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sexta-feira, 15 de maio de 2026

“Três Graças” resgatou o novelão clássico e devolveu esperança ao horário nobre da Globo

 Após o problemático e catastrófico remake de "Vale Tudo", é possível afirmar que "Três Graças" foi um verdadeiro sopro de esperança no horário nobre da Globo. A novela, que chegou ao fim nesta sexta-feira (15/05), marcou o retorno de Aguinaldo Silva à emissora após seu desligamento motivado pelo fracasso e pelas inúmeras polêmicas que cercaram "O Sétimo Guardião", sua última obra até então. Naquela produção, tudo deu errado: do enredo aos bastidores, passando pelo elenco e pelas decisões criativas. Ironicamente, Aguinaldo foi recontratado justamente no período em que a Globo produzia o remake de "Vale Tudo", novela da qual foi um dos autores originais ao lado de Gilberto Braga e Leonor Bassères. O único autor vivo do fenômeno viu sua obra ser mutilada por Manuela Dias e, conhecido por sua língua ferina, preferiu não comentar diretamente o resultado. Resolveu responder da melhor maneira possível: escrevendo novela.


E a resposta veio forte. Aguinaldo declarou que queria descobrir se ainda sabia fazer novelas. Descobriu --- e provou --- que sabe muito. Ao lado de Virgilio Silva e Zé Dassilva, entregou uma obra que abraçou sem vergonha o folhetim clássico, entendendo perfeitamente aquilo que parte da dramaturgia atual parece ter desaprendido: novela precisa de construção, catarse e emoção. Não basta parecer uma série de streaming de quinze capítulos esticada até não poder mais. Em "Três Graças", os conflitos tiveram tempo para amadurecer, as viradas foram preparadas e os dramas nunca surgiam de maneira gratuita. Tudo era cuidadosamente trabalhado para atingir o telespectador no momento certo.

A trama centrada em Gerluce (Sophie Charlotte), Lígia (Dira Paes) e Joélly (Alana Cabral) foi um dos grandes acertos da novela. Três mulheres de gerações diferentes marcadas pela maternidade precoce e pelo abandono masculino serviram como retrato de milhares de brasileiras.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

"Dona de Mim" foi uma novela de 'quases'

 Após 218 capítulos, chegou ao fim, nesta sexta-feira (09/01), "Dona de Mim", a novela das sete mais longa depois de "Caras e Bocas", trabalho bem-sucedido de Walcyr Carrasco, exibido em 2009. Escrita por Rosane Svartman e dirigida por Allan Fiterman, a trama fechou seu ciclo como um sucesso. Elevou em três pontos a média do folhetim anterior. A autora segue como a rainha do horário. No entanto, a produção teve uma repercussão bem abaixo dos seus fenômenos anteriores, vide "Totalmente Demais" e "Bom Sucesso" (ambas escritas com Paulo Halm), além de "Vai na Fé". E foram muitas as críticas sobre o desenvolvimento da obra.


A premissa de "Dona de Mim" era excelente. Uma mulher que perdeu sua bebê com seis meses e foi parar como babá de uma menina que tinha o mesmo nome que ela daria para a filha. E o início da história arrebatou o público. Tudo agradou, até os núcleos paralelos, e o folhetim se mostrou promissor. A construção do vínculo entre Leona (Clara Moneke) e Sofia (Elis Cabral) esbanjou delicadeza, assim com todos os laços criado aos poucos da protagonista com a família Boaz.

No entanto, ao longo das semanas, havia aquela sensação de que faltava um algo a mais. Não tinha um arco narrativo mais sólido para Leona e a impressão era de que a obra ainda estava no preâmbulo. Havia uma dúvida sobre a hora em que a história se iniciaria de fato. E foi a partir daí que os 'quases' se estabeleceram na narrativa.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

"Vale Tudo" foi um remake apolítico, descaracterizado, raso, absurdo e covarde

 O remake de "Vale Tudo" sofreu um massacre de críticas muito antes da sua estreia. A ideia de uma nova versão da melhor novela já feita na teledramaturgia provocou uma série de desconfianças por razões óbvias e a rejeição nas redes sociais foi gigante, o que fez a missão da nova trama ser ainda mais complicada. Afinal, o objetivo era repetir o sucesso, manter a qualidade, não desrespeitar a obra original e provar que todas as críticas tinham sido precipitadas. Porém, a adaptação de Manuela Dias, dirigida por Paulo Silvestrini, chegou ao fim nesta sexta-feira (17/10) sem conseguir alcançar nem um terço das metas.  


A autora até conseguiu enganar o público e a imprensa no começo do remake, quando as similaridades com a obra de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères eram muitas. Mas, ao longo dos messes, foi ficando evidente a precariedade do texto, a destruição de arcos dramáticos fundamentais, a direção repleta de equívocos e novos conflitos que só empobreceram a narrativa, a ponto da essência do enredo ter se perdido por completo. A pergunta central --- "Vale a pena ser honesto no Brasil?" --- perdeu a relevância porque não houve discussão alguma de temas pertinentes e incômodos para a sociedade. 

A principal característica do remake foi a covardia. A história de 1988 transbordava política e abordava assuntos que geravam debates. Mas é importante ressaltar que não se tratava de política partidária e, sim, a política do dia a dia de todo cidadão brasileiro, aquelas atitudes que quase sempre caminhavam na linha tênue entre a integridade e a canalhice. Tanto que não havia personagem perfeito em "Vale Tudo". Todos tinham algum tipo de falha, o que proporcionava uma sucessão de embates éticos e controversos sobre a conduta de cada um.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

"Garota do Momento" teve altos e baixos, mas foi uma deliciosa novela das seis

 A novela das seis da Globo, escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Natalia Grimberg, chegou ao fim nesta sexta-feira, após 203 capítulos. "Garota do Momento" conquistou o público por várias razões e a trama sai de cena com um saldo muito positivo, que inclui um enredo envolvente, um elenco que brilhou em sua totalidade, casais apaixonantes, personagens bem escritos e uma trilha deliciosa. No entanto, a produção também apresentou problemas visíveis em seu desenvolvimento, o que provocou muitas críticas justas dos telespectadores nas redes sociais. 


A sinopse da novela é muito bem amarrada. Beatriz (Duda Santos) acreditava desde os quatro anos ter sido abandonada pela mãe, Clarice (Carol Castro). Só que ela não sabia que, na verdade, Clarice tinha perdido a memória em um grave acidente. Dezesseis anos depois, quando finalmente descobriu o paradeiro da mãe, Beatriz se deparou com uma outra Bia (Maisa) em seu lugar, precisou lidar com essa nova realidade e iniciou uma saga que conquistou o público. Nessa busca por identidade, surgiu o entendimento de sua potência, desafiando os padrões impostos na década de 1950, quando se tornou garota-propaganda de uma das maiores empresas de sabonetes do país e depois virou atriz e protagonista de um folhetim.

A novela se mostrou impecável até por volta do capítulo 100. Era um capítulo melhor que o outro, onde o dinamismo dominava a narrativa e sempre presenteava o telespectador com vários acontecimentos, ao mesmo tempo que aprofundava os dramas de todos os núcleos de uma forma rica. Até porque os personagens sempre foram muito bem interpretados e os conflitos despertaram a atenção.

sábado, 26 de abril de 2025

"Volta por Cima" foi a melhor novela de Claudia Souto

 Excepcionalmente em um sábado (26/04), dia do aniversário de 60 anos da Globo, chegou ao fim "Volta por Cima", novela das sete muito bem conduzida por Claudia Souto e dirigida com excelência por André Câmara. A trama teve uma repercussão muito positiva nas redes sociais e na crítica especializada merecidamente. A história teve bons momentos, um elenco repleto de talentos e personagens com arcos dramáticos bem construídos. Ficou perceptível o acertado conjunto da obra. 


A terceira novela solo da autora marcou a sua volta por cima, o que fez jus ao título de sua produção. A sua estreia foi em "Pega Pega" e a trama explodiu em audiência. Um sucesso incontestável. Porém, estranhamente, a repercussão não caminhou junto com os números e o folhetim foi bem pouco comentado. Também houve problemas de desenvolvimento, até mesmo no casal de protagonistas, formado por Camila Queiroz e Mateus Solano, que foi um fiasco. O maior êxito foi o par de vilões composto por Maria Pia (Mariana Santos) e Malagueta (Marcelo Serrado). Já a sua segunda obra foi uma completa catástrofe. "Cara e Coragem" foi uma avalanche de equívocos e nada funcionou, o que resultou em um dos maiores fracassos da faixa das sete. 

Agora, com "Volta por Cima", Claudia optou por um enredo sem grandes mistérios, fórmulas secretas ou enigmas, que nortearam suas duas produções anteriores, e mergulhou no dramalhão clássico, o que foi um acerto. A autora criou um casal de mocinhos cativantes pela primeira vez, apostou em vilões com camadas que os enriqueceram dramaticamente e ainda deu destaque a um quase anti-herói que virou o tipo mais popular da trama.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Maior fracasso da história da Globo, "Mania de Você" foi uma novela catastrófica

 Nesta sexta-feira (28/03), para o alívio dos telespectadores, do elenco e da Globo, chegou ao fim "Mania de Você", o maior fracasso de público e crítica do horário nobre da emissora. A novela de João Emanuel Carneiro, dirigida por Carlos Araújo, foi uma das piores já escritas na história da teledramaturgia e se mostrou uma avalanche de equívocos, onde absolutamente nada se salvou. É um caso que jamais será esquecido e servirá para análises futuras do quão catastrófica foi essa produção. 

Um dos graves problemas da obra foi o péssimo desenvolvimento do amor dos mocinhos, agravado ainda mais com os vários cortes na primeira fase, realizados através da intervenção de Amauri Soares, atual todo poderoso do setor de teledramaturgia da Globo, que só enfia os pés pelas mãos desde que assumiu o cargo. O amor avassalador que Viola (Gabz) e Rudá (Nicolas Prattes) sentiam um pelo outro teve um desenvolvimento sem qualquer cuidado. Amor à primeira vista de mocinhos quase sempre fracassa nos tempos atuais, ainda mais quando a relação tem como consequência uma dupla traição, sofrida por Luma (Agatha Moreira) e Mavi (Chay Suede).

Viola traiu Luma, tendo um caso com o namorado da amiga e sem nunca ter apresentado qualquer tipo de remorso, uma vez que a traiu novamente depois que foi perdoada. Rudá nunca demonstrou qualquer cuidado com Luma, mesmo diante de uma relação que teve seu início ainda na infância. Tanto que a traía várias vezes sem peso algum na consciência. E nem a passagem de tempo serviu para amadurecer o personagem.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

"Alma Gêmea" foi a melhor novela da Globo em 2024

 A Globo acertou em cheio com a reprise de "Alma Gêmea", que acaba nesta semana. Escrita por Walcyr Carrasco, a história foi uma das melhores novelas do autor e um dos maiores fenômenos de audiência do horário das seis. A trama chegou a marcar impressionantes 53 pontos, com picos de 56, no último capítulo, índice inimaginável na época, e impossível de ser alcançado hoje em dia até mesmo em uma novela de horário nobre. A história de época que tinha a reencarnação como tema central conquistou o público e foi um grande sucesso.


Logo no primeiro capítulo (exibido no dia 20 de junho de 2005), Luna (Liliana Castro), grande amor da vida do floricultor Rafael (Eduardo Moscovis) ---- que criou uma espécie de rosa branca especialmente para a amada ----, leva um tiro durante um assalto (planejado pela invejosa Cristina para ficar com as joias da prima) e morre, para o desespero do florista e da mãe (Agnes - Elizabeth Savalla) da pianista. Mas o sentimento que unia o casal era tão intenso que a mulher voltou na pele de uma índia (Serena - Priscila Fantin), para reencontrar o amor de sua vida.

Vinte anos se passam, e aquela criança, que nasceu em uma aldeia indígena, vira uma bela mulher. Já Rafael segue amargurado com a vida e infeliz sem Luna ----- apesar de ser constantemente cortejado por Cristina (Flávia Alessandra) ----- e se fecha em seu mundo de sofrimento e solidão, mesmo tendo um filho (Felipe - Sidney Sampaio) com sua falecida mulher.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

"No Rancho Fundo" repetiu todos os erros de "Mar do Sertão"

 A novela das seis de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman, chegou ao fim nesta sexta-feira (01/11). "No Rancho Fundo" marcou o início de um novo planejamento da atual gestão de teledramaturgia da Globo, comandada por Amauri Soares, que planeja apostar em um novo segmento, além dos tradicionais remakes: o das continuações de novelas. Tanto que ano que vem será a vez da continuação de "Êta Mundo Bom!". Porém, pode ser uma ideia não muito promissora diante do resultado atual. O autor da trama que fechou seu ciclo hoje repetiu todos os erros de "Mar do Sertão". 

É verdade que "No Rancho Fundo" foi um sucesso de audiência e conseguiu reerguer os números da faixa das seis, após o imenso fiasco do remake de "Elas por Elas". Mas é importante ressaltar que uma parte do êxito se deve ao fenômeno "Alma Gêmea", que vem sendo reprisado no "Vale a Pena Ver de Novo" e foi iniciado praticamente junto da produção das 18h. A história de Walcyr Carrasco é a melhor e mais exitosa da atual grade da Globo. O folhetim anterior herdava os péssimos índices da reprise fracassada de "Paraíso Tropical". Ainda assim, é inegável a boa aceitação da obra de Mário Teixeira, que até chegou a trabalhar com Walcyr em "O Cravo e a Rosa", de 2001.

O autor de "No Rancho Fundo" sabe criar personagens carismáticos, escalar um ótimo elenco e tem um texto excelente. Esse conjunto ajuda a explicar a trajetória bem-sucedida. Porém, baseado em seus trabalhos anteriores, Mário ainda estava devendo uma trama desenvolvida com competência. E infelizmente seguiu devendo.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Daniel Ortiz foi o maior inimigo de "Família é Tudo"

 O início de "Família é Tudo" foi dos mais promissores. A novela marcava a volta de Daniel Ortiz ao horário das sete, após o êxito de "Salve-se Quem Puder", apesar do hiato provocado pela pandemia. E substituindo "Fuzuê", o maior fracasso da faixa, o que aumentou a expectativa para um novo folhetim que reerguesse a audiência e reconquistasse o público. A missão do autor tinha tudo para um desfecho vitorioso porque a sinopse era criativa, os personagens carismáticos e os futuros conflitos bastante interessantes. Mas a novela, que chegou ao fim nesta sexta (27/09), após 177 capítulos, virou um amontoado de situações mal executadas, tanto no roteiro quanto na direção. 


A história tinha a essência de uma deliciosa novela das sete. Frida (Arlete Salles) organiza um cruzeiro para celebrar seu aniversário e o de sua irmã gêmea, Catarina (Arlete Salles). O objetivo era unir seus cinco netos. Porém, em meio a rusgas e armações, os cinco convidados esperados não compareceram e ela embarcou apenas com a irmã e o sobrinho, Hans (Raphael Logam). Mas um acidente em pleno alto mar resultou em um misterioso sumiço. Ao ser dada como morta, Frida surpreendeu a todos com seu testamento. Com diferentes motivações e liderados por Vênus (Nathalia Dill), os irmãos Mancini encararam uma missão que transformou suas vidas: além de morar juntos, a despeito das diferenças entre si, começaram a trabalhar para reconstruir o lugar que marcou o início da gravadora da família, criada por sua avó. A meta era: ao final de um ano, se o desempenho dos irmãos não for satisfatório (ou seja, gerar um lucro de quatro vezes o valor que vão receber para investir no local) eles não ganham nada e a herança a que teriam direito será entregue ao sobrinho ambicioso que, junto com a mãe, Catarina, nunca mediu esforço para atrapalhar a relação entre avó e netos.  

Inicialmente, a história despertou atenção justamente por sua criativa premissa. E o andamento das situações foi encadeando uma sucessão de trapalhadas dignas de um gostoso filme da "Sessão da Tarde". Vênus, Electra (Juliana Paiva), Plutão (Isacque Lopes), Júpiter (Thiago Martins) e Andrômeda (Ramille) protagonizaram divertidas cenas no casarão abandonado, localizado na zona leste de São Paulo, que virou o novo lar obrigatório dos irmãos, que viviam discutindo e raramente chegavam a um acordo.

terça-feira, 23 de julho de 2024

Quinta e última temporada foi a melhor de "Sob Pressão"

 A quinta e última temporada de "Sob Pressão" chega ao fim na Globo nesta terça-feira (23/07), após ter estreado no Globoplay em 2022. O autor Lucas Paraizo e o diretor Andrucha Waddington foram responsáveis por uma das séries mais bem-sucedidas da história da Globo, o que não é algo simples. Foram cinco temporadas que arrebataram público e crítica e havia fôlego para mais. Mas a produção realmente acabou e se despediu com uma leva de episódios emocionantes. 


A história protagonizada por Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) teve quatro temporadas repletas de dramas bem construídos em meio a choques de realidade que trouxeram reflexão e questionamento sobre a saúde pública do Brasil. A quarta temporada, exibida ano passado, foi a única que teve altos e baixos, mas ainda assim merecedora de muitos elogios. Só que a quinta conseguiu superar a expectativa dos mais ansiosos pelo 'último ano' da série. Foi quase uma volta às origens, onde os conflitos pessoais de cada médico dominaram a narrativa, tendo como complemento as questões de vários pacientes que ajudaram a engrandecer a o conjunto. 

A trama focou nas feridas psicológicas dos médicos e foi uma avalanche de sofrimento ao longo dos episódios. Os momentos de leveza foram raros, mas não é uma crítica. A densidade dramática fez toda diferença para tornar a temporada inesquecível.

domingo, 7 de julho de 2024

Plateia mancha a final acirrada da "Dança dos Famosos"

 A vigésima primeira edição da "Dança dos Famosos" chegou ao fim neste domingo, dia 7. A estreia foi no dia 3 de março e foram quase cinco meses de competição. Mais uma vez o formato se mostrou um do pontos altos do "Domingão" e dificilmente Luciano Huck deverá se desfazer dele, o que é ótimo. A temporada foi bem acirrada e vários nomes se destacaram. A final teve Lucy Alves, Tati Machado e Amaury Lorenzo, o que fez jus ao histórico de cada um na disputa.


O trio finalista teve um desempenho superior aos demais em todas as rodadas e não por acaso permaneceram na competição até o último dia. Tati Machado foi uma das maiores surpresas do elenco e se mostrou favorita logo em sua primeira apresentação, ainda na época das danças em grupo. Houve um leve retrocesso em seu desempenho perto da reta final, mas nada que a tenha prejudicado. Amaury Lorenzo foi outro nome que se destacou no início e nunca chegou a ser ameaçado com uma eliminação. Sua entrega era visível. 

Já Lucy Alves impressionou assim que deu o pontapé inicial na disputa. Até porque já é uma grande cantora e uma ótima atriz. Caso não fosse uma boa dançarina seria bastante compreensível, afinal, ninguém pode ser excelente em tudo. Mas Lucy é.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

"Justiça 2" foi uma grande decepção

 Manuela dias recebeu a missão de escrever uma nova temporada de "Justiça", após o sucesso da série exibida pela Globo há 8 anos. A autora criou quatro novas histórias que se interligam, repetindo o formato original, e manteve apenas uma personagem da história de 2016. A trama teve uma imensa repercussão na época e foram vários elogios. No entanto, apesar do saldo muito positivo, a produção teve problemas visíveis no desenvolvimento. E as incongruências da narrativa se agravaram em "Justiça 2" (o texto contém spoilers). 


O novo enredo chegou ao fim no Globoplay nesta quinta-feira (23/05), depois da liberação dos quatro últimos episódios, fechando o ciclo com um total de 28 capítulos. A sinopse da série resumiu bem o drama dos protagonistas. O motoboy Balthazar (Juan Paiva) é preso injustamente após ser reconhecido como assaltante do restaurante Canto do Bode em um catálogo digital de suspeitos da polícia. Violentada pelo tio na adolescência, Carolina (Alice Wegmann) muda de cidade para se distanciar da situação. Quando volta para Ceilândia (DF), revive traumas do passado e decide denunciar seu abusador. Renato (Filipe Bragança), um traficante de classe média, se muda para a comunidade do Sol Nascente. Com seu som alto ligado 24 horas por dia, passa a entrar em conflito com as vizinhas Geíza (Belize Pombal) e Sandra (Gi Fernandes). Em um momento de desespero, Milena (Nanda Costa) rouba um carro e acaba presa por um crime que não cometeu. 

Das quatro histórias, a única que não deu para engolir desde o primeiro ato foi a de Milena. A autora subestimou a inteligência do público do primeiro ao último minuto daquele enredo. O objetivo era claro: formar um casal lésbico sem sofrer a censura da televisão aberta. E a química entre Paolla Oliveira e Nanda Costa foi visível. Mas só química não sustenta uma trama.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Com ótimo elenco e campeão justo, "BBB 24" foi um sucesso de audiência e repercussão

 A vigésima quarta edição do "Big Brother Brasil" chegou ao fim nesta terça-feira, dia 16, com tudo o que um bom reality precisa ter: ótimo elenco, boas rivalidades, entrega no jogo, polêmicas, barracos e o melhor: repercussão. Após duas temporadas fracassadas em sequência ("BBB 22 e 23"), Boninho voltou a sorrir com o "BBB" de volta na boca do povo, o que refletiu na audiência e no engajamento das torcidas. 


Mesmo diante dos problemas que a temporada teve, todos bem visíveis, é inegável que o "BBB 24" entra para a lista de melhores edições do reality. Não chegou nem perto dos fenômenos "BBB 20 e 21", que explodiram na época da pandemia, mas forneceu o que o fã do formato espera. Embora tenha repetido o erro de manter uma parte do elenco com famosos, os chamados "Camarotes", Boninho voltou a selecionar pessoas que realmente precisam do dinheiro e não querem apenas número de seguidores nas redes sociais para ganhar com publicidade. Isso fez toda diferença. 

O time "Pipoca" foi recheado de participantes carismáticos e que quiseram jogar sem maiores medos. O diretor só errou ao colocar 26 pessoas na casa para criar um início mais movimentado com várias eliminações por semana. O começo 'turbo' do "BBB" prejudicou o andamento do jogo porque o público não tinha tempo para conhecer quase ninguém e os paredões não causavam emoção alguma.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

"Elas por Elas" teve problemas visíveis, mas foi prejudicada pelo horário

 Ao contrário do que a atual cúpula da Globo pensa, remake não é garantia de sucesso. Até porque a emissora já teve muitas provas disso ao longo de seus quase 60 anos de existência. E "Elas por Elas", que chegou ao fim nesta sexta-feira (12/04), entra para a lista de adaptações que não deram certo na teledramaturgia. No entanto, a releitura da obra de Cassiano Gabus Mendes, exibida em 1982, não merece ser classificada como uma novela ruim. Muitos pontos precisam ser analisados a respeito da rejeição do público ao enredo que contou a saga de sete amigas. 


A sinopse era simples. Lara (Deborah Secco), Taís (Késia), Helena (Isabel Teixeira), Adriana (Thalita Carauta), Renée (Maria Clara Spinelli), Natália (Mariana Santos) e Carol (Karine Teles) se conheceram em um curso de inglês e, inseparáveis, compartilharam as alegrias e desafios típicos da juventude. Porém, em uma viagem de fim de semana, um trágico acontecimento quebra esse laço e provoca um hiato nessa amizade. Duas décadas e meia depois, Lara encontra uma foto antiga e tem a ideia de juntar o grupo novamente em sua casa, sem desconfiar que o momento do reencontro, que deveria ser de apenas alegria, iria trazer também grandes revelações e desenterrar mágoas que tinham ficado guardadas no passado. 

A trama original era marcada pelo marasmo, onde a ausência de grandes conflitos era uma constante. Até porque era outra época. Não havia internet, celular, redes sociais, enfim, uma avalanche de distrações para o telespectador. Nem mesmo a concorrência nos demais canais de televisão provocava uma disputa. Mas já naquela época o quesito comicidade fazia a diferença nos folhetins das sete.

sexta-feira, 1 de março de 2024

E não rolou o "Fuzuê"

 A missão de Gustavo Reiz não era das mais fáceis: manter a audiência em alta, após o fenômeno "Vai na Fé", de Rosane Svartman, e com uma proposta totalmente diferente da trama anterior. O início de "Fuzuê" até manteve o interesse do público e parecia uma produção promissora. Mas, ao longo dos meses, o interesse do telespectador foi diminuindo gradativamente diante do roteiro repetitivo e a queda nos números do Ibope se tornou uma constante. O folhetim chegou ao fim nesta sexta-feira (01/03), depois de muitas intervenções na narrativa, e com o título de maior fracasso do horário das sete. 


A estreia do autor na Globo, infelizmente, não foi bem-sucedida. Gustavo escreveu "Os Ricos Também Choram", no SBT em 2005; o remake de "Dona Xepa", na Record em 2013; além de "Escrava Mãe" (2016) e "Belaventura" (2017) na emissora do bispo Edir Macedo. A sua proposta em "Fuzuê", prevista inicialmente para 2019 e depois adiada por conta da pandemia, era devolver ao horário das sete a conhecida comédia pastelão repleta de cenas farsescas. No início, até funcionou, vide o enredo dinâmico e bem conduzido nas duas primeiras semanas, principalmente em torno do quarteto central formado por Luna (Giovana Cordeiro), Miguel (Nicolas Prattes), Preciosa (Marina Ruy Barbosa) e Heitor (Felipe Simas). A forma como o casal de mocinhos e o par de vilões se conheceram proporcionou momentos divertidos. 

No entanto, foi ficando claro que a proposta da história, dirigida por Fabrício Mamberti, era até interessante em uma série curta, mas não em uma novela com mais de 170 capítulos. Um filme de caça ao tesouro costuma ser repleto de ação e boas viradas, o que desperta atenção do público, mas o desafio de proporcionar isso em um folhetim é bem mais complicado. Até porque o recurso ficcional exige que pistas sejam colocadas com cautela, a ponto de manter o interesse de quem assiste sem entregar muito o conteúdo para não esvaziar o roteiro.

sábado, 20 de janeiro de 2024

Após início turbulento, "Terra e Paixão" chega ao fim como um grande sucesso

 O começo não foi fácil. A missão de Walcyr Carrasco era reerguer a audiência do horário nobre da Globo, após o completo fiasco de "Travessia", que afundou a ótima média conquistada pelo remake de "Pantanal". Conhecido como o 'coringa' da emissora, o autor costuma fazer o impossível e sempre consegue entregar um sucesso. Pois não foi diferente com "Terra e Paixão", que estreou em maio de 2023 e chegou ao fim nesta sexta-feira, dia 19, após 221 capítulos, um número impressionante para os dias de hoje. 

A história não teve um caminho tranquilo. Como a trama era longa, Walcyr optou por um início mais lento e longe dos atropelos que muitos folhetins recentes fazem para causar a sensação de agilidade. A estratégia foi inteligente e o começo se mostrou muito bem estruturado em cima da saga de Aline (Barbara Reis), que logo no primeiro capítulo viu seu marido ser assassinado a mando de Antônio La Selva (Tony Ramos), poderoso empresário do agronegócio que fez fortuna através do desmatamento de florestas e tomando terras de pequenos produtores. 

Porém, após uma estreia repleta de adrenalina, o folhetim 'amornou' diante da falta de embates diretos entre mocinha e vilão e também por conta de um dilema amoroso envolvendo a protagonista. Logo na primeira semana, Caio (Cauã Reymond) se declarou para a protagonista e não houve construção alguma do sentimento. Foi algo súbito.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Início corrido e desperdício de personagens prejudicaram trajetória de "Amor Perfeito"

 A novela das seis da Globo teve um primeiro capítulo repleto de acontecimentos e um telespectador mais desatento deixou passar várias situações importantes que foram simplesmente jogadas sem maiores explicações. Mas o ritmo seguiu frenético por duas semanas, onde o enredo central acabou quase totalmente desmembrado com uma virada atrás da outra, todas sem qualquer impacto. O resultado a médio prazo da estratégia dos autores Duca Rachid, Júlio Fisher e Elísio Lopes Jr era previsível: a perda de fôlego da trama. E foi o que aconteceu com "Amor Perfeito", que chegou ao fim nesta sexta-feira (22/09), após meses sem história e muitos personagens desperdiçados. 


A novela simplesmente não teve mais o que apresentar ao público depois das duas primeiras semanas. A produção é inspirada no livro "Marcelino Pão e Vinho" e várias adaptações foram necessárias porque o clássico não daria um folhetim com meses no ar. Mas parece que, os mesmos autores que se preocuparam com a criação de novos conflitos, se esqueceram que não bastava criá-los, era preciso também saber desenvolvê-los. Tudo o que aconteceu com a protagonista em duas semanas destruiu a saga da mocinha e por uma explicação óbvia: não houve tempo para o telespectador conhecer e se envolver com aquilo que foi mostrado a toque de caixa. 

O pai de Marê (Camila Queiroz) foi "assassinado" logo na estreia pela vilã, que não pensou duas vezes em incriminar a enteada. Logo no segundo capítulo, a mocinha foi acusada pelo crime e pouco tempo depois acabou presa por conta de armações bastante frágeis de Gilda (Mariana Ximenes). Até o julgamento foi em tempo recorde, algo bem peculiar em se tratando de Brasil.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Sucesso de público e crítica, "Vai na Fé" chega ao fim consagrando Rosane Svartman

 Rosane Svartman sempre foi uma autora corajosa e apaixonada pela arte. É uma profissional que ama o que faz e sua paixão é vista em todos os seus trabalhos. Não por acaso, está sempre produzindo e 2023 tem sido um ano recompensador. "Vai na Fé" estreou em janeiro e em julho foi a vez da série "Vicky e a Musa", exclusiva do Globoplay, e do seu livro "A Telenovela e o futuro da televisão brasileira". Três grandes sucessos, sendo que o maior deles chegou ao fim nesta sexta-feira (11/08), após 179 capítulos repletos de emoção, música e personagens carismáticos. 


A novela foi um fenômeno de repercussão e elevou a audiência da faixa das sete em três pontos, após quase três anos de dificuldades por conta da pandemia do coronavírus e de novelas inéditas que não emplacaram. A missão de Rosane não era nada fácil, mas até o momento a autora desconhece o significado de fracasso. Com uma respeitada carreira no cinema, a sua estreia como autora na Globo foi em 2012, ao lado de Glória Barreto, com a até hoje lembrada "Malhação Intensa". Dois anos depois, permaneceu na faixa do seriado adolescente e iniciou sua vitoriosa parceria com Paulo Halm. A dupla lançou "Malhação Sonhos", outro sucesso. Em 2015, migraram para o horário das sete e escreveram "Totalmente Demais", uma das melhores novelas das 19h. Os dois seguiram juntos na mesma faixa em 2018/2019 e emplacaram mais um fenômeno: "Bom Sucesso". 

"Vai na Fé" marcou a estreia de Rosane como autora solo. E foi um trabalho muito bem-sucedido. O folhetim conseguiu ser tão bom quanto os dois anteriores, tanto na potência do enredo quanto no desenvolvimento da história dos protagonistas, que formaram o primeiro casal de mocinhos negros na história da teledramaturgia ----- importante lembrar que nos poucos casos anteriores sempre havia um casal branco para dividir o protagonismo e eram sempre eles que ganhavam mais destaque.

domingo, 2 de julho de 2023

Vitória de Priscila Fantin fechou a temporada da "Dança dos Famosos" com chave de ouro

 A segunda edição da "Dança dos Famosos" sob o comando de Luciano Huck chegou ao fim neste domingo, dia 2 de julho. O quadro mais uma vez demonstrou fôlego e teve um ótimo retorno de audiência e repercussão. A final foi de alto nível e feminina. Rafa Kalimann, Carla Diaz e Priscila Fantin travaram uma disputa repleta de boas performances e honraram a grande decisão. 


Carla Diaz despontou como favorita logo em sua primeira apresentação ao lado do professor Diego Basilio. A atriz não deixou a desejar em nenhuma etapa e só melhorou ao longo das semanas, enquanto Rafa Kalimann teve um início bastante irregular com altos e baixos. Tanto que foi para a repescagem, mas voltou e evoluiu a olhos vistos até ganhar favoritismo ao lado de Carla. Trajetória parecida com a de Priscila Fantin, que também se mostrou insegura no começo, acabou indo para a repescagem duas vezes e retornou para a disputa com garra até chegar à final e se consagrar campeã. 

A competição se mostrou semelhante com a maioria das temporadas anteriores no quesito superioridade feminina. O time masculino nunca chegou a ameaçar as competidores, com raras exceções. Tanto que a final só com mulheres era esperada. O melhor competidor entre os homens era Douglas Silva, que tinha uma boa desenvoltura em todos os ritmos.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Decepcionante, segunda parte de "Todas as Flores" foi repleta de absurdos

 A segunda parte de "Todas as Flores" estreou no início de abril e teve como maior missão manter o interesse do público pela história, que fez um grande sucesso ano passado. Novela exclusiva do Globoplay, a trama de João Emanuel Carneiro teve sua exibição interrompida para não concorrer com o "BBB 23". E o autor se saiu bem diante do hiato. Afinal, a continuação manteve a história em primeiro lugar de produtos mais consumidos do streaming da Globo. Todo mundo queria saber o que aconteceria com os personagens principais. Porém, os 40 capítulos restantes, de um total de 85, ficaram muito aquém dos 45 anteriores. 


É preciso ressaltar que o enredo já tinha sido prejudicado com a passagem de tempo na reta final da primeira parte. O avanço dos meses destruiu a lógica da narrativa, principalmente em torno da gravidez de Maíra (Sophie Charlotte) e Jéssica (Duda Batsow). As duas engravidaram praticamente no mesmo momento, mas a protagonista pariu assim que o tempo passou, enquanto a irmã de Diego (Nicolas Prattes) só teve seu filho na parte de 2023. E o concurso do Garoto Rhodes ficou ainda mais interminável do que já era diante da cronologia apresentada. A própria fuga de Diego, que quase foi preso por Luis Felipe (Cássio Gabus Mendes), se mostrou ridícula porque o rapaz entrou em um VLT (Veículo Leve sob Trilhos), que não passa dos vinte quilômetros por hora, no Centro do Rio de Janeiro. Mas eram situações que dariam para relevar diante do conjunto da obra. 

O problema é que os defeitos foram agravados na segunda parte. Os maiores equívocos, que se resumiam a núcleos secundários repetitivos e sem a menor graça (o ponto fraco do autor em toda novela sua), tomaram conta da trama central.