Mostrando postagens com marcador Alexandre Nero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alexandre Nero. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de abril de 2026

As justiças e as injustiças do "Troféu Imprensa" de 2025/2026

 O "Troféu Imprensa, exibido pelo SBT neste domingo, dia 26 de abril, começou de forma especialmente simbólica. A abertura acertou ao revisitar as personalidades mais marcantes dos 75 anos da televisão brasileira, criando um clima de celebração e memória que valorizou a história do meio e emocionou o público.


A cerimônia foi apresentada por Celso Portiolli e Patricia Abravanel, que adotaram um tom mais sóbrio e menos eufórico do que na edição anterior ---- uma mudança que se mostrou acertada e deu mais ritmo e credibilidade à condução do prêmio.

Ao longo da noite, ficou evidente que a premiação teve seus momentos de justiça, mas também acumulou injustiças e indicações difíceis de justificar sob qualquer critério mais rigoroso. Até porque a composição do júri segue controversa.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Vale Tudo", o novo remake das nove

 A Globo promoveu na terça-feira retrasada, dia 11, a segunda coletiva virtual de "Vale Tudo". Participaram os atores Cauã Reymond, Debora Bloch, Paolla Oliveira, Carolina Dieckmann, Pedro Waddington, Edvana Carvalho, Ramille, Ricardo Teodoro, Malu Galli, Luis Lobianco, Alice Wegmann, Humberto Carrão, Samuel Melo, Rhaisa Batista, Luis Melo e Bella Campos. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo a seguir. 


Cauã Reymond falou como enxerga o futuro romance de seu personagem com a Odete: "Nunca parei pra pensar nisso. Tive o cuidado de ver um pouco a versão anterior, mas não quis ver muito porque como a Débora falou muito bem estamos fazendo um clássico e é um novo texto e uma nova 'Vale Tudo'. Se a gente fizer a metade do sucesso que ela fez, ficarei mito feliz. Não fiz ainda cenas com a Odete e estou na fase do plano com a Maria de Fátima pra ela conquistar o Afonso. Estou torcendo pra encontrar com a Débora que admiro muito, mas nunca contracenamos".

Debora Bloch comentou se assistiu ao produto original, como é sua parceria com Malu Galli e como enxerga a Odete em 2025: "Eu na época eu vi a novela um pouco porque estava no teatro, mas não via todo dia. Depois comecei a rever e achei que aquilo não estava me ajudando e achei melhor concentrar no texto da nova versão e concentrar na minha Odete. A novela virou um clássico e sempre que se remonta um clássico os atores vão dar a sua leitura daquele clássico, acrescentar seu repertório. Eu já assistia Malu no teatro e depois a gente fez a minissérie 'Queridos Amigos', onde ficamos amigas, e depois 'Sete Vidas'. Fizemos duas amigas na série e depois irmãs na novela. A gente se dá bem em cena, temos um jogo bom juntas, mas agora é uma relação diferente dessas irmãs.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

"No Rancho Fundo" repetiu todos os erros de "Mar do Sertão"

 A novela das seis de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman, chegou ao fim nesta sexta-feira (01/11). "No Rancho Fundo" marcou o início de um novo planejamento da atual gestão de teledramaturgia da Globo, comandada por Amauri Soares, que planeja apostar em um novo segmento, além dos tradicionais remakes: o das continuações de novelas. Tanto que ano que vem será a vez da continuação de "Êta Mundo Bom!". Porém, pode ser uma ideia não muito promissora diante do resultado atual. O autor da trama que fechou seu ciclo hoje repetiu todos os erros de "Mar do Sertão". 

É verdade que "No Rancho Fundo" foi um sucesso de audiência e conseguiu reerguer os números da faixa das seis, após o imenso fiasco do remake de "Elas por Elas". Mas é importante ressaltar que uma parte do êxito se deve ao fenômeno "Alma Gêmea", que vem sendo reprisado no "Vale a Pena Ver de Novo" e foi iniciado praticamente junto da produção das 18h. A história de Walcyr Carrasco é a melhor e mais exitosa da atual grade da Globo. O folhetim anterior herdava os péssimos índices da reprise fracassada de "Paraíso Tropical". Ainda assim, é inegável a boa aceitação da obra de Mário Teixeira, que até chegou a trabalhar com Walcyr em "O Cravo e a Rosa", de 2001.

O autor de "No Rancho Fundo" sabe criar personagens carismáticos, escalar um ótimo elenco e tem um texto excelente. Esse conjunto ajuda a explicar a trajetória bem-sucedida. Porém, baseado em seus trabalhos anteriores, Mário ainda estava devendo uma trama desenvolvida com competência. E infelizmente seguiu devendo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Andrea Beltrão e Alexandre Nero brilharam em "No Rancho Fundo"

 A atual novela das seis, escrita por Mário Teixeira e dirigida por Allan Fiterman, tem no elenco a sua maior qualidade. "No Rancho Fundo" apresenta vários atores talentosos, incluindo muitos nomes que estão estreando na televisão. O autor também acertou quando colocou o peso dos personagens mais importantes nos profissionais mais experientes. Embora a trama seja protagonizada por mocinhos defendidos por dois novatos, o enredo está todo voltado para Zefa e Tico Leonel, interpretados por Andrea Beltrão e Alexandre Nero. 


Zefa Leonel é a figura central da produção das seis. Todos os conflitos passam por ela e havia a necessidade de uma veterana no papel. Felizmente, ao contrário do que tem acontecido em tantos folhetins, houve a preocupação na escolha da atriz. É verdade que o acaso também ajudou Mário Teixeira. Andrea estava reservada por Lícia Manzo para o elenco de "O País de Alice", novela que a autora preparava para a faixa das 18h e acabou cancelada abruptamente por Amauri Soares e José Luiz Villamarim, responsáveis pelo setor de teledramaturgia da Globo, que consideraram o enredo elitista. Mariana Lima, que agora brilha como Tia Salete, foi outro nome transferido de uma produção para outra. 

A atriz vem honrando a importância de sua personagem em "No Rancho Fundo" e fica perceptível o cuidado maior do autor até no texto de Zefa Leonel, que chega a ser mais rebuscado, engrandecendo ainda mais a interpretação irretocável de Andrea Beltrão. A matriarca da família Leonel é uma mulher íntegra, vivida, humana, extremamente rígida e fiel cuidadora dos seus.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

"No Rancho Fundo": o que esperar da nova novela das seis?

 A Globo estreou nesta segunda-feira (15/04) a segunda continuação de uma novela sua. O primeiro caso foi com "Verdades Secretas 2", mas a trama de Walcyr Carrasco foi direcionada apenas para o Globoplay. O segundo foi com "Nos Tempos do Imperador", uma sequência de "Novo Mundo". Por mais que os responsáveis neguem, "No Rancho Fundo" é, sim, uma espécie de segunda parte de "Mar do Sertão", trama de sucesso exibida entre 2022 e 2023 na faixa das seis. Tanto que há uma aposta na produção por ser considerada algo mais 'seguro' para levantar os índices do horário, após o fracasso do remake de "Elas por Elas". 


A história tem todos os clichês que costumam funcionar e deram certo em "Mar do Sertão". Na beira do riacho, Quinota (Larissa Bocchino), moça de Lasca Fogo, um pequeno distrito fictício do Cariri, sonha em encontrar Marcelo Gouveia (José Loreto), que ela acredita ser seu grande amor. Enquanto Quinota nasceu e foi criada em meio às galinhas, Marcelo viveu em Lapão da Beirada, a parte urbana da região sertaneja. Dois universos distintos que se caracterizam pelo contraste, onde a cultura e as tradições se misturam e desempenham papel fundamental na identidade do sertão brasileiro. 

Criada e escrita por Mário Teixeira com direção artística de Allan Fiterman, "No Rancho Fundo" é uma comédia romântica contemporânea e narra a trajetória dos Leonel Limoeiro, conduzidos pelo braço forte e coração aberto da matriarca Zefa Leonel (Andrea Beltrão), a líder da família do interior que precisa lidar com o choque entre o lugar onde vivem e a cidade.

quinta-feira, 30 de março de 2023

Trio de sucesso de "Salve Jorge", Creusa, Helô e Stênio mereciam conflitos melhores em "Travessia"

A atual novela das nove de Glória Perez segue enfrentando muitos problemas de desenvolvimento. "Travessia" teve um início turbulento e com forte rejeição do público e da crítica. A trama está entrando em seu sexto mês de exibição e pouca coisa mudou desde então. A sensação de falta de história é constante. E a dificuldade na criação de conflitos bem estruturados ficou evidente até no núcleo protagonizado por Helô (Giovanna Antonelli), Stênio (Alexandre Nero) e Creusa (Luci Pereira), que foi usado como chamariz antes da estreia da produção.


Os três personagens roubaram a cena em "Salve Jorge", escrita por Glória e exibida em 2013. A novela também foi massacrada por público e crítica na época. Além do enredo fraco e das situações absurdas, a trama ainda sentiu o peso de substituir o fenômeno "Avenida Brasil". No entanto, o trio foi um dos poucos acertos e caiu nas graças do telespectador. A química da delegada com o advogado foi arrebatadora. O casal ofuscou os mocinhos ---- Theo (Rodrigo Lombardi) e Morena (Nanda Costa) ---- e os dois acabaram virando os protagonistas morais do folhetim. O amor que a empregada, Creusa, sentia por seus patrões deu um toque especial ao enredo e o trio teve uma sintonia perfeita. 

O anúncio do retorno dos personagens em "Travessia", dez anos depois, despertou curiosidade, além de ter feito a alegria do 'fandom Steloísa', criado por várias telespectadoras fãs do casal há dez anos e que até hoje se mantém ativo nas redes.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Tudo sobre a coletiva presencial de "Travessia", a nova novela das nove

 A Globo promoveu na última terça-feira, dia 4, a coletiva presencial de "Travessia", a nova novela das nove, escrita por Gloria Perez e dirigida por Mauro Mendonça Filho. Foi a primeira festa promovida para a imprensa de uma novela desde o início da pandemia do novo coronavírus. Foi uma retomada em grande estilo com a presença de vários profissionais da imprensa e de todo o elenco e equipe da trama. A experiência de imersão na novela contou com visita aos cenários de estúdios e cidade cenográfica, apresentações de Tambor de Crioula e um pocket show de Mart`nália, já que um dos bairros na história será Vila Isabel. Fui um dos convidados e conto tudo o que rolou. 


Um tour pelos cenários fixos da construtora de Guerra (Humberto Martins) e do apartamento onde moram o empresário e sua filha, Chiara (Jade Picon), foi o start da ação. Na construtora, jornalistas, afiliadas e influenciadores foram recepcionados pelos responsáveis pela cenografia, direção de arte e produção de arte da trama, Cleo Megale, Alexandre Gomes, Nininha Medicis, respectivamente, que descreveram o processo de conceituação e construção dos espaços. No apartamento, a atriz Jade Picon deu as boas-vindas aos convidados, acompanhada, ainda, pela figurinista Nathalia Duran, que mostrou alguns looks dos personagens, e pelos responsáveis pela caracterização do elenco, Fernando Torquatto e Rachel Furman, que adiantaram algumas das tendências de maquiagem que a novela apresentará. 

De lá, todos seguiram para a cidade cenográfica onde está montada a venda de Núbia (Drica Moraes), sendo remetidos automaticamente ao interior do Maranhão. Drica Moraes e a protagonista Lucy Alves recepcionaram os convidados com docinhos típicos do estado, como o 'Doce de espécie'.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Tudo sobre a terceira coletiva online de "Travessia", a nova novela das nove

 A Globo promoveu nesta quarta-feira, dia 21, a terceira coletiva online de "Travessia". Desta vez, o núcleo da delegacia foi o presente e participaram os atores Alexandre Nero, Giovanna Antonelli, Luci Pereira, Ana Lucia Torre, Indira Nascimento, Ailton Graça, Duda Santos, Yohama Eshima e Romulo Estrela, além da autora Gloria Perez. Fui um dos convidados e conto tudo sobre o bate-papo.


Perguntei a Gloria Perez como surgiu a ideia de trazer de volta o casal 'Steloísa' de "Salve Jorge" e se o fandom no Twitter ajudou na iniciativa. Também quis saber se a música-tema do par já foi escolhida por ela ou por Mauro Mendonça Filho, o diretor: "A volta do casal foi pensada por isso. E com certeza o público das redes me influenciou nisso. O fato deles não terem esquecido dos personagens fez diferença. Não esqueceram dos personagens. E eles cabiam perfeitamente nessa novela. O público guardou na memória esses dois. Teve até campanha no Twitter pela volta deles. Acho que a forma como shippam é isso de 'Steloísa', né? Mas trouxe a Creuza também, feita pela Luci Pereira. Então quis trazer o trio de volta. Porque não é casal, é trio. A Helô é uma delegada e por que não trazê-la de volta em uma novela que fala sobre crimes cibernéticos? A delegada Helô vai tratar de vários casos, entre eles um estupro no metaverso. Porque teve um caso na vida real. A mulher se sentiu abusada no metaverso e a justiça acolheu a questão dela. Sobre a música, a gente ainda não pensou nisso", respondeu a autora aos risos.

Giovanna Antonelli falou sobre a sua declaração a respeito da pausa que fará na carreira após 'Travessia' e como tem sido a volta da delegada Helô: "Depois de fazer uma novela durante uma pandemia que durou dois anos, que foi "Quanto Mais Vida, Melhor!", e ainda emendar com 'Travessia', nada mais natural do que eu fazer uma parada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

"Nos Tempos do Imperador" apresentou seu melhor capítulo com o embate entre Nélio, Dolores e Tonico

 Nesta segunda-feira, dia 10, "Nos Tempos do Imperador" apresentou um capítulo repleto de ação e ótimas cenas. Não por acaso, a trama foi quase toda voltada para o embate do casal Nélio (João Pedro Zappa) e Dolores (Daphne Bozaski) com Tonico Rocha (Alexandre Nero). A novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão, dirigida por Vinícius Coimbra, viveu seu momento de maior catarse até então. 

Não por acaso, a trama finalmente colocou o casal que roubou a cena em um momento de grande destaque de movimentação do roteiro. Após um longo tempo escondidos, Dolores e Nélio foram descobertos por Tonico, que não perdoou a traição da dupla. Em meio a dois casais protagonistas que falharam, os dois coadjuvantes viraram os mocinhos do folhetim das seis e nada mais natural que o embate com o maior vilão do enredo era algo bem esperado pelo público. 

Os autores se inspiraram claramente na sequência mais emblemática de "Além do Tempo", novela de sucesso de Elizabeth Jhin, exibida em 2015: quando os mocinhos Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) acabaram encurralados pelo vilão Pedro (Emílio Dantas) em um penhasco.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Reprise comprovou que "Império" foi uma novela regular e sustentada apenas pelo núcleo central

"Império" teve 203 capítulos em sua exibição original, entre julho de 2014 e março de 2015. A reprise da saga do comendador José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero), que chega ao fim nesta sexta-feira (05/11), foi exibida quase na íntegra. Na época, a trama de Aguinaldo Silva fez sucesso: elevou em três pontos a média geral, derrubado por "Em Família", fracasso anterior, escrito por Manoel Carlos. No entanto, a reexibição não repetiu o feito: a média foi bem menor que as reprises de "Fina Estampa" e "A Força do Querer". 


Apesar do êxito nos números do Ibope em 2014, a trama pode ser classificada apenas como regular. Não foi uma obra péssima e conseguiu ser bem melhor do que dois folhetins relativamente recentes do autor ---- a já citada e problemática "Fina Estampa" e o fiasco "O Sétimo Guardião". Entretanto, esteve longe de ser uma novela ótima. A história teve muitos equívocos, mas o núcleo central sustentou bem "Império", sendo o seu maior acerto. A família Medeiros teve dois perfis de destaque muito complexos (Zé Alfredo e Maria Marta) e os embates pelo comando da empresa de joias sempre eram atrativos.

O autor foi muito corajoso ao colocar um homem repleto de desvios de conduta e extremamente arrogante como protagonista, e ainda escolher Alexandre Nero para interpretá-lo. Toda a coragem valeu a pena, afinal, o comendador (um típico anti-herói) caiu nas graças do público, fez sucesso e o ator deu um verdadeiro show na pele do personagem que até hoje é o melhor de sua carreira.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Ótimo em "Império", Alexandre Nero também vem brilhando em "Nos Tempos do Imperador"

 A estreia de Alexandre Nero na televisão foi tardia. Com 38 anos, em 2008, o ator caiu nas graças do público logo em sua primeira novela. Na pele do humilde verdureiro Vanderlei, Alexandre se destacou vivendo um dos personagens de menor importância de "A Favorita", primeira novela de João Emanuel Carneiro no horário nobre. Pois seis anos se passaram e o ator ganhou sua melhor oportunidade como o protagonista de "Império", em 2014, na trama de Aguinaldo Silva, cuja reprise se encerra nesta semana. Ao mesmo tempo, o intérprete vem brilhando em "Nos Tempos do Imperador", a primeira novela das 18h inédita em tempos de pandemia. 


José Alfredo foi um personagem bem complexo e engrandecedor para qualquer ator. O protagonista da trama mesclava momentos de vilania com atos enobrecedores. Era machista, frio, amoroso, cruel, heroi, vilão, sonegador, honesto, canalha, sincero, enfim, uma contradição ambulante. Uma escolha ousada do autor que deu certo, já que nem todo personagem central com tais características funciona. O carisma do intérprete ajudou bastante na aceitação popular. 

A complexidade dos sentimentos do comendador ao longo do enredo proporcionou para Alexandre Nero cenas ótimas, que evidenciaram o acerto de sua escalação. O ator esteve impecável na pele do bem construído e machista personagem, que tinha uma amante muito mais jovem, era pai de quatro filhos e casado com uma mulher que só pensava em poder. Aguinaldo escreveu José Alfredo especialmente para o ator e acertou em cheio.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Romance de Maria Isis e José Alfredo foi um dos muitos equívocos de "Império"

 Há reprises que envelhecem mal ou então despertam um novo olhar do público após anos da primeira exibição. O caso de "Império", novela de Aguinaldo Silva atualmente reprisada no horário nobre, não chega a ser um caso de enredo que tenha envelhecido mal. Porém, a relação entre José Alfredo (Alexandre Nero) e Maria Isis (Marina Ruy Barbosa) provoca uma percepção que em 2014 muitos não tiveram ou ignoraram. 

O casal sempre foi tratado pelo autor como uma espécie de 'mocinhos', ainda que o comendador tenha passado longe do tipo heroico. Aliás, uma das qualidades da novela foi o protagonismo de um personagem com tantas camadas e com sérios desvios de caráter. Uma atitude ousada e válida, que fez muito sucesso. Mas o par formado por Zé Alfredo e Isis é problemático em vários aspectos. E vale ressaltar que o romance não teve uma grande aceitação na época, por mais que Aguinaldo tenha se esforçado. Grande parte do público ficou do lado de Maria Marta (Lília Cabral). Ou seja, a situação não envelheceu mal porque na época já não tinha obtido o êxito desejado. Mas os motivos da relação do personagem central com sua amante ter sido um erro não foram muito comentados. 

O fato é que o contexto peca logo no início quando apresenta Maria Ísis como uma garota que não faz nada da vida e vive em um apartamento de luxo bancado por um homem que tinha idade para ser seu pai. Nada contra relações com diferenças de idade, mas a situação desperta incômodo a partir do momento em que o comendador chama a amada de "sweet child" (doce criança).

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Tudo sobre a coletiva online de "Nos Tempos do Imperador", nova novela das seis

 Nesta segunda-feira (26/07), a Globo promoveu a coletiva online da nova novela das seis escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, "Nos Tempos do Imperador", que estreia no dia 9 agosto. A trama é uma espécie de continuação de "Novo Mundo", sucesso escrito pela dupla em 2017. É o primeiro folhetim da emissora a estrear já quase todo gravado e ainda durante a pandemia do novo coronavírus. Participaram os dois autores, Selton Mello, Mariana Ximenes, Letícia Sabatella, Rogério Brito, Alexandre Nero, Michel Gomes, Dani Ornellas, Gabi Medvedovski, e o diretor Vinicius Coimbra. A jornalista Monica Sanches mediou a conversa. Fui um dos convidados e conto um pouco como foi esse bate-papo. 

"É uma sequência da ideia de "Novo Mundo", a diferença é que já temos um Brasil estabelecido devido a independência promovida por Dom Pedro I. A Rede Globo solicitou essa continuação logo após o término de "Novo Mundo", mas era uma ideia que nós já tínhamos. Dom Pedro II é um dos brasileiros mais queridos de todos os tempos. Ele fez muitas coisas importantíssimas pro país que temos hoje. A gente tentou fazer uma novela que tivesse algum movimento, alguma aventura, e por isso ela vai até a Guerra do Paraguai. E também colocamos personagens negros que não estão naquela figura dos escravizados. Vamos ver personagens negros complexos, livres e fazendo a sua procura pela abolição. Para a gente ver que a abolição não é resultado de uma canetada", contou Thereza Falcão.

"Hoje entregamos nosso bloco 26 da novela. Fizemos em 26 semanas. Já está quase toda pronta. A gente está há muito tempo com essa novela. Começamos a trabalhar logo depois de "Novo Mundo". Isso em 2017, estamos em 2021. Em março de 2020 estávamos preparados para mostrar isso, mas a coletiva foi cancelada e veio a pandemia.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Segunda temporada de "Filhos da Pátria" debocha do retrocesso atual do Brasil

Rio de Janeiro, sede do governo federal, Outubro de 1930, momento de transição da história do Brasil com o início da Era Vargas. É neste contexto que se passa a segunda temporada de "Filho da Pátria", que estreou nesta terça-feira (08/10), na Globo. Na série, escrita e criada por Bruno Mazzeo ---- dirigida por Felipe Joffily e Henrique Sauer ----, uma típica família da classe média brasileira, já conhecida do público durante a primeira temporada (exibida há dois anos), volta ao ar, mas agora vivendo em outro tempo. Todavia, os problemas que envolvem o país e seus habitantes não mudaram muito.


Os Bulhosa mantêm as mesmas características vistas na série de 2017. Geraldo (Alexandre Nero) segue com sua covardia e passividade diante do sistema que o cerca; Maria Teresa (Fernanda Torres) continua bajulando quem está no poder; Geraldinho (Johnny Massaro) não deixou a preguiça de lado; enquanto Catarina (Lara Tremouroux) avança com sua luta feminista pela independência. Já Lucélia (Jéssica Ellen) virou empregada doméstica da família, uma vez que a escravidão acabou, e seu grande amigo Domingos (Sérgio Loroza) tenta a vida como sambista. Outros personagens que continuam na trama são Leonor (Letícia Isnard) ---- irmã mais nova e esnobe de Teresa ---- e o corrupto Pacheco, vivido pelo ótimo Mateus Nachtergaele, comprovando que sujeitos assim sobrevivem a qualquer regime.

Se na primeira temporada, os Bulhosa viviam no Brasil de 1822 --- um país recém-independente e otimista --- na segunda, o contexto inclui o governo de Getúlio Vargas que enche o Brasil (novamente) de esperança, com promessas de modernidade diante da estagnação após anos da hegemonia da elite no período conhecido como "café com leite".

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Trama densa e entrega do elenco foram as marcas de "Onde Nascem os Fortes"

A supersérie da Globo (nomenclatura adotada pela emissora ano passado para classificar produções das onze) estreou no dia 23 de abril e marcou a volta da bem-sucedida parceria dos talentosos George Moura e Sérgio Goldenberg. Os autores das aclamadas minisséries "O Canto da Sereia" (2013) e "Amores Roubados" (2014) e do primoroso remake de "O Rebu" (2014) retornaram em grande estilo na faixa que os consagraram. "Onde Nascem os Fortes", dirigida brilhantemente por José Luiz Villamarim e Walter Carvalho (outros grandes parceiros dos escritores nos três trabalhos anteriores), esbanjou qualidades do início ao fim.


A história em torno do misterioso desaparecimento de Nonato (Marco Pigossi), irmão gêmeo da protagonista Maria (Alice Wegmann), na fictícia Sertão ----- local repleto de figuras obscuras e complexas ----- foi desmembrado habilmente ao longo dos meses e os escritores presentearam o público com uma produção refinada, onde a entrega do elenco e o enredo denso foram as principais marcas. Aos poucos, foi possível observar que o sumiço do rapaz que provocou uma briga com o poderoso Pedro Gouveia (Alexandre Nero) era apenas a ponta do fio de um novelo bem mais espesso e embaraçado.

Logo no primeiro capítulo ficou claro que o juiz Ramiro (Fábio Assunção) tinha relação no desaparecimento do rapaz em virtude da sua rivalidade com Pedro. No entanto, os escritores resolveram desenvolver a trama em etapas. A primeira foi voltada para a incansável saga de Maria em busca dos responsáveis pelo sumiço de Nonato, declarando guerra a Pedro e deixando a mãe, Cássia (Patrícia Pillar), desesperada.

terça-feira, 24 de abril de 2018

"Onde Nascem os Fortes" tem tudo para honrar a faixa das onze

"Amar, odiar, perdoar. Até onde vai a sua força?". A pergunta sempre presente nas chamadas de "Onde Nascem os Fortes" já deixava clara a intenção da nova trama das onze da Globo: provocar o público através de uma premissa irresistível. Afinal, o ser humano é repleto de camadas muitas vezes difíceis de decifrar, principalmente diante de adversidades. A história que começa a ser contada explora a saga da corajosa Maria (Alice Wegmann), que não mede esforços para encontrar seu irmão gêmeo, o provocador Nonato (Marco Pigossi). E o primeiro capítulo conseguiu apresentar essa intenção com louvor.


George Moura e Sérgio Goldenberg são autores que já viraram "experts" na faixa das 23h. Responsáveis pelas irretocáveis "O Canto da Sereia" (2013), "Amores Roubados" (2014) e "O Rebu" (2014), os dois sabem aproveitar toda a liberdade do horário mais tardio e a dupla ainda segue com a competente direção de José Luiz Villamarim e fotografia de Walter Carvalho, outros profissionais que também fizeram parte das produções mencionadas. Tendo como base o "currículo recente" deles, portanto, a chance da atual trama ser ótima é bastante alta.

Gravada no sertão da Paraíba, a "supersérie" tem o sertão como um dos seus alicerces. Segundo os escritores, é o protagonista do enredo que contracena sem ser filmado. E pela primeira vez a Globo exibirá uma novela (embora insista em não chamar mais assim na faixa das onze) já quase finalizada.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Fernanda Torres e Alexandre Nero formaram uma dupla divertida em "Filhos da Pátria"

Infelizmente, "Filhos da Pátria" foi um fracasso de audiência. E muito por culpa da própria Globo, que resolveu apostar na fraca e desinteressante "Cidade Proibida" para ir ao ar após a novela das nove. A série não teve um bom retorno de audiência, derrubando a média em mais de 15 pontos (chegou a mais de 20 na época de "A Força do Querer"). Ou seja, a série de Bruno Mazzeo (co-criada com Alexandre Machado) acabou herdando baixos números e indo ao ar tarde para um formato de humor. Porém, a produção foi repleta de qualidades e uma delas foi a dupla formada por Fernanda Torres e Alexandre Nero.


Foi a primeira vez que os atores trabalharam juntos e o resultado não poderia ter sido melhor. Mazzeo criou ótimos perfis para os dois, que aproveitaram as possibilidades em todas as cenas. A trama abordou com um delicioso humor crítico o 'nascimento' do famoso jeitinho brasileiro, logo após a Independência do Brasil. E para isso usou a família de classe média da época, liderada por Geraldo Bulhosa (Nero), um funcionário público medroso, e Maria Teresa (Fernanda), sua deslumbrada esposa que sempre sonhou em ser rica, invejando a irmã refinada desde sempre. Eles ainda são pais do folgado Geraldinho (Johnny Massaro) e da empoderada Catarina (Lara Tremouroux).

Desde o primeiro episódio fica claro o ótimo entrosamento da dupla, que protagoniza uma sucessão de momentos hilários. O interessante do humor do casal é a diferença evidente de comportamento, pois Geraldo sempre foi um sujeito conformado com sua vidinha medíocre, enquanto a esposa nunca aceitou a condição deles.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sarcástica, "Filhos da Pátria" é uma série perfeita para o atual momento do Brasil

A nova série da Globo foi gravada antes do impeachment de Dilma Roussef. Mas, se tivesse sido realizada semana passada, daria na mesma. Isso porque o Brasil está mergulhado em uma crise avassaladora e repleta de escândalos há muito tempo. Nunca a corrupção e a desonestidade estiveram tão em voga. "Filhos da Pátria" busca tratar justamente a 'origem' de toda essa podridão através de uma história sarcástica recheada de tipos facilmente identificáveis, com o humor provocando risos envergonhados no público.


Escrita por Bruno Mazzeo e dirigida por Maurício Farias, a trama é ambientada no Rio de Janeiro do século XIX, em 1822, logo após a proclamação da Independência. A cidade cenográfica, inclusive, é a mesma utilizada em "Liberdade, Liberdade" (2016) e "Novo Mundo". O 'surgimento' da corrupção e do famoso jeitinho brasileiro é exposto no enredo através dos Bulhosa, típica família de classe média da época, composta pelo ingênuo português Geraldo (Alexandre Nero), sua esposa ambiciosa, a brasileira Maria Teresa (Fernanda Torres), pelo primogênito metido a idealista, Geraldinho (Johnny Massaro), e pela caçula feminista, Catarina (Lara Tremouroux). A escrava empoderada, Lucélia (Jéssica Ellen), e o escravo bonachão, Domingos (Sérgio Loroza), ainda compõem o núcleo.

A série ficou disponível na íntegra pelo aplicativo Globo Play, a partir do dia 3 de agosto, e o primeiro capítulo foi exibido em uma coletiva realizada na luxuosa Casa Julieta de Serpa, no Flamengo, Rio de Janeiro (também no dia 3). Logo no primeiro episódio, fica claro o objetivo da produção em apontar toda a hipocrisia da sociedade, mirando em cada uma de nossas falhas, expondo o deprimente conjunto que acabou resultando nesse Brasil que todos se envergonham tanto.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Os vencedores da nona edição do "Prêmio Quem" de TV

Aconteceu na noite da última terça-feira (22/03), a nona edição do "Prêmio Quem". O evento da conhecida revista ocorreu no Grand Mercure Riocentro, no Rio de Janeiro. A cerimônia premiou nomes que se destacaram em 2015 em diferentes áreas --- televisão, gastronomia, literatura, música, cinema, moda, beleza e teatro ---- e a premiação contou com a presença de vários artistas, como já era de se esperar. No seguimento da TV, foram seis categorias e uma honrosa homenagem a Tony Ramos, em virtude da sua respeitável trajetória e admirável carreira (além, claro, do seu irretocável desempenho em "A Regra do Jogo").


O vencedor da Categoria Melhor Ator foi Alexandre Nero, que foi homenageado pela colega Cássia Kiss durante a entrega do troféu. Ele realmente foi merecedor, uma vez que seu desempenho em "A Regra do Jogo", na pele do controverso e covarde Romero Rômulo, foi merecedor de todos os elogios. Apesar do curto intervalo de tempo entre uma novela e outra, o ator conseguiu apagar completamente a figura do comendador José Alfredo, de "Império", incorporando totalmente aquele homem que não conseguia ser mocinho e nem bandido.

Porém, muitos concorrentes de Alexandre também mereciam a honraria. Vide Domingos Montagner, que brilhou absoluto em "Sete Vidas", e Tonico Pereira, que deu um show na pele do trambiqueiro Ascânio, em "A Regra do Jogo". Tony Ramos era outro indicado merecedor, afinal, o ambíguo Zé Maria era um dos melhores personagens da novela de João Emanuel Carneiro e foi o grande destaque da reta final da novela.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Protagonistas das cenas mais emocionantes do final, Romero e Atena formaram o melhor casal de "A Regra do Jogo"

"A Regra do Jogo" teve seu último capítulo exibido nesta sexta, dia 11, e fechou seu ciclo apresentando altos e baixos. João Emanuel Carneiro apresentou uma novela mediana e a produção ficou bem aquém do esperado. Entretanto, o folhetim teve bons momentos e um dos maiores acertos foi a dupla Romero e Atena, beneficiada pela imensa química entre Alexandre Nero e Giovanna Antonelli. Tanto que as melhores cenas finais da trama foram protagonizadas por eles, além de Tonico Pereira, o gênio intérprete do trambiqueiro Ascânio.


Nada mais propício do que uma novela sobre uma facção criminosa ter um casal protagonista de bandidos. E foi exatamente isso que aconteceu. Assim que os dois se conheceram, ficou perceptível a sintonia da canalhice e não demorou muito para se apaixonarem. Porém, como era um sujeito covarde e controverso, Romero fazia de tudo para negar o que sentia pela vigarista, até porque ela representava o lado que ele queria fugir. Já ela expunha justamente o contrário: fazia questão de declarar seu amor pelo ex-vereador envolvido com o crime.

Só que o verdadeiro sentimento dele sempre aflorava na hora das dificuldades. Por exemplo, quando Atena foi sentenciada à morte pela facção. Durante aquele instante de terror, o personagem não escondeu o seu amor e ainda sofreu achando que ela havia morrido.