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sexta-feira, 19 de março de 2021

Fracasso da reprise de "Haja Coração" corrigiu uma injustiça do passado

A Globo resolveu repetir a estratégia que funcionou em 2016: duas novelas das sete de sucesso em sequência. Há quase cinco anos, "Totalmente Demais" era um fenômeno de repercussão, elogiada por público e crítica. Foi substituída por "Haja Coração", uma produção tão popular quanto a anterior, mas de qualidade bastante inferior. A trama de Daniel Ortiz acabou com um décimo a mais na média de audiência que o produto de Rosane Svartman e Paulo Halm (27,5 pontos, enquanto a antecessora marcou 27,4). Todavia, a estratégia não deu certo com as reprises. A primeira conseguiu fazer ainda mais sucesso que em 2016 (obteve 29 pontos de média). Já a segunda conseguiu apenas 25 pontos. 

 Após seu bom trabalho como estreante em "Alto Astral" (2014), Daniel Ortiz apresentou um início promissor de seu segundo folhetim. Havia ali todos os ingredientes de uma deliciosa novela das sete. E o primeiro mês foi animador, onde a dupla formada por Fedora (Tatá Werneck) e Teodora (Grace Gianoukas) logo se destacou, assim como o trio impagável de amigas interesseiras formado por Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Roche). A composição de Mariana Ximenes como Tancinha também agradou e parecia uma ótima protagonista, tendo ainda a rivalidade com Fedora como um dos atrativos. Os erros observados em alguns núcleos paralelos deslocados e na história cansativa do mocinho Apolo (Malvino Salvador) pareciam pequenos diante dos acertos.

Entretanto, ao longo dos meses, Ortiz começou a dar claros sinais de falta de domínio de seu enredo. Os problemas começaram a crescer e até mesmo os pontos positivos começaram a ficar negativos. A falsa morte de Teodora foi um dos mais graves equívocos do autor, que preferiu seguir o roteiro original de "Sassaricando", ignorando a diferença do contexto. O resultado foi catastrófico para o núcleo Abdala, que era o melhor da novela. Com a saída da melhor personagem da família, todos os perfis ficaram sem função e perdidos na história.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Marisa Orth saiu da zona de conforto em "Haja Coração"

Todo ator foge do estigma. Nenhum intérprete gosta de ser conhecido apenas por um determinado tipo de papel. O sonho de um profissional das artes cênicas é justamente ter a possibilidade de exercer versatilidade, mostrando que é capaz de viver qualquer tipo. Nem todos conseguem. Alguns por falta de oportunidade e outros por falta de talento mesmo. Marisa Orth, por exemplo, ficou conhecida por muito tempo pelos seus papéis cômicos, especialmente a inesquecível Magda, de "Sai de Baixo". Mas em "Haja Coração", em sua última semana de reprise, pôde mostrar que também tem talento de sobra no drama.


A batalhadora Francesca se viu abandonada pelo marido ---- o sumiço de Guido (Wernner Schunemann) foi um dos 'mistérios' da novela, só sendo revelado no último mês ---- e criou os quatro filhos sozinha, trabalhando como feirante. Tem uma relação de cumplicidade com o filho Giovanni (Jayme Matarazzo), enquanto demonstra um grande afeto por Tancinha (Mariana Ximenes) e uma superproteção com Shirlei (Sabrina Petraglia). O seu relacionamento com Carmela (Chandelly Braz) é bastante problemático e ainda demorou muito para se abrir a um novo amor. Ou seja, é um perfil que não tem absolutamente nada de cômico.

Daniel Ortiz confiou no talento da atriz para o papel e valeu a pena. Inicialmente, a personagem seria interpretada por Christiane Torloni, com quem o autor trabalhou em "Alto Astral", mas a intérprete foi deslocada para "Velho Chico" na época, havendo assim a troca. Sorte da Marisa, que pôde exercer uma faceta não muito conhecida do grande público.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Reprise comprova que Shirlei e Felipe foram os verdadeiros mocinhos de "Haja Coração"

"Haja Coração" teve um ótimo início em 2016, mas foi perdendo o rumo ao longo das semanas e a reprise comprova. Essa queda de qualidade pôde ser observada principalmente através do desenvolvimento de vários casais da história ---- muitos deles começaram promissores e tiveram o enredo estagnado. Já o par protagonista, composto por Tancinha (Mariana Ximenes) e Apolo (Malvino Salvador), cansa pela repetição desde o começo do folhetim. Porém, em contraponto a tudo o que foi mencionado, Daniel Ortiz criou um casal que caiu nas graças do público assim que surgiu e roubou o protagonismo: Shirlei e Felipe.


Os personagens interpretados com competência por Sabrina Petraglia e Marcos Pitombo protagonizam um dos enredos mais clássicos dos contos de fadas: o da gata borralheira em busca do seu príncipe encantado. É uma situação que transborda clichê, mas sempre funciona quando bem construída. E foi o caso da novela. Aliás, embora seja um remake de "Sassaricando" (1987), Shirlei não pertencia ao folhetim das sete de Silvio de Abreu. Mas fazia parte de outra novela do autor, do horário das nove: "Torre de Babel" (1998). A menina ingênua que tinha um problema na perna foi vivida na época por Karina Barum, fazendo um grande sucesso ---- a música "Corazón Patío", de Alejandro Sanz (tema da personagem), estourou.

Ao inserir Shirlei no contexto de "Haja Coração", o autor se viu obrigado a criar uma trama e não simplesmente seguir com a obra original. E foi algo bem positivo, ainda mais levando em consideração os erros que Daniel Ortiz cometeu com vários perfis e enredos da sua história, muitas vezes tentando repetir situações de 1987 que não funcionaram ---- vide o sumiço de Teodora (Grace Gianoukas) e toda a trajetória de Aparício (Alexandre Borges).

domingo, 27 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020: os piores do ano

 A pandemia do novo coronavírus impediu a produção de muitas atrações. As emissoras precisaram apelar para muitas reprises para preencher suas grades. Ainda assim, alguns formatos permaneceram inéditos e vários deles merecem entrar na lista de piores de 2020. E todos os canais sofreram deste mal, assim como costuma ocorrer nos anos sem pandemia. Vamos a eles. 



"Triturando":
O programa de fofocas do SBT sempre foi uma bagunça generalizada, mas em 2020 se superou nos próprios erros. Chamado inicialmente de "Fococando", depois mudou para "Fofocalizando", até virar, do nada, "Triturando". Isso porque Silvio Santos adorava o quadro que triturava a foto de figuras criticadas pelos apresentadores. Porém, a mudança de nome gerou uma rejeição maior do público e a audiência, que já era baixa, despencou. Cris Flores foi contratada para o lugar de Leão Lobo, dispensado por conta da pandemia, e a jornalista é ótima. Ana Paula Renault também foi uma boa aquisição, mas elas não fazem milagre diante dos temas debatidos. Já fizeram até uma enquete perguntando  como o telespectador preferia morrer (esfaqueado, com um tiro ou envenenado). Vergonha. 


"Se Joga":
O programa criado para ficar no lugar do "Vídeo Show" nunca deu certo. Nem um dia sequer. A Globo criou um formato vazio, cansativo e que misturava tudo e não apresentava nada. Érico Brás, Fabiana Karla e Fernanda Gentil nunca conseguiram um bom entrosamento e a artificialidade na apresentação predominava. A pandemia do novo coronavírus fez a emissora priorizar o jornalismo em sua programação e vários programas saíram do ar momentaneamente. O "Se Joga" entrou na lista. Porém, a emissora aproveitou a "oportunidade" para esquecer do programa. Mesmo com a volta da programação normal, aos poucos, o formato do trio de apresentadores não retornou. E ainda bem. Todavia, segundo vários sites, em 2021 a atração retornará aos sábados e somente com Fernanda no comando. Resta saber como será...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Haja Coração" tinha todos os ingredientes de uma ótima novela das sete, mas deixou a desejar

Foram apenas cinco meses no ar e 139 capítulos. "Haja Coração" estreou em 31 de maio, excepcionalmente uma terça-feira, e chegou ao fim (também excepcionalmente) nesta terça, dia 8 de novembro ---- o caso da estreia houve a justificativa plausível de adiar o fim de "Totalmente Demais" para não enfrentar um feriado prolongado, mas no caso da trama atual foi algo gratuito e desnecessário mesmo. A segunda novela de Daniel Ortiz foi um remake de "Sassaricando" (1987), grande sucesso de Silvio de Abreu, e cumpriu sua missão no quesito audiência: teve média de 27,5 pontos, empatada tecnicamente com o fenômeno anterior de Rosane Svartman e Paulo Halm (27,4). Excelentes números. Porém, a produção poderia ter sido muito melhor do que foi.


Após seu bom trabalho como estreante em "Alto Astral" (2014), o autor apresentou um início promissor de seu segundo folhetim. Havia ali todos os ingredientes de uma deliciosa novela das sete. E o primeiro mês foi animador, onde a dupla formada por Fedora (Tatá Werneck) e Teodora (Grace Gianoukas) logo se destacou, assim como o trio impagável de amigas interesseiras formado por Rebeca (Malu Mader), Penélope (Carolina Ferraz) e Leonora (Ellen Roche). A composição de Mariana Ximenes como Tancinha também agradou e parecia uma ótima protagonista, tendo ainda a rivalidade com Fedora como um dos atrativos. Os erros observados em alguns núcleos paralelos deslocados e na história cansativa do mocinho Apolo (Malvino Salvador) pareciam pequenos diante dos acertos.

Entretanto, ao longo dos meses, Ortiz começou a dar claros sinais de falta de domínio de seu enredo. Os problemas começaram a crescer e até mesmo os pontos positivos começaram a ficar negativos. A falsa morte de Teodora foi um dos mais graves equívocos do autor, que preferiu seguir o roteiro original de "Sassaricando", ignorando a diferença do contexto atual. O resultado foi catastrófico para o núcleo Abdala, que era o melhor da novela. Com a saída da melhor personagem da família, todos os perfis ficaram sem função e perdidos na história.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mariana Ximenes compôs uma ótima Tancinha em "Haja Coração"

"Haja Coração" chega ao fim nesta terça (08/11), marcada por altos e baixos. Apesar do êxito nos números de audiência, a novela de Daniel Ortiz teve sérios problemas de condução e equívocos evidentes. Entre eles a falta de um enredo que fizesse jus ao protagonismo de Tancinha, personagem icônico de Cláudia Raia em "Sassaricando", que voltou ao ar 29 anos depois nas mãos de Mariana Ximenes. Mas, apesar da falta de história, o perfil foi defendido com brilhantismo pela intérprete, cujo desempenho arrancou merecidos elogios.


Na novela original de Silvio de Abreu, exibida em 1987, Tancinha era um perfil pequeno que foi crescendo até dominar a trama, ofuscando o enredo principal. Tudo graças ao talento de Cláudia Raia, que adotou um tom caricato da feirante que comia o plural, inseria o pronome 'me' em todas as frases e exagerava no sotaque paulistano. Visando esse sucesso, o autor optou em transformar a personagem em protagonista de "Haja Coração". Entretanto, se esqueceu de criar um enredo digno de perfil principal e que move a história. Inicialmente, até parecia que a trama dela renderia, pois a rivalidade com Fedora (Tatá Werneck) funcionou e a investigação sobre o desaparecimento do pai gerava interesse.

Mas ao longo dos meses nada se manteve. A rivalidade da feirante com a patricinha se diluiu quase por completo e a procura dela pelo pai acabou sem maiores explicações. A única função da personagem passou a ser a indecisão amorosa. Tancinha ficou 'divididinha' entre Beto (João Baldarreini) e Apolo (Malvino Salvador), protagonizando cansativas idas e vindas com ambos. Até mesmo o sonho da personagem (fazer balé) era fruto do desejo da mãe e não dela.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Marisa Orth pôde explorar uma faceta dramática pouco conhecida em "Haja Coração"

Todo ator foge do estigma. Nenhum intérprete gosta de ser conhecido apenas por um determinado tipo de papel. O sonho de um profissional das artes cênicas é justamente ter a possibilidade de exercer versatilidade, mostrando que é capaz de viver qualquer tipo. Nem todos conseguem. Alguns por falta de oportunidade e outros por falta de talento mesmo. Marisa Orth, por exemplo, ficou conhecida por muito tempo pelos seus papéis cômicos, especialmente a inesquecível Magda, de "Sai de Baixo". Mas, em "Haja Coração", pôde mostrar que também tem talento de sobra no drama.


A batalhadora Francesca se viu abandonada pelo marido ---- o sumiço de Guido (Wernner Schunemann) foi um dos 'mistérios' da novela, só sendo revelado no último mês ---- e criou os quatro filhos sozinha, trabalhando como feirante. Tem uma relação de cumplicidade com o filho Giovanni (Jayme Matarazzo), enquanto demonstra um grande afeto por Tancinha (Mariana Ximenes) e uma superproteção com Shirlei (Sabrina Petraglia). O seu relacionamento com Carmela (Chandelly Braz) é bastante problemático e ainda demorou muito para se abrir a um novo amor. Ou seja, é um perfil que não tem absolutamente nada de cômico.

Daniel Ortiz confiou no talento da atriz para o papel e valeu a pena. Inicialmente, a personagem seria interpretada por Christiane Torloni, com quem o autor trabalhou em "Alto Astral", mas a intérprete foi deslocada para "Velho Chico", havendo assim a troca. Sorte da Marisa, que pôde exercer uma faceta não muito conhecida do grande público.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Na pele da sofrida Shirlei, Sabrina Petraglia foi o maior destaque de "Haja Coração"

"Haja Coração" está quase no seu fim e a segunda novela de Daniel Ortiz teve mais erros que acertos. Entretanto, a trama apresentou alguns bons destaques e outros que fizeram um sucesso além do esperado. O caso de Shirlei, por exemplo, ultrapassou até o mais otimista: a personagem tinha uma participação relativamente pequena no início do enredo, mas foi crescendo à medida que Sabrina Petraglia ia mostrando o seu talento. Até chegar ao ponto de virar um dos trunfos do folhetim das sete, ganhando ares de protagonista.


A personagem foi a única que não fazia parte de "Sassaricando", produção de Silvio de Abreu que originou a atual versão, e sim de outra novela: "Torre de Babel", do mesmo autor, cuja reprise pode ser vista no Canal Viva. A menina extremamente sensível, com baixa autoestima e que tem uma deficiência na perna fez um imenso sucesso na obra original, destacando Karina Barum, que emocionou e cativou o público na época. Ironicamente, agora, não foi diferente. O perfil mais uma vez caiu nas graças do telespectador.

Para culminar, Shirlei ainda protagoniza um romance claramente inspirado nos contos de fadas, especialmente "Cinderela". Ela conheceu Felipe (Marcos Pitombo) quando o rapaz quase a atropelou e perdeu sua bota ortopédica, que ficou com ele até o aguardado reencontro. O 'príncipe' calçou a bota em sua amada e aí o amor se concretizou, iniciando uma saga que encantou o público.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ótima surpresa de "Haja Coração", Cristina Pereira fazia falta nas novelas

Ela estava afastada das novelas desde 2012 (quando atuou na fraca "Balacobaco", da Record) e seu último trabalho na Globo havia sido em 2005, em "A Lua me Disse", folhetim das sete escrito por Miguel Falabella. Sua última aparição na televisão foi em um episódio da série "Milagres de Jesus" (2014), da Record, fazendo parte do elenco de apoio. Agora, onze anos depois, Cristina Pereira retorna à emissora que a consagrou e se destaca merecidamente em "Haja Coração, na pele da arrogante Safira, tia de Fedora Abdala (Tatá Werneck).


A personagem chegou para movimentar o núcleo Abdala, que se perdeu completamente após a saída de Teodora (Grace Gianoukas). E a sua participação também é uma justa homenagem, pois Cristina interpretou a Fedora em "Sassaricando", imenso sucesso de Silvio de Abreu em 1987. A Safira, inclusive, reúne muitas semelhanças propositais com a filha de Aparício (na época Paulo Autran e hoje Alexandre Borges) no folhetim da década de 80. As vestimentas e acessórios todos vermelhos, a prepotência e sexualidade à flor da pele remetem imediatamente ao papel vivido pela atriz, que foi um de seus mais populares perfis da carreira.

A tia de Fedora chegou com o objetivo de decidir para quem irá transferir os seus 2% da empresa, alvo de cobiça da sobrinha e de Aparício. Porém, a situação fica em segundo plano diante dos momentos hilários protagonizados por ela, que tem a comicidade em seu DNA.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Melhor casal da trama, Shirlei e Felipe esbanjam química e se sobressaem em "Haja Coração"

"Haja Coração" teve um ótimo início, mas foi perdendo o rumo ao longo das semanas, lamentavelmente. Essa queda de qualidade, inclusive, pôde ser observada através do desenvolvimento de vários casais da história ---- muitos deles começaram promissores e tiveram o enredo estagnado. Já o par protagonista, composto por Tancinha (Mariana Ximenes) e Apolo (Malvino Salvador), cansa pela repetição desde o começo do folhetim. Porém, em contraponto a tudo o que foi mencionado, Daniel Ortiz criou um casal que caiu nas graças do público assim que surgiu e, desde então, vem tendo um bom desenvolvimento: Shirlei e Felipe.


Os personagens interpretados com competência por Sabrina Petraglia e Marcos Pitombo protagonizam um dos enredos mais clássicos dos contos de fadas: o da gata borralheira em busca do seu príncipe encantado. É uma situação que transborda clichê, mas sempre funciona quando bem construída. E foi o caso da novela. Aliás, embora seja um remake de "Sassaricando" (1987), Shirlei não pertencia ao folhetim das sete de Silvio de Abreu. Mas fazia parte de outra novela do autor, do horário das nove: "Torre de Babel" (1998). A menina ingênua que tinha um problema na perna foi vivida na época por Karina Barum, fazendo um grande sucesso ---- a música "Corazón Patío", de Alejandro Sanz (tema da personagem), estourou, inclusive.

Ao inserir Shirlei no contexto de "Haja Coração", o autor acabou se vendo obrigado a criar uma trama para ela e não simplesmente seguir com a obra original. E isso foi algo bem positivo, ainda mais levando em consideração os erros que Daniel Ortiz vem cometendo com vários perfis e enredos da sua história, muitas vezes tentando repetir situações de 1987 que não funcionaram agora ---- vide o sumiço de Teodora (Grace Gianoukas) e toda a trajetória de Aparício (Alexandre Borges), por exemplo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Após início promissor, "Haja Coração" apresenta sérios problemas de desenvolvimento

"Haja Coração" estreou no dia 31 de maio, ou seja, está no ar há pouco mais de dois meses (o capítulo 64 foi ao ar nesta sexta). A novela das sete da Globo teve um início muito agradável, se mostrando uma gostosa trama e perfeitamente propícia ao horário, onde a comédia ditava o rumo do enredo. O remake de "Sassaricando" parecia bastante promissor e com bons atrativos para prender o público. Entretanto, a produção começou a apresentar sérios problemas de desenvolvimento, expondo a limitação da história escrita (ou reescrita) por Daniel Ortiz.


A 'releitura', como o autor gosta de chamar, tinha com ponto alto o núcleo da família Abdala e isso ficou perceptível desde a estreia. Embora tenha colocado Tancinha (Mariana Ximenes) como protagonista da nova versão, o escritor se esqueceu de fortalecer sua trama, que era digna de uma coadjuvante em 1987. As deficiências em torno da personagem central não demoraram para aparecer, que logo começou a ser ofuscada pelos demais núcleos, principalmente o já mencionado, cuja comicidade se fazia presente através da impagável dupla formada por Fedora e Teodora Abdala, vividas pelas ótimas Tatá Werneck e Grace Gianoukas.

Enquanto Tancinha protagonizava cenas repetitivas de idas e vindas com Apolo (Malvino Salvador), as peruas viviam situações hilárias e ainda menosprezavam os demais habitantes da mansão, como Aparício (Alexandre Borges), Lucrécia (Cláudia Jimenez) e Gigi (Marcelo Médici).

terça-feira, 12 de julho de 2016

Grace Gianoukas não demorou para roubar a cena como Teodora em "Haja Coração"

"Haja Coração" estreou há pouco tempo e até então vinha se mostrando uma trama bem gostosa de se assistir, conseguindo, inclusive, um bom retorno da audiência. É uma pena que Daniel Ortiz tenha se perdido de algumas semanas para cá, deixando sua história cansativa e andando em círculos. Já há uma sensação de barriga, o que é preocupante, pois está no ar somente há pouco mais de um mês. Porém, deixando as questões de enredo um pouco de lado, o elenco, com algumas exceções, está ótimo. E, apesar de vários bons destaques até agora, tem uma atriz que não demorou para roubar a cena, brilhando desde a primeira aparição: Grace Gianoukas.


Na pele da arrogante e milionária Teodora Abdala, a atriz estava se destacando na trama das sete e protagonizando cenas hilárias, mesmo a personagem sendo uma quase vilã. Sua parceria com Tatá Werneck (que vive a filha Fedora) é perfeita e dificilmente essa dupla daria errado, pois são duas comediantes natas. Ela, cuja interpretação é bastante peculiar e teatral, ainda se destaca ao lado de Alexandre Borges, intérprete de Aparício (homem que só se casou com a empresária para dar o golpe do baú), além de ter outros ótimos companheiros de cena, como Cláudia Jimenez e Marcelo Médici ---- mais dois nomes especialistas em humor.

Grace é uma figura rara nas novelas e na própria televisão, pois sempre se dedicou mais ao teatro. Fez apenas pequenas participações em "Bang Bang" (2006), no remake de "Guerra dos Sexos" (2012) ---- ambas na Globo --- e, recentemente, em "Cúmplices de um Resgate" (2015), no SBT.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Tatá Werneck e Grace Gianoukas formam uma dupla perfeita em "Haja Coração"

"Haja Coração" tem se mostrado bastante agradável e Daniel Ortiz, até então, tem conduzido sua história de forma atrativa. E um dos acertos de seu novo folhetim das sete, dirigido por Fred Mayrink, foi a junção de duas grandes comediantes: Tatá Werneck e Grace Gianoukas. A dupla Fedora e Teodora está se destacando merecidamente e não tinha mesmo como dar errado colocar atrizes que têm o dom de fazer rir como mãe e filha na ficção.


Fedora e Teodora fazem parte do melhor núcleo da trama, o da família Abdala, que está ligado praticamente a todos os demais personagens da história, direta ou indiretamente. E as duas são excelentes personagens, proporcionando sempre bons momentos para as atrizes, que juntas são imbatíveis. A poderosa milionária mima a sua filha de inúmeras maneiras, fazendo todas as suas vontades. E claro que essa atitude acaba transformando a filha em uma miniatura de perua, sendo praticamente uma cópia da mãe.

Para culminar, as duas ainda têm semelhanças em relação aos 'amores'. Aparício (Alexandre Borges) se casou com Teodora por interesse e ela sabe disso, motivando as constantes humilhações diárias que faz o marido passar. Já Fedora acabou seguindo o caminho da mãe sem saber. Afinal, o 171 Leozinho (Gabriel Godoy ótimo) só se casou com a patricinha para dar o golpe do baú, obedecendo ordens de Gigi (Marcelo Médici), justamente o tio da menina.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

"Haja Coração" faz boa estreia e tem tudo para agradar

Estreou, excepcionalmente em uma terça-feira (31/05) ---- em virtude do esticamento do final de "Totalmente Demais" para o fenômeno das sete não cair em uma emenda de feriado ----, "Haja Coração". A nova novela das sete é escrita por Daniel Ortiz (responsável pela agradável "Alto Astral", exibida entre 2014 e 2015) e recebe uma excelente audiência da produção que a antecedeu. Portanto, o objetivo do autor é ao menos conseguir segurar os bons índices da trama de Rosane Svartman e Paulo Halm e, claro, contar uma história atrativa.


A nova novela, ambientada em São Paulo, é uma releitura de "Sassaricando", sucesso de Silvio de Abreu que também era exibido no horário das sete, entre 1987 e 1988. Mas não é um remake porque apresenta novos conflitos e outros personagens. A personagem que era uma coadjuvante na obra original, agora, é a protagonista, interpretada por Mariana Ximenes. A inesquecível Tancinha era vivida por Cláudia Raia e foi um de seus papeis mais marcantes. Se o caricato perfil repetirá o sucesso não há como saber, entretanto, será defendido por uma talentosa atriz que já se destacou no primeiro capítulo.

Aliás, a estreia foi focada nas duas personagens que serão mesmo grandes destaques da história: Tancinha e Fedora Abdala. Mariana Ximenes está exuberante no papel e imprimiu um tom um pouco menos exagerado que o de sua colega anos atrás. Não é um perfil de fácil interpretação e muitas comparações serão feitas, mas a intérprete já mostrou seu talento e tem tudo para honrar o protagonismo do enredo com louvor.

terça-feira, 17 de maio de 2016

"Haja Coração": o que esperar da próxima novela das sete?

A missão da próxima produção do horário das sete é complicadíssima: manter a boa audiência de "Totalmente Demais" e prender o público que ficará de luto com o fim de um dos maiores fenômenos da faixa. Alcançar os mesmos números impressionantes da trama de Rosane Svartman e Paulo Halm será quase impossível, porém, há chances de ao menos manter um bom resultado. Substituir um imenso sucesso é tão difícil quanto entrar no lugar de um imenso fracasso. Mas, deixando todas essas questões de números de lado, Daniel Ortiz tem tudo para contar uma boa história com a sua "Haja Coração" ---- cujo clipe pode ser visto aqui.


A nova novela é uma espécie de releitura de "Sassaricando", uma das tramas de sucesso de Silvio de Abreu, exibida entre 1987 e 1988 no mesmo horário das sete. Porém, segundo o próprio autor, o folhetim não é considerado um remake, tanto que o título foi mudado. Embora siga a premissa da obra original, a história terá vários novos personagens e situações distintas. Haverá até perfis de outras novelas, como a Shirley, inesquecível personagem manca de "Torre de Babel" (também de Silvio de Abreu), vivida por Karina Barum na época (1997). Agora a menina será interpretada por Sabrina Petraglia.

Só que, embora a classificação de remake seja rejeitada, o grande chamariz da nova produção é a Tancinha, um dos tipos mais icônicos da carreira de Cláudia Raia. Até hoje a personagem ingênua, burra, e com um sotaque paulista carregadíssimo, é lembrada pelo público e virou um dos clássicos da teledramaturgia. A cena marcante da mulher xucra na feira anunciando 'seus melão' é inesquecível. Agora, o perfil está nas mãos da linda e talentosa Mariana Ximenes.