ambientada no século XIX, agora o folhetim migra para 2015, após uma passagem de 150 anos ---- na verdade uma cronologia controversa em virtude do ano da fase recém-encerrada (ao que tudo indica, por volta de 1895, ou seja, a passagem é de 120 anos). E a primeira 'etapa' da trama cumpriu sua missão com louvor, foi estendida em virtude da boa aceitação, e apresentou momentos finais primorosos.


Elizabeth Jhin foi muito corajosa e pela primeira vez na teledramaturgia foi apresentado para o público toda uma saga de personagens que reencarnam juntos e têm suas vidas novamente cruzadas séculos depois. A situação, analisada friamente, é absurda até mesmo na doutrina espírita, pois é inconcebível um 'renascimento grupal'. Entretanto, a licença poética ---- que inclui no caso até mesmo a permanência dos nomes dos personagens ---- é mais do que bem-vinda, até mesmo em virtude da ousadia da autora.

Todos os folhetins que abordam o tema da reencarnação e vidas passadas utilizam dos conhecidos flashbacks para detalhar as histórias, inseridos ao longo dos meses de trama. A própria Elizabeth fez isso no sucesso "Escrito nas Estrelas" e na fraca "Amor Eterno Amor". Mas, agora, o telespectador pôde acompanhar um enredo com começo, meio e fim. Ou seja, "Além do Tempo" representa duas novelas em uma, proposta arriscada e inovadora.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O merecido destaque de Nívea Maria em "Além do Tempo"

Ela estava há cinco anos sem uma personagem à sua altura na televisão. Seu último perfil de destaque até então havia sido a enigmática Margarida, da excepcional série "A Cura", em 2010. Nívea Maria é uma profissional com mais de 60 produções no currículo, desde que começou a atuar, aos 17 anos. Hoje, com 68, a atriz brilha na pele da amargurada Zilda, em "Além do Tempo", mostrando que não está há tanto tempo na profissão por mero acaso.


A governanta é o braço direito da poderosa Condessa Vitória (Irene Ravache) e cumpre absolutamente todas as ordens da sua patroa, a quem venera. Ela também sabe de todos os segredos que envolvem a mãe do Conde Bernardo (Felipe Camargo). E ainda tem um filho, Afonso (Caio Paduan), com quem sempre está discutindo por excesso de 'proteção' e medo de ver o único herdeiro envolvido com Anita (Letícia Persiles), uma mera empregada. Amargurada, a sombria mulher está o tempo todo de cara amarrada e nunca deu um sorriso sequer. 

Constantemente humilhada pela Condessa, a personagem desconta tudo o que tem que engolir a seco nos empregados, repassando para eles a avalanche de menosprezo que recebe de Vitória. Para culminar, a governanta se viu obrigada a aceitar a entrada de Lívia (Alinne Moraes) na mansão, que virou a queridinha da toda poderosa, despertando imediatamente o ciúme e a inveja da mãe de Afonso.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Irene Ravache: o grande nome de "Além do Tempo"

O elenco de "Além do Tempo" é muito bem escalado. São vários nomes de talento e diversos destaques. Entretanto, o principal trunfo da novela das seis é a presença da grandiosa Irene Ravache, vivendo a temida Condessa Vitória, uma vilã e tanto. A personagem foi construída com competência pela autora Elizabeth Jhin e a escalação foi simplesmente perfeita. Desde que o folhetim estreou, tem sido um prazer acompanhar o desempenho de uma das melhores intérpretes do país.


A Condessa é uma mulher fria, arrogante e intolerável. A poderosa mulher do século XIX não perdoa quem a afronta e humilha todos que a cercam, principalmente os empregados, tratados feito lixo. É a típica vilã de um clássico dramalhão. A personagem também faz questão de mandar na vida do sobrinho-neto, o Conde Felipe (Rafael Cardoso), e, no passado, foi a responsável pelo desaparecimento do próprio filho. Isso porque o Conde Bernardo (Felipe Camargo) se envolveu com a saltimbanco Alegra (Ana Beatriz Nogueira), para o seu desgosto.

A víbora armou um plano para matar a 'futura nora' em um 'acidente' de carruagem, mas caiu na própria armadilha quando descobriu que o filho havia entrado no veículo, e não o seu alvo. Desde então, iniciou uma saga em busca de Bernardo e nunca mais 'perdoou' Emília, mesmo sendo ela a culpada pelo desaparecimento.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

De volta às novelas, Alinne Moraes se sobressai na pele da mocinha Lívia em "Além do Tempo"

Ela estava afastada dos folhetins desde 2011, quando viveu a íntegra Lili, no remake de "O Astro". Em 2012, protagonizou a série "Como aproveitar o fim do mundo", de Alexandre Machado e Fernanda Youg, e em 2013 engravidou do seu primeiro filho, precisando sair do elenco de "Em Família", onde viveria a homossexual Marina. Agora, em 2015, Alinne Moraes volta às novelas na pele da mocinha Lívia, em "Além do Tempo", e mostra em cada capítulo como fazia falta na teledramaturgia.


A atriz vem honrando o posto de heroína da história de Elizabeth Jhin, que começa no século XIX e chega até os dias atuais. A personagem é a típica mocinha sofredora, que padece a história inteira enfrentando os mais diversos tipos de dificuldades, principalmente emocionais. Entretanto, apesar de carregar todos os clichês possíveis do gênero, Lívia não é um perfil que irrita e nem se mostra uma passiva idiotizada, ao contrário de Anita (Letícia Persiles), uma tonta que abusa da ingenuidade e cansa pelo excesso de bondade.

A filha de Emília (Ana Beatriz Nogueira) foi superprotegida pela mãe, que temia qualquer tipo de contato com a poderosa família de seu marido (Bernardo), dado como morto na época. Passou um longo período no convento de Padre Luis (Carlos Vereza), mas de nada adiantou o isolamento, pois conheceu o Conde Felipe (Rafael Cardoso), e se apaixonou.