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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Gerluce: a mocinha que reinventou o protagonismo em "Três Graças" e consagrou Sophie Charlotte

 A construção de Gerluce em "Três Graças" é um daqueles raros acertos que lembram por que a teledramaturgia ainda pode surpreender mesmo dentro de formatos tão consolidados. Em vez de seguir o caminho previsível da mocinha irretocável, a novela apostou em uma protagonista complexa, movida por afetos profundos, mas também capaz de atravessar zonas moralmente ambíguas --- e é justamente aí que reside seu maior trunfo.

Gerluce foi apaixonante porque nunca foi idealizada. Sua trajetória não foi diminuída em nenhum momento, nem engolida por tramas paralelas, como tantas vezes acontece. Ao contrário: o enredo orbitou suas decisões, seus dilemas e suas consequências. Mesmo dividindo o protagonismo com Lígia (Dira Paes) e Joelly (Alana Cabral), sua mãe e sua filha, a narrativa soube equilibrar as três forças sem apagar o brilho central da personagem. O título da novela ganha sentido não apenas simbólico, mas dramático ---- são três mulheres conectadas por amor, resistência e sobrevivência.

A ousadia dos autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva ao colocar essa protagonista liderando uma quadrilha e arquitetando o roubo da estátua das Três Graças foi um sopro de frescor. Ainda que o pano de fundo remeta ao clássico arquétipo de Robin Hood, a história não suaviza as escolhas de Gerluce.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fernanda Vasconcellos brilha como Samira em "Três Graças"

 A atuação de Fernanda Vasconcellos em "Três Graças" confirma sua maturidade artística ao assumir um dos papéis mais sombrios da trama. Como Samira, uma vilã psicopata envolvida com tráfico de bebês, a atriz opta por um caminho menos óbvio e justamente por isso mais perturbador na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva. 


Enquanto outros antagonistas da novela seguem uma linha mais expansiva, com explosões, gritos e gestos largos, Fernanda constrói sua personagem com contenção. Sua interpretação é econômica, quase minimalista. A ameaça não está em discursos inflamados, mas na frieza calculada. O olhar parado, o sorriso discreto fora de contexto e a postura sempre controlada criam uma tensão constante. Samira assusta não pelo excesso, mas pelo vazio emocional que transmite.

Essa escolha se mostrou especialmente eficaz nas cenas recentes envolvendo o parto de Joelly. No momento em que a protagonista viveu a vulnerabilidade extrema do nascimento da filha, Samira surgiu como uma presença silenciosa e atenta, mais interessada na “mercadoria” do que no drama humano diante dela.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Daphne Bozaski transforma Lucélia em um dos destaques de "Três Graças"

 A trajetória de Daphne Bozaski até chegar a Lucélia de "Três Graças" é, por si só, um estudo interessante sobre construção de carreira e, sobretudo, sobre expansão de registro interpretativo. Depois de anos marcada por personagens que exigiam um certo “tom acima”, mais estilizado ou mesmo teatral, a atriz finalmente encontra aqui um terreno onde o naturalismo não apenas é possível, como se torna sua principal ferramenta de composição.


Desde os primeiros trabalhos em "Pedro e Bianca" e "Que Monstro Te Mordeu?" (ambas em 2014), onde a expressividade mais aberta era quase uma exigência do formato, Daphne demonstrava presença cênica e domínio técnico. Esse traço se consolidou com a icônica Benê de "Malhação - Viva a Diferença" (2017), papel que exigia precisão, sensibilidade e um cuidado extremo para evitar caricaturas em cima da abordagem do autismo ---- algo que ela realizou com enorme êxito, conquistando público e crítica. Em "As Five" (2020/24), teve ainda a oportunidade de maturar essa criação, explorando novas camadas da personagem.

Mesmo quando o material não ajudava tanto, como em "Nos Tempos do Imperador" (2022), onde viveu a tímica Dolores, ou quando mergulhava de vez no campo da caricatura em "Família é Tudo!" (2024), quando brilhou na pele da estereotipada Lupita,

terça-feira, 24 de março de 2026

Laurinha Figueroa foi uma das vilãs mais emblemáticas da teledramaturgia

 A reprise de "Rainha da Sucata" no Vale a Pena Ver de Novo, em plena reta final, oferece uma oportunidade de revisitar uma das vilãs mais icônicas da teledramaturgia brasileira, Laurinha Figueroa, e reconhecer a magnitude da interpretação de Gloria Menezes. Laurinha não é apenas má; ela é essencialmente cruel, preconceituosa, racista e elitista, encarnando os vícios e contradições de uma elite marcada pelo poder e pela hipocrisia. A personagem se despediu da trama no capítulo emblemático reexibido nesta terça-feira (24/03).


O único traço de humanidade de Laurinha reside no amor pelo enteado Edu (Tony Ramos), sentimento que rapidamente se transforma em obsessão e catalisa muitas das ações mais perversas de Laurinha, revelando uma complexidade emocional rara para uma vilã da época. O autor Silvio de Abreu fez uma construção hábil.

Mesmo inserida em um enredo maniqueísta, Laurinha apresenta sutilezas que a engrandecem. Cada gesto calculado, cada olhar desconfiado, cada pausa estratégica expõe camadas de vulnerabilidade, frustração e desejo de controle.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Larissa Manoela se destacou em "Êta Mundo Melhor!"

 Faltando pouco mais de uma semana para o fim de "Êta Mundo Melhor!", a participação de Larissa Manoela como Estela se consolidou como um dos acertos da continuação de "Êta Mundo Bom!", escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson dirigida por Amora Mautner. Esta é sua segunda novela na Globo, após a estreia como protagonista em "Além da Ilusão" (2022), e a personagem encontrou um espaço importante dentro da história.


Ao longo da trama, Larissa construiu uma Estela sensível, determinada e muito ligada à filha, sua única família. A atriz teve bons momentos nos embates da enfermeira com os vilões Sandra (Flávia Alessandra) e Ernesto (Eriberto Leão), especialmente nas cenas em que a personagem precisou confrontar ameaças diretas à própria vida e à segurança da filha. Nessas sequências, ela demonstrou firmeza sem perder o tom humano que caracteriza a enfermeira.

Entre os momentos mais marcantes está a delicada sequência da morte da mãe de Estela, em cena com Letícia Sabatella.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Voa, Titina Medeiros!

 A notícia do falecimento da atriz Titina Medeiros, aos 48 anos, neste domingo (11/01), após uma batalha contra um câncer no pâncreas, deixou o Brasil artístico e o público em profundo luto. Sua morte, confirmada por familiares e amplamente repercutida nas notícias, marca a perda de uma artista que não só conquistou o grande público, mas também foi uma voz ativa e inspiradora na cultura teatral e televisiva brasileira.


Titina, cujo nome de batismo é Izabel Cristina de Medeiros, nasceu em Currais Novos (RN) e foi criada em Acari, no interior do Rio Grande do Norte. Ainda jovem, mudou-se para Natal, onde começou a estudar artes cênicas e rapidamente se envolveu com o teatro local, um caminho que moldaria toda sua carreira.

Sua trajetória começou nos palcos no início dos anos 1990, participando de dezenas de espetáculos, peças infantis, montagens clássicas e produções experimentais.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Berta Loran foi a primeira mulher a se destacar no humor nacional

 “Você pode perder apartamento, joia, dinheiro, e até um grande amor – 30 anos depois, quando você o reencontra, dará graças a Deus que o perdeu. Agora, o humor não pode ser perdido. Humor é tudo na vida” é o que dizia a atriz Berta Loran, que somou mais de sete décadas como humorista na televisão, no cinema e no teatro. Berta morreu na madrugada deste domingo, 28, aos 99 anos, após 10 dias internada em um hospital na Zona Sul do Rio de Janeiro. Nascida em Varsóvia, na Polônia, ela deixa a sobrinha Sarita Paskin. 


Batizada como Basza Ajs, a atriz nasceu em Varsóvia no dia 23 de março de 1926, e adotou o nome de Berta quando chegou ao Brasil, aos nove anos. Aos 14 anos, subiu em um palco pela primeira vez. A atriz entrou para a Globo em 1966 para integrar o elenco do programa 'Bairro Feliz', de Max Nunes e Haroldo Barbosa. Na época, ela já era conhecida internacionalmente, após ter passado um período atuando na Argentina e em Portugal. Berta conquistou o coração dos brasileiros e participou dos principais humorísticos da emissora, como 'Riso Sinal Aberto' (1966), 'Balança Mas Não Cai' (1968), 'Faça Humor, Não Faça Guerra' (1970), 'Satiricom' (1973), 'Planeta dos Homens' (1976), 'Escolinha do Professor Raimundo' (1990), 'Zorra Total' (1999) e 'A Grande Família' (2012). 

Em 1991, iniciou uma longa parceria com o humorista Chico Anysio. Primeiro, integrando o elenco de 'Estados Anysios de Chico City' e, em seguida, vivendo a personagem portuguesa Manuela D’Além-Mar, na primeira edição da 'Escolinha do Professor Raimundo', exibida entre 1990 e 1995.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Ilva Niño nunca teve o destaque que merecia

 O Brasil perdeu nesta quarta-feira (12/06) uma das atrizes mais longevas da teledramaturgia. Ilva Niño estava internada desde o dia 13 de maio, quando passou por uma cirurgia cardíaca, e partiu por conta de complicações da operação, quase um mês depois, aos 89 anos. 


Nascida em Floresta, Pernambuco, a veterana completaria 90 anos no dia 15 de novembro. Se mudou para o Rio de Janeiro logo após o início do regime militar de 1964  e foi levada para a televisão pelo autor Dias Gomes, que a escalou para "Verão Vermelho", em 1970, e "Bandeira 2" em 1971. Isso porque tinha trabalhado com o escritor nas peças "O Berço do Herói" e "O Pagador de Promessas". A parceria seguiu firme e forte na Globo. Desde então, nunca mais saiu da emissora e emendou uma novela atrás da outra. 

Foram oito décadas de carreira, sobretudo na televisão e no teatro, onde brilhou majoritariamente na pele de empregadas domésticas. A atriz nunca conseguiu fugir do estereótipo, mas não se incomodou.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Não existia papel secundário para Jandira Martini

 O mundo das artes cênicas sofreu mais uma grande perda. Jandira Martini faleceu nesta segunda-feira (29/01), aos 78 anos, após uma batalha de cinco anos contra um câncer de pulmão. A atriz, diretora e produtora teatral era uma das profissionais mais admiradas no meio e interpretou vários personagens marcantes ao longo de sua vida. 


A carreira de Jandira começou no teatro no final dos anos 1960 com a peça "Joana D`Arc entre as Chamas". Nos palcos, a trajetória somou mais de 20 peças, entre elas "Sua Excelência o Candidato", "Porca Miséria" e "Operação Abafa". A atriz começou na televisão em 1983 na novela "Braço de Ferro", produzida pela Band. Migrou para a Globo em 1986, onde atuou em "Roda de Fogo". No ano seguinte, ganhou seu primeiro papel de destaque, a ricaça Theodora Abdalla, do sucesso "Sassaricando".  

Em 1990, Jandira foi para a TV Manchete, onde atuou como colaboradora de "Ana Raio e Zé Trovão", novela escrita por Marcus Caruso, um de seus melhores amigos e fiel parceiro, e Rita Buzzar. A atriz também fez uma breve participação na trama como Vitória Imperial.

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Léa Garcia abriu muitas portas para artistas negros na dramaturgia nacional

 A atriz Léa Garcia faleceu nesta terça-feira, aos 90 anos, vítima de um infarto. Ela iria receber o Troféu Oscarito na noite do mesmo dia de seu falecimento no Festival de Cinema de Gramado, a mais tradicional honraria do festival. A veterana seria homenageada ao lado da igualmente grandiosa Laura Cardoso e Léa já era uma figura corriqueira em Gramado, pois ganhou quatro Kikitos com "Filhas do Vento", "Hoje tem Ragu" e "Acalanto". 


O falecimento da atriz foi um choque porque estava tudo bem até ontem e a sua alegria em ser homenageada era visível nas fotos divulgadas em sua rede social ao lado dos amigos. Em virtude de sua morte, a Globo antecipou a exibição de um especial que ainda nem foi lançado pela emissora, chamado "Tributo", que presta reverência a atores veteranos que fazem história no país. O especial foi lindo, exibido logo após o reality "No Limite", e expôs a importância que Léa teve para as artes cênicas e a referência que deixou para inúmeros atores negros que sonhavam com um lugar ainda muito distante na época em que a intérprete começou a atuar. Depoimentos de nomes como Sheron Menezes, Taís Araújo, Antônio Pitanga, Camila Pitanga, Elisa Lucinda, Emiliano Queiroz, Conceição Evaristo, Tonico Pereira e Neusa Borges emocionaram. 

A atriz possuía no currículo mais de 100 produções, incluindo cinema, teatro e televisão. Em 1957, foi indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina por sua atuação em "Orfeu Negro", filme que ganhou o Oscar em 1960 como melhor longa estrangeiro, representando a França.

sábado, 8 de julho de 2023

Atriz de talento, Neusa Maria Faro nunca teve o reconhecimento que merecia

 O mundo das artes perdeu o dramaturgo, ator e diretor José Celso no dia 6 de julho, um dos maiores ícones do teatro nacional, vítima de um incêndio em seu apartamento. O meio artístico perdeu um dia depois outra profissional que engrandecia qualquer cena que contava com sua presença: Neusa Maria Faro. A veterana faleceu no dia 7 de julho, aos 78 anos, em virtude de complicações de um trombose. 


Neusa resolveu ser atriz aos 19 anos. Inicialmente, dedicou-se apenas ao teatro, mas apareceu pela primeira vez em uma película ("Quase Tudo") em 1989. Somente em 1996 fez sua estreia na televisão, na novela "Irmã Catarina", exibida pela CNT. Foi para a Rede Record em 1997 e integrou o elenco de "Direito de Vencer". Ainda no mesmo ano, foi para o SBT e interpretou Valentina, do sucesso "Chiquititas". Até hoje o público que era criança na época e hoje já está com mais de trinta anos se lembra de sua participação. Ainda na emissora de Silvio Santos, viveu a Leda, de "Fascinação", em 1998. 

A primeira aparição da atriz na Rede Globo foi vivendo uma presidiária nada amigável em "Torre de Babel", novela de Silvio de Abreu. Em 2001, voltou para o SBT, onde participou de três novelas: "Amor e Ódio", "Pequena Travessa" e "Seus Olhos".

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Brilhante em "Vai na Fé", Sheron Menezzes merecia uma protagonista há tempos

 O capítulo desta quinta-feira (18/05) de "Vai na Fé" foi um dos melhores da novela das sete de sucesso de Rosane Svartman. E só não pode ser classificado como o melhor porque a história fica no ar até agosto, então muitos outros tão bons quanto ainda certamente virão. Mas o capítulo marcou uma das revelações mais esperadas do enredo: a identidade do pai biológico de Jenifer (Bella Campos). O impacto dramático da notícia colocou Sheron Menezzes diante de uma sucessão de cenas difíceis, todas defendidas com uma entrega visceral. 


A sequência em que a protagonista descobriu através de Ben (Samuel de Assis) que tinha sido abusada no passado por Theo (Emílio Dantas) foi a mais impactante e emocionante da produção até agora. Começou com a incredulidade da personagem, depois passou pelo horror do choque e finalizou com um choro dilacerante de desespero. Quase cinco minutos de intensa carga dramática. Todos os momentos interpretados brilhantemente por Sheron Menezzes. Deu para sentir a dor daquela mulher e foi impossível não ter se emocionado junto com ela. Vale também elogiar Samuel de Assis, um ótimo ator que tem honrado o protagonismo ao lado de sua parceira. 

Sol é uma mocinha que nunca teve medo dos obstáculos da vida e, mesmo diante de vários dramas que a assolam, procura manter a fé em sua religião e no amor pela família. No entanto, um trauma no passado se manteve presente em lembranças dolorosas: o término com o seu grande amor e uma relação sexual que virou a sombra de uma culpa devastadora.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Maior revelação do ano, Clara Moneke rouba a cena em "Vai na Fé"

 Rosane Svartman é uma lançadora de talentos. Em todas as suas produções há vários atores que estreiam com o pé direito e não tem sido diferente com "Vai na Fé". No caso da atual novela das sete, a maioria das gratas revelações só aparece em flashbacks, como Je Soares (Sol), Isacque Lopes (Ben) e Matheus Polis (Theo). Mas na fase atual quem tem roubado a cena atende pelo nome de Clara Moneke. 


A atriz interpreta uma das melhores personagens da trama. Kate é a filha única de Bruna (Carla Cristina Cardoso) e melhor amiga de Jenifer (Bella Campos). A garota sonha em ter uma vida de luxo, mas não estuda e nem trabalha. Chegou a ajudar a mãe a vender quentinhas e se aventurou como garçonete de uma cafeteria, mas não durou muito em nenhuma das ocupações. Tem um caso com o traficante Hugo (MC Cabelinho), mas se envolveu com Theo (Emílio Dantas) e chegou a morar em um apartamento bancado pelo vilão, que a tinha como amante. 

A personagem começou na história com poucas cenas, mas mesmo não aparecendo muito despertava a atenção do público nas redes sociais graças ao carisma da atriz e ao ótimo texto da autora e sua equipe de roteiristas. Kate é debochada e não leva desaforo para casa.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Caroline Dallarosa divertiu e se destacou como Arminda em "Além da Ilusão"

 A novela das seis, escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Luiz Henrique Rios, está em seus momentos finais. E foram vários destaques em "Além da Ilusão", principalmente em seus ótimos núcleos paralelos. Um deles foi a carismática Arminda, vivida por Caroline Dallarosa. A personagem, melhor amiga da mocinha, Isadora (Larissa Manoela), não ficou restrita a uma mera ouvinte dos problemas da protagonista. Tinha uma divertida história para chamar de sua. 


Atrapalhada, atrevida e excessivamente otimista, Arminda é um tipo que raramente não funciona em um folhetim. Responsável pela maioria dos alívios cômicos da trama das seis, a personagem reúne características que conquistam o público com facilidade. E ganhou uma intérprete que tem um timing perfeito para a comicidade, já visto em sua estreia na televisão, em 2019, quando viveu a marrenta Anjinha, em "Malhação - Toda Forma de Amar", a última temporada do longevo seriado adolescente da Globo. 

A atriz usou a caricatura a seu favor. Afinal, era impossível fugir dos exageros com um perfil que tem um tom hiperbólico. Então, Caroline vestiu a camisa da personagem e não teve medo do ridículo. Funcionou. Deixou a menina crível. Embora seja uma típica patricinha de época, Arminda tem momentos de sensatez e até de sensibilidade.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Brilhante como Heloísa, Paloma Duarte rouba a cena em "Além da Ilusão"

 A novela das seis da Globo apresenta um elenco de peso. São vários nomes talentosos que compõem o time escalado pela autora Alessandra Poggi e pelo diretor Luiz Henrique Rios. Entre tantos bons destaques, há uma personagem que engrandeceu "Além da Ilusão" logo que surgiu em cena e segue até agora despertando uma boa atenção de quem assiste graças ao atrativo arco dramático e ao desempenho de sua intérprete: Paloma Duarte. 


Heloísa se mostrou um perfil interessante logo na primeira semana da novela. Isso porque Afonso (Lima Duarte em uma luxuosa participação especial) deu a neta, Clara, para adoção e nunca contou sobre o paradeiro da criança para a filha. Em seu leito de morte resolveu expor tudo o que sabia, mas faleceu pouco antes de falar. A cena foi forte e Paloma deu um show ao lado de seu avô da vida real. Helô sempre carregou essa dor, jamais perdoou o pai e até hoje nutre a esperança de encontrar a herdeira. 

Recentemente, o público ficou sabendo de outro ótimo 'plot' do roteiro: a filha de Heloísa é fruto de um abuso sofrido ainda em sua adolescência, quando Matias (Antônio Calloni), então casado com Violeta (Malu Galli), a seduziu.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Marilu Bueno sabia transformar qualquer coadjuvante em sucesso

 Faleceu nesta quarta-feira, dia 22, Marilu Bueno, aos 82 anos. A veterana estava internada em estado grave no Hospital Miguel Couto, na Zona Sul do Rio de Janeiro, desde o fim de maio, quando fez uma cirurgia de abdômen. Por causa de complicações no pós-operatório, precisou ser levada para a UTI, onde acabou falecendo. Mais uma grande perda para a classe artística. 


A atriz trabalhou 50 anos na televisão e participou de várias novelas, séries e programas de sucesso. Maria Luisa David Bueno de Lima começou sua trajetória nas artes em 1960 no cinema, quando participou do filme "O Cupim". Estreou na televisão em 1972 na novela "O Bofe". A partir daquele momento iniciava sua trajetória vitoriosa. Conhecida pelas personagens cômicas, Marilu sabia como colocar qualquer coadjuvante em posição de destaque. Isso porque nunca ganhou protagonistas, mas aproveitou bem as oportunidades em perfis secundários que entraram para a história da teledramaturgia. 

Uma das personagens mais lembradas é a empregada Olívia, de "Guerra dos Sexos", exibida em 1983. A coitada vivia no meio das brigas de seus patrões, vividos por Fernanda Montenegro e Paulo Autran. Vale lembrar que a intérprete interpretou a mesma personagem 29 anos depois, no remake da trama de Silvio de Abreu, exibido em 2012.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Françoise Forton era sinônimo de elegância e talento

 O Brasil perdeu Françoise Forton neste domingo, dia 16, após quatro meses de internação para o tratamento contra um câncer que começou na região da bacia e chegou aos pulmões. A grande atriz tinha 64 anos e partiu precocemente. Nascida no dia 8 de julho de 1957, era filha de pai francês e mãe brasileira. 

A intérprete enfrentava um câncer pela segunda vez. A primeira foi em 1989, época em que brilhava como Helena Trindade, em "Tieta". Françoise contou em algumas entrevistas que se dividia entre o consultório médico e o estúdio da televisão. Foi o trabalho que lhe deu força para encarar a doença. Seu amor pelo ofício era visível em cada participação na TV (foram mais de 40 produções, entre novelas e séries) ou em peças teatrais. 

Sua estreia foi ainda adolescente, em 1969, na novela "A Última Valsa", como Luna, exibida na Globo. Desde então, não parou mais e um de seus tipos mais marcantes foi a Tetê, de "Estúpido Cupido", em 1976, que retratava a sociedade brasileira na época.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Manuela, de "A Vida da Gente", foi um divisor de águas na carreira de Marjorie Estiano

É inegável o quanto Marjorie Estiano cresceu na carreira. Virou uma das atrizes mais respeitadas e admiradas do país e a melhor da sua geração. Quando ganhou a Manuela, de "A Vida da Gente", em 2011, já tinha marcado presença em várias produções, incluindo até protagonista de novela das 21h. No entanto, a personagem brilhantemente construída por Lícia Manzo foi um divisor de águas na vida da atriz. 

Manu é uma das protagonistas da novela das seis que conta a história do amor entre duas irmãs. O folhetim é diferenciado por isso. Não é sobre um casal, um amor proibido ou algo do tipo. É a trajetória de irmãs que se amam incondicionalmente e acabam se magoando por conta de armadilhas do destino. E a personagem interpretada por Marjorie é a mais densa do enredo. Também a mais difícil de ser interpretada. Todas as camadas desenhadas com precisão pela autora não valeriam de nada nas mãos de uma atriz limitada. A chance do perfil ter uma forte rejeição do público não era baixa. Mas a força cênica de Marjorie, somada ao talento de Lícia, a transformou em um dos tipos mais amados e lembrados de "A Vida da Gente". 

A autora foi hábil na construção de Manuela. A personagem nasceu com uma deficiência na perna e sempre foi humilhada pela mãe. Enquanto era tratada feito um lixo, Ana (Fernanda Vasconcelos) recebia todos os mimos e privilégios. Algo que também acabou sendo sufocante, mas como a própria disse em uma cena, com um peso menor. Afinal, o excesso se apara. Já lidar com a falta é mais difícil. Manu tinha tudo para odiar Ana e ser a clássica irmã invejosa e amargurada, um clichê dramatúrgico. Mas nunca foi. Sempre teve um amor incomensurável por Ana e era sua cúmplice.

domingo, 16 de maio de 2021

Eva Wilma era uma das atrizes mais respeitadas e admiradas do país

 Em um ano já marcado por tantas partidas dolorosas, o Brasil perdeu mais uma figura amada e admirada por todos: Eva Wilma. A veterana faleceu neste sábado, aos 87 anos, às 22h08, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, vítima de um câncer no ovário, diagnosticado recentemente. Disseminado, levou a uma insuficiência respiratória. A doença foi descoberta no dia 7 de maio. A morte da querida atriz veio menos de duas semanas depois do falecimento de Paulo Gustavo, vítima da covid-19. 


Eva Wilma Riefle Buckup nasceu em 14 de dezembro de 1933 na cidade de São Paulo. Iniciou a carreira artística aos 19 anos, no Ballet do IV Centenário de São Paulo, abandonando a dança pouco depois, quando recebeu convites para integrar o Teatro de Arena e o programa "Alô Doçura", da TV Tupi. O seriado ficou dez anos no ar e a atriz dividia espaço na atração com o saudoso John Herbert, com quem se casou em 1955. Eva e John se separaram em 1976. Juntos, tiveram dois filhos, Vivien e John Hernert Jr., conhecido profissionalmente como Johnnie Beat. 

Três anos após a separação, Eva se casou com o ator Carlos Zara, que morreu em 2002. Ironicamente, a atriz contracenou com o último grande amor de sua vida em 1973, na primeira versão de "Mulheres de Areia," onde interpretou magnificamente as gêmeas Ruth e Raquel.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Cláudia Netto foi uma boa surpresa de "Flor do Caribe"

"Flor do Caribe", reprisada atualmente pela Globo, não tem muitos personagens. É uma novela com poucos atores e isso ficou claro após a apresentação de todos os núcleos. Por causa do elenco enxuto, quase todos conseguem se destacar. Entretanto, em qualquer trama, independente do time ser grande ou pequeno, há alguns papéis que acabam brilhando mais do que outros. E entre os destaques da atual obra de Walther Negrão está a Guiomar, vivida pela ótima Cláudia Netto.


A personagem só entrou na história após algumas semanas da novela já iniciada, porém, assim que chegou, já mostrou que seria uma das figuras mais divertidas e interessantes de "Flor do Caribe". Sempre dotada de um humor fino e ácido, Guiomar tem Dionísio (Sérgio Mamberti) e Alberto (Igor Rickli) como principais alvos de sua artilharia de frases inspiradas. O sogro e o filho foram obrigados a aceitá-la na mansão e, desde então, 'sofrem' (merecidamente) com sua língua ferina. 

Entretanto, essa mulher não se resume somente ao deboche. A perua também faz questão de demonstrar o amor que sente por Alberto, mesmo sabendo que o filho é um poço de maldade e ressentimento. A atriz protagonizou cenas emocionantes e quase todas envolvendo o grande vilão da trama. A sequência mais