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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A grandiosidade do legado de Manoel Carlos

 Manoel Carlos foi um dos mais importantes autores da televisão brasileira, reconhecido por sua escrita sensível, realista e profundamente humana. Ao longo de sua carreira, construiu uma obra marcada pela observação cuidadosa das relações familiares, dos conflitos amorosos e dos dilemas morais do cotidiano, tendo o Leblon, um dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro, como pano de fundo. Suas novelas não apenas alcançaram grande sucesso de público, como também deixaram marcas duradouras na memória afetiva dos brasileiros e na própria sociedade.


O autor começou a carreira escrevendo "Helena", em 1951, adaptação do romance homônimo de Machado de Assis. O nome viraria a sua maior identidade na teledramaturgia. Depois, Maneco escreveu "Maria, Maria" e "A Sucessora" em 1978, dois folhetins elogiados e densos. Foi coautor de "Água Viva", graças ao convite de Gilberto Braga, que não se sentia bem escrevendo a trama sozinho. Já um de seus primeiros grandes sucessos foi "Baila Comigo", exibida em 1981. A novela abordava temas como ambição, ética, relações familiares e disputas emocionais, tendo como eixo central conflitos entre pais e filhos. A trama se destacou pela construção psicológica dos personagens e pelo retrato sofisticado das relações humanas, características que se tornariam marcas registradas do autor. A trama apresentou a sua primeira Helena, vivida por Lilian Lemmertz. 

Em 1983, enfrentou seu primeiro grande trauma dramatúrgico: a morte de Jardel Filho, protagonista de sua novela, "Sol de Verão", perto do capítulo 120. O autor era amigo íntimo do ator e não conseguiu terminar de escrever a novela e deixou a Globo. Escreveu algumas novelas e minisséries na Manchete e retornou à Globo em 1991, onde escreveu "Felicidade", uma novela que se destacou pela delicadeza com que tratou o amor, a maternidade e os laços familiares.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Por que a Globo não elimina de vez os casais gays em suas novelas?

 A pergunta no título desta crítica parece um ato claro de homofobia. Mas na realidade é um questionamento cada vez mais pertinente diante da hipocrisia que a atual cúpula da Globo que comanda o setor de teledramaturgia, chefiada por Amauri Soares e José Luiz Villamarim, vem abordando os relacionamentos homoafetivos na ficção. 


Junho foi o mês da visibilidade LGBTQIAP+ e a emissora é a única das redes brasileiras que pode ser classificada como progressista, ainda que não em sua totalidade. Mas o conservadorismo tomou conta do canal desde que houve uma mudança no comando do setor de entretenimento, ainda que de uma forma não tão explícita. E tudo foi sendo feito de forma camuflada, mas acabou escancarado em "Vai na Fé" (2022), novela das sete de sucesso de Rosane Svartman, por conta das várias censuras aos beijos gravados pelos dois casais gays da trama e que eram sempre cortados na hora da exibição. 

É importante lembrar que a temática nunca foi tratada com liberdade na Globo, tanto que os romances homoafetivos nas novelas eram sempre abordados de uma forma discreta e sem beijos. Os autores nem podiam escrever cenas do tipo. Mas o primeiro veto público a um beijo ocorreu no último capítulo da novela "América", de Glória Perez, em 2005.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Lilia Cabral: talento em dose quíntupla

 O público ama ver uma grande atriz atuando. É sempre um privilégio. Mas prestigiar cinco trabalhos diferentes de uma mesma intérprete quase que simultaneamente é algo muito raro. Só que aconteceu com Lilia Cabral, que vem brilhando na atual novela das seis da Globo, protagonizou recentemente um filme exibido na mesma emissora e esteve em três reprises, duas na líder e uma no Canal Viva. 


O melhor é que são cinco personagens totalmente distintas, o que só comprova mais uma vez a versatilidade da veterana, que sempre sobressai em qualquer cena. Em "A Lista", a atriz viveu Laurita, uma professora aposentada, moradora de Copacabana, que se viu obrigada a estabelecer uma relação com uma vizinha décadas mais nova, a cantora lírica Amanda, personagem de Giulia Bertolli, sua filha na vida real. O longa, baseado na peça homônima de sucesso, foi exibido em fevereiro na Globo em um horário ingrato, mas quem assistiu não se arrependeu. Foram muitos momentos involuntariamente cômicos e outros dramáticos interpretados com talento. Uma mulher comum e cheia de dores, algo tão recorrente na vida de tantas pessoas. 

No Canal Viva, o telespectador pôde rever a última parceria de Lilia com Manoel Carlos, autor que lhe presenteou com várias antagonistas memoráveis. Em "Viver a Vida", exibida originalmente em 2009, a atriz interpretou Tereza, uma mulher rica, refinada e arrogante, que vivia em conflito com as três filhas e enfrentou um drama pesado diante da tetraplegia de Luciana (Alinne Moraes), justamente a herdeira que mais amava.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Preteridos pela Globo, veteranos são aclamados no teatro

 Não há mais como contestar: a teledramaturgia nacional mergulhou no etarismo. Com o perdão da grosseria, praticamente não existe mais velho em novela. Os elencos agora são majoritariamente compostos por atores jovens e as figuras dos avôs e avós desapareceram quase por completo. Em cada produção, dá para contabilizar apenas um, ou no máximo dois atores com 70 anos ou um pouco mais. Isso porque intérpretes acima dos 80 em folhetins atuais virou quase utopia. 


Etarismo, de acordo com a Academia Brasileira de Letras, se refere ao preconceito contra pessoas com idade avançada. Também chamado de idadismo ou ageísmo. A expectativa de vida do brasileiro vem aumentando a cada ano e atualmente está em 77 anos, mas a teledramaturgia nacional parece retroceder. O curioso é que a questão virou uma espécie de assunto proibido, uma vez que as diretorias das emissoras, principalmente as da Globo, maior produtora de novelas do país e do mundo, não comentam ou repercutem a evidente mudança no processo de escalação. Os autores também não se pronunciam publicamente, o que parece uma mordaça imposta pelos empregadores. 

As novelas e séries gravadas na época do controle sanitário eliminaram por completo a presença de idosos em cena e havia todos os motivos para tal, já que eram o grupo de risco da covid-19.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

A crise na teledramaturgia da Globo é uma realidade

 A crise da teledramaturgia nunca esteve tão evidente. Não por conta do esgotamento do gênero, como muitos insistem em afirmar, mas, sim, pela gestão acomodada e equivocada das empresas. Record e SBT nem merecem entrar no debate porque deixaram de ser competitivas há anos e se apequenaram com as novelas infantis e bíblicas, respectivamente, que não fazem mais sucesso e servem apenas para pagar contas. A Globo ao menos se diferenciava por ser a maior produtora de folhetins no Brasil e no mundo. Mas está a cada dia mais claro o quanto a líder vem se afundando em decisões que beiram o amadorismo. 


É importante ressaltar: a Globo teve o maior lucro em 8 anos e a receita líquida do primeiro trimestre atingiu R$ 3,7 bilhões, alta de 12% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia fechou o trimestre positivo em R$ 812 milhões. Portanto, a empresa vai muito bem, obrigado. Só que a forma como a cúpula do canal vem tratando o setor de teledramaturgia, que sempre foi um dos maiores trunfos da emissora, transparece um descaso inexplicável e que é observado pelo público que acompanha suas produções há muitos anos. 

O corte de custos é sentido na contratação dos elencos diante da não renovação de contrato de diversos nomes de peso, que acabam recusando posteriormente o chamado trabalho 'por obra'. Cadê os veteranos? Não há mais nomes acima dos 70 anos em praticamente produção nenhuma. Uma mistura de etarismo com 'pão-durismo'. E a redução das despesas também é visível na falta de qualidade de muitas cenas. Algo que era impensável na Globo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Etarismo na teledramaturgia nacional está a cada dia mais escancarado e vergonhoso

 O que é etarismo? De acordo com a Academia Brasileira de Letras, o termo se refere ao preconceito contra pessoas com idade avançada. Também chamado de idadismo ou ageísmo. "Você não tem mais idade para isso" é a frase mais comum que exemplifica bem o termo. Porém, no meio artístico a discriminação não é evidenciada por afirmações do tipo e, sim, pela falta de trabalho para atores mais experientes. Verdade seja dita, é um problema que sempre existiu, mas depois da pandemia ficou ainda pior. 


As novelas e séries gravadas na época do controle sanitário eliminaram por completo a presença de idosos em cena e havia todos os motivos para tal, já que eram o grupo de risco da covid-19. No entanto, as vacinas chegaram, a pandemia foi ficando para trás e a normalidade finalmente voltou no mundo. Nada de máscaras, retorno das aglomerações, enfim, tudo como era antes. Mas o setor audiovisual parece esquecer disso. Pelo menos no quesito escalação de veteranos. Virou algo cada vez mais raro, principalmente nas novelas. Com o perdão do termo explícito e até grosseiro, mas praticamente não há mais velho em folhetim algum. 

Na semana passada, saiu uma notícia em vários sites que Roberto Bomtempo foi escalado para viver o avô da protagonista vivida por Grazi Massafera no remake de "Dona Beja", produzido pela HBO Max. A questão é que o ótimo ator tem 60 anos e a atriz está com 40. É uma escalação absurda e não se trata do talento dos envolvidos, é importante ressaltar.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

O que Amauri Soares pretende fazer com a teledramaturgia da Globo?

 No final de junho, Amauri Soares assumiu o lugar de Ricardo Waddington como diretor dos Estúdios Globo. A emissora vem passando por várias reestruturações desde o início de 2023. A notícia foi dada em um comunicado por Paulo Marinho, diretor-presidente da TV Globo. Desde então, várias mudanças vem sendo observadas no setor de teledramaturgia da empresa, onde muitas delas indicam um verdadeiro retrocesso em se tratando do viés progressista do canal. 


Amauri iniciou seu trabalho na Globo em 1987, onde trilhou seu caminho profissional em diversos departamentos de jornalismo. Já atuou como chefe de redação do "Fantástico", editor-executivo do "Jornal da Globo", editor-chefe do "Jornal Nacional", diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo, diretor-executivo da Globo Internacional em Nova York, liderou a diretoria de eventos da Globo e foi diretor da programação por sete anos. Ou seja, é um homem bastante poderoso na empresa e de grande confiança da família Marinho. 

Desde que assumiu o novo posto, várias notícias a respeito de suas ordens foram divulgadas na imprensa e praticamente todas, coincidentemente ou não, acabaram comprovadas pelo público que acompanha as novelas da emissora. Foi noticiado que partiu dele a ordem para vetar os beijos entre mulheres em "Vai na Fé" para 'não afugentar o público evangélico' que a história de Rosane Svartman tinha conquistado.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Globo tem um histórico de desrespeito com Lícia Manzo

 Nesta quarta-feira, dia 30, saiu a notícia na coluna de Anna Luiza Santiago sobre o cancelamento de "O País de Alice", nova novela das seis que estrearia em março de 2024, escrita por Lícia Manzo e dirigida por Natalia Grimberg. Seria a centésima trama das 18h da Globo. A produção já tinha sido aprovada e estava em processo de escalação de elenco. Agora a empresa chamou Mário Teixeira, que escreveu "Mar do Sertão" ano passado, para substituí-la. Um desrespeito com a autora, diretora e toda equipe. Porém, há um histórico de atitudes controversas da cúpula do canal com a escritora. 


A justificativa para o fim de "O País de Alice" era a sinopse elitista e de pouco apelo popular. A protagonista Alice, uma premiada violinista criada na Europa pela mãe brasileira, voltaria ao Brasil em busca de suas origens. No país, conheceria João, estudante de música a quem se juntaria para formar uma orquestra. A mocinha também despertaria o interesse de um jovem e rico empresário que investiria no projeto. A ideia era escalar atores negros para o time central e apostar em novos talentos. A história era elitista? Depende do ponto de vista. O grande público não pode gostar de música clássica? E se havia tamanha resistência da cúpula da Globo, por qual motivo aprovaram o enredo e só depois cancelaram, com todo o projeto em pleno andamento? Parece um boicote. 

Infelizmente, a lamentável situação foi apenas mais uma sofrida por Lícia Manzo na emissora. Vale lembrar que a autora escrevia, em 2017, "Jogo da Memória", um folhetim de 90 capítulos para a extinta faixa das 23h, reservada para as chamadas novelas das onze, iniciada com o remake de "O Astro", em 2011, e encerrada com "Onde Nascem os Fortes", em 2018. Em 2023, a Globo retoma a faixa com a reprise de "Todas as Flores", mas é uma mera exceção. As novelas extras serão sempre destinadas ao Globoplay.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

"Além da Ilusão", "Quanto Mais Vida, Melhor!" e "Pantanal" formam uma trinca de qualidade na grade da Globo

 A Globo está com uma boa trinca de novelas inéditas no ar. É raro quando acontece algo do tipo, ainda mais no atual momento, onde a pandemia ainda não acabou e o setor da teledramaturgia inicia de fato sua retomada com gravações já em processo praticamente normal, sem maiores dificuldades. "Além da Ilusão" e "Pantanal" são estreias recentes, enquanto "Quanto Mais Vida, Melhor!" se encaminha para sua reta final. 


Ironicamente, as três novelas são de autores 'novatos'. Ainda que o termo 'novato' não seja o mais apropriado. Afinal, o trio já tem uma longa experiência em equipes de colaboradores. Alessandra Poggi, autora de "Além da Ilusão", estreia sua primeira produção como titular, após a parceria com Ângela Chaves em "Os Dias Eram Assim", trama das 23h, exibida em 2017. Mauro Wilson, autor de "Quanto Mais Vida, Melhor!", escreveu séries como "Os Amadores", "A Fórmula" e "Ilha de Ferro", mas agora encara sua primeira missão como escritor principal em um folhetim. 

Já Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, escreveu a problemática "Velho Chico", em 2016, com o avô e a mãe, Edmara Barbosa. Ganhou da Globo o desafio de adaptar "Pantanal" 32 anos depois da exibição da versão original em 1990 na Rede Manchete. Aceitou a missão e até agora vem honrando a confiança depositada.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Françoise Forton era sinônimo de elegância e talento

 O Brasil perdeu Françoise Forton neste domingo, dia 16, após quatro meses de internação para o tratamento contra um câncer que começou na região da bacia e chegou aos pulmões. A grande atriz tinha 64 anos e partiu precocemente. Nascida no dia 8 de julho de 1957, era filha de pai francês e mãe brasileira. 

A intérprete enfrentava um câncer pela segunda vez. A primeira foi em 1989, época em que brilhava como Helena Trindade, em "Tieta". Françoise contou em algumas entrevistas que se dividia entre o consultório médico e o estúdio da televisão. Foi o trabalho que lhe deu força para encarar a doença. Seu amor pelo ofício era visível em cada participação na TV (foram mais de 40 produções, entre novelas e séries) ou em peças teatrais. 

Sua estreia foi ainda adolescente, em 1969, na novela "A Última Valsa", como Luna, exibida na Globo. Desde então, não parou mais e um de seus tipos mais marcantes foi a Tetê, de "Estúpido Cupido", em 1976, que retratava a sociedade brasileira na época.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

As 70 novelas mais marcantes da televisão brasileira

 A televisão nacional completou 70 anos no dia 18 de setembro de 2020 e foram várias comemorações através de ótimas matérias em sites, jornais, revistas, enfim. Até um delicioso "Globo Repórter" de edição dupla foi apresentado pela Globo. Mas é inegável que a popularização do aparelho de TV no Brasil se deu por conta das novelas. A nossa teledramaturgia virou referência mundial e faz sucesso em todos os países. Agora, em 2021, as novelas comemoraram 70 anos de existência no dia 21 de dezembro. Então, nada mais justo do que listar os 70 folhetins mais marcantes ao longo de tantos anos de histórias que envolveram e prenderam o público. 



1- "Sua Vida me Pertence" (Tupi/1951):
A primeira telenovela brasileira. Produzida pela extinta TV Tupi em 1951. Escrita e dirigida por Walter Forster, que também protagonizou a novela ao lado de Vida Alves. Lia de Aguiar interpretava a antagonista e o casal principal foi o primeiro a beijar na televisão. O toque de lábios provocou um alvoroço na época e grande parte do público ficou escandalizado, afinal, era a primeira vez que viam algo tão íntimo ser exposto. Vida, falecida em 2017, entrou para a história da teledramaturgia e sempre dava entrevistas contando sobre esse tão conhecido pioneirismo na TV. 


2- "2-599 Ocupado" (Excelsior/1963):
Até 1963, as novelas não eram exibidas diariamente. Tudo mudou quando a TV Excelsior lançou a trama protagonizada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. A trama era uma adaptação de Dulce Santucci do enredo de um autor argentino. Glória era uma telefonista de um presídio e o personagem de Tarcísio se apaixonava por sua voz em um único contato telefônico. 

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

"70 anos esta Noite" fez uma divertida e emocionante viagem pela história da teledramaturgia nacional

A Globo exibiu o especial "70 anos esta Noite" nesta terça-feira para homenagear os 70 anos de teledramaturgia no Brasil, comemorados dia 21 de dezembro. Ano passado, vale lembrar, a emissora também produziu um especial para homenagear os 50 anos da televisão no país. O programa contou com a presença de várias estrelas do canal que protagonizaram momentos emblemáticos ao longo destes anos. Claro que muita coisa ficou de fora, mas é até difícil qualquer tipo de cobrança em cima de uma atração que tentou resumir 70 anos em uma hora de duração. 


Boas histórias devem ser celebradas e contadas. E há 70 anos é isso que a novela faz. Verdadeira paixão nacional, as novelas se transformaram em patrimônio cultural e um dos principais produtos de entretenimento do Brasil. Elas divertem, emocionam e fazem um convite à reflexão sobre as transformações sociais e culturais do país. A estreia de "Sua Vida Me Pertence", na TV Tupi, em 1951, abriu os caminhos para os folhetins brasileiros. Em 1965, era a vez de a TV Globo colocar no ar sua primeira obra e, desde então, mais de 300 novelas já foram produzidas – muitas com lugar garantido na história da teledramaturgia brasileira. 

A Globo ajudou a popularizar o gênero no país e pelo mundo: ao longo desse tempo as novelas romperam as fronteiras e conquistaram mais de 150 países, traduzidas em 70 idiomas, levando a excelência da produção nacional para o mundo. São inúmeros prêmios, inclusive oito Emmys Internacionais, algo que nenhuma outra emissora possui.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Gilberto Braga era o mestre das vilãs

 Em um ano de grandes perdas, mais uma partida provoca um baque no público: Gilberto Braga. O grande autor faleceu na noite desta terça-feira, aos 75 anos. O carioca estava internado no Copa Star, no Rio de Janeiro, e passou a enfrentar, nos últimos dias, uma infecção sistêmica a partir de uma perfuração no esôfago. Acabou não resistindo. Ele faria aniversário no dia 1º de novembro e era casado com o decorador Edgar Moura Brasil. 


Gilberto foi o primeiro autor brasileiro formado exclusivamente para a televisão. Nunca escreveu nada para o teatro e nunca trabalhou em outra emissora além da Globo. Cursou a faculdade de Letras da PUC- Rio, depois foi professor de francês na Aliança Francesa e em seguida ingressou no jornal O Globo como crítico de teatro e cinema. Estreou como autor televisivo em 1973, quando assinou dois casos especiais: "As Praias Desertas" e "Feliz na Ilusão". Em 1974, assinou em parceria com Janete Clair e Lauro César Muniz a novela "Corrida do Ouro". Acabou não aguentando o ritmo da televisão e pediu afastamento. Mas seu amor pela escrita o fez voltar rapidamente e voltou a trabalhar com Laura colaborando em "Escalada", de 1975. 

Durante a década de 70, foi o responsável por elogiadas adaptações literárias, como "Helena", de Machado de Assis, "Senhora", de José de Alencar", e a novela que firmaria o início de sua carreira vitoriosa: "Escrava Isaura" (1976), baseada no romance homônimo de Bernardo Guimarães, que virou uma das produções mais vendidas para o exterior.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Globo erra feio ao não renovar o contrato de Elizabeth Jhin

 A jornalista Patrícia Kogut noticiou na sexta-feira passada, dia 4, que a Globo não renovou o contrato com Elizabeth Jhin, após 30 anos de parceria. O esquema do fim de contratos longos já é uma realidade na emissora há alguns anos. Poucos têm o privilégio no momento e nem o time de autores escapou. Todavia, o canal comete um erro grave ao dispensar uma autora tão talentosa e que já encantou o público com tantas novelas lindas. 

A escritora trabalhou como colaboradora de vários autores por 13 anos, entre eles Manoel Carlos e Antônio Calmon ---- "Felicidade" (1991); "História de Amor" (1995); "Era uma vez..." (1998); "Andando nas Nuvens" (1999) e "O Beijo do Vampiro" (2002) foram alguns folhetins que contaram com seu trabalho. Foi 'lançada' como co-autora em "Começar de Novo", de 2004, ao lado de Antônio Calmon. A trama foi um fracasso (e merecido), mas a Globo apostou no talento de Jhin e a colocou como autora titular em 2007.

 O primeiro trabalho autoral de Elizabeth foi a ousada "Eterna Magia", dirigida por Carlos Manga e supervisionada por Silvio de Abreu. A produção das 18h tinha como temática a bruxaria e o mundo da magia. O público rejeitou inicialmente a história, mas com algumas adaptações feitas ao longo do percurso a audiência melhorou e o enredo entrou nos trilhos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Globoplay acerta ao finalmente ouvir parte das reclamações de seus assinantes

 Há cerca de um mês, houve uma intensa reclamação de um grupo de noveleiros no Twitter a respeito da qualidade de imagem de várias novelas da Globoplay. Na verdade, é uma reclamação antiga dos assinantes. Mas a repercussão aumentou na rede social depois que o administrador do perfil do serviço de streaming da Globo na rede social cedeu aos caprichos do 'fandom' de "As Five", que exigiu uma mudança no horário da estreia da série, derivada de "Malhação - Viva a Diferença", mesmo podendo assistir a hora que quiser. 


Vários assinantes que prestigiam as outras produções do catálogo aproveitaram a situação para expor a preferência pelas exigências do público de "As Five". Em uma atitude inteligente, a equipe de mídias sociais pouco tempo depois postou no Twitter que atenderia aos pedidos dos noveleiros e tentaria resolver as reclamações sobre a falta de qualidade da imagem de muitos folhetins da plataforma. Até um anúncio das novelas que seriam 'melhoradas' foi feito, incluindo as datas de cada uma. 

Um dos principais alvos de críticas era "A Vida da Gente" (2011). A primorosa trama de Lícia Manzo, protagonizada por Marjorie Estiano e Fernanda Vasconcellos, é a terceira novela mais vendida da Globo para o exterior e até hoje é lembrada com carinho pelos fãs.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Amado pelo público e odiado pela crítica, Walcyr Carrasco é um sucesso

Ele é praticamente uma fábrica de fazer novelas e um conquistador de sucessos. Mas nunca foi uma unanimidade. É amado e odiado na mesma proporção. É o escritor de maior produtividade da Globo e ainda consegue dividir sua rotina com textos para peças teatrais e lançamentos de livros. Fracassou apenas duas vezes em sua carreira televisiva, algo incomum quando comparado com a trajetória de seus colegas. A crítica nunca viu seus trabalhos com bons olhos. A antipatia é evidente e chegou até a ser confirmada pelo jornalista Flávio Ricco, recentemente em um podcast do Uol. Seu nome? Walcyr Carrasco, claro. O autor, incontestavelmente, é o mais versátil da emissora.


Walcyr já escreveu para todas as faixas da líder e conseguiu emplacar sucessos em todos os horários. Tanto que é um dos escritores mais requisitados da Globo. A emissora sempre encomenda várias novelas a ele, ao contrário do que costuma ocorrer com seus colegas, que têm um período de férias um pouco mais longo quando terminam seus folhetins. No caso do escritor é praticamente uma novela a cada dois anos (vale citar que de 2011 a 2013 foram três em três anos), um intervalo bem curto de uma produção para a outra, ainda mais em se tratando de teledramaturgia que fica no mínimo quatro meses no ar.

"A Dona do Pedaço" é o oitavo sucesso seguido do autor. Uma marca de respeito. A história da boleira Maria da Paz (Juliana Paes) caiu no gosto popular e reergueu o horário nobre, após o fiasco de "O Sétimo Guardião". Elevou a média geral em sete pontos. A produção, dirigida por Amora Mautner, vem alcançando elevados índices de audiência e está na boca do povo.

terça-feira, 25 de junho de 2019

O que "Órfãos da Terra" e "Verão 90" têm em comum?

A novela das seis e a trama das sete da Globo são completamente diferentes. Uma tem o drama como foco central e a outra é marcada pelo pastelão em esquetes soltas. A coincidência fica apenas a respeito da autoria: ambas são escritas por duas mulheres. Então como é possível elaborar um texto sobre a similaridade das duas produções? Infelizmente, os dois folhetins se parecem no equívoco da condução de suas histórias, ou falta delas.


O roteiro de Duca Rachid e Thelma Guedes começou arrebatador. A trama em torno dos refugiados e os conflitos do casal Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia) despertaram interesse, além da narrativa ágil e da riqueza de possibilidades em cima a vilania de Aziz Abdallah (Herson Capri) e sua filha Dalila (Alice Wegmann). Parecia um novelão, ainda com uma direção primorosa de Gustavo Ferdández. E foi assim em toda a primeira fase.

Todavia, as autoras queimaram a largada. Apressaram demais a condução do enredo e não tinham cartas na manga para manter o telespectador entusiasmado depois das viradas iniciais. O assassinato do grande vilão foi o maior erro da dupla. Primeiro, porque o mistério a respeito do famigerado "quem matou?" foi deixado de lado e o crime ficou gratuito.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"Deus Salve o Rei" e "O Tempo Não Para" viveram situações opostas

"O Tempo Não Para" está em seu último mês e não há muito mais história a ser contada. A trama vem andando em círculos e o tempo parou, com o perdão do trocadilho. Vale destacar, todavia, o início empolgante da história de Mário Teixeira, que arrebatou o público com a ousadia do enredo em torno de uma família de 1886 descongelada em 2018. Os índices de audiência também estavam nas alturas. Mas, ao longo dos meses, o contexto foi minguando, assim como os números do Ibope. O irônico é que a produção anterior enfrentou uma situação totalmente diferente.


"Deus Salve o Rei" teve um início modorrento e nada atrativo, em virtude da falta de rumo da história de Daniel Adjafre. Nem mesmo o evidente capricho da produção da novela, com cenários belíssimos e figurinos luxuosos, conseguiu prender a atenção do público. Afinal, o enredo em torno dos reinos de Montemor e Artena se mostrava raso demais. O romance de Afonso (Rômulo Estrela) e Amália (Marina Ruy Barbosa) não tinha quase empecilhos porque o herdeiro do trono largou tudo com bastante facilidade para ficar ao lado do seu amor. E a então grande vilã, a rainha Catarina (Bruna Marquezine), mais tramava do que agia.

O telespectador podia se dar ao luxo de não assistir a vários capítulos que não perdia nada de relevante. A audiência teve um início morno, em torno dos 23/24 pontos, e assim seguiu nos primeiros meses. Como a Globo investiu muito na novela, inclusive na divulgação nas redes sociais, uma medida foi tomada: Silvio de Abreu, atual responsável pelo setor de teledramaturgia da emissora, chamou o autor Ricardo Linhares para ajudar Daniel na condução do folhetim.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Repletas de qualidades, "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" honram suas respectivas faixas

A Globo vem enfrentando uma boa maré no quesito audiência com suas três novelas inéditas. O maior problema tem sido a reprise da ótima "Belíssima", com números bem abaixo do esperado, além de "Malhação - Vidas Brasileiras", que vem se mostrando um completo equívoco, fazendo por merecer os baixos índices. Porém, no quesito qualidade somada ao bom resultado com o público, "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" são imbatíveis. Enquanto "Segundo Sol" vem em uma decrescente visível, falhando em vários aspectos de enredo e condução de personagens, as tramas das seis e das sete honram suas respectivas faixas.


A novela de Marcos Berstein, dirigida por Fred Mayrink, estreou em março e está a menos um mês de seu fim. A obra baseada em vários sucessos da escritora inglesa Jane Austen se mostrou um encanto logo no primeiro capítulo e impressiona como desde então nunca se perdeu. O autor vem conduzindo seu enredo com extrema precisão, movimentando os núcleos e promovendo ótimos conflitos ao longo dos meses. A produção não teve barriga (período onde nada de relevante ocorre) e consegue melhorar a cada novo acontecimento, emocionando e divertindo quem assiste.

Não há enrolação e os conflitos se resolvem rapidamente, sendo logo substituídos por novos dramas. Isso tudo sem perder a leveza e o romantismo. A grande quantidade de bons casais é um dos maiores trunfos do folhetim, assim como a presença de vilãs que provocam atrativas viradas no roteiro ---- vide as trapalhadas de Susana (Alessandra Negrini), a dissimulação de Josephine (Christine Fernandes) e a crueldade de Lady Margareth (Natália do Vale).

sexta-feira, 30 de março de 2018

O que está acontecendo com as trilhas de novelas?

A trilha sonora sempre foi uma parte fundamental da telenovela. Além dos personagens, casais, conflitos, mocinhos e vilões, é preciso ter também músicas complementando as cenas e integrando o conjunto do folhetim. Tanto que, ao longo de mais de cinquenta anos de novelas, foram várias canções que marcaram, virando referência de determinada trama, personagem ou casal. E o sucesso era tamanho que vários LPs (Long Play ou Disco de Vinil), e posteriormente CDs, eram vendidos aos milhares.


Exemplos, então, não faltam. Como ouvir "Dona", do Roupa Nova, e não lembrar imediatamente da icônica Viúva Porcina (Regina Duarte) em "Roque Santeiro" (1985)? Ou então ouvir "Love By Grace" (cantada por Lara Fabian) e não pensar na marcante cena da Camila (Carolina Dieckmann) raspando os cabelos em "Laços de Família" (2000)? A própria trama de Manoel Carlos, por sinal, virou uma das principais referências em trilha sonora. Vide "Balada do Amor Inabalável" (Skank) como tema das passagens pelo Leblon e "Man I Feel Like a Woman!" (Shania Twain) como tema dos passeios de lancha de Cintia (Helena Ranaldi), entre outros.

Já "Palpite", cantada por Vanessa Rangel, lembra imediatamente o casal Milena (Carolina Ferraz) e Nando (Eduardo Moscovis) em "Por Amor" (1997). "Wishing on a Star" (Cover Girls) virou uma lembrança triste da morte de Daniela Perez em "De Corpo de Alma" (1992). "Velha Infância" remete ao romance açucarado de Edwiges (Carolina Dieckmann) e Cláudio (Erick Marmo) em "Mulheres Apaixonadas" (2003), enquanto "Corazón Partido" (Alejandro Sanz) marcou a sofrida Shirley (Karina Barum) em "Torre de Babel" (1998).