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quinta-feira, 13 de junho de 2024

A crise na teledramaturgia da Globo é uma realidade

 A crise da teledramaturgia nunca esteve tão evidente. Não por conta do esgotamento do gênero, como muitos insistem em afirmar, mas, sim, pela gestão acomodada e equivocada das empresas. Record e SBT nem merecem entrar no debate porque deixaram de ser competitivas há anos e se apequenaram com as novelas infantis e bíblicas, respectivamente, que não fazem mais sucesso e servem apenas para pagar contas. A Globo ao menos se diferenciava por ser a maior produtora de folhetins no Brasil e no mundo. Mas está a cada dia mais claro o quanto a líder vem se afundando em decisões que beiram o amadorismo. 


É importante ressaltar: a Globo teve o maior lucro em 8 anos e a receita líquida do primeiro trimestre atingiu R$ 3,7 bilhões, alta de 12% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia fechou o trimestre positivo em R$ 812 milhões. Portanto, a empresa vai muito bem, obrigado. Só que a forma como a cúpula do canal vem tratando o setor de teledramaturgia, que sempre foi um dos maiores trunfos da emissora, transparece um descaso inexplicável e que é observado pelo público que acompanha suas produções há muitos anos. 

O corte de custos é sentido na contratação dos elencos diante da não renovação de contrato de diversos nomes de peso, que acabam recusando posteriormente o chamado trabalho 'por obra'. Cadê os veteranos? Não há mais nomes acima dos 70 anos em praticamente produção nenhuma. Uma mistura de etarismo com 'pão-durismo'. E a redução das despesas também é visível na falta de qualidade de muitas cenas. Algo que era impensável na Globo.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Parte final desnudou todos os problemas que sempre estiveram presentes em "Amor de Mãe"

 A primeira novela de Manuela Dias estreou logo no horário nobre. Uma responsabilidade e tanto. Normalmente, todos os escritores da emissora estreiam na faixa das seis ou sete e somente depois migram para a cobiçada faixa das 21h. Mas os ótimos trabalhos da autora nas minisséries "Ligações Perigosas" e "Justiça" (ambas em 2016) a credenciaram ao posto. No entanto, não teve sorte. A produção estreou em 25 de novembro de 2019 repleta de louvores da crítica especializada, mas parte do público não comprou a história, que apresentava problemas em vários núcleos. E quando o enredo central parecia engrenar, houve a interrupção das gravações em 21 de março de 2020 por conta da pandemia do novo coronavírus. 

Voltou ao ar praticamente um ano depois, no dia 15 de março de 2021, com apenas 23 capítulos restantes. A produção já estava entrando na reta final, mas mesmo assim sofreu um corte. Porém, não parece ter afetado o roteiro, pois a verdade é que muitas tramas já estavam sem rumo antes da interrupção das gravações. O grande interesse ficou em torno do enredo de Lurdes (Regina Casé) à procura do filho Domênico (Chay Suede). E sempre foi a única parte do folhetim que caiu nas graças do público. O maior clichê dramatúrgico raramente falha. 

Já os demais conflitos, que já estavam se perdendo, tiveram desfechos decepcionantes. A constante troca de casais era um dos problemas do roteiro e seguiu assim até o final. Nunca houve uma construção sólida que despertasse alguma torcida do público. O menos pior foi o par formado por Camila (Jéssica Ellen) e Danilo/Domênico.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

"Amor de Mãe" estreia com forte carga dramática e promissoras protagonistas

"Tudo é incerto, menos o amor de mãe". A frase, adaptada do romancista e poeta James Joyce (1882/1941) ---- "Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe" é a frase original ----, é a premissa da nova novela das nove da Globo, que marca a estreia de Manuela Dias como autora solo. E, por conta dessa afirmação, fica bem claro que o enredo abordará uma visão mais romanceada da maternidade. Com a dura missão de manter os elevados índices do grande sucesso "A Dona do Pedaço", a trama, dirigida por José Luiz Villamarim e fotografia de Walter Carvalho, estreou nesta segunda-feira (22/11), com um emocionante primeiro capítulo.


Regina Casé, Taís Araújo e Adriana Esteves vivem Lurdes, Vitória e Thelma, mulheres que exercem a maternidade em sua plenitude, cada uma à sua maneira. Apesar de viverem em realidades diferentes, com trajetórias distintas, a vida das três se entrelaça ao longo do enredo. Uma proposta parecida com "Justiça", da mesma autora ---- quatro pessoas eram presas por crimes que cometeram em momentos de fúria e ao longo da história tinham suas vidas cruzadas. O trio protagonista foi bem apresentado na estreia através de breves flashbacks e dramas no presente.

Lurdes é babá e mãe de cinco filhos, sendo que um deles não foi criado ao seu lado. Ela busca um novo emprego e consegue uma entrevista na casa de Vitória, uma advogada bem-sucedida que, com a iminência da chegada do filho que pretende adotar, precisa de uma babá. Vitória perdeu um bebê aos seis meses de gestação e não conseguiu superar o trauma.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Trama densa e entrega do elenco foram as marcas de "Onde Nascem os Fortes"

A supersérie da Globo (nomenclatura adotada pela emissora ano passado para classificar produções das onze) estreou no dia 23 de abril e marcou a volta da bem-sucedida parceria dos talentosos George Moura e Sérgio Goldenberg. Os autores das aclamadas minisséries "O Canto da Sereia" (2013) e "Amores Roubados" (2014) e do primoroso remake de "O Rebu" (2014) retornaram em grande estilo na faixa que os consagraram. "Onde Nascem os Fortes", dirigida brilhantemente por José Luiz Villamarim e Walter Carvalho (outros grandes parceiros dos escritores nos três trabalhos anteriores), esbanjou qualidades do início ao fim.


A história em torno do misterioso desaparecimento de Nonato (Marco Pigossi), irmão gêmeo da protagonista Maria (Alice Wegmann), na fictícia Sertão ----- local repleto de figuras obscuras e complexas ----- foi desmembrado habilmente ao longo dos meses e os escritores presentearam o público com uma produção refinada, onde a entrega do elenco e o enredo denso foram as principais marcas. Aos poucos, foi possível observar que o sumiço do rapaz que provocou uma briga com o poderoso Pedro Gouveia (Alexandre Nero) era apenas a ponta do fio de um novelo bem mais espesso e embaraçado.

Logo no primeiro capítulo ficou claro que o juiz Ramiro (Fábio Assunção) tinha relação no desaparecimento do rapaz em virtude da sua rivalidade com Pedro. No entanto, os escritores resolveram desenvolver a trama em etapas. A primeira foi voltada para a incansável saga de Maria em busca dos responsáveis pelo sumiço de Nonato, declarando guerra a Pedro e deixando a mãe, Cássia (Patrícia Pillar), desesperada.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Trama de "Onde Nascem os Fortes" é ótima, mas não se sustenta em 53 capítulos

A atual produção das onze estreou no dia 23 de abril. Ou seja, está há pouco mais de um mês no ar. George Moura e Sérgio Goldenberg criaram um enredo instigante, cujo capricho é observado na fotografia, tomadas de câmera, construção de personagens, direção de José Luiz Villamarim e escalação do elenco. Um conjunto primoroso, sem qualquer dúvida. Entretanto, já está bastante claro que o roteiro não se sustenta em 53 capítulos (número estipulado pela emissora antes mesmo da estreia).


A saga de Maria (Alice Wegmann, totalmente entregue) na fictícia Sertão, iniciada após o sumiço de seu irmão gêmeo (Nonato - Marco Pigossi), despertou logo o interesse de quem assistia. O desespero daquela menina em achar seu grande parceiro de vida envolveu e resultou em intensas cenas na primeira semana de história. A sua relação com Hermano (Gabriel Leone) transbordou química, enquanto a parceria com Cássia (Patrícia Pillar) expôs um genuíno amor entre mãe e filha.

Já o ódio entre a protagonista e o poderoso Pedro Gouveia (Alexandre Nero) --- principal suspeito da morte do rapaz ---- é o grande elemento de tensão da trama, até porque a menina se apaixonou pelo filho do algoz, sendo correspondida.

terça-feira, 24 de abril de 2018

"Onde Nascem os Fortes" tem tudo para honrar a faixa das onze

"Amar, odiar, perdoar. Até onde vai a sua força?". A pergunta sempre presente nas chamadas de "Onde Nascem os Fortes" já deixava clara a intenção da nova trama das onze da Globo: provocar o público através de uma premissa irresistível. Afinal, o ser humano é repleto de camadas muitas vezes difíceis de decifrar, principalmente diante de adversidades. A história que começa a ser contada explora a saga da corajosa Maria (Alice Wegmann), que não mede esforços para encontrar seu irmão gêmeo, o provocador Nonato (Marco Pigossi). E o primeiro capítulo conseguiu apresentar essa intenção com louvor.


George Moura e Sérgio Goldenberg são autores que já viraram "experts" na faixa das 23h. Responsáveis pelas irretocáveis "O Canto da Sereia" (2013), "Amores Roubados" (2014) e "O Rebu" (2014), os dois sabem aproveitar toda a liberdade do horário mais tardio e a dupla ainda segue com a competente direção de José Luiz Villamarim e fotografia de Walter Carvalho, outros profissionais que também fizeram parte das produções mencionadas. Tendo como base o "currículo recente" deles, portanto, a chance da atual trama ser ótima é bastante alta.

Gravada no sertão da Paraíba, a "supersérie" tem o sertão como um dos seus alicerces. Segundo os escritores, é o protagonista do enredo que contracena sem ser filmado. E pela primeira vez a Globo exibirá uma novela (embora insista em não chamar mais assim na faixa das onze) já quase finalizada.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

"Nada Será Como Antes" foi uma grande decepção

A série escrita por Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado estreou no dia 27 de setembro esbanjando capricho e iniciando uma promissora trama sobre a história da televisão no Brasil. O nascimento da fictícia TV Guanabara e tudo o que a criação desse tão importante veículo representava na vida do público engrandeciam o enredo, mesclando fantasia e realidade através de uma deliciosa metalinguagem. Entretanto, ao longo dos episódios, a premissa da produção foi se diluindo, cedendo espaço para as idas e vindas do casal protagonista Saulo (Murilo Benício) e Verônica (Débora Falabella), além de umas sequências eróticas envolvendo Beatriz (Bruna Marquezine).


O principal diferencial da série foi jogado fora ao longo de sua exibição. Os primeiros episódios foram convidativos justamente porque focaram no surgimento da tevê e nas desconfianças que o novo veículo provocava, levando em consideração a sobrevivência do rádio. Aliás, o trabalho minucioso da equipe merece um destaque à parte, reproduzindo com perfeição os estúdios, figurinos, equipamentos e as câmeras da década de 50. A direção de José Luiz Villamarim sempre engrandece qualquer produto e não foi diferente agora, assim como a brilhante fotografia de Walter Carvalho. O elenco se destacava, principalmente Débora Falabella e Murilo Benício, em torno da elaboração do fictício folhetim "Anna Karenina", enfim. Todo esse conjunto é merecedor de reconhecimento, fazendo valer a premissa do seriado.

Porém, os dramas dos personagens se mostraram limitados desde o início. E a série decaiu justamente porque passou a focar somente nisso, esquecendo todo o contexto que a cercava. Os conflituados bastidores das telenovelas, a guerra de egos, o difícil mercado do patrocínio, a disputa por audiência, o preconceito que atores negros enfrentavam na hora de ganhar papéis, o medo do galã do folhetim ter a sua homossexualidade exposta, entre tantos outros temas inicialmente abordados no seriado, foram se apequenando para focar principalmente no relacionamento de Saulo e Verônica, deixando algumas outras cenas para o triângulo raso composto por Beatriz, Otaviano (Daniel de Oliveira) e Júlia (Letícia Colin).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Entre honrosos vencedores, "APCA" reconhece o êxito de "Justiça"

Os vencedores da "APCA" (Associação Paulista de Críticos de Artes) foram anunciados na noite da última quarta-feira (30/11), na Sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Como sempre ocorre em todos os anos, foram vários segmentos, incluindo teatro, Literatura, Dança,Artes Visuais, Moda, Rádio, cinema e televisão. Foram sete categorias para eleger os melhores da TV e a justiça mais uma vez prevaleceu, pois os vitoriosos fizeram jus aos troféus através de grandes trabalhos ao longo de 2016, ainda que muitos dos derrotados também merecessem.


"Justiça" ganhou como Melhor Série/Minissérie e a vencedora não poderia ser outra. O enredo ousado de Manuela Dias, que interligava quatro histórias independentes ao longo de quatro capítulos por semana, foi primoroso e arrebatou o público. O sucesso foi merecido e o trabalho do elenco merece inúmeros aplausos, sendo necessário destacar Adriana Esteves, Jesuíta Barbosa, Débora Bloch, Antônio Calloni, Leandra Leal, Marjorie Estiano, Enrique Diaz, Drica Moraes, entre outros. Das concorrentes, só uma também fez jus ao troféu: "Ligações Perigosas", da mesma Manuela Dias, exibida em janeiro. Já "Supermax", "A Garota da Moto" e "Me Chama de Bruna" (da Fox), embora boas, não chegaram a merecer premiações.

Ainda em cima da excelente minissérie vencedora, José Luiz Villamarim ganhou como Melhor Diretor e com total mérito. Seu trabalho em "Justiça" confirmou mais uma vez a sua extrema competência, já vista em obras excepcionais como "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu".

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

José Luiz Villamarim se firma como um dos melhores diretores da Globo

A minissérie "Justiça" fez um grande sucesso e os acertos foram muitos. Os constantes elogios de público e crítica não aconteceram por acaso. E um dos êxitos dessa primorosa produção foi a direção precisa de José Luiz Villamarim, profissional que tem se destacado cada vez mais por seus cuidadosos trabalhos. Afinal, antes de mergulhar de cabeça na atual produção da Globo, o diretor foi o responsável pela direção de "O Canto da Sereia" (2013), "Amores Roubados" (2014) e "O Rebu" (2014), citando apenas as tramas mais recentes.


As quatro obras primaram pela qualidade e o trabalho de Luiz foi vital para o evidente capricho das mesmas. O diretor consegue extrair o melhor dos atores e seu cuidado com as câmeras fica claro em cada sequência, procurando sempre aproveitar o máximo dos cenários e iluminação de cada ambiente. Em "Justiça", por exemplo, houve um processo bem mais complicado. Afinal, a minissérie de Manuela Dias contava quatro histórias independentes que se cruzavam e o grande trunfo da trama era a diferente angulação de cada cena. O telespectador via a mesma situação sob diferentes óticas, ressaltando a importância da colocação das câmeras e dos enquadramentos.

Em algumas sequências, por exemplo, ficava explícito que precisaram gravar várias vezes para que houvesse uma precisão na filmagem, destacando bem o olhar de cada personagem. Já em outras, havia a clareza da existência de alguns cinegrafistas colocados em pontos estratégicos, deixando o conjunto primoroso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

"Nada Será Como Antes" se mostra uma caprichada série sobre a história da televisão

"Justiça" saiu do ar como uma das melhores produções do ano, deixando uma marca na teledramaturgia. Não há substituta para a trama na grade da Globo, pois não haverá mais minisséries até o final do ano. Entretanto, a emissora estreou na semana passada (27/09) "Nada Será Como Antes", nova série que passa a ocupar a faixa das terças ---- quando era exibida a trama da Fátima (Adriana Esteves) ----, logo após a novela das nove. Serão 12 episódios, tendo a direção de José Luiz Villamarim em parceria com Walter Carvalho, a mesma dupla bem-sucedida responsável pela produção recém-terminada (além das primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu").


Escrita por Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado, a trama é inspirada na chegada da televisão ao Brasil, tendo todas as licenças poéticas necessárias para contar essa história. A tevê chegou ao país em 1950, trazida por Assis Chateaubriand, e a figura de ambicioso empreendedor na ficção é representada por Murilo Benício, que interpreta o sonhador Saulo --- dono da Rádio Guanabara. O personagem começa no passado, na década de 40 (era do rádio e auge das rádio-novelas), se encantando pela voz de Verônica (Débora Falabella), uma dedicada radioatriz que mora no interior. Ele a procura, propõe emprego, e não demora para os dois iniciarem um relacionamento. A química dos talentosos atores (que namoram na vida real) serviu para destacar o par logo no início, fazendo por merecer o protagonismo.

Após uma passagem de dez anos, o casal começa a enfrentar um drama típico dos folhetins: ambos querem um filho, mas ele acaba descobrindo em um exame que é estéril. Para não decepcioná-la, Saulo inventa que não a ama mais e pede a separação. A situação é um pouco controversa, pois seria bem mais plausível o apaixonado homem ter contado simplesmente a verdade.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Narrativa ousada, elenco de peso e tramas fortes marcaram o sucesso de "Justiça"

"Toda justiça termina em castigo? Quem busca justiça aceita o perdão? Justiça a qualquer preço é justiça?" A minissérie escrita por uma inspirada Manuela Dias e dirigida por um brilhante José Luiz Villamarim respondeu essas perguntas na última semana, e ao longo da trama --- ambientada em Recife, fugindo do eixo RJ/SP ---, que já é uma das melhores produções do ano. Foram 20 episódios, exibidos durante cinco semanas, que apresentaram histórias extremamente fortes, prendendo o telespectador através de situações cruelmente reais e com personagens muito bem construídos pela autora.


A ousadia da narrativa foi a principal característica da minissérie, que apresentava um protagonista por dia e interligava os dramas de forma eficiente, exigindo uma maior atenção do público. A personagem principal da segunda era coadjuvante na terça e quase figurante na quinta e na sexta, por exemplo. Todos os perfis acabavam sendo vistos sempre, mas em diferentes posições e ângulos. A mesma cena era assistida várias vezes ao longo da semana, dependendo da mudança de foco do enredo. A 'novidade' bastante arriscada se mostrou um dos pontos altos de "Justiça", destacando o trabalho minucioso do diretor e sua equipe.

José Luiz Villamarim (que novamente teve o grande Walter Carvalho como parceiro, após as primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") se preocupou em cada detalhe, valorizando a atuação do elenco, expondo a complexidade, a solidez e a controvérsia de todos aqueles personagens. O grau de dificuldade em gravar várias sequências de ângulos distintos era alto, mas o resultado foi o melhor possível.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ousada e caprichada, "Justiça" mostra a força de sua história logo no início

"Existe justiça na vingança? Fazer silêncio é fazer justiça? A justiça é mais cega do que a paixão? Se a lei não faz justiça, então ela serve para quê? Falta de justiça tem cura?" Baseada nessas premissas bastante pertinentes, estreou nesta segunda-feira (22/08) a nova minissérie da Globo. "Justiça" ---- escrita por Manuela Dias (responsável pela elogiada "Ligações Perigosas" no início do ano) e dirigida por José Luiz Villamarim (diretor das primorosas "O Canto da Sereia", "Amores Roubados" e "O Rebu") ---- estava cercada de expectativas em virtude das suas chamadas arrepiante. E o início da produção já honrou toda a ansiedade pela estreia, expondo a força de sua história (ambientada em Recife, fugindo um pouco do eixo RJ/SP) logo na primeira semana.


A minissérie conta o enredo de uma forma bem ousada, já observada nas séries "Sessão de Terapia", no canal a cabo GNT, e "Os Experientes", na Globo. São quatro histórias independentes que se cruzam, mudando a condição de destaque dos personagens de acordo com o dia. O protagonista de segunda é o coadjuvante de terça e quase uma figuração na quinta, servindo ainda de elenco de apoio na sexta, ou vice-versa. Mas todos acabam sempre presentes, independente do episódio. Na estreia, por exemplo, o público foi apresentado ao drama de Elisa (Debora Bloch), mulher que planeja se vingar do homem que matou sua filha.

O primeiro capítulo expôs o conjunto muito bem entrelaçado da minissérie, mesmo contando somente o enredo daquela mãe dilacerada por dentro. Isso porque já foi possível ver o estopim das três outras tramas: Rose (Jéssica Ellen) e Débora (Luisa Arraes) comprando drogas --- perfis centrais das quintas ---, e o pânico de Maurício (Cauã Reymond) --- protagonista das sextas ---, assim que sua esposa (Beatriz - Marjorie Estiano) é atropelada. O chocante atropelamento foi visto por Elisa, que saía de um restaurante com um rapaz mais novo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

"Justiça": o que esperar da próxima minissérie da Globo?

A autora Manuela Dias estreou sua primeira produção solo este ano. E foi muito bem-sucedida. A minissérie "Ligações Perigosas", exibida em janeiro, foi brilhante, destacando a boa adaptação da escritora do clássico romance de Choderlos de Laclos. Sete meses se passaram e agora ela estreia uma produção de sua autoria, cujas chamadas despertaram interesse assim que começaram a ir ao ar. "Justiça" entrará no ar no dia 22 de agosto, uma segunda-feira, logo após o término das Olimpíadas, sendo exibida depois de "Velho Chico".


A minissérie terá 20 capítulos e contará em cinco semanas quatro histórias diferentes. Todas se interligam em algum momento e cada dia haverá um protagonista. A produção tem o mesmo esquema das novelas das 23h, ou seja, quarta-feira não será exibida em virtude do futebol. Como o próprio site oficial mencionou, o protagonista de segunda-feira pode ser um coadjuvante na terça, ser figurante na quinta e ter uma aparição relâmpago na sexta. É uma narrativa muito ousada para a televisão aberta. Entretanto, não é inédita.

No canal cabo GNT, por exemplo, houve um formato semelhante na primorosa série "Sessão de Terapia", onde o psicólogo Teo (Zécarlos Machado) era o protagonista, mas cada dia da semana contava com um personagem central diferente. E, no caso, os enredos dos pacientes não se cruzavam. Somente o terapeuta 'transitava' na história. Outra situação que merece ser lembrada era a de "Os Experientes", grande série exibida em 2014 pela Globo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Os vencedores da 17ª edição do "Prêmio Contigo"

A décima-sétima edição do "Prêmio Contigo!" de Televisão aconteceu nesta segunda-feira (dia 8), no Copacabana Pallace (Rio de Janeiro),e  mais uma vez encerrando a leva de premiações referentes ao ano de 2014, ainda que muitas produções de 2015 tenham sido inseridas na lista de indicados. A festa contou com a presença de vários artistas e ainda homenageou os 50 anos da Rede globo e a grande Glória Pires, que se emocionou com o merecido reconhecimento à sua longeva carreira televisiva. A justiça prevaleceu na maioria das categorias, embora algumas vitórias (mesmo já esperadas) tenham decepcionado.


Apresentada pela extraordinária Fernanda Montenegro e pelo talentoso Mateus Solano, a premiação começou com um divertido momento da respeitada atriz dando um selinho em Mateus, que protagonizou em 2014 o histórico beijo de "Amor à Vida" com Thiago Fragoso. A dama do teatro e da televisão ainda brincou dizendo que eles deram o primeiro beijo gay do "Prêmio Contigo!" ----- curiosamente, o ator no ano passado esteve em uma história de sucesso e fez parte de um casal homossexual de extrema aceitação, ao contrário do que ocorre atualmente com Fernanda em "Babilônia".

A primeira categoria foi de Melhor Atriz Coadjuvante e a vencedora foi Marina Ruy Barbosa, pela Maria Isis, de "Império". Ela concorreu com Andreia Horta ("Império"), Giovanna Lancellotti ("Alto Astral"), Adriana Birolli ("Império"), Emanuelle Araújo ("Malhação") e Camila Morgado ("O Rebu"). Marina convenceu na trama e mereceu o prêmio, mas as concorrentes também mereciam, principalmente Andreia.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"Amores Roubados", "O Caçador", "O Rebu" e "Dupla Identidade" enriqueceram a faixa das 23h da Globo

Com o ano de 2014 perto de seu fim, é possível constatar que a Globo conseguiu engrandecer sua faixa das 23h com produções que foram verdadeiros presentes para o público. Logo no início do ano, em janeiro, a emissora exibiu a elogiada "Amores Roubados", que deu um bom retorno na audiência. Depois, estreou a ótima série policial "O Caçador", que saiu do ar cedendo lugar para a impecável novela "O Rebu", exibida quatro dias por semana. E, agora, "Dupla Identidade" fecha este ciclo de tramas tão bem elaboradas.


"Amores Roubados" começou sendo exibida logo após a novela das nove, mas com a estreia do "Big Brother Brasil", passou a ir ao ar depois das 23h. Com isso, obviamente, os números do Ibope sofreram uma queda, mas a qualidade não. Escrita por George Moura e dirigida por José Luiz Villamarim, a história de um rapaz que se apaixonava pela filha de um homem poderoso conseguiu prender a atenção e ainda retratou muito bem um lado do nordeste pouco conhecido: o dos ricos empreendedores, através do empresário Jaime Favais (Murilo Benício).

Ambientada em Pernambuco e inspirada no livro "A Emparedada da Rua Nova", a produção contou com um elenco enxuto e de muita qualidade ----- Isis Valverde, Patrícia Pillar, Osmar Prado, Irandhir Santos, Dira Paes, entre outros.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Com "Amores Roubados" e "O Rebu" se destacando, 58ª edição da "APCA" faz justiça na premiação dos melhores de 2014

Na primeira segunda feira de dezembro (dia 1º), foi realizada a tradicional assembleia da Associação Paulista de Críticos de Artes, mais conhecida como "APCA", que reuniu mais de 50 críticos do Sindicado dos Jornalistas do Estado de São Paulo para escolher os melhores em várias categorias, como Arquitetura, Cinema, Artes Visuais, Música Popular, Literatura, Dança, Rádio, Teatro, Teatro Infantil e Televisão.


E na categoria Televisão (sem excluir as demais, vale ressaltar), tanto os finalistas quanto os vencedores foram merecidos. A 58ª edição da "APCA" honrou as qualidades de várias produções e o trabalho de talentosos atores que brilharam em 2014. "Amores Roubados" e "O Rebu" foram as grandes premiadas e, curiosamente, ambas foram encabeçadas pela mesma equipe, que inclusive contou com a participação de alguns atores nas duas produções.

"Amores Roubados" ganhou na categoria "Dramaturgia" e o troféu foi muito justo. A minissérie de George Moura, com direção de José Luiz Villamarim, fez um grande sucesso e arrebatou público e crítica com uma história que mesclava suspense e muito drama.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Penúltimo e último capítulos de "O Rebu" honraram todas as qualidades da melhor novela de 2014

O remake de "O Rebu" chegou ao fim na última sexta-feira (12/09) e saiu de cena de forma primorosa. Todos os capítulos da trama de George Moura e Sérgio Goldenberg foram repletos de bons embates, uma boa dose de mistério e um nível de tensão alto. Mas o penúltimo e o último capítulos desta tão instigante obra conseguiram superar todos os outros, encerrando esta produção da melhor forma possível.


Os autores surpreenderam o telespectador ao revelar já no penúltimo capítulo a tão aguardada cena do Bruno (Daniel de Oliveira) levando uma pancada na cabeça e sendo trancado no freezer. Ao invés de esperar o último dia para expor toda a situação do crime, como costuma ocorrer na maioria dos folhetins que usam o recurso do 'Quem matou?', optaram em dividir a revelação em duas partes excepcionais e impactantes.

A primeira parte foi em cima da mensagem de texto que Bruno enviou para Kiko (Pablo Sanábio), pedindo socorro e contando que Duda tinha lhe prendido no freezer, descoberta por Rosa (Dira Paes) e Pedroso (Marcos Palmeira). Esta informação serviu de pretexto para a exibição de uma das cenas mais fortes do remake.

sábado, 13 de setembro de 2014

Com fortes cenas e grandes interpretações, "O Rebu" chega ao fim considerada uma das novelas mais caprichadas da Globo

Após 36 capítulos de muito luxo, qualidade, fortes embates, grandiosas interpretações e uma intensa investigação policial, chegou ao fim "O Rebu", uma das mais caprichadas novelas já produzidas pela Globo. O remake baseado na obra de Bráulio Pedroso impressionou logo no primeiro capítulo e manteve a boa impressão durante toda a sua exibição, prendendo o telespectador através de uma trama instigante, bem entrelaçada e repleta de tipos ambíguos.


Escrita primorosamente por Sérgio Goldenberg e George Moura, a novela teve uma direção impecável de José Luiz Villamarim e uma fotografia de encher os olhos de Walter Carvalho ---- mesma competente equipe de "O Canto da Sereia" e "Amores Roubados". Todo este belo conjunto foi acrescido de uma gama de personagens cheios de nuances e de um elenco maravilhoso. Para culminar, a trilha sonora era repleta de clássicos nacionais e internacionais. Com tantas qualidades reunidas, ficou difícil não se encantar por esta produção, que engrandeceu o horário das onze.

Aos poucos, foi sendo possível perceber que a história era muito mais que um simples 'Quem matou?'. Os autores fizeram questão de construir um enredo riquíssimo, inserindo fortes dramas na vida de todos os personagens, valorizando automaticamente a interpretação dos atores que fizeram parte deste tão bem escalado time.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"O Rebu": quem matou Bruno Ferraz?

O mistério de um assassinato sempre desperta interesse em novelas. Algumas tramas tem este recurso como foco central e outras usam o 'Quem matou?' na reta final para dar uma movimentada a mais. No caso de "O Rebu", o crime é o grande protagonista da história e também responsável pela exposição do passado nebuloso de todos os personagens. Com a trama em plena reta final, as investigações da polícia estão cada vez mais avançadas, mas o enigma em torno do criminoso é difícil de ser desvendado.


George Moura e Sérgio Goldenberg desenvolveram muito bem a história e todas as cenas da novela são necessárias para que as peças deste tão complicado quebra-cabeças sejam montadas. E como todos os personagens são ambíguos e complexos, é humanamente impossível descartar qualquer um como o assassino. Mas, obviamente, as pistas que estão sendo deixadas desde o primeiro capítulo ajudam a eliminar alguns perfis e focar mais em outros, ainda que não exista santo na história.

Na versão original, a identidade do corpo só foi desvendada após cinquenta capítulos. A partir de então, começou-se a investigação em torno do responsável pela morte. Já no remake, logo na estreia foi mostrado que Bruno Ferraz (Daniel de Oliveira) tinha sido a vítima. Porém, a novela é tão bem emaranhada de subtramas, que há muitos outros mistérios em torno do crime.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"O Rebu": uma produção de qualidade inquestionável

A estreia de "O Rebu" foi empolgante. Repleta de luxo, com um grande elenco, personagens ambíguos, trilha sonora impecável, trama instigante e fotografia lindíssima, a novela causou uma ótima primeira impressão em seu primeiro capítulo. E, após algumas semanas no ar, pode-se constatar com bastante tranquilidade que o remake escrito por George Moura e Sérgio Goldenberg é um produto de qualidade inquestionável.


Dirigida por José Luiz Villamarim, a novela tem apresentado uma sucessão de cenas tensas e muito bem interpretadas, onde se observa claramente a competência do diretor extraindo tudo o que pode deste tão bem escalado elenco. Passada em 24 horas ----- a noite da festa e a manhã seguinte ----- e repleta de flashbacks reveladores, a história é muito mais do que o mistério que cerca o assassinato de Bruno (Daniel de Oliveira). E todos os seus meandros vão sendo apresentados ao público aos poucos, através dos podres dos convidados.

Isso porque todos os personagens têm falhas de caráter e telhado de vidro. Não há ninguém confiável. A novela é engrandecida com vários tipos complexos e ambíguos, onde não se sabe quem tem mais ou menos motivos para temer as investigações da polícia. O único fato concreto é que não há santo na história e nem aquele típico mocinho ou mocinha de folhetim.