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quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Globo tem um histórico de desrespeito com Lícia Manzo

 Nesta quarta-feira, dia 30, saiu a notícia na coluna de Anna Luiza Santiago sobre o cancelamento de "O País de Alice", nova novela das seis que estrearia em março de 2024, escrita por Lícia Manzo e dirigida por Natalia Grimberg. Seria a centésima trama das 18h da Globo. A produção já tinha sido aprovada e estava em processo de escalação de elenco. Agora a empresa chamou Mário Teixeira, que escreveu "Mar do Sertão" ano passado, para substituí-la. Um desrespeito com a autora, diretora e toda equipe. Porém, há um histórico de atitudes controversas da cúpula do canal com a escritora. 


A justificativa para o fim de "O País de Alice" era a sinopse elitista e de pouco apelo popular. A protagonista Alice, uma premiada violinista criada na Europa pela mãe brasileira, voltaria ao Brasil em busca de suas origens. No país, conheceria João, estudante de música a quem se juntaria para formar uma orquestra. A mocinha também despertaria o interesse de um jovem e rico empresário que investiria no projeto. A ideia era escalar atores negros para o time central e apostar em novos talentos. A história era elitista? Depende do ponto de vista. O grande público não pode gostar de música clássica? E se havia tamanha resistência da cúpula da Globo, por qual motivo aprovaram o enredo e só depois cancelaram, com todo o projeto em pleno andamento? Parece um boicote. 

Infelizmente, a lamentável situação foi apenas mais uma sofrida por Lícia Manzo na emissora. Vale lembrar que a autora escrevia, em 2017, "Jogo da Memória", um folhetim de 90 capítulos para a extinta faixa das 23h, reservada para as chamadas novelas das onze, iniciada com o remake de "O Astro", em 2011, e encerrada com "Onde Nascem os Fortes", em 2018. Em 2023, a Globo retoma a faixa com a reprise de "Todas as Flores", mas é uma mera exceção. As novelas extras serão sempre destinadas ao Globoplay.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Apesar dos obstáculos e último capítulo decepcionante, "Um Lugar ao Sol" termina com mais qualidades que defeitos

 A estreia de Lícia Manzo no horário nobre da Globo foi complicada. "Um Lugar ao Sol" não teve um caminho fácil. Foram vários empecilhos que atrapalharam seu primeiro folhetim na faixa mais importante da emissora, após dois bem-sucedidos trabalhos às 18h com "A Vida da Gente" e "Sete Vidas". Foi uma novela impecável? Não. Mas mesmo contra todos os obstáculos e dificuldades, a autora conseguiu entregar para o público uma ótima história, repleta de cenas densas, boas viradas e conflitos bem construídos, cujo ciclo se fechou nesta sexta-feira, dia 25. 

A história contou a saga de Christian (Cauã Reymond) que tomou o lugar de seu irmão gêmeo, Renato, porque nunca aceitou o destino difícil que a vida lhe impôs. Inicialmente íntegro e repleto de princípios, o protagonista foi deixando seu caráter de lado pela ambição desmedida e acabou se transformando em um sujeito muito pior que o problemático e instável irmão que acabou assassinado quando tentou negociar a dívida do sujeito que era sua cópia e tinha acabado de conhecer. Os irmãos conviveram por apenas algumas horas. Não foi uma mera novela sobre gêmeos. Foi uma novela sobre um homem que conquistou seu lugar ao sol através de atos condenáveis e que foram se agravando a cada momento. 

A coragem em exibir uma trama onde o protagonista se transformava no vilão de sua própria vida merece muitos elogios. Lícia arriscou ao fazer com que o público virasse o julgador da vida de Christian. O telespectador era a testemunha, o promotor e o juiz. Tanto que foi impossível torcer por ele. Na verdade, a expectativa sempre foi em cima da derrocada do personagem.

terça-feira, 22 de março de 2022

"Quanto Mais Vida, Melhor!" e "Um Lugar ao Sol" não mereciam a baixa audiência

 Após um longo período de reprises, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Globo estreou duas novelas inéditas quase em sequência: "Um Lugar ao Sol" ingressou na faixa nobre no dia 8 de novembro  e "Quanto Mais Vida, Melhor!" começou no horário das sete no dia 22 do mesmo mês de 2021. Infelizmente, desde então as duas produções não vêm obtendo bons índices de audiência. Mas a verdade é que os folhetins não mereciam os números tão abaixo do que a emissora esperava. 

As novelas esbanjam qualidades, são muito bem dirigidas e têm todas as características de uma história propícia para seus respectivos horários. A trama de Lícia Manzo marca a estreia da autora na faixa das 21h, após as irretocáveis "A Vida da Gente" (2011) e "Sete Vidas" (2015) no horário das seis. Já a produção de Mauro Wilson é sua estreia como novelista solo, após um longo tempo como colaborador e autor de séries, como "Os Amadores" (2005/06/07), "A Fórmula" (2017) e "Ilha de Ferro" (2018). 

"Um Lugar ao Sol" sofreu uma redução de capítulos porque começou a ser gravada antes da pandemia. Os trabalhos precisaram ser interrompidos e meses depois retomados, mas ainda com poucas vacinas para a população. Ficou com apenas 107 capítulos, desmembrados em 119 por conta de um esticamento de última hora por conta dos atrasos nas gravações de "Pantanal". Lícia não guardou conflitos nos primeiros meses e apresentou uma história ágil, cheia de acontecimentos. Nem assim os índices reagiram.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Globo tratou "Um Lugar ao Sol" com má vontade e desrespeito

 Nunca ficou tão evidente a má vontade de uma emissora com seu próprio produto. É até difícil estabelecer qualquer tipo de lógica para analisar o que a Globo fez com "Um Lugar ao Sol". Isso porque o desrespeito com a novela de Lícia Manzo, faltando apenas poucos dias para seu final, é explícito mesmo meses antes da produção estrear. Mas nos últimos dois meses de novela tudo ficou cada vez mais frequente e incômodo. 

Em virtude da pandemia do novo coronavírus, onde a contaminação da variante ômicron se mostrou muito maior, a emissora precisou atrasar a estreia de "Pantanal". O remake da obra de sucesso de Benedito Ruy Barbosa, exibida na Rede Manchete na década de 90, e adaptado pelo neto do autor, Bruno Luperi, é tratado como a salvação da Globo. Praticamente uma galinha dos ovos de ouro. Mas vários integrantes da equipe e do elenco pegaram covid. As gravações precisaram de uma pausa. Prevista para o início de março, a estreia foi remarcada para o dia 28. 

Portanto, "Um Lugar ao Sol" precisou ser esticada em duas semanas. Mas a novela já foi finalizada há muitos meses e não há qualquer possibilidade de novos conflitos. A solução está na edição dos capítulos. Antes com cerca de 55 minutos de duração, vários passaram a durar por volta de 35 minutos. A questão é que todo o trabalho de edição foi feito nas primeiras semanas de 'esticamento' de uma maneira porca.

sexta-feira, 11 de março de 2022

"Um Lugar ao Sol" prova que muita gente reclama de clichês, mas não vive sem eles

 A novela de Lícia Manzo está em plena reta final e desde o início da produção, incluindo a divulgação nas coletivas online, a autora deixou claro que "Um Lugar ao Sol" não era uma mera novela de gêmeos, como tantas que o telespectador já viu. Agora fica clara a explicação da escritora. Realmente não é e passou longe de ser. A ousadia em matar Renato (Cauã Reymond) logo no começo do enredo e depois focar apenas na saga de Christian (Cauã) usurpando a vida do irmão foi uma ousadia merecedora de elogios. 


A autora optou pelo mais difícil: confiar na potência de sua narrativa e evitar situações óbvias envolvendo trama de gêmeos. Não teve gêmeo bom e gêmeo mau. Renato era um playboy inconsequente e problemático, mas passou longe da vilania. Christian era um sujeito íntegro, mas também estava longe de ser uma pessoa boazinha. Os dois eram sujeitos repletos de camadas e contradições. Agora, com o protagonista no posto da presidência da Redentor que tanto almejou, ficou claro que o falso Renato se transformou em algo muito pior que seu irmão. 

Apesar de alguns tropeços na trama, como a enrolação de alguns conflitos que acabaram caindo na repetição e a edição dos capítulos por conta de um esticamento forçado pela Globo, "Um Lugar ao Sol" segue com boas qualidades. No entanto, é comum ver nas redes sociais comentários reclamando da ausência de Renato.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Lícia Manzo e Ana Beatriz Nogueira repetem a bem-sucedida parceria de "A Vida da Gente" em "Um Lugar ao Sol"

 Todo autor tem aquele ator ou atriz com quem gosta de trabalhar. Não por acaso, há intérpretes que estão sempre na lista de escalação de determinados escritores. É a chamada 'panelinha'. É impossível acabar com a prática porque é natural que o roteirista queira trabalhar novamente com quem já defendeu um personagem seu com brilhantismo. Isso tem sido visto, por exemplo, em "Um lugar ao Sol". Lícia Manzo e Ana Beatriz Nogueira estão repetindo a bem-sucedida parceria de "A Vida da Gente". 

A primeira novela de Lícia Manzo, exibida em 2011, é a terceira mais vendida da Globo e foi reprisada recentemente em virtude da paralisação das gravações por conta da pandemia do coronavírus. Ana foi um dos destaques na pele da narcisista Eva, mãe de Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano). A personagem tinha uma veneração doentia pela filha tenista e desprezava a outra de forma cruel. A atriz protagonizou muitas cenas de forte intensidade dramática e despertou a antipatia do público. Foi o papel mais importante da intérprete na televisão. Dava gosto assistir qualquer momento de Eva por conta do talento de Ana Beatriz Nogueira. 

O curioso é que, embora fosse um perfil detestável, Eva tinha seus momentos de humor em virtude da quantidade de absurdos que proferia. Não por acaso, agora, dez anos depois, Lícia Manzo resolveu presentear a atriz com uma personagem que tem a comicidade como principal característica. Parte da crítica especializada costuma apontar a ausência de humor nas novelas da autora como uma espécie de demérito.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Repleta de bons ganchos, "Um Lugar ao Sol" merece mais prestígio da Globo e do telespectador

 A estreia de Lícia Manzo no horário nobre, após as primorosas "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", vem sendo o melhor dos presentes. "Um Lugar ao Sol" está no ar há menos de um mês, mas a autora já conseguiu apresentar sua história central com bastante habilidade e, aos poucos, os núcleos paralelos vão surgindo e, também, com vários conflitos bem construídos. Não há cena desnecessária. Tudo tem um sentido ou uma razão para estar ali. 


Impressiona como Lícia vem desenvolvendo seu roteiro sem enrolação ou pontas soltas. Todos os núcleos têm uma ligação e as peças acabam se encaixando mais cedo ou mais tarde. A autora está conseguindo contar sua história com dinamismo, apresentando capítulos repletos de acontecimentos e encerrados sempre com ganchos de tirar o fôlego. Como a produção terá apenas 107 capítulos, há uma maior facilidade para evitar a chamada barriga (período de enrolação). Mas, ao mesmo tempo, havia o risco de uma pressa que atrapalharia o entendimento e a densidade do enredo, o que não tem acontecido. 

A escritora está mostrando um novo lado até então desconhecido do público que acompanhou suas duas novelas anteriores. Isso porque as já citadas "A Vida da Gente" e "Sete Vidas" não eram folhetins de grandes viradas ou ganchos impactantes. Eram folhetins que retratavam o cotidiano de uma forma delicada e envolvente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

"Um Lugar ao Sol" vem apresentando um início ágil e promissor

 "O que todo mundo quer na vida é uma oportunidade. Uma chance. Mas e se para ter um lugar ao sol você tivesse que encarar suas sombras? Você deixaria de ser quem é para chegar aonde quer?" A mensagem do teaser de "Um Lugar ao Sol", nova novela das nove da Globo, que estreou nesta segunda-feira (08/11), totalmente inédita e já toda gravada, provoca curiosidade sobre mais uma história da talentosa Lícia Manzo, autora que fez sucesso em "A Vida da Gente" (2011) e "Sete Vidas" (2015), ambas na faixa das seis, e agora estreia no horário nobre da emissora apostando no dramalhão clássico. 


A escritora não costuma utilizar maniqueísmo em suas obras. Ninguém é muito bom ou muito mau. Todos têm suas complexidades e controvérsias de qualquer ser humano. Portanto, a trama que norteia a produção foge do clichê, ainda que se utilize dele. Meio confuso? Nem tanto. Lícia conta o folhetim clássico do gêmeo que ocupa o lugar do outro. Mas do jeito dela. E um jeito que o público já aprendeu a admirar. Tanto que os primeiros capítulos da nova novela das nove vêm causando a melhor das impressões. 

A estreia já conseguiu arrebatar pela forma como tudo foi apresentado ao público. Em uma hora e meia de capítulo, praticamente uma duração de filme, Lícia mostrou o nascimento dos gêmeos, algumas passagens de tempo muito bem colocadas pela direção de Maurício Farias, e como cada irmão se adaptou à nova vida.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

"Um Lugar ao Sol": o que esperar da nova novela das nove?

A nova trama das 21h da Globo estreia hoje, dia 8 de novembro, e marca a chegada de Lícia Manzo no horário mais nobre da emissora. A autora é a responsável por dois primorosos folhetins das 18h: "A Vida da Gente", de 2011(reprisada recentemente), e "Sete Vidas", de 2015. Duas histórias que primaram pela sensibilidade e resultaram em uma sucessão de elogios do público e da crítica. Há uma expectativa muito grande para "Um Lugar ao Sol", pois a força dramática das histórias da escritora sempre foram perfeitas para a principal faixa de novelas do canal. 

 Mas a verdade é que Lícia Manzo enfrentou uma verdadeira saga até estrear sua primeira novela no horário nobre. Após o êxito de "Sete Vidas", a autora foi escalada para escrever uma novela das 23h, prevista para 2016. A sinopse foi criada e o título era "Jogo da Memória". A trama abordaria uma relação incestuosa entre uma irmã e seu irmão por parte de pai em três épocas distintas. Mas a Globo achou o investimento caro para uma trama que teria três fases. O projeto acabou cancelado, mas Lícia escreveu a história inteira, que segue engavetado. Pediram, então, para a escritora fazer uma novela sem horário definido. Pedido aceito. 

A princípio, a Globo decidiu destinar a nova trama de Lícia para as 18h. Porém, outra vez criaram empecilhos e uma nova ordem veio: adaptar o enredo para a faixa das 21h. Quando tudo parecia certo, a direção não achou que a história não tinha a força necessária e uma nova adaptação foi feita, segundo várias notas de colunistas.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Após dez anos, reprise de "A Vida da Gente" mostra que Manu, Rodrigo e Ana deveriam ter terminado sozinhos

 A primeira exibição de "A Vida da Gente" ocorreu entre 2011 e início de 2012. A novela preciosa de Lícia Manzo sempre foi uma das mais elogiadas da Globo e se tornou a segunda mais vendida no mercado internacional. A reprise, dez anos depois, por conta da pandemia do novo coronavírus, comprovou todas as qualidades já observadas na época. Foi um novelão inesquecível. Mas o olhar do público muda ao longo do tempo. É natural. E revendo a história é possível constatar que o final deveria ter sido outro. 


A autora criou um enredo fascinante e envolvente, onde o vilão era a vida e todos os personagens tinham qualidades e defeitos. Era possível entender o lado de todos, dependendo da perspectiva de cada um. Por isso o público se torna tão passional quando acompanha a história e sente uma intimidade com aquelas pessoas que parecem tão reais. O triângulo amoroso envolvendo Manu (Marjorie Estiano), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Ana (Fernanda Vasconcellos) é o que mais desperta sentimentos no telespectador. Muito pela forma como tudo aconteceu. Mas a novela nunca foi sobre casais. A autora contou uma história de amor entre irmãs. O resto era consequência. 

E observando com maior atenção todo o novelo tão bem criado por Lícia, já com alguns pensamentos diferentes dos de dez anos atrás, não é absurdo achar que os três personagens deveriam ter terminado sozinhos. Um final infeliz, então? Um desfecho sofrido? Muito pelo contrário.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Passagem de tempo enaltece as qualidades de "A Vida da Gente"

A reprise de "A Vida da Gente" tem servido para ampliar o público de uma das melhores novelas já produzidas pela Globo. Lícia Manzo estreou como novelista em grande estilo e criou uma história que arrebata quem assiste através de dramas reais e de fácil identificação. Ainda ousou com um folhetim cujo protagonismo não é um par romântico e, sim, o amor de duas irmãs. A direção de Jayme Monjardim também capta toda a essência da autora, servindo como uma bela complementação. As qualidades da trama ficam ainda mais evidentes quando ocorre a passagem de tempo e Ana (Fernanda Vasconcellos) acorda do coma. 

A história tem a sua tão esperada passagem dos anos após 45 capítulos. Antes do fato acontecer, a novela apresenta uma clara diminuição de ritmo. Mesmo assim, ao contrário do que acontece com as fatídicas 'barrigas' (enrolações) da maioria das produções, não há diálogos avulsos ou cenas desnecessárias. Tudo que é mostrado tem um objetivo específico: estruturar o enredo. Tanto para mostrar o início da linda relação de amor entre Manuela (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso); quanto pelos demais acontecimentos envolvendo Vitória (Gisele Fróes), Marcos (Ângelo Antônio), Dora (Malu Galli), o estado de coma de Ana; o início do próspero negócio de Manu e Maria (Neusa Borges); o estreitamento das relações familiares; o cada vez maior distanciamento de Eva (Ana Beatriz Nogueira), enfim.

Lícia Manzo criou uma história tão linda e tocante que conquista facilmente o telespectador, e o 'mergulha' naquela gama de sentimentos em que os personagens estão envolvidos. Os atores também são grandes responsáveis por isso. Não há um só capítulo que não tenha ao menos uma cena que emocione. Na semana passada, houve a formação do casal Manu e Rodrigo.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Reprise de "A Vida da Gente" é a oportunidade de ampliar público de uma das melhores novelas já produzidas

 Nesta segunda-feira (01/03), começou a ser reprisada "A Vida da Gente", folhetim que marcou a estreia de Lícia Manzo como novelista da Globo em 2011. E a autora não poderia ter estreado melhor. A novela é a terceira mais vendida da emissora no mercado internacional e um primor. O público já pedia a reprise nas redes sociais há muitos anos, mas nunca era atendido. Nem mesmo no Canal Viva. Porém, como as gravações de "Nos Tempos do Imperador", próxima trama das 18h, atrasaram por conta da pandemia do coronavírus, uma outra produção precisou ser colocada para substituir "Flor do Caribe" (2013). E finalmente o pedido dos telespectadores acabou aceito. 

A história tem uma veia dramática arrebatadora e poucos personagens, o que acaba conquistando quem assiste com mais rapidez. Vide o irretocável primeiro capítulo apenas com os protagonistas no núcleo central. É fácil se sentir integrante daquela família. Íntimo daquelas pessoas. O êxito da autora foi total. Tanto na condução da novela, quanto na escalação do elenco e na boa e intensa repercussão que teve há dez anos. O telespectador foi conquistado imediatamente pela história das irmãs que se amavam e tiveram a linda relação rompida após uma tragédia causada por conta de uma sucessão de desentendimentos familiares.

O trio protagonista era composto por Marjorie Estiano, Fernanda Vasconcellos e Rafael Cardoso, que eram Manuela, Ana e Rodrigo: o triângulo amoroso que despertou torcidas fanáticas e proporcionou inúmeras cenas marcantes ao longo da trama. Manu e Ana eram irmãs que se amavam e se respeitavam, apesar da mãe Eva (Ana Beatriz Nogueira), que não escondia sua predileção por Ana e seu imenso desprezo

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Tudo sobre a coletiva online da reprise de "A Vida da Gente"

 A Globo promoveu nesta sexta-feira (19/02) uma coletiva online sobre a reprise de "A Vida da Gente", novela primorosa de Lícia Manzo, exibida em 2011, e a terceira mais vendida da Globo, que reestreia dia 1º de março. O diretor Jayme Monjardim não conseguiu participar, mas fez questão de deixar um recado carinhoso a todos. Estiveram na entrevista Marjorie Estiano, Fernanda Vasconcellos, Alice Wegmann, Paulo Betti, Gisele Fróes e a autora. Foi um bate-papo delicioso e com muitas boas lembranças. Fui um dos convidados e conto um pouco como foi neste texto. 

"Sempre fui uma menina de observar o ambiente e observar o subjetivo. Vendo hoje em dia as pessoas com dificuldade de ficar em casa e pensar no coletivo tem muito disso. A novela, mais do que o fato do coma da Ana (Fernanda Vasconcellos), mostra a repercussão do fato em volta das pessoas. As pessoas sempre procuram entender seus sentimentos sobre o que está acontecendo. E a novela faz esse convite a reflexão. E a cena que mais me marcou foi a da discussão das irmãs. Tinha oito páginas e lembro que não foi ensaiada. Acho que ali há um casamento muito bonito que mais busco e mais prezo, que o texto bota ressonância nos atores. Mas às vezes a gente investe tanto na palavra e a imagem é soberana", disse Lícia Manzo.

Ainda sobre as cenas que mais marcaram, Fernanda Vasconcellos concordou com a autora. "É também minha cena preferida. E lembro até hoje da minha mão suando e não sei se terei outra oportunidade de viver um texto desse. Com as irmãs às vezes se escutando, às vezes querendo se machucar. Depois de ter trabalhado em algo tão marcante é inevitável você não se frustrar com seus trabalhos posteriores. Parece que fica faltando algo.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Por que a Globo não valoriza Lícia Manzo?

O Brasil sempre teve grandes autores de novelas. Tanto que o folhetim virou uma das grandes marcas do país, sendo referência em vários lugares do mundo. A Globo exporta produções com grande facilidade e as histórias já foram traduzidas em diversos idiomas. Uma das receitas deste sucesso é a pluralidade do time dos escritores. Cada um tem características específicas, o que implica na identidade de sua obra. E, mesmo tendo escrito apenas duas novelas, pode-se afirmar que Lícia Manzo vem se destacando neste cenário da teledramaturgia. 



A autora (que também é atriz, diretora, produtora e roteirista) já colaborou em vários episódios do extinto "Sai de Baixo"(1996/2002), e escreveu, em parceria com colegas, uma temporada de "Malhação" (2003/2004) ---- justamente a de maior sucesso do seriado adolescente (conhecida como a fase da "Vagabanda"). Estreou como titular na linda série "Tudo Novo de Novo", em 2009, sendo supervisionada por Maria Adelaide Amaral. Mas foi em 2011 que Lícia se tornou mais conhecida do grande público em virtude da impecável "A Vida da Gente", sua primeira novela. Ela emocionou o telespectador com uma história extremamente delicada e dramática. E se ainda havia alguma dúvida do seu talento, a mesma foi aniquilada depois de quatro anos. Afinal, a escritora voltou a sensibilizar com a sensível "Sete Vidas", em 2015.

Não é qualquer autor que consegue retratar a alma humana tão bem quanto Lícia. Seu estilo lembra muito o de Manoel Carlos, uma vez que também costuma utilizar as situações cotidianas para desenvolver a história e seus personagens são quase todos de classe média. Outra semelhança é a ausência de núcleo cômico, focando somente nos dramas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!" formaram uma trinca de ouro no horário das seis

A faixa das seis da Globo apresentou uma boa sequência de novelas, começando no início de março de 2015 e chegando ao fim em agosto deste ano. Uma novela impecável foi substituída à altura e a substituta cedeu lugar à outra tão boa quanto. Ou seja, três folhetins da melhor qualidade e que presentearam o público com histórias repletas de atrativos. As produções são "Sete Vidas", "Além do Tempo" e "Êta Mundo Bom!", escritas por Lícia Manzo, Elizabeth Jhin e Walcyr Carrasco, respectivamente.


As novelas não apresentam semelhança alguma no quesito história, entretanto, as similaridades se dão justamente através de pontos fundamentais de um bom folhetim: elenco bem escalado, trilha sonora primorosa, personagens construídos com competência, dramas envolventes, conflitos convidativos e bom ritmo. As três tramas enriqueceram o horário das seis, cada um a seu modo. Para completar o conjunto harmonioso, todas representaram um crescimento de audiência na faixa, expondo o interesse do telespectador.

"Sete Vidas" elevou em dois pontos a média do horário, obtendo 19,4 no salgo geral, revertendo uma queda que parecia inevitável. Lícia Manzo conseguiu emocionar o público mais uma vez, após já ter atingido o objetivo com sua primeira novela, exibida em 2011: a inesquecível "A Vida da Gente".

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

"Sete Vidas", "Verdades Secretas" e "Além do Tempo" foram as melhores novelas da Globo em 2015

A Globo não tem motivo para comemorar seu cinquentenário levando em consideração a sua principal faixa de teledramaturgia. Rejeitada por crítica e público, "Babilônia" foi o maior fracasso da história do horário nobre e "A Regra do Jogo" encontrou dificuldades em reagir nos números de audiência nos primeiros meses ---- seu início foi prejudicado pelo sucesso de "Os Dez Mandamentos", na Record, e a demora em deslanchar a história também contribuiu para afastar o público. Porém, 2015 foi um ano muito rico 'novelisticamente' para a emissora no horário das seis e das onze.


"Sete Vidas" e "Além do Tempo" engrandeceram a faixa das 18h, enquanto "Verdades Secretas" levantou a chamada 'segunda linha de shows', nome que a Globo usa para classificar os produtos que vêm depois das produções pós-novela das nove. Os três folhetins apresentaram ---- no caso de "Além do Tempo" vem apresentando, pois ainda está no ar ---- qualidade de sobra e tramas muito bem escritas, dirigidas e escaladas, honrando a boa audiência conquistada.

A novela de Lícia Manzo estreou em março (dia 9) e chegou ao fim em julho (dia 10), ou seja, ficou apenas quatro meses no ar ---- tendo 106 capítulos. Após o êxito da impecável e comovente "A Vida da Gente" (2011), a autora novamente conseguiu arrebatar o telespectador com um enredo inovador e repleto de dramas bem escritos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"Ofício em Cena" une informação, curiosidades e paixão pela televisão

Em abril deste ano, a GloboNews lançou um excelente programa: o "Ofício em Cena". A atração é resultado de uma parceria inédita entre o Jornalismo do canal a cabo e o Entretenimento da Globo. Comandado por Bianca Ramoneda, o formato é inspirado no projeto criado pelo saudoso José Wilker, que propunha justamente um produto que mostrasse para o público conversas sobre os bastidores da televisão.


A ideia é exibir o processo criativo e a forma de trabalho dos autores, diretores, figurinistas, atores e atrizes, que revelam suas técnicas e experiências, diante de um plateia repleta de colegas e também de estudantes de diversas áreas de comunicação interessados em aprender mais sobre o ofício. Todas as entrevistas são agradáveis e Bianca se preocupa em perguntar somente o necessário, deixando o entrevistado desenvolver seu pensamento com tranquilidade.

A primeira temporada foi primorosa e contou com nomes como: Dennis Carvalho --- que até falou na época sobre os problemas enfrentados em "Babilônia" ---, Amora Mautner, Ney Latorraca, Susana Vieira, Tony Ramos, George Moura (autor das excepcionais "O Canto da Sereia", "Amores Roubados e "O Rebu"),

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Com "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", Lícia Manzo comprovou que sabe retratar com maestria a alma humana

O Brasil sempre teve grandes autores de novelas. Tanto que o folhetim virou uma das grandes marcas do país, sendo referência em vários lugares do mundo. A Globo exporta produções com grande facilidade e as histórias já foram traduzidas em diversos idiomas. Uma das receitas deste sucesso é a pluralidade do time dos escritores. Cada um tem características específicas, o que implica na identidade de sua obra. E, mesmo tendo escrito apenas duas novelas, pode-se afirmar que Lícia Manzo vem se destacando neste cenário da teledramaturgia.


A autora (que também é atriz, diretora, produtora e roteirista) já colaborou em vários episódios do extinto "Sai de Baixo", escreveu, em parceria com colegas, uma temporada de "Malhação" (2003/2004) e estreou como titular na linda série "Tudo Novo de Novo", em 2009, sendo supervisionada por Maria Adelaide Amaral. Mas foi em 2011 que Lícia se tornou mais conhecida do grande público em virtude da impecável "A Vida da Gente", sua primeira novela. Ela emocionou o telespectador com uma história extremamente delicada e dramática. E se ainda havia alguma dúvida do seu talento, a mesma foi aniquilada depois de quatro anos. Afinal, a escritora voltou a sensibilizar com a linda "Sete Vidas", terminada recentemente (primeira semana de julho).

Não é qualquer autor que consegue retratar a alma humana tão bem quanto Lícia. Seu estilo lembra muito o de Manoel Carlos, uma vez que também costuma utilizar as situações cotidianas para desenvolver a história e seus personagens são quase todos de classe média. Outra semelhança é a ausência de núcleo cômico, focando somente nos dramas. Porém, a autora tem uma sensibilidade maior para a abordagem das relações.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Aclamada por público e crítica, "Sete Vidas" foi uma novela que primou pela sensibilidade

"O que é bom dura pouco." Esta frase conhecida pode ser aplicada facilmente ao segundo folhetim de Lícia Manzo na Globo. "Sete Vidas" chegou ao fim nesta sexta-feira (10/07), exibindo um último capítulo recheado de sensibilidade e cenas emocionantes, onde todo o contexto da trama foi fechado com maestria. O horário das seis foi premiado com uma produção que priorizou o cotidiano, excluindo a presença de vilões clássicos. A vida era a antagonista de todos. A novela teve apenas 106 capítulos e ficou cerca de quatro meses no ar. A curta duração evitou qualquer tipo de enrolação, mas não há como negar que deixou um gosto de quero mais.


Após o êxito da elogiada "A Vida da Gente", Lícia se aventurou novamente no horário das seis com uma história que tratava de arranjos familiares. Inicialmente prevista para a faixa das 23h, a duração da obra foi aumentada (seria ainda mais curta do que foi), mas o conjunto não foi mexido. E a autora apenas comprovou a sua competência ao contar uma história tão bem construída e envolvente quanto a exibida em 2011, marcando, na época, sua estreia como autora solo. As novas famílias (nem tão novas assim, diga-se) foram abordadas com um extremo detalhismo e a humanidade dos personagens cativou o telespectador, que logo se viu mergulhado naquele enredo tão bem elaborado.

O drama do solitário navegador Miguel (Domingos Montagner), que doou sêmen anos atrás no Estados Unidos, implicando no surgimento de cinco vidas, despertou atenção logo no primeiro capítulo, quando o mesmo iniciava sua saga, que era atormentada por um traumático acontecimento do passado. Toda a trama foi brilhantemente entrelaçada pela autora, onde a história de cada um foi sendo contada à medida que as semanas se passavam.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O que falta em "Babilônia", sobra em "Malhação", "Sete Vidas" e "Verdades Secretas"

Comparar produções que estão no ar nem sempre é producente. Afinal, cada uma tem suas características e as temáticas, embora usem os vários clichês presentes na teledramaturgia, acabam sendo distintas. Entretanto, analisando os inúmeros problemas de "Babilônia" e as várias qualidades de "Malhação Sonhos", "Sete Vidas" e "Verdades Secretas", todas exibidas na Globo, fica difícil não explorar esta gama de diferenças tão evidentes.


"Babilônia" se mostrou uma novela fraca, independente das inúmeras mudanças feitas em virtude da forte rejeição que a história sofreu. O enredo central escrito por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, baseado na rivalidade de Beatriz (Glória Pires) e Inês (Adriana Esteves), se mostrou frágil e insustentável para tantos capítulos. Tanto que os embates entre as vilãs cansaram e o tema em torno do assassinato de Cristóvão já deu o que tinha que dar há muito tempo. E as tramas paralelas já eram limitadas e ficaram ainda mais perdidas após as mudanças no roteiro.

As idas e vindas de Alice (Sophie Charlotte) e Evandro (Cássio Gabus Mendes) não despertam interesse e o romance da filha de Inês com o cafetão Murilo (Bruno Gagliasso) foi completamente aniquilado, ficando sem a menor lógica. Os demais núcleos ficam deslocados e os personagens não provocam empatia alguma.