Mostrando postagens com marcador Mário Teixeira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mário Teixeira. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

"No Rancho Fundo" repetiu todos os erros de "Mar do Sertão"

 A novela das seis de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman, chegou ao fim nesta sexta-feira (01/11). "No Rancho Fundo" marcou o início de um novo planejamento da atual gestão de teledramaturgia da Globo, comandada por Amauri Soares, que planeja apostar em um novo segmento, além dos tradicionais remakes: o das continuações de novelas. Tanto que ano que vem será a vez da continuação de "Êta Mundo Bom!". Porém, pode ser uma ideia não muito promissora diante do resultado atual. O autor da trama que fechou seu ciclo hoje repetiu todos os erros de "Mar do Sertão". 

É verdade que "No Rancho Fundo" foi um sucesso de audiência e conseguiu reerguer os números da faixa das seis, após o imenso fiasco do remake de "Elas por Elas". Mas é importante ressaltar que uma parte do êxito se deve ao fenômeno "Alma Gêmea", que vem sendo reprisado no "Vale a Pena Ver de Novo" e foi iniciado praticamente junto da produção das 18h. A história de Walcyr Carrasco é a melhor e mais exitosa da atual grade da Globo. O folhetim anterior herdava os péssimos índices da reprise fracassada de "Paraíso Tropical". Ainda assim, é inegável a boa aceitação da obra de Mário Teixeira, que até chegou a trabalhar com Walcyr em "O Cravo e a Rosa", de 2001.

O autor de "No Rancho Fundo" sabe criar personagens carismáticos, escalar um ótimo elenco e tem um texto excelente. Esse conjunto ajuda a explicar a trajetória bem-sucedida. Porém, baseado em seus trabalhos anteriores, Mário ainda estava devendo uma trama desenvolvida com competência. E infelizmente seguiu devendo.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Passagem de tempo prejudicou virada de "No Rancho Fundo"

 O início de "No Rancho Fundo" surpreendeu quem estava esperando uma correria desnecessária e um atropelo de acontecimentos, assim como aconteceu em "O Tempo Não Para" e "Mar do Sertão", ambas novelas de Mário Teixeira. O autor desta vez iniciou seu enredo de maneira calma e dinâmica, o que deixou o novo folhetim das seis gostoso de acompanhar. No entanto, uma passagem de tempo colocada no capítulo de sexta-feira passada, dia 17, provocou incômodo e desconfiança. 

Após um início merecedor de todos os elogios, não deu para entender a atitude do autor em jogar fora uma leva de acontecimentos importantes com o adiantamento da história em dez dias. A passagem de tempo se deu assim que Artur (Túlio Starling) e Quinota (Larissa Bocchino) encontraram toda a documentação necessária para provar que Zefa (Andrea Beltrão) e Tico Leonel (Alexandre Nero) são os donos da terra em que está localizada a gruta azul, que contém a turmalina paraíba que enriqueceu a família. 

A saga da matriarca vem sendo construída com habilidade por Mário e toda a sua dificuldade em conseguir vender a pedra, que lutou muito para encontrar na perigosa gruta, despertou a atenção. Portanto, era o momento de maior catarse a comemoração de toda a família e a nova etapa para a venda da turmalina paraíba. Mas a única cena mostrada foi um telefonema que Quinota deu para a mãe avisando acharam a papelada no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

"No Rancho Fundo" tem início menos corrido que "Mar do Sertão"

 Mário Teixeira foi chamado às pressas pela Globo para apresentar uma nova sinopse para a faixa das seis. Isso porque "O País de Alice", novela que Lícia Manzo preparava para o horário e já em processo de escalação, foi  cancelada de última hora pela cúpula da emissora por considerar o enredo elitista. E após o fiasco do remake de "Elas por Elas", o objetivo era reerguer a audiência com uma história de apelo popular. O autor, então, decidiu produzir uma espécie de continuação de "Mar do Sertão". E nasceu "No Rancho Fundo", que estreou segunda-feira passada, dia 15.


A novela sofreu uma avalanche de críticas nas redes sociais assim que seu material começou a ser divulgado e grande parte da indignação veio de nordestinos, que não aguentam mais se verem representados como miseráveis. As fotos da família central do enredo apresentavam os personagens sujos, com roupa maltrapilha e pele queimada do sol através de uma maquiagem bem evidente. A produção da trama sentiu o peso dos apontamentos do público e mudaram um pouco o figurino dos personagens, segundo matérias de vários sites de notícias. 

E dá para entender a revolta de parte das pessoas, afinal, esse tipo de abordagem é algo comum em se tratando de nordeste na ficção. São sempre cenários áridos, com pessoas de pouca condição financeira e uma aparência de seca por todo lado. Por mais que a desigualdade social no Brasil seja uma constante e ainda tenha muita gente passando sérias dificuldades (não é uma situação inverossímil), já passou um pouco da hora de mudar esse tipo de abordagem na teledramaturgia.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

"No Rancho Fundo": o que esperar da nova novela das seis?

 A Globo estreou nesta segunda-feira (15/04) a segunda continuação de uma novela sua. O primeiro caso foi com "Verdades Secretas 2", mas a trama de Walcyr Carrasco foi direcionada apenas para o Globoplay. O segundo foi com "Nos Tempos do Imperador", uma sequência de "Novo Mundo". Por mais que os responsáveis neguem, "No Rancho Fundo" é, sim, uma espécie de segunda parte de "Mar do Sertão", trama de sucesso exibida entre 2022 e 2023 na faixa das seis. Tanto que há uma aposta na produção por ser considerada algo mais 'seguro' para levantar os índices do horário, após o fracasso do remake de "Elas por Elas". 


A história tem todos os clichês que costumam funcionar e deram certo em "Mar do Sertão". Na beira do riacho, Quinota (Larissa Bocchino), moça de Lasca Fogo, um pequeno distrito fictício do Cariri, sonha em encontrar Marcelo Gouveia (José Loreto), que ela acredita ser seu grande amor. Enquanto Quinota nasceu e foi criada em meio às galinhas, Marcelo viveu em Lapão da Beirada, a parte urbana da região sertaneja. Dois universos distintos que se caracterizam pelo contraste, onde a cultura e as tradições se misturam e desempenham papel fundamental na identidade do sertão brasileiro. 

Criada e escrita por Mário Teixeira com direção artística de Allan Fiterman, "No Rancho Fundo" é uma comédia romântica contemporânea e narra a trajetória dos Leonel Limoeiro, conduzidos pelo braço forte e coração aberto da matriarca Zefa Leonel (Andrea Beltrão), a líder da família do interior que precisa lidar com o choque entre o lugar onde vivem e a cidade.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Tudo sobre a coletiva online de "No Rancho Fundo", a próxima novela das seis

 A Globo promoveu nesta segunda-feira, dia 1º, a coletiva online de "No Rancho Fundo", a próxima novela das seis escrita por Mário Teixeira e dirigida por Allan Fiterman. Participaram o autor, o diretor e os atores Alexandre Nero, Andrea Beltrão, Mariana Lima, Larissa Bocchino, Túlio Starling, Welder Rodrigues, Titina Medeiros, Igor Jansen, Clara Moneke, Haroldo Guimarães, Rhaisa Batista, Eduardo Moscovis, Valdineia Soriano, Luisa Arraes, José Loreto, Iris Broken, Debora Bloch, Thardelly Lima, Leandro Daniel, entre outros. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo. 


Mário Teixeira explicou sua nova trama: "Essa novela é um retrato do Brasil e decidi fazer essa história a partir de uma família. Essa família representa muito bem um microcosmo da família brasileira. Os pais tiveram a grandeza de adotar várias crianças, o que é comum no nordeste. Esse elo familiar que a história tem com a realidade tem a ver com nosso sonho de ver as coisas dando certo. O diferencial dessa novela é que é uma produção das seis e a forma de contar. Esses arquétipos representam o nosso imaginário e são símbolos muito fortes. Os romances em si, apesar de serem mergulhos existenciais, todos eles se inserem no nosso imaginário. O que há em comum nas novelas é o amor, o ódio e a vontade de ser feliz. E em uma novela os atores são o diferencial. A ideia de trazer personagens de 'Mar do Sertão' surgiu junto com o Allan. Gosto de Balzac e ele faz isso: cruza perfis de uma história para outra. Essa é a melhor novela que já escrevi. São quase 30 páginas por dia e queria dizer que o processo está passando quase em branco para mim porque tem sido prazeroso demais". 

Allan Fiterman acrescentou: "Fico feliz em fazer essa novela de novo com o Mário. A família principal é a mais simples da novela e a mais rica em valores. Vamos ver essa família seguindo junto e transcendendo da pobreza para a riqueza. Apesar de termos dez personagens de 'Mar do Sertão' é uma história totalmente nova.

sexta-feira, 17 de março de 2023

Personagens secundários salvaram "Mar do Sertão" da falta de história

 A novela das seis, escrita por Mário Teixeira e dirigida por Allan Fiterman, chegou ao fim nesta sexta-feira (17/03). A produção teve uma audiência satisfatória e o carisma dos personagens, somado ao bem escalado elenco, foi o maior acerto da história. Foi um folhetim leve e com muitas cenas divertidas, protagonizadas principalmente nos núcleos secundários. No entanto, houve uma falha grave no desenvolvimento do enredo, que andou em círculos durante quase todo o período de exibição. 

Mário Teixeira não é um autor iniciante. Já trabalhou como colaborador de vários escritores na Globo, mas "Mar do Sertão" foi sua quarta novela como autor solo. E seu saldo não é positivo. "Liberdade Liberdade" (2016) foi a única que teve melhores desdobramentos, mas o roteiro era de Márcia Prattes, que foi retirada do projeto pela Globo e Mário foi escolhido para assumir. Já "I Love Paraisópolis" (2015) ---- escrita com Alcides Nogueira ---- e "O Tempo não Para" (2018) foram dois folhetins das sete que 'morreram' com um mês de exibição. Ou seja, o autor resolveu tudo em duas semanas e depois ficou sem história para contar, se aproveitando de situações pontuais nos núcleos secundários. Ironicamente, o erro foi repetido pela terceira vez porque foi exatamente o que aconteceu com "Mar do Sertão".

A história apresentou um dos mais conhecidos clichês da teledramaturgia: o mocinho que protagoniza um triângulo amoroso, sofre um acidente, é dado como morto e volta para se vingar. Mas o escritor resolveu tudo em menos de um mês. Zé Paulino (Sérgio Guizé) sofreu um acidente enquanto estava com Tertulinho (Renato Góes) e desapareceu nas águas. Pouco tempo depois, o vilão descobriu que o rival não tinha morrido e foi até o hospital para matá-lo.

quinta-feira, 2 de março de 2023

Zé Paulino não se vingou de ninguém em "Mar do Sertão"

 A trama da vingança é uma das mais usadas na dramaturgia, tanto em novelas quanto em séries ou filmes. A maior fonte de inspiração é o clássico "O Conde de Monte Cristo", um romance francês de 1844, escrito por Alexandre Dumas, baseada na vida de Pierre Picaud. Na história, o marinheiro Edmond Dantès é preso injustamente e, na prisão, cria uma amizade com um abade, que lhe indica uma misteriosa fortuna, iniciando uma trajetória de vingança. É uma fórmula que dificilmente dá errado. Mas em "Mar do Sertão" deu. 


O autor não soube desenvolver a saga de vingança de Zé Paulino (Sérgio Guizé). Aliás, que saga? A novela está em plena reta final e o mocinho não fez absolutamente nada. O maior erro de Mário Teixeira foi atropelar os acontecimentos de seu enredo para imprimir uma falsa sensação de agilidade no roteiro. Em menos de um mês, o protagonista sofreu um acidente, foi dado como morto, quase foi assassinado pelo seu maior inimigo, perdeu a mulher de sua vida, voltou depois de dez anos milionário e prometeu se vingar. Todos os acontecimentos citados rendiam, no mínimo, uns quatro meses de novela tranquilamente e sem provocar a lentidão da narrativa. 

Mas infelizmente a trama central da trama das seis nunca saiu do lugar. E o contexto também não foi bem estruturado pelo autor. Zé Paulino realmente sofreu um acidente enquanto dava carona para Tertulinho (Renato Góes). O carro atolou na estrada em plena ribanceira e caiu no mar. O vilão não conseguiria salvá-lo nem se tivesse tentado. Já a tentativa de assassinato planejada pelo rival, que descobriu em qual hospital estava e fingiu ser um primo para desligar os aparelhos, rendia uma boa revanche com direito a volta triunfal.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

"Mar do Sertão", "Cara e Coragem" e "Travessia" têm algo em comum: a falta de história

 A atual fase novelística da Globo não anda nada boa. A única inédita que vem correspondendo na audiência é "Mar do Sertão", a produção das seis. Já "Cara e Coragem" e "Travessia" patinam nos números. A das sete está a menos de dois meses do seu fim e o fracasso é um fato. Já a das nove ainda está no começo e pode reverter ao longo dos meses. No entanto, é perceptível que os três folhetins têm a falta de enredo como ponto comum. 

"Mar do Sertão" teve um início dos mais promissores com uma trama clássica de vingança. No entanto, o autor resolveu todo o 'plot' com menos de um mês de história no ar. Zé Paulino (Sérgio Guizé) foi dado como morto, teve uma rápida passagem de tempo de dez anos, e o mocinho logo voltou sem nenhuma explicação convincente para o público de como sobreviveu ao longo dos anos e nem como ficou rico. E sua volta não teve nenhum impacto porque os personagens reagiram como se o rapaz estivesse voltando de uma viagem e não saído de uma cova. Não deu para entender a intenção de Mário Teixeira em aniquilar seu enredo de uma forma tão primária. 

Mas então qual o motivo da novela das seis ter uma boa audiência? É fácil explicar. Todos os personagens exalam carisma e a trama tem bastante leveza. O enredo é sustentado por esquetes nos núcleos secundários e parte do público se contenta com isso. Porém, não há um arco narrativo. O conflito central anda em círculos e Tertulinho (Renato Góes) virou um vilão repetitivo que planeja matar Zé Paulino desde a estreia. Vários personagens somem e voltam sem maiores explicações. E o romance dos mocinhos nem tem mais o que caminhar porque Zé e Candoca (Isadora Cruz)  nem demoraram muito tempo separados.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

"Mar do Sertão" diverte, mas tem claros problemas de desenvolvimento

 A atual novela das seis da Globo estreou no dia 22 de agosto. Está há dois meses no ar. "Mar do Sertão" vem se mostrando um folhetim agradável e com muitas cenas cômicas que entretêm, protagonizadas por um elenco repleto de talentos. E a história ainda está no início. Todavia, já fica perceptível que Mário Teixeira tem sérias dificuldades para desenvolver sua narrativa e não é a primeira vez que o autor demonstra fragilidade na condução de um enredo. 

A história apresentou um dos mais conhecidos clichês da teledramaturgia: o mocinho que protagoniza um triângulo amoroso, sofre um acidente, é dado como morto e volta para se vingar. Mas o escritor resolveu tudo em menos de um mês. Zé Paulino (Sérgio Guizé) sofreu um acidente enquanto estava com Tertulinho (Renato Góes) e desapareceu nas águas. Pouco tempos depois, o vilão descobriu que o rival não tinha morrido e foi até o hospital para matá-lo. Pensou que tinha conseguido, mas o herói escapou. Candoca (Isadora Cruz) ficou desolada, mas ninguém viu a reação da mocinha com a trágica notícia porque houve um atropelo de acontecimentos. 

Houve uma passagem de tempo de um ano para que Candoca se casasse com Tertulinho. No dia do casamento, Zé Paulino voltou para a fictícia cidade de Canta Pedra e presenciou a cerimônia. O telespectador até hoje não sabe como o rapaz se recuperou, como conseguiu sobreviver durante meses e nem o seu plano de vingança.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Com pressa, Mário Teixeira atropela acontecimentos e priva público de várias catarses em "Mar do Sertão"

 A nova novela das seis está há muito pouco tempo no ar. Menos de três semanas. Mas o tanto de conflito que já aconteceu impressiona. Só que não é um elogio. Agilidade não pode ser confundida com correria e o autor de "Mar do Sertão" não está sabendo diferenciar uma coisa da outra. Quanto mais o tempo passa na trama, mais cenas são ignoradas e mais incômodo provoca no telespectador. Em menos de cinco capítulos já foram mais de três passagens de tempo e muitos cortes. 


O curioso é que a primeira semana de história foi tranquila e com poucos acontecimentos relevantes. Tudo parecia seguir em um ritmo moderado. No entanto, no dia do acidente sofrido por Zé Paulino (Sérgio Guizé) e Tertulinho (Renato Góes), que marcou a primeira virada do enredo, o folhetim ganhou um ritmo que prejudicou a narrativa. Há um atropelo de situações que não tem como o público compreender. É tanta pressa que muitas vezes quem está assistindo se perde. E seria algo compreensível se a produção fosse curta, mas tem a duração normal de uma novela e só chega ao fim em março de 2023. 

Todo o impacto do acidente sofrido por mocinho e vilão foi diluído pelo descarte de sequências vitais, como Zé Paulino tentando se salvar no mar e não conseguindo, Tertulinho chegando em casa e contando mais alguma mentira para os pais, Candoca (Isadora Cruz) recebendo o choque da notícia do desaparecimento de seu grande amor, enfim.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

"Mar do Sertão" tem início promissor, mas tropeça ao cortar cenas na primeira virada da trama

 A nova novela das seis da Globo teve uma primeira semana tranquila. "Mar do Sertão", escrita por Mário Teixeira e dirigida por Allan Fiterman, iniciou sem correria ou atropelos. Aliás, analisando friamente, poucos acontecimentos relevantes ocorreram na trama. O principal objetivo foi apresentar e formar o triângulo amoroso central do enredo, composto por Candoca (Isadora Cruz), Zé Paulino (Sérgio Guizé) e Tertulinho (Renato Góes). 


O trio protagonista vem dominando a narrativa e os demais personagens têm muito pouco tempo de tela. Os únicos perfis secundários que já sobressaíram na novela foram o prefeito Sabá Bodó, intepretado pelo sempre impagável Welder Rodrigues, e o malandro Timbó, vivido pelo ótimo Enrique Diaz. O político sem um pingo de escrúpulo protagoniza situações divertidas, mas que representam a podridão do Brasil em sua essência. Já o sofrido morador de uma casinha simples tem clara inspiração em João Grilo, interpretado por Matheus Nachtergaele em "O Auto da Compadecida". Tem uma vida miserável, mas se vira com o pouco que tem e, quando consegue, foge de trabalho. São tipos promissores. 

Já o enredo principal preenche quase integralmente o tempo dos capítulos. O triângulo é um clichê de qualquer folhetim e o de "Mar do Sertão" lembra o de outra produção das 18h: o formado por Cassiano (Henri Castelli), Ester (Grazi Massafera) e Alberto (Igor Rockli) em "Flor do Caribe", escrita por Walther Negrão em 2013. Até o plot twist é semelhante porque Zé Paulino sofre um grave acidente com Tertulinho e é dado como morto.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

"Mar do Sertão": o que esperar da nova novela das seis?

 Após muitos anos na equipe de colaboradores de várias novelas, Mário Teixeira estreou como autor solo em "Liberdade, Liberdade", folhetim das 23h, exibido em 2016. Na verdade foi uma estreia turbulenta porque foi chamado às pressas para assumir e modificar a sinopse de Márcia Prates, desligada do projeto. Dois anos depois, em 2018, foi para a faixa das sete e escreveu "O Tempo Não Para", uma deliciosa trama que teve um ótimo início, mas se perdeu totalmente ao longo dos meses. Em 2021, o escritor escreveu a primorosa minissérie "Passaporte Para Liberdade". Agora inicia um novo desafio em um novo horário: "Mar do Sertão", a nova novela das seis, que estreou nesta segunda-feira (22/08). 


Em um Brasil onde o sol nasce com toda sua intensidade a cada dia está a pequena Canta Pedra, cidade fictícia da história. Um lugar que, segundo contam, já foi mar e virou sertão. É nesse ambiente que a fábula contemporânea se passa, em um pedaço que é físico, mas que também é parte essencial da personalidade de cada uma das figuras que compõem o enredo. Na obra criada e escrita por Mario Teixeira, com direção artística de Allan Fiterman, ocorre o desenrolar do triângulo amoroso vivido por Candoca (Isadora Cruz), seu grande amor Zé Paulino (Sérgio Guizé) e Tertulinho (Renato Góes). Também estará em foco o poder dos coronéis da região, principalmente, se nas mãos deles estiver o bem mais precioso da região: a água. 

Outros personagens têm importância na trama, como o padre que promove a bondade e a fé na pacata Canta Pedra, além do prefeito e do delegado que pouco ligam para o povo da cidade. A história tem como pano de fundo um sertão colorido e solar ---- sem esquecer de suas mazelas, mostradas na incansável luta da sua protagonista por justiça e igualdade ----, que leva ao encontro da beleza exuberante do nordeste brasileiro.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Tudo sobre a coletiva online de "Passaporte Para Liberdade", nova minissérie da Globo e Sony

 A Globo promoveu na última sexta-feira, dia 10, a coletiva online sobre a nova minissérie da Globo, em parceria com a Sony Pictures, "Passaporte Para Liberdade". Estiveram presentes o autor Mário Teixeira, o diretor Jayme Monjardim e os atores Sophie Charlotte, Rodrigo Lombardi, Gabi Petry e Peter Ketnath. Fui um dos convidados e conto um pouco sobre o bate-papo sobre a produção que promete impactar o telespectador através da história de Aracy de Carvalho, esposa de Guimarães Rosa, que ajudou milhares de judeus a fugir da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.  

"São três anos que estamos envolvidos nesse trabalho. Foi muita dedicação. Um trabalho em plena pandemia. Tanto na versão brasileira quanto na versão estrangeira está um espetáculo. Tenham certeza que são muitas horas de dedicação. Começamos na Argentina, depois Brasil. E cenas que voltamos um ano depois por causa da interrupção (em virtude da pandemia). Estamos muito felizes com o resultado. Costumo dizer que as histórias procuram seus contadores. Claro que a gente procura, mas alguma coisa tem de destino. Encontrei o filho da Aracy que já estava com uns 78 anos, uma neta e uma bisneta. Quando ouvi a história fiquei tão emocionado que procurei o Silvio de Abreu e falei sobre isso. O Mário (Teixeira, autor) estava começando a fazer uma novela. Aí fizemos algumas reuniões. Cuidado com o que você pede para o destino que pode acontecer. Mais uma mulher na minha vida. Chiquinha, Olga, Maysa, as sete mulheres... Agora Aracy. Me sinto muito feliz, é uma honra. Um momento muito importante para a minha carreira. Dei um outro passo como profissional", disse Jayme Monjardim. 

"Não li toda obra de Guimarães Rosa. E todas que eu li já tinha lido. Não li por causa da série. Ele era apaixonado pela palavra. Aprendeu sozinho 23 idiomas. E temos pouco registros dele em vídeo. Seria para mim impossível construir a partir dos poucos vídeos que a gente tem. Construí por fatos. O Guimarães Rosa pelo que ele fez.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Após início promissor, "O Tempo Não Para" parou e chegou ao fim sem atrativos

A novela das sete de Mário Teixeira começou com o pé direito. Apesar das desconfianças iniciais, a trama deu certo. O enredo era estapafúrdio ---- uma família de 1886 naufragava e congelava em alto mar, até descongelar 132 anos depois, precisando se adaptar aos novos tempos em pleno 2018 ----, mas caiu nas graças do público. A ousada proposta do autor funcionou e "O Tempo Não Para" iniciou sua saga fazendo um imenso sucesso ---- os índices das primeiras semanas não eram vistos desde "Cheias de Charme", exibida em 2012. Todavia, infelizmente, o autor não conseguiu desenvolver bem o seu folhetim e "O Tempo Não Para" se perdeu da metade para o final.


Os índices do Ibope nas alturas no início da trajetória da família Sabino Machado faziam jus ao que era apresentado para o telespectador. Simplesmente genial todo o período de adaptação dos congelados, incluindo o show do elenco e o texto sagaz do escritor. As expressões de choque e horror aos novos tempos eram hilárias, destacando principalmente Edson Celulari (irretocável como Dom Sabino), Juliana Paiva (perfeita como Marocas), Rosi Campos (engraçadíssima na pele de Agustina) e Cesária (Olívia Araújo valorizada como merece). Mário ainda foi inteligente e descongelou os personagens de 1886 aos poucos, aproveitando bem as adaptações de cada um.

Os principais casais funcionaram. A relação de Samuca (Nicolas Prattes muito bem) e Marocas foi desenvolvida com muito humor, sempre explorando o desconforto da menina com as modernidades do rapaz que "exibia as pernas usando bermudas, sem um pingo de vergonha''. A química entre os atores (namorados na vida real) foi nítida. Coincidentemente, a comicidade também foi o ingrediente dos outros dois pares principais.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"Deus Salve o Rei" e "O Tempo Não Para" viveram situações opostas

"O Tempo Não Para" está em seu último mês e não há muito mais história a ser contada. A trama vem andando em círculos e o tempo parou, com o perdão do trocadilho. Vale destacar, todavia, o início empolgante da história de Mário Teixeira, que arrebatou o público com a ousadia do enredo em torno de uma família de 1886 descongelada em 2018. Os índices de audiência também estavam nas alturas. Mas, ao longo dos meses, o contexto foi minguando, assim como os números do Ibope. O irônico é que a produção anterior enfrentou uma situação totalmente diferente.


"Deus Salve o Rei" teve um início modorrento e nada atrativo, em virtude da falta de rumo da história de Daniel Adjafre. Nem mesmo o evidente capricho da produção da novela, com cenários belíssimos e figurinos luxuosos, conseguiu prender a atenção do público. Afinal, o enredo em torno dos reinos de Montemor e Artena se mostrava raso demais. O romance de Afonso (Rômulo Estrela) e Amália (Marina Ruy Barbosa) não tinha quase empecilhos porque o herdeiro do trono largou tudo com bastante facilidade para ficar ao lado do seu amor. E a então grande vilã, a rainha Catarina (Bruna Marquezine), mais tramava do que agia.

O telespectador podia se dar ao luxo de não assistir a vários capítulos que não perdia nada de relevante. A audiência teve um início morno, em torno dos 23/24 pontos, e assim seguiu nos primeiros meses. Como a Globo investiu muito na novela, inclusive na divulgação nas redes sociais, uma medida foi tomada: Silvio de Abreu, atual responsável pelo setor de teledramaturgia da emissora, chamou o autor Ricardo Linhares para ajudar Daniel na condução do folhetim.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Repletas de qualidades, "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" honram suas respectivas faixas

A Globo vem enfrentando uma boa maré no quesito audiência com suas três novelas inéditas. O maior problema tem sido a reprise da ótima "Belíssima", com números bem abaixo do esperado, além de "Malhação - Vidas Brasileiras", que vem se mostrando um completo equívoco, fazendo por merecer os baixos índices. Porém, no quesito qualidade somada ao bom resultado com o público, "Orgulho e Paixão" e "O Tempo Não Para" são imbatíveis. Enquanto "Segundo Sol" vem em uma decrescente visível, falhando em vários aspectos de enredo e condução de personagens, as tramas das seis e das sete honram suas respectivas faixas.


A novela de Marcos Berstein, dirigida por Fred Mayrink, estreou em março e está a menos um mês de seu fim. A obra baseada em vários sucessos da escritora inglesa Jane Austen se mostrou um encanto logo no primeiro capítulo e impressiona como desde então nunca se perdeu. O autor vem conduzindo seu enredo com extrema precisão, movimentando os núcleos e promovendo ótimos conflitos ao longo dos meses. A produção não teve barriga (período onde nada de relevante ocorre) e consegue melhorar a cada novo acontecimento, emocionando e divertindo quem assiste.

Não há enrolação e os conflitos se resolvem rapidamente, sendo logo substituídos por novos dramas. Isso tudo sem perder a leveza e o romantismo. A grande quantidade de bons casais é um dos maiores trunfos do folhetim, assim como a presença de vilãs que provocam atrativas viradas no roteiro ---- vide as trapalhadas de Susana (Alessandra Negrini), a dissimulação de Josephine (Christine Fernandes) e a crueldade de Lady Margareth (Natália do Vale).

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Texto repleto de boas tiradas e trama divertida marcam início de "O Tempo Não Para"

A novela das sete ainda não tem nem um mês no ar, mas já é possível afirmar com certa tranquilidade que a história de Mário Teixeira reúne as maiores qualidades de uma ótima novela das sete. Há carisma de sobra em vários personagens e a ideia de inserir uma família de 1886 em 2018 tem sido desenvolvida de maneira genial, resultando em cenas impagáveis. O contexto absurdo não implicou em algo ridículo, o que era um risco bem viável.


Muito pelo contrário, a trama tem um charme que faz o telespectador mergulhar naquela história com facilidade. E Mário foi feliz em descongelar os personagens aos poucos, aproveitando bem o choque cultural de cada um. A primeira foi Marocas (Juliana Paiva), que logo encantou o íntegro Samucas (Nicolas Prattes) e vem protagonizando momentos hilários ao lado do rapaz. A mocinha é uma das melhores personagens da novela e Juliana está irretocável, ainda mais com a quantidade de texto que precisa decorar. Impossível não se apaixonar por Maria Marcolina.

Já o segundo a despertar 132 anos depois foi Dom Sabino (Edson Celulari em grande momento, após ter sido desvalorizado em "A Força do Querer"). O patriarca da família Sabino Machado fez uma bonita amizade com Eliseu (Milton Gonçalves), um humilde catador de rua, e a dupla ainda tem muito para render, principalmente em cima da abolição da escravidão e dos resquícios de um passado não tão distante.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

"O Tempo Não Para" tem estreia movimentada e divertida

O que você faria se acordasse no futuro, mais especificamente 132 anos depois? Como lidaria com os novos costumes, as modernidades e a rotina de um período totalmente desconhecido? Essa é a premissa de "O Tempo Não Para", nova novela das sete da Globo, que estreou nesta terça-feira (31/07), substituindo "Deus Salve o Rei". Sai de cena um folhetim medieval e entra uma novela que mistura 1886 com 2018, sem explorar reencarnações, por exemplo. Ou seja, a fantasia cedeu lugar ao surreal. Não há dúvidas a respeito da ousadia da proposta da obra de Mário Teixeira, dirigida por Leonardo Nogueira.


O núcleo central é da tradicional família Sabino Machado, congelada em 1886 e descongelada em  2018. Uma ideia que pode resultar em uma trama genial ou em um enredo bizarro. A coragem  do autor, no entanto, é válida. Dom Sabino (Edson Celulari), Dona Agustina (Rosi Campos) e a filha Marocas (Juliana Paiva) são donos de extensas terras para a exploração de ouro, minérios e investimento em telefonia. A história começa justamente há 132 anos, mostrando a rotina desses personagens. O primeiro capítulo é voltado exclusivamente para isso. A saga se inicia como um folhetim de época e depois vira uma novela contemporânea.

A estreia foi movimentada, sem ser corrida. Após se chocar ao ver a filha beijando o provocador Bento (Bruno Montaleone), Dom Sabino tenta matar o rapaz, que acaba fingindo sua própria morte. O "velório" do malandro vira uma grande pastelão e todos descobrem que ele não morreu.

terça-feira, 24 de julho de 2018

"O Tempo Não Para": o que esperar da próxima novela das sete?

"Deus Salve o Rei" está em sua reta final e a novela do estreante Daniel Adjafre foi uma ousadia da Globo. Isso porque a emissora resolveu apostar em uma trama medieval em pleno horário das sete, após anos apresentando enredos contemporâneos na faixa. A novela passou longe do fracasso, mas teve seus problemas de percurso. Agora, então, a ideia é mesclar o passado com o presente através de um enredo que pode resultar em algo bizarro ou genial. "O Tempo Não Para" trará de volta o humor ao horário utilizando uma licença poética e tanto: uma família de 1886 é descongelada em 2018, precisando lidar com os novos costumes da sociedade. Pareceu absurdo? Realmente é.


O intuito de Mário Teixeira, autor da obra ---- cujo clipe pode ser conferido aqui ----, consiste em aproveitar uma das situações mais conhecidas do filme "Capitão América" em um folhetim leve e cômico. Afinal, o herói Steve Rogers foi congelado em 1941 e descongelado em 2012, precisando encarar a dor da perda de todos os seus conhecidos e do maior amor de sua vida. É, sem dúvida, a referência mais conhecida que o público terá a respeito do enredo da novela. Agora, no entanto, a situação não será tão traumática para os envolvidos, pois a família inteira acabará congelada, incluindo os escravos e até o cachorro. O contexto é bastante ousado para a teledramaturgia e o escritor merece elogios ao menos pela coragem em desenvolver algo assim.

O primeiro capítulo será exclusivamente para apresentar o núcleo principal em 1886. A família Sabino Machado ---- moradora de São Paulo e detentora de extensas terras para exploração de ouro, minérios e investimentos em telefonia ---- embarca em um dos navios mais seguros da época, o Albatroz, a caminho da Europa. Dom Sabino (Edson Celulari) , um fiel súdito da monarquia que sonha com o título da nobreza, planeja a viagem para conhecer o estaleiro que comprou na Inglaterra.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

"Liberdade Liberdade" foi uma boa novela, mas poderia ter sido muito melhor

Apresentando uma estreia caprichada e um desenvolvimento morno, "Liberdade, Liberdade" ficou praticamente quatro meses no ar (67 capítulos) e fechou seu ciclo com uma reta final empolgante, presenteando o telespectador com cenas muito bem realizadas. O último capítulo, exibido excepcionalmente nesta quinta-feira (04) ---- por causa do início das Olimpíadas (a Globo fará uma transmissão intensiva do evento) ----, encerrou o folhetim com dignidade, após momentos finais de tirar o fôlego, principalmente em virtude do início da revolução comandada pela protagonista e o enforcamento de seu irmão.


A novela das onze viveu uma novela própria antes de entrar em produção. Márcia Prates estrearia como autora, mas Silvio de Abreu e sua equipe observaram vários erros históricos no texto da escritora, fazendo muitas modificações. Glória Perez e Alcides Nogueira chegaram a trabalhar como supervisores, mas abandonaram a função. Outros problemas foram detectados, até a responsável pela história ser desligada do projeto, sendo utilizado apenas o seu 'argumento' para o enredo. Mário Teixeira foi chamado às pressas para assumir o controle de um trem que parecia desgovernado e a partir de então finalizaram a escalação do elenco, iniciando de vez a elaboração do folhetim.

Portanto, em virtude de todas as questões mencionadas, a expectativa em torno da novela ---- baseada no livro "Joaquina, filha de Tiradentes", de Maria José de Queiroz ---- não era animadora. Afinal, tudo se encaminhava para um produto retalhado e equivocado. A estreia serviu para diminuir essa 'preocupação', pois a trama promissora, o contexto histórico atrativo, o figurino caprichado e o grande elenco agradaram bastante. Entretanto, as constantes mudanças nos bastidores acabaram refletindo na condução do enredo.