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quinta-feira, 6 de julho de 2023

Walcyr Carrasco promove primeira virada de "Terra e Paixão" repleta de catarses e boas atuações

 Nesta quinta-feira, dia 6, foi ao ar a grande virada da atual novela das nove da Globo. "Terra e Paixão" marca a volta de Walcyr Carrasco ao horário, após o fenômeno "A Dona do Pedaço", de 2019, e o autor sempre foi considerado o coringa da emissora. Responsável por uma legião de sucessos em todas as faixas, o escritor mostrou mais uma vez que não entra em batalhas para perder. Foram dois meses de preparação para que uma avalanche de catarses acontecesse com a temperatura necessária para a empolgação do público. 


A novela estreou no dia 8 de maio e só acaba em janeiro de 2024. Um enredo que precisa ser desmembrado por cerca de 220 capítulos. Um desafio para qualquer autor, ainda que Walcyr tenha experiência em folhetins longos (vários tiveram 'esticamentos' por conta do sucesso). Não por acaso, fica perceptível que houve uma preocupação na elaboração de vários 'plots' que ainda virão pela frente, como a volta de Agatha, mãe de Caio (Cauã Reymond) e grande paixão de Antônio (Tony Ramos). A personagem estava morta até semana passada, mas o caixão estava vazio e quando isso acontece na teledramaturgia a resposta é imediata: a defunta vai voltar triunfante. 

Porém, agora o enredo está voltado para a morte de Daniel (Jhonny Massaro), que provoca uma virada de chave na personalidade de Irene (Gloria Pires). A vilã contida e fria passa a ser agressiva destemperada diante da perda da única pessoa que realmente amava e depositava seu futuro de riqueza eterna. O termo 'coringar', algo comum nas redes sociais, cabe perfeitamente no caso. E tudo foi acontecendo com a explosão simultânea de várias bombas que Walcyr foi preparando ao longo dos dois primeiros meses de novela.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Tudo sobre a coletiva online de "Terra e Paixão", a próxima novela das nove

 A Globo promoveu na quinta-feira passada, dia 20, a coletiva online de "Terra e Paixão", próxima novela das nove, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Luiz Henrique Rios. Participaram o diretor e os atores: Barbara Reis, Ítalo Martins, Tatiana Tibúrcio, Paulo Lessa, Agatha Moreira, Débora Ozório, Flávio Bauraqui, Camilla Damião, Charles Frick, Ângelo Antônio, Débora Falabella, Rainer Cadete, Daniel Munduruku, Leandro Lima, Suyane Moreira, Letícia Laranja, Jonathan Azevedo, Renata Gaspar, Cauã Reymond, Claudio Gabriel, Leona Cavalli, Ignácio Luz, Lourinelson Vladmir, Inez Viana, Jhonny Massaro, Tony Ramos e Gloria Pires. 

Luiz Henrique Rios iniciu a coletiva apresentando a novela: "'Terra e Paixão' é uma história linda sobre o amor, a justiça e a vontade de ter um mundo melhor. É uma conversa sobre Brasil. Não é uma novela sobre agronegócio e nem para discutir o que é isso. É uma novela que se passa nesse ambiente e conversa sobre herança e legado. Sobre riqueza material de um personagem que quer deixar para as próximas gerações e as gerações mais novas buscam um mundo melhor. É uma novela sobre seres humanos e sobretudo sobre a vontade de ser feliz e amar. A trilha sonora tem um pouco da textura interiorana. Vamos revisitar alguns clássicos e teremos alguns atuais, mas não será só isso.", contou o diretor. 

Barbara Reis comentou sobre vivenciar um momento em que divide as atenções com sua vilã, Débora, na trama de João Emanuel Carneiro: "Pra mim é um acontecimento artístico que jamais poderia imaginar. Estou em uma novela de sucesso no streaming e agora na das nove. Tem uma diferença porque as gravações no streaming são um pouco mais tranquilas, agora como protagonista de novela em tevê aberta tem sido bem corrido e também gratificante. Quando fui chamada pro teste eu estava finalizando 'Todas as Flores'.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

"Ilha de Ferro" deveria ter parado na primeira temporada

 A primeira temporada de "Ilha de Ferro" foi disponibilizada no Globoplay no dia 14 de novembro de 2018. A série teve repercussão e muitas críticas. A trama protagonizada por Cauã Reymond teve altos e baixos, mas foi uma produção caprichada. O elenco foi bem escalado e os episódios finais tiveram uma boa dose de adrenalina. Foi ótimo também ver um roteiro ambientado em uma plataforma de petróleo. A Globo exibiu a série, com nove capítulos, em sua grade em agosto de 2021. Já a segunda temporada estreou no serviço de streaming da emissora no segundo semestre de 2019 e na TV aberta no dia 25 de agosto deste ano (o último episódio é nesta quinta-feira, dia 10).


Criada por Max Mallman e Adriana Lunardi ---- com supervisão de Mauro Wilson e direção de Guga Sander e Roberta Richard e direção geral e artística de Afonso Poyard ----, a segunda temporada de "Ilha de Ferro" começa depois de uma passagem de tempo de três anos. Agora Dante (Cauã Reymond) é pai. Na verdade, pai solo. Depois que Bruno (Klebber Toledo), seu irmão, foi preso, ele assumiu a paternidade de Maria (Alice Palmar), mas a vida mudou mesmo após Leona (Sophie Charlotte) os abandonar. Com a filha, mas sem as presenças do irmão e da mulher, o petroleiro é um cara cada vez mais solitário.

Júlia (Maria Casadevall) foi embora, Buda (Taumaturgo Ferreira) morreu, e o amor de Dante é cada vez mais a PLT 137. Sua obstinação aumentou a produtividade da plataforma, ainda que às custas do bem-estar da equipe.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Apesar dos obstáculos e último capítulo decepcionante, "Um Lugar ao Sol" termina com mais qualidades que defeitos

 A estreia de Lícia Manzo no horário nobre da Globo foi complicada. "Um Lugar ao Sol" não teve um caminho fácil. Foram vários empecilhos que atrapalharam seu primeiro folhetim na faixa mais importante da emissora, após dois bem-sucedidos trabalhos às 18h com "A Vida da Gente" e "Sete Vidas". Foi uma novela impecável? Não. Mas mesmo contra todos os obstáculos e dificuldades, a autora conseguiu entregar para o público uma ótima história, repleta de cenas densas, boas viradas e conflitos bem construídos, cujo ciclo se fechou nesta sexta-feira, dia 25. 

A história contou a saga de Christian (Cauã Reymond) que tomou o lugar de seu irmão gêmeo, Renato, porque nunca aceitou o destino difícil que a vida lhe impôs. Inicialmente íntegro e repleto de princípios, o protagonista foi deixando seu caráter de lado pela ambição desmedida e acabou se transformando em um sujeito muito pior que o problemático e instável irmão que acabou assassinado quando tentou negociar a dívida do sujeito que era sua cópia e tinha acabado de conhecer. Os irmãos conviveram por apenas algumas horas. Não foi uma mera novela sobre gêmeos. Foi uma novela sobre um homem que conquistou seu lugar ao sol através de atos condenáveis e que foram se agravando a cada momento. 

A coragem em exibir uma trama onde o protagonista se transformava no vilão de sua própria vida merece muitos elogios. Lícia arriscou ao fazer com que o público virasse o julgador da vida de Christian. O telespectador era a testemunha, o promotor e o juiz. Tanto que foi impossível torcer por ele. Na verdade, a expectativa sempre foi em cima da derrocada do personagem.

quarta-feira, 23 de março de 2022

Cauã Reymond viveu um de seus melhores momentos na televisão em "Um Lugar ao Sol"

 A densa novela de Lícia Manzo se encaminha para o final e uma das muitas qualidades de "Um Lugar ao Sol" foi o trabalho do elenco. Como a trama sofreu várias paralizações por conta da pandemia do novo coronavírus, o ritmo das gravações não foi corrido. Houve tempo para os atores entenderem seus personagens e aprofundarem as camadas dos tipos tão bem escritos pela autora. E Cauã Reymond foi um dos que se beneficiaram. 

Cauã chegou a declarar em entrevistas que a novela não teve aquele ritmo frenético que um folhetim sem pandemia teria, o que beneficiou a sua atuação. Ele tem razão. É um de seus melhores momentos na televisão. O ator conseguiu diferenciar os gêmeos Renato e Christian de forma brilhante no início da novela e a missão não era simples. Afinal, não era o clichê do gêmeo bom e mau. Eram duas pessoas repleta de dramas que resultaram em diferentes personalidades por conta da separação ainda na infância (um foi adotado por uma família rica e o outro chegou a ser devolvido e morou no orfanato até completar 18 anos). 

Renato era um típico playboy mimado que teve tudo o que o dinheiro poderia proporcionar. Mas o que sobrou em bens materiais faltou em educação e caráter. O rapaz não respeitava a namorada (Bárbara - Alinne Moraes), a traía constantemente e vivia se metendo em vários confusões, incluindo o assassinato de um homem porque estava dirigindo bêbado. Aliás, era viciado em álcool e cocaína. Já Christian sempre foi um jovem correto e sonhava em achar o irmão gêmeo. O sonho do irmão pobre foi realizado logo no começo da trama e não segurou a inveja quando viu do que foi privado naquela vida.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Repleta de bons ganchos, "Um Lugar ao Sol" merece mais prestígio da Globo e do telespectador

 A estreia de Lícia Manzo no horário nobre, após as primorosas "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", vem sendo o melhor dos presentes. "Um Lugar ao Sol" está no ar há menos de um mês, mas a autora já conseguiu apresentar sua história central com bastante habilidade e, aos poucos, os núcleos paralelos vão surgindo e, também, com vários conflitos bem construídos. Não há cena desnecessária. Tudo tem um sentido ou uma razão para estar ali. 


Impressiona como Lícia vem desenvolvendo seu roteiro sem enrolação ou pontas soltas. Todos os núcleos têm uma ligação e as peças acabam se encaixando mais cedo ou mais tarde. A autora está conseguindo contar sua história com dinamismo, apresentando capítulos repletos de acontecimentos e encerrados sempre com ganchos de tirar o fôlego. Como a produção terá apenas 107 capítulos, há uma maior facilidade para evitar a chamada barriga (período de enrolação). Mas, ao mesmo tempo, havia o risco de uma pressa que atrapalharia o entendimento e a densidade do enredo, o que não tem acontecido. 

A escritora está mostrando um novo lado até então desconhecido do público que acompanhou suas duas novelas anteriores. Isso porque as já citadas "A Vida da Gente" e "Sete Vidas" não eram folhetins de grandes viradas ou ganchos impactantes. Eram folhetins que retratavam o cotidiano de uma forma delicada e envolvente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

"Um Lugar ao Sol" vem apresentando um início ágil e promissor

 "O que todo mundo quer na vida é uma oportunidade. Uma chance. Mas e se para ter um lugar ao sol você tivesse que encarar suas sombras? Você deixaria de ser quem é para chegar aonde quer?" A mensagem do teaser de "Um Lugar ao Sol", nova novela das nove da Globo, que estreou nesta segunda-feira (08/11), totalmente inédita e já toda gravada, provoca curiosidade sobre mais uma história da talentosa Lícia Manzo, autora que fez sucesso em "A Vida da Gente" (2011) e "Sete Vidas" (2015), ambas na faixa das seis, e agora estreia no horário nobre da emissora apostando no dramalhão clássico. 


A escritora não costuma utilizar maniqueísmo em suas obras. Ninguém é muito bom ou muito mau. Todos têm suas complexidades e controvérsias de qualquer ser humano. Portanto, a trama que norteia a produção foge do clichê, ainda que se utilize dele. Meio confuso? Nem tanto. Lícia conta o folhetim clássico do gêmeo que ocupa o lugar do outro. Mas do jeito dela. E um jeito que o público já aprendeu a admirar. Tanto que os primeiros capítulos da nova novela das nove vêm causando a melhor das impressões. 

A estreia já conseguiu arrebatar pela forma como tudo foi apresentado ao público. Em uma hora e meia de capítulo, praticamente uma duração de filme, Lícia mostrou o nascimento dos gêmeos, algumas passagens de tempo muito bem colocadas pela direção de Maurício Farias, e como cada irmão se adaptou à nova vida.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Tudo sobre a coletiva online de "Um Lugar ao Sol", a nova novela das nove

 A Globo promoveu duas coletivas online de "Um Lugar ao Sol", nova novela das nove que estreia no dia 8 de novembro. A primeira, realizada nesta quinta-feira (28/10), contou com a autora Lícia Manzo, o diretor artístico Mauricio Farias, e os protagonistas Cauã Reymond, Alinne Moraes e Andreia Horta. Já a segunda foi feita nesta sexta-feira (29/10) e teve Marieta Severo, Ana Beatriz Nogueira, Andrea Beltrão, Gabriel Leone, Denise Fraga, Pathy Desejus, Mariana Lima, Marco Ricca, além de Mauricio e Lícia. Participei das duas entrevistas e conto um pouco como foi. 

Perguntada se teria mais liberdade para abordar novos assuntos no horário nobre, Lícia Manzo declarou: "Na TV Globo nunca me senti coibida a falar de qualquer tema. Na minha última novela tive uma avó gay. Nunca tive rejeição. Se você coloca o público sob uma perspectiva humana, ele vai se abrir. Se você não rotular o outro. Nunca deixei de tratar de nenhum assunto que eu queria em outro horário". Maurício Farias complementou: "Existe na tevê uma preocupação que você possa falar para todo mundo. O que a Lícia está falando foi o caminho que encontrei para falar de determinados assuntos. É realmente uma chave muito poderosa quando você coloca isso de forma mais carinhosa, com empatia sobre o assunto. Sempre que eu consegui atingir essa chave, a gente conseguiu fazer coisas onde a repercussão foi muito positiva. Cláudio Paiva (roteirista) fez comigo um episódio de 'A Grande Família' só sobre maconha. Em 'Tapas & Beijos' tinha um personagem casado com outro que era trans, por exemplo. Nunca tive nada que me impediu de fazer algo. Essa é uma das muitas qualidades que a Globo tem".

Perguntado sobre a preparação para viver gêmeos, Cauã Reymond respondeu: "Já tinha feito 'Dois Irmãos' (minissérie de 2017) e tive a sorte de fazer irmãos gêmeos. Isso é raro. Ainda mais interpretar gêmeos duas vezes. Fico intimidado em ver a Lícia agora porque o texto dela é muito bom. O texto dela era muito sólido sobre os irmãos. A gente gravou tudo com muito cuidado. A gente teve um cuidado com a novela quase como se fosse uma série.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Original, "Ilha de Ferro" mescla tensão e dramas pessoais incômodos

Apostando cada vez mais em seu serviço de streaming, com o claro intuito de concorrer com a Netflix, a Globo lançou uma nova série na Globo Play: "Ilha de Ferro". A trama, criada por Max Mallmann (falecido em 2016) e Adriana Lunardi, dirigida por Afonso Poyart, Guga Sander e Roberta Richard, estreou na plataforma no dia 14 de novembro. Todos os 12 episódios da primeira temporada já estão disponíveis. E a emissora exibiu o primeiro episódio na faixa da "Tela Quente", nesta segunda-feira (19/11), copiando a estratégia usada em "Assédio" ---- outra produção voltada exclusivamente para a internet.


O objetivo, obviamente, é despertar a curiosidade do público e aumentar a quantidade de assinantes da Globo Play, o que fazem muito bem. A série tem uma qualidade inquestionável e o primeiro episódio já engloba praticamente todos os conflitos que permearão o enredo. É uma trama onde a tensão predomina em virtude da complexidade dos protagonistas. Os personagens são construídos com muita riqueza, protagonizando situações de adrenalina extrema e tendo suas feridas físicas e emocionais expostas o tempo inteiro. Não é difícil se envolver com o drama daquelas pessoas, que muitas vezes não aparentam o que são.

A história conta a vida de Dante (Cauã Reymond), coordenador de uma plataforma de petróleo (a PLT-137), que sonha em se tornar gerente do local, mas vê seus planos naufragarem assim que Júlia (Maria Casadevall) chega e "toma" o seu lugar, nomeada pelo pai, Ministro de Minas e Energia.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Coletiva da reprise de "Belíssima" no "Vale a Pena Ver de Novo" reúne time de estrelas

Nesta quarta-feira (16/05), a Globo promoveu uma coletiva de imprensa para o lançamento da reprise de "Belíssima", imenso sucesso de Silvio de Abreu na faixa nobre em 2006, no "Vale A Pena Ver de Novo". A reunião de parte do elenco foi realizada nos Estúdios Globo. É a primeira vez que a emissora promove um evento assim para uma reexibição e o motivo é o fracasso da reprise de "Celebridade", grande êxito de Gilberto Braga em 2003. O intuito, agora, obviamente, é divulgar bastante a nova escolhida para o horário, evitando um novo mau desempenho na audiência.


E foi um evento de peso. Silvio de Abreu, autor da trama e atual responsável pelo setor de teledramaturgia da Globo, esteve presente, assim como Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Irene Ravache, Paolla Oliveira, Vera Holtz, Cauã Reymond, Reynaldo Gianecchini, Marina Ruy Barbosa, Alexandre Borges e Camila Pitanga. Até mesmo Denise Saraceni, diretora da novela, fez questão de participar desse reencontro. Reencontro bastante animado, vale ressaltar. Todos estavam claramente felizes e enfatizaram a todo momento o quanto foi prazeroso esse trabalho.

Um trecho de 20 minutos do primeiro capítulo foi reexibido para os convidados e provavelmente será o mesmo conteúdo da estreia da reprise, no dia quatro de junho. Apesar de breve (o original teve mais de 50 minutos), valeu muito a pena matar as saudades da arrogância de Bia Falcão, brilhantemente defendida por Fernanda Montenegro.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Atuação visceral do elenco e produção de arte primorosa engrandeceram "Dois Irmãos"

Foram dez capítulos de muito capricho estético, dramas pesados, tons operísticos e completa entrega dos atores. "Dois Irmãos" chegou ao fim nesta sexta-feira (20/01) colhendo inúmeros elogios merecidos e apresentando um último capítulo emocionante. A minissérie, baseada no romance homônimo de Milton Hatoum e adaptada por Maria Camargo, teve a forte marca do diretor Luiz Fernando Carvalho e sua principal qualidade foi a atuação visceral do elenco, além da produção de arte primorosa.


A escalação acertada ficou evidente nas três fases da produção. A começar pela semelhança física dos intérpretes, deixando as passagens de tempo bastante críveis. E, claro, o talento dos atores ainda coroou o êxito do diretor, que conseguiu explorar o máximo de cada um, como costuma fazer sempre no seu método de trabalho (incluindo meses de preparação em um galpão criado exclusivamente para isso). O grau de dramaticidade foi alto (beirando o exagero) em todos os períodos da história, destacando a capacidade cênica do time escolhido para dar vida a perfis repletos de camadas.

A minissérie adotou a não linearidade, sendo fiel ao livro e provocando um certo estranhamento com as idas e vindas no tempo. Luiz Fernando iniciou a trama partindo do princípio de que todos os telespectadores leram o livro, o que foi um risco. E realmente o resultado no primeiro capítulo não foi bom. O longo flashback para contar como Halim (Bruno Anacleto) e Zana (Gabriella Mustafá) se apaixonaram foi modorrento e cheio de cenas desnecessárias, apesar da ótima química e do talento dos atores.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Narrativa ousada, elenco de peso e tramas fortes marcaram o sucesso de "Justiça"

"Toda justiça termina em castigo? Quem busca justiça aceita o perdão? Justiça a qualquer preço é justiça?" A minissérie escrita por uma inspirada Manuela Dias e dirigida por um brilhante José Luiz Villamarim respondeu essas perguntas na última semana, e ao longo da trama --- ambientada em Recife, fugindo do eixo RJ/SP ---, que já é uma das melhores produções do ano. Foram 20 episódios, exibidos durante cinco semanas, que apresentaram histórias extremamente fortes, prendendo o telespectador através de situações cruelmente reais e com personagens muito bem construídos pela autora.


A ousadia da narrativa foi a principal característica da minissérie, que apresentava um protagonista por dia e interligava os dramas de forma eficiente, exigindo uma maior atenção do público. A personagem principal da segunda era coadjuvante na terça e quase figurante na quinta e na sexta, por exemplo. Todos os perfis acabavam sendo vistos sempre, mas em diferentes posições e ângulos. A mesma cena era assistida várias vezes ao longo da semana, dependendo da mudança de foco do enredo. A 'novidade' bastante arriscada se mostrou um dos pontos altos de "Justiça", destacando o trabalho minucioso do diretor e sua equipe.

José Luiz Villamarim (que novamente teve o grande Walter Carvalho como parceiro, após as primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") se preocupou em cada detalhe, valorizando a atuação do elenco, expondo a complexidade, a solidez e a controvérsia de todos aqueles personagens. O grau de dificuldade em gravar várias sequências de ângulos distintos era alto, mas o resultado foi o melhor possível.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

"Justiça": o que esperar da próxima minissérie da Globo?

A autora Manuela Dias estreou sua primeira produção solo este ano. E foi muito bem-sucedida. A minissérie "Ligações Perigosas", exibida em janeiro, foi brilhante, destacando a boa adaptação da escritora do clássico romance de Choderlos de Laclos. Sete meses se passaram e agora ela estreia uma produção de sua autoria, cujas chamadas despertaram interesse assim que começaram a ir ao ar. "Justiça" entrará no ar no dia 22 de agosto, uma segunda-feira, logo após o término das Olimpíadas, sendo exibida depois de "Velho Chico".


A minissérie terá 20 capítulos e contará em cinco semanas quatro histórias diferentes. Todas se interligam em algum momento e cada dia haverá um protagonista. A produção tem o mesmo esquema das novelas das 23h, ou seja, quarta-feira não será exibida em virtude do futebol. Como o próprio site oficial mencionou, o protagonista de segunda-feira pode ser um coadjuvante na terça, ser figurante na quinta e ter uma aparição relâmpago na sexta. É uma narrativa muito ousada para a televisão aberta. Entretanto, não é inédita.

No canal cabo GNT, por exemplo, houve um formato semelhante na primorosa série "Sessão de Terapia", onde o psicólogo Teo (Zécarlos Machado) era o protagonista, mas cada dia da semana contava com um personagem central diferente. E, no caso, os enredos dos pacientes não se cruzavam. Somente o terapeuta 'transitava' na história. Outra situação que merece ser lembrada era a de "Os Experientes", grande série exibida em 2014 pela Globo.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cercada de expectativas, "A Regra do Jogo" estreia com forte e instigante trama central

"Qual o limite entre o certo e o errado?" "Até que ponto você condena ou absolve alguém?" "No jogo da vida, quais são as regras para você?" "Herói? Bandido? Certo? Errado? Depende de que lado você está." Estes são os principais questionamentos que nortearão a nova novela das nove, que abordará injustiça, vingança, trambique, crime organizado, entre outros temas inseridos por João Emanuel Carneiro em "A Regra do Jogo". A trama, dirigida por Amora Mautner, estreou nesta segunda-feira (31/08) e todos os holofotes estarão voltados para este folhetim, afinal, a responsabilidade de substituir "Babilônia" (o maior fracasso do horário nobre global) e reerguer a audiência da faixa mais cobiçada da emissora é imensa.


Para culminar, a última novela do autor foi "Avenida Brasil", um fenômeno que fez um grande sucesso, se tornando, inclusive, uma das novelas mais vendidas da Globo. Porém, pressões à parte, João Emanuel não tem obrigação de emplacar uma 'nova versão' do seu trabalho bem-sucedido de 2012, e precisa justamente evitar qualquer tipo de comparação. Outro ciclo foi iniciado e uma distinta história será contada. Ao menos é o que se espera. Mas as chamadas já deixavam claro que o escritor manterá toda a sua essência, ou seja, uma trama central forte e núcleos paralelos bem popularescos. A estreia, portanto, foi apenas a comprovação.

Fazendo jus ao que já virou uma espécie de 'tradição' em estreias (recentemente houve até em "Malhação - Seu Lugar no Mundo"), foi exibida uma cena do futuro, com a mocinha presa por ter furtado dinheiro da sua chefe, para depois voltar ao passado, mostrando como aquela situação tinha chegado naquele ponto.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Os 20 anos de "Malhação", uma das produções mais longevas da Rede Globo

No dia 24 de abril de 1995, estreava na Globo o que viria a ser uma de suas produções mais longevas: "Malhação". Ao som de "Assim caminha a humanidade", cantada por Lulu Santos na abertura (que virou um dos maiores hits da trama), a história sobre os dramas adolescentes começou a ser contada tendo uma academia como pano de fundo, vide o título do seriado. Juliana Martins e Danton Mello formavam o casal protagonista (Bella e Héricles) e fizeram parte de um elenco que tinha nomes como Carolina Dieckmann, Silvia Pfeifer, Fernanda Rodrigues, Bruno de Lucca (uma criança ainda), Nair Bello, John Herbert, entre outros.


Os autores Emanoel Jacobina e Andrea Maltarolli (também autora da novela "Beleza Pura", falecida em 2009) foram os idealizadores deste tão bem-sucedido projeto voltado para os adolescentes ---- baseado também no boom de academias de ginástica na época ---- e escreveram várias temporadas, incluindo a primeira, em parceria com Patrícia Moretzohn e Marcia Prates. Emanoel, em entrevista ao Jornal Extra, declarou que "Malhação" nasceu em uma oficina de dramaturgia para formação de atores da Globo em 1994. O diretor Roberto Talma (que lamentavelmente faleceu nesta quinta), inclusive, foi quem teve a ideia de transformar algo informal em um seriado, depois que viu vários jovens frequentando uma academia construída perto da Globo.

E foi exatamente o que virou o formato: uma vitrine para novos talentos. Só que os novatos não eram mais vistos, e analisados, apenas pelos diretores da emissora, eram também observados pelo público. Logo na primeira temporada, aliás, surgiu uma das figuras mais marcantes e queridas do seriado: o Mocotó, vivido por um inexperiente André Marques.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"Amores Roubados", "O Caçador", "O Rebu" e "Dupla Identidade" enriqueceram a faixa das 23h da Globo

Com o ano de 2014 perto de seu fim, é possível constatar que a Globo conseguiu engrandecer sua faixa das 23h com produções que foram verdadeiros presentes para o público. Logo no início do ano, em janeiro, a emissora exibiu a elogiada "Amores Roubados", que deu um bom retorno na audiência. Depois, estreou a ótima série policial "O Caçador", que saiu do ar cedendo lugar para a impecável novela "O Rebu", exibida quatro dias por semana. E, agora, "Dupla Identidade" fecha este ciclo de tramas tão bem elaboradas.


"Amores Roubados" começou sendo exibida logo após a novela das nove, mas com a estreia do "Big Brother Brasil", passou a ir ao ar depois das 23h. Com isso, obviamente, os números do Ibope sofreram uma queda, mas a qualidade não. Escrita por George Moura e dirigida por José Luiz Villamarim, a história de um rapaz que se apaixonava pela filha de um homem poderoso conseguiu prender a atenção e ainda retratou muito bem um lado do nordeste pouco conhecido: o dos ricos empreendedores, através do empresário Jaime Favais (Murilo Benício).

Ambientada em Pernambuco e inspirada no livro "A Emparedada da Rua Nova", a produção contou com um elenco enxuto e de muita qualidade ----- Isis Valverde, Patrícia Pillar, Osmar Prado, Irandhir Santos, Dira Paes, entre outros.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

"O Caçador": mais uma grande série brasileira que chegou ao fim

Com texto de Fernando Bonassi, Sérgio Goldenberg e Marçal Aquino, "O Caçador" ficou três meses no ar e chegou ao fim na última sexta-feira (11/07). Dirigida por José Alvarenga Jr. e Heitor Dhalia, a série, que contou a história de um policial que passou a viver clandestinamente, após sofrer uma grande injustiça e ter sua vida arruinada, começou já expondo toda a trama do protagonista, deixando os episódios seguintes focados quase que exclusivamente nas investigações que André (Cauã Reymond) fazia com seu trabalho de caçador de recompensas.


A fórmula era parecida com a usada em "Força-Tarefa", excelente série protagonizada por Murilo Benício, que tinha no comando praticamente a mesma equipe de roteiristas e o mesmo diretor (José Alvarenga Jr.). Porém, nesta produção, os dramas do protagonista eram bem mais pesados, assim como as cenas, repletas de terror psicológico e violência. E enquanto as investigações de André, para conseguir provar sua inocência, ficavam em segundo plano, as tramas policiais paralelas engrandeciam o seriado, prendendo  a atenção do público. 

Foram várias situações interessantes e bem desenvolvidas, onde André se colocava em sério risco para cumprir suas missões, em parceria com o também ex-policial Lopes (Aílton Graça), que trabalhava mais na procura de 'clientes' interessados em capturar ou achar alguém.

sábado, 12 de abril de 2014

História bem construída e promessa de bons conflitos marcam estreia de "O Caçador"

Um policial por vocação, agente da divisão anti-sequestro, filho mais velho de uma família de policiais, dedicado, honesto e cuja capacidade de encontrar criminosos é sua principal qualidade. Após ser traído pelo próprio pai, esse policial é preso injustamente. Três anos depois, ele sai da cadeia disposto a provar sua inocência e, expulso da polícia, acaba virando um caçador de recompensas. Essa é a história de André (Cauã Reymond), o protagonista de "O Caçador", série que estreou na Globo na última sexta-feira (11/04), depois do "Globo Repórter".


Classificado como um drama criminal, o seriado começou usando uma fórmula que já está um pouco repetitiva: a volta no tempo. Assim como aconteceu com "Amores Roubados" e "A Teia", a primeira cena foi do presente e depois foi explicado tudo o que aconteceu no passado para culminar na situação exibida, no caso, a saída de André da prisão. Mas apesar dessa repetição, o primeiro episódio conseguiu prender a atenção ao apresentar uma atraente história, repleta de meandros.

Além de ter sido traído pelo pai (Saulo - grande Jackson Antunes), que falece por causa de um câncer de pulmão, André tem uma forte rivalidade com o irmão (Alexandre - promissor Alejandro Claveaux), um policial que se torna delegado muito jovem e não acredita em sua inocência. Alexandre ainda é casado com