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sexta-feira, 5 de maio de 2023

"Travessia" chega ao fim como a pior novela de Glória Perez

 O desafio de Glória Perez não era simples: manter os bons índices conquistados pelo remake de "Pantanal", que tinha elevado a audiência do horário nobre da Globo, após a péssima (e injusta) média de "Um Lugar ao Sol". Mas a prestigiada autora não conseguiu. Pelo contrário, derrubou os números, que não apresentaram uma reação significativa ao longo dos meses. E a rejeição do público fez jus ao enredo frágil e mal desenvolvido. "Travessia", dirigida por Mauro Mendonça Filho, chegou ao fim nesta sexta-feira (05/05) marcada por uma avalanche de críticas, após longos e maçantes 179 capítulos.

Glória prometeu uma história sobre fake news, onde a modernidade da tecnologia moveria o enredo e todos os núcleos com conflitos envolventes. O estranhamento começou logo no primeiro capítulo. A protagonista, Brisa (Lucy Alves), surgiu criança ao lado de Ari (Chay Suede), em uma primeira fase que passou voando, assim como a aparição da dupla. O destaque mesmo foi em cima da família de Chiara (Jade Picon) através do embate entre Guerra (Humberto Martins) e Moretti (Rodrigo Lombardi), que culminou em um flagra de traição, com direito a uma sucessão de situações apressadas que resultaram na morte de Débora (Grazi Massafera), a personagem que dominou a estreia. Ninguém entendeu muito bem o intuito da correria e muito menos a intenção em quase ignorar a mocinha do folhetim. 

Logo no terceiro capítulo, outro momento que provocou estranhamento: o embate entre as irmãs Guida (Alessandra Negrini) e Leonor (Vanessa Giácomo). Como Guida se casou com Moretti, que era ex de Leonor, a irmã trocada tacou fogo no vestido de noiva no dia do casamento. Uma catarse ótima, mas que deveria ter sido exibida lá na metade de trama no ar. O telespectador mal conhecia as personagens ainda e nem havia empatia ou envolvimento com nenhuma.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

"Travessia" parece exibir o mesmo capítulo todos os dias

 A situação da atual novela das nove da Globo está a cada dia pior. "Travessia" está com uma das piores médias do horário nobre da emissora e a audiência não aumentou nem com o início do "BBB 23". Aliás, pelo contrário, vem prejudicando os índices do reality. E o fato é que a história de Glória Perez, dirigida por Mauro Mendonça Filho, tem feito por merecer o desinteresse do público. 


A novela parece apresentar o mesmo capítulo todo santo dia. A autora se mostra perdida no desenvolvimento de seu roteiro e fica claro que precisou alterar os rumos por conta da rejeição do telespectador. O folhetim era para ter como mote central a disseminação das fake news e como podem destruir a vida de pessoas. No início, até houve o quase linchamento da mocinha por conta de uma mentira espalhada pela internet, situação baseada em um fato real ocorrido em 2014. Porém, Glória errou feio ao colocar algo tão sério e que tem grandes organizações por trás como fruto da irresponsabilidade de um adolescente. Para culminar, o contexto foi simplesmente apagado ao longo dos meses. 

A história virou uma eterna disputa entre Brisa (Lucy Alves) e Ari (Chay Suede) pela guarda do filho, uma criança chata e mimada. A impressão que causa é que o fim da batalha judicial implicará no término de conflitos do folhetim. Talvez por isso a escritora esteja demorando tanto para fechar o ciclo. Porque não há outro para começar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

"Mar do Sertão", "Cara e Coragem" e "Travessia" têm algo em comum: a falta de história

 A atual fase novelística da Globo não anda nada boa. A única inédita que vem correspondendo na audiência é "Mar do Sertão", a produção das seis. Já "Cara e Coragem" e "Travessia" patinam nos números. A das sete está a menos de dois meses do seu fim e o fracasso é um fato. Já a das nove ainda está no começo e pode reverter ao longo dos meses. No entanto, é perceptível que os três folhetins têm a falta de enredo como ponto comum. 

"Mar do Sertão" teve um início dos mais promissores com uma trama clássica de vingança. No entanto, o autor resolveu todo o 'plot' com menos de um mês de história no ar. Zé Paulino (Sérgio Guizé) foi dado como morto, teve uma rápida passagem de tempo de dez anos, e o mocinho logo voltou sem nenhuma explicação convincente para o público de como sobreviveu ao longo dos anos e nem como ficou rico. E sua volta não teve nenhum impacto porque os personagens reagiram como se o rapaz estivesse voltando de uma viagem e não saído de uma cova. Não deu para entender a intenção de Mário Teixeira em aniquilar seu enredo de uma forma tão primária. 

Mas então qual o motivo da novela das seis ter uma boa audiência? É fácil explicar. Todos os personagens exalam carisma e a trama tem bastante leveza. O enredo é sustentado por esquetes nos núcleos secundários e parte do público se contenta com isso. Porém, não há um arco narrativo. O conflito central anda em círculos e Tertulinho (Renato Góes) virou um vilão repetitivo que planeja matar Zé Paulino desde a estreia. Vários personagens somem e voltam sem maiores explicações. E o romance dos mocinhos nem tem mais o que caminhar porque Zé e Candoca (Isadora Cruz)  nem demoraram muito tempo separados.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

"Travessia" tem início confuso e pouco crível

 A nova novela das nove está há menos de um mês no ar. E já era esperado uma certa dificuldade na audiência inicial de "Travessia". Após uma novela de sucesso, como o remake de "Pantanal", há um natural luto do público, ainda mais diante de um folhetim que apresenta temáticas totalmente opostas da produção recém-terminada. A história de Glória Perez fala de tecnologia e metaverso, enquanto a anterior parecia um enredo de época diante de tantos personagens avessos até ao uso de celular. Mas é preciso pontuar: não é somente por conta de saudades da trama passada que a atual enfrenta certa resistência do público. 


Gloria Perez resolveu iniciar seu enredo de forma confusa. O primeiro capítulo teve um amontoado de acontecimentos que poderiam ter sido divididos em três ou quatro capítulos sem deixar o ritmo arrastado. Houve uma correria desnecessária a ponto da protagonista mal aparecer. Brisa apareceu brevemente na infância ao lado de Ari e logo houve uma passagem de tempo, mas utilizando a vida da Chiara (Jade Picon) como 'medidor' dos anos. Chiara parecia a protagonista. Tanto que Grazi Massafera dominou a estreia e Débora morreu em um trágico acidente de carro pouco depois de parir a filha. 

A impressão não mudou com o passar dos capítulos. O foco continua sendo Chiara e agora o deslumbramento de Ari (Chay Suede) com uma vida de luxos. Nada contra os personagens, até porque é cedo demais para maiores análises, mas o envolvimento do casal não desperta interesse até porque o rapaz está se mostrando um oportunista sem caráter. E ela é uma patricinha fútil e e com comentários xenofóbicos. As cenas estão ficando repetitivas.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

"Travessia": o que esperar da nova novela das nove?

 A missão de Gloria Perez não é fácil: manter os excelentes índices alcançados pelo remake de "Pantanal". Mas a autora já tem experiência em substituir grandes sucessos, assim como imensos fracassos. Com "Salve Jorge", folhetim massacrado por crítica e público, falhou ao ocupar o lugar do fenômeno "Avenida Brasil", em 2013. Já com "A Força do Querer", em 2017, sua melhor novela até hoje, conseguiu reerguer a faixa das nove, que antes fracassava com a audiência pífia de "A Lei do Amor". Agora a escritora vem com "Travessia" e promete prender o telespectador com uma dramaturgia clássica. 


Ari (João Bravo/Chay Suede) e Brisa (Mariah Yohana/Lucy Alves) cresceram juntos no interior do Maranhão, às margens dos Lençóis. Ele, filho adorado de dona Núbia (Drica Moraes), uma comerciante local que destinou todas as economias para dar ao menino condições de galgar um futuro melhor. Ari estudou, se formou em arquitetura e, incentivado por Dante (Marcos Caruso), seu professor desde menino e mentor, se dedica à defesa do patrimônio histórico maranhense. Já Brisa é uma jovem que cresceu órfã e tirou desta ausência forças para se tornar uma mulher determinada e batalhadora. Ela pulsa a cultura de seu estado: dança em todas as rodas de Tambor de Crioula e se apresenta em grupos de Bumba Meu Boi, quando não está jogando nas sete para garantir o próprio sustento. 

Na infância, Ari e Brisa eram sinônimo de implicância mútua. Mas, aos poucos, o coração falou mais alto e eles engataram um romance despretensioso, no início. As coisas aceleram quando eles descobrem que estão esperando um bebê. Quando começa a história de "Travessia", Ari e Brisa ---- e o filho Tonho (Vicente Alvite) ---- já moram juntos há alguns anos e estão prestes a oficializar o casamento.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Tudo sobre a segunda coletiva online de "Travessia", a nova novela das nove

 A Globo promoveu na quinta-feira passada (15/09) a segunda coletiva online de "Travessia", a nova novela das nove. Estiveram presentes a autora Gloria Perez e os atores Humberto Martins, Vanessa Giácomo, Cássia Kiss, Bel Kutner, Rafael Losso, Noêmia Costa, Dandara Mariana, Jade Picon e Alessandra Negrini. Fui um dos convidados e conto tudo sobre o bate-papo.


Gloria Perez comentou sobre a abordagem da internet na trama: "Não vou focar no aspecto dos ataques na internet. E sim em como as relações humanas se configuram. Você pode se unir com outras pessoas para algo bacana e reunir para destruir uma pessoa. Essa tendência de hoje a criar realidades paralelas e a viver em mundos que não são reais me interessa muito. E isso faz parte de uma nova percepção de realidade. Quero falar de algo bem maior do que isso. Quando fiz a série 'Dupla Identidade' fui a Polícia Federal em Brasília e me mostraram como era a Deep Web. Nunca tive coragem de instalar aquilo no meu computador para ver como é. Mas faz parte da novela porque é ali que os crimes acontecem. É uma grande história de amor cheia de muitos conflitos. Quero que as pessoas se dividam sobre com quem a Brisa (Lucy Alves) deve ficar. Tem horas que o telespectador vai ficar com muita raiva do Ari (Chay Suede), mas tem horas que ele faz algo que o público vai voltar a gostar dele e deixar de torcer pelo Oto (Romulo Estrela). Mas depois pisa na bola de novo e vão voltar a preferir o Oto. Não sei como ela vai terminar porque novela tem um ponto de partida, mas a gente não sabe como termina", pontuou a autora

Jade Picon falou sobre sua personagem e o desafio de estrear em uma novela: "Ainda estou descobrindo tudo o que eu e Chiara temos de semelhante. Somos duas garotas jovens que estão antenadas na moda. Sinto conexão muito grande com ela. Tendência. Mas tem muitas coisas na maneira de lidar com situações que eu lidaria de maneira diferente. Quem me conhece vai ver melhor quais são as semelhanças e as diferenças.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Tudo sobre a primeira coletiva online de "Travessia", a nova novela das nove

 A Globo promoveu na última sexta-feira, dia 09, a primeira coletiva online de "Travessia", a nova novela das nove, escrita por Glória Perez e dirigida por Mauro Mendonça Filho. Além da autora e do diretor, participaram os atores: Lucy Alves, Chay Suede, Drica Moraes, Camila Rocha, Priscila Vilela e Marcos Caruso. O gerente de produção Claudio Dager também participou do bate-papo. Fui um dos convidados e conto sobre tudo o que foi comentado. 


Lucy Alves falou sobre sua mocinha: "A Brisa é muito resiliente, tem uma força descomunal. O perfil dela me chamou atenção por ela ser uma rocha. Sempre com muita força e muita ternura. Ela tem muito amor para dar. Estou curiosa para o que vai acontecer com ela. E muita coisa vai se transformar dentro dela. São muitas perdas. Ela tem que se reorganizar para recuperar tudo o que perdeu. Não é uma mulher boba, sempre teve que se virar. É órfã e teve que se virar assim. Reagindo ao que a vida vem trazendo para ela. É um arco interessante da heroína. Essa mulher brasileira que não desiste. Cada dia de gravação é muito enriquecedor. É minha primeira protagonista e estou muito honrada em estar em uma novela da Gloria", se animou a atriz e cantora.

Gloria Perez comentou sobre a temática de sua nova história: "Gosto muito de observar como a sociedade se comporta com o avanço da tecnologia. É disso que se trata a novela. Temos um grande avanço agora que permite que todas as pessoas interajam entre si e isso deixa o mundo pequeno. Mas pensei em como usar isso. Vamos falar sobre todas as novas modalidades de crime que essa coisa tão mágica como a internet traz e por isso temos a volta da delegada Helô. Também vamos ter a inteligência artificial.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

"O Clone" foi um grande acerto de Glória Perez

 Entre 1º de outubro de 2001 e 14 de junho de 2002, a Globo exibiu "O Clone", um de seus maiores sucessos. Ainda conseguiu emplacá-lo em vários países, consolidando seu êxito. A novela de Glória Perez foi um de seus melhores trabalhos da carreira e a autora foi muito feliz na construção desta história tão rica e repleta de personagens atraentes. A produção foi reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" pela primeira vez entre 10 de janeiro e 9 de setembro de 2011, repetindo a boa aceitação que teve na época. Não foi diferente com a reexibição no Canal Viva em 2020. E a segunda reprise na faixa vespertina da Globo, que chega ao fim nesta sexta-feira, dia 13, novamente foi bem-sucedida.


Protagonizada por Giovanna Antonelli e Murilo Benício, o folhetim estreou pouco depois do atentado às Torres Gêmeas, tragédia que abalou os Estados Unidos e chocou o mundo. Houve até um certo desconforto inicial, uma vez que parte da trama era ambientada em Marrocos, na cidade de Fez, onde viviam vários muçulmanos. Mas a polêmica não durou muito tempo e os costumes daquele povo caíram no gosto popular, comprovando que o núcleo foi um dos muitos acertos da produção.

A novela abordou vários temas polêmicos e soube explorá-los com competência. Dividida em duas fases, a história começa em 1983, apresentando a vida de Leônidas (Reginaldo Faria), rico empresário, pai de gêmeos idênticos (Lucas e Diogo, vividos por Murilo), que não tem muito tempo para os filhos.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Reprise comprovou que "A Força do Querer" foi a melhor novela de Glória Perez

A missão de Glória Perez era complicada em 2017. Levantar a média do horário nobre da Globo, após uma sucessão de novelas fracassadas e/ou problemáticas. Para culminar, o seu retorno era cercado de desconfianças, em virtude da equivocada "Salve Jorge", seu pior folhetim, exibido em 2013. Mas, a autora conseguiu cumprir o objetivo com louvor e calou a boca de quem duvidava. "A Força do Querer" elevou a média da faixa em nove pontos, ao longo de 173 capítulos, obtendo 36 de média geral (contra 27 de "A Lei do Amor"), se firmando como o maior sucesso do horário desde "Amor à Vida" (também com 36 pontos). Não é pouca coisa. E a reprise, em virtude da pandemia do novo coronavírus, comprovou todos os acertos da novela.


"A Força do Querer" foi a melhor novela da escritora, conseguindo superar até a elogiada e inesquecível "O Clone", de 2001. Isso porque Glória soube se reciclar, corrigindo os vários erros observados em tramas como "Caminho das Índias", "América" e a já citada "Salve Jorge". Após abusar do recurso da exploração de culturas estrangeiras, a autora resolveu apostar em um enredo 100% nacional, tendo o Pará (através da fictícia Parazinho) como um dos locais de sua história. Ainda assim, o ambiente esteve presente apenas no primeiro mês, sendo logo 'abandonado' quando todos os personagens de lá se mudaram para o Rio de Janeiro. E foi ótimo não ter 'dancinhas' ou bordões com expressões estrangeiras. Estava bastante repetitivo.

Outra medida adotada com êxito foi a escolha do protagonismo. Em meio ao empoderamento feminino, Glória colocou três mulheres como figuras centrais, intercalando o destaque de cada uma. E escalou três atrizes de peso: Paolla Oliveira, Juliana Paes e Isis Valverde. O trio honrou a confiança da escritora, fazendo de Jeiza, Bibi e Ritinha tipos marcantes, que caíram na boca do povo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Reprise de "O Clone" foi uma boa escolha do Canal Viva

Entre 1º de outubro de 2001 e 14 de junho de 2002, a Globo exibiu "O Clone", um de seus maiores sucessos, e ainda conseguiu emplacar em vários países, consolidando seu êxito. A novela de Glória Perez foi um de seus melhores trabalhos da carreira e a autora foi muito feliz na construção desta história tão rica e repleta de personagens atraentes. A produção foi reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" entre 10 de janeiro e 9 de setembro de 2011, repetindo a boa aceitação que teve na época. E não foi diferente a reexibição no Canal Viva, que chega ao fim nesta sexta-feira (21/08).


Protagonizada por Giovanna Antonelli e Murilo Benício, o folhetim estreou pouco depois do atentado às Torres Gêmeas, tragédia que abalou os Estados Unidos e chocou o mundo. Houve até um certo desconforto inicial, uma vez que parte da trama era ambientada em Marrocos, na cidade de Fez, onde viviam vários muçulmanos. Mas a polêmica não durou muito tempo e os costumes daquele povo caíram no gosto popular, comprovando que o núcleo foi um dos muitos acertos da produção.

A novela abordou vários temas polêmicos e soube explorá-los com competência. Dividida em duas fase, a história começa em 1983, apresentando a vida de Leônidas (Reginaldo Faria), rico empresário, pai de gêmeos idênticos (Lucas e Diogo, vividos por Murilo), que não tem muito tempo para os filhos.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Repleta de qualidades, "A Força do Querer" foi a melhor novela de Glória Perez

A missão de Glória Perez era complicada. Levantar a média do horário nobre da Globo, após uma sucessão de novelas fracassadas e/ou problemáticas. Para culminar, o seu retorno era cercado de desconfianças, em virtude da equivocada "Salve Jorge", seu pior folhetim, exibido em 2013. Mas, a autora conseguiu cumprir o objetivo com louvor e calou a boca de quem duvidava. "A Força do Querer" elevou a média da faixa em nove pontos, ao longo de 173 capítulos, obtendo 36 de média geral (contra 27 de "A Lei do Amor"), se firmando como o maior sucesso do horário desde "Amor à Vida" (também com 36 pontos). Não é pouca coisa. E todo esse resultado fez jus ao que foi apresentado para o público.


"A Força do Querer" foi a melhor novela da escritora, conseguindo superar até a elogiada e inesquecível "O Clone", de 2001. Isso porque Glória soube se reciclar, corrigindo os vários erros observados em tramas como "Caminho das Índias", "América" e a já citada "Salve Jorge". Após abusar do recurso da exploração de culturas estrangeiras, a autora resolveu apostar em um enredo 100% nacional, tendo o Pará (através da fictícia Parazinho) como um dos locais de sua história. Ainda assim, o ambiente esteve presente apenas no primeiro mês, sendo logo 'abandonado' quando todos os personagens de lá se mudaram para o Rio de Janeiro. E foi ótimo não ter 'dancinhas' ou bordões com expressões estrangeiras. Estava bastante repetitivo.

Outra medida adotada com êxito foi a escolha do protagonismo. Em meio ao empoderamento feminino, Glória colocou três mulheres como figuras centrais, intercalando o destaque de cada uma. E escalou três atrizes de peso: Paolla Oliveira, Juliana Paes e Isis Valverde. O trio honrou a confiança da escritora, fazendo de Jeiza, Bibi e Ritinha tipos marcantes, que caíram na boca do povo.

sábado, 14 de outubro de 2017

Glória Perez faz bela homenagem aos policiais mortos em "A Força do Querer"

O Rio de Janeiro vive um período que pode ser considerado catastrófico. O país todo está em um momento caótico, mas a cidade maravilhosa consegue está pior. E um dos casos mais preocupantes é a violência, culminando ainda na falência das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora, antes vistas como uma esperança). Mais de cem policiais já foram mortos só esse ano e até o final desse texto algum outro terá morrido. Com base nisso, Glória Perez resolveu prestar uma justa homenagem aos policiais mortos no capítulo desse sábado (14/10) de "A Força do Querer".


Na penúltima semana de novela, a autora inseriu um novo personagem na trama que tinha como único objetivo morrer: o PM Gerson (Well Aguiar), amigo de Jeiza (Paolla Oliveira), que acompanhou a vitória da colega em uma luta de MMA. A amizade dos dois era antiga, segundo o roteiro, e a cumplicidade ficou mostrada nos breves momentos deles juntos. No final do capítulo de sexta (13/10), o policial foi assaltado e morto por dois marginais assim que a dupla viu a farda e uma arma no carro da vítima. "É policial", gritou um, implicando no imediato disparo do segundo, matando o rapaz.

Foi uma cena aterrorizante e que todo brasileiro já viu ou presenciou. A realidade disfarçada de ficção. Jeiza ainda matou um bandido, mas o outro escapou. O grito de desespero dela, logo após constatar a morte do amigo, representou a dor de 108 famílias de policiais que sofreram (e sofrem) esse ano. Paolla Oliveira deu um show de emoção e o momento arrepiou o telespectador.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Com méritos de sobra, "A Força do Querer" é o maior sucesso do horário nobre desde "Amor à Vida"

A atual novela das nove é um sucesso. "A Força do Querer" afastou a 'nuvem negra' que cobria o horário nobre da Globo desde o retumbante fracasso de "Babilônia", em 2015 (marcando míseros 25 pontos) ---- levando em consideração, ainda, a problemática "Em Família", exibida em 2014, que já havia derrubado os números, obtendo 30 pontos de média. Depois do fiasco da novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, nenhuma outra novela conseguiu atingir o cobiçado sucesso. Parecia uma maldição que insistia em assombrar. Mas, Glória Perez veio para trazer de volta os bons tempos da faixa mais importante da emissora.


A autora simplesmente resolveu escrever um folhetim clássico, com direito a todos os clichês do gênero e sem qualquer núcleo estrangeiro, característica das suas últimas produções que já estava bastante desgastada e repetitiva. Além disso, Glória, inteligentemente, apostou nas figuras femininas fortes como perfis principais, alternando o protagonismo de acordo com a necessidade do roteiro, dando espaço para todas brilharem. São três protagonistas bem construídas, uma vilã e três coadjuvantes com dramas envolventes. Os homens são apenas elementos complementadores que movimentam o conjunto. O resultado tem sido o melhor possível.

A trama estreou em abril e, em plena reta final, tem conseguido driblar bem o sinal de barriga. Fica evidente em cada capítulo a preocupação da autora em prender o telespectador através de boas viradas e conflitos alternados, valorizando todos os dramas. Inicialmente, Ritinha (Isis Valverde) foi o elemento que movimentava o enredo e depois foi a vez de Jeiza (Paolla Oliveira) crescer. Posteriormente, Bibi (Juliana Paes) passou a ser o centro das atenções, fechando o trio de protagonistas.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Irene foi uma vilã que deixou bastante a desejar em "A Força do Querer"

"A Força do Querer" tem várias qualidades e faz por merecer todo o sucesso, honrando a ótima audiência alcançada. Porém, a novela de Glória Perez também tem alguns problemas claramente visíveis. A passagem de tempo de um ano, por exemplo, foi inútil e só prejudicou a verossimilhança de alguns contextos. Há também alguns personagens avulsos, embora o elenco seja enxuto. E um outro equívoco que está bem evidente, ainda mais com o enredo em plena reta final, é a falta de relevância de Irene (Débora Falabella).


Vendida como a grande vilã da história, a personagem parecia promissora. Interesseira, manipuladora e ardilosa, a arquiteta seleciona vítimas para seduzir e depois roubar tudo o que elas têm. É assim que enriqueceu. Seu objetivo era conquistar Eugênio (Dan Stulbach), precisando primeiro virar melhor amiga de Joyce (Maria Fernanda Cândido) para elaborar seu plano perfeito. Suas armações sempre contam com a ajuda de Mira (Maria Clara Spinelli), uma cúmplice medrosa. Todo o início desse plano foi interessante de acompanhar. Todavia, o contexto acabou se arrastando e perdendo o fôlego.

É importante citar, aliás, que a situação é muito parecida com a protagonizada por Ivone (Letícia Sabatella), Silvia (Débora Bloch) e Raul Cadore (Alexandre Borges), em "Caminho das Índias" (2009), da mesma autora. Esse núcleo da outra novela, por sinal, era muito cansativo e não funcionou. Glória não conseguiu conduzir esse drama de forma atrativa. Por isso mesmo havia uma desconfiança em torno da jornada de Irene.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Fuga de Rubinho e Bibi proporciona sequência de tirar o fôlego em "A Força do Querer"

Glória Perez não tem poupado trama em "A Força do Querer". Inspirada, a autora vem presenteando o público com capítulos ótimos, destacando os personagens através do esquema de rodízio. Cada um tem a sua vez de brilhar. Depois de Ritinha (Isis Valverde) e Jeiza (Paolla Oliveira), chegou a vez da outra protagonista ganhar espaço: Bibi (Juliana Paes). E a personagem vem crescendo cada vez mais. Tanto que a sequência da fuga de Rubinho (Emílio Dantas), exibida nesta quarta-feira (05/07), foi de tirar o fôlego.


A cena foi um divisor para o enredo. Estabeleceu de vez a rivalidade entre Jeiza e Bibi, ao mesmo tempo que marcou a entrada da esposa do traficante no mundo do crime. Agora ela está tão suja quanto o marido, após já ter incendiado o restaurante onde ele trabalhava para destruir provas e tentado ajudar em outra fuga anterior. E toda a cena da perseguição merece palmas, principalmente pela direção irretocável de Rogério Gomes.

O diretor, sempre competente e elogiado, trabalha com Glória pela primeira vez e está fazendo muito bem a ela. Após a direção catastrófica de "Salve Jorge", a escritora  precisava dessa mudança, além de, claro, estar muito mais 'iluminada' na sua atual história.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Passagem de tempo em "A Força do Querer" se mostrou desnecessária

A atual novela do horário nobre da Globo é um sucesso. A excelente audiência que a produção de Glória Perez, dirigida por Rogério Gomes, vem conseguindo é um merecido reconhecimento do público. "A Força do Querer" é construída com competência e repleta de bons personagens. Na semana passada, entre terça (27) e quarta-feira (28/06), a história teve uma passagem de tempo de um ano. A forma como foi feita, por sinal, primou pelo bom gosto: através de fotos da família de Joyce (Maria Fernanda Cândido). Entretanto, nada mudou no enredo.


Todas as histórias continuaram como estavam. Silvana (Lília Cabral) seguiu jogando às escondidas e fazendo Eurico (Humberto Martins) de trouxa, com a ajuda da empregada Dita (Karla Karenina). Ivana (Carol Duarte) prosseguiu com sua frustração por ser quem é, rejeitando seu corpo e desabafando com a psicóloga. Bibi (Juliana Paes) permaneceu ao lado de Rubinho (Emílio Dantas), visitando o marido criminoso na cadeia, enquanto Eugênio (Dan Stulbach) continuou traindo Joyce com Irene (Débora Falabella). E Yuri (Drico Alves), depois de se livrar do desafio criminoso da Baleia Azul, manteve sua rotina de se vestir de Goku.

Ou seja, esse salto no tempo não contribuiu em nada para o roteiro. E, infelizmente, acabou deixando outros contextos pouco críveis. Um exemplo foi o famigerado ônibus de Zeca (Marco Pigossi). Ele demorou um ano para colocar o nome "Balada Jeiza" e mostrá-lo para namorada. A reforma durou tanto assim? Para culminar, o processo de divórcio dele e Ritinha (Isis Valverde) demorou esse tempo todo para ser concluído? Aliás, não foi concluído.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Glória Perez acerta com o corajoso paralelo entre Ivana e Nonato em "A Força do Querer"

A atual novela das nove vem apresentando ótimos índices de audiência, fazendo por merecer esses bons números. A trama de Glória Perez está bem estruturada, com poucos personagens e dramas convidativos. A maior ousadia da autora é o drama de Ivana (Carol Duarte), uma menina que não se identifica com seu corpo e sofre diante da pressão da mãe e da sociedade. Essa situação é um dos principais acertos do folhetim, ganhando novos contornos através de um interessante paralelo criado com um outro personagem que vem crescendo: o Nonato (Silvero Pereira).


A questão do transgênero ser explorada em uma novela é um bom avanço e a escritora está sendo muito corajosa. O método escolhido por ela expõe a sua criatividade, além de servir como uma explicação objetiva, sem parecer didático ou piegas. Isso porque essa dualidade que começou a ser focalizada no enredo tem funcionado para destacar os dois perfis, ao mesmo tempo que expõe as diferenças que os separam, embora enfrentem o mesmo tipo de preconceito. O que o público vê é um homem muito bem resolvido com seu corpo e uma mulher que não se identifica com o seu reflexo no espelho.

Ivana sempre sofreu pressão da mãe, a fútil Joyce (Maria Fernanda Cândido), para que fosse quase um clone seu. Na breve primeira fase da novela, que durou apenas o primeiro bloco do primeiro capítulo, ficou explícita a intenção da perua para com sua filha, transformando a criança em uma cópia mirim de si mesma.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

"A Força do Querer" vem apresentando um ótimo início

A nova novela das nove estreou no dia 3 de abril, ou seja, está há pouco mais de um mês no ar, bem no comecinho. O primeiro capítulo de "A Força do Querer" foi morno e sem grandes acontecimentos. Parecia um capítulo qualquer e não o número um. Isso não foi um mérito nem um defeito, apenas uma opção da autora. E Glória Perez parece ter plena consciência do que está fazendo, pois está inserindo os dramas cuidadosamente, despertando a atenção do público e agradando a Globo ---- a média até então está em torno dos 31 pontos, melhor início desde "Império".


A história é simples e com poucos personagens, o que é uma novidade e tanto levando em consideração o histórico de Glória. Ela sempre foi uma escritora que encheu suas produções de atores, muitas vezes não conseguindo destacar todos, deixando vários deles avulsos em enredos desinteressantes. Sua última novela, por exemplo, sofreu merecidas críticas em virtude do excesso de gente. "Salve Jorge" foi uma produção problemática em vários aspectos, tendo a quantidade exagerada de intérpretes como um dos principais erros. Agora, a autora parece ter aprendido a lição e resolveu preencher sua nova trama com tipos apenas essenciais para o contexto.

O fato de ter deixado de lado as culturas estrangeiras, que já tinham virado uma espécie de marca, também merece menção. A sua última novela que não teve isso foi o remake de "Pecado Capital", em 1998. Isso porque "América" (2005), querendo ou não, teve os Estados Unidos como uma das temáticas (em virtude da abordagem dos imigrantes ilegais).

terça-feira, 4 de abril de 2017

"A Força do Querer" tem uma estreia morna

"Querer... querer não é sonhar. Querer é se jogar. Querer é trabalhar, superar, realizar. Querer não é desejo, desejo sem suor. Querer é movimento, insistência, persistência, o meu melhor." O teaser de "A Força do Querer" apresentou essa mensagem para o público, iniciando uma espécie de descrição a respeito da motivação dos personagens da nova novela das nove, que estreou nesta segunda-feira (03/04), substituindo a problemática e desfigurada "A Lei do Amor". A responsabilidade de Glória Perez, agora, é recuperar a audiência do horário nobre ---- afinal, ironicamente, sua 'tarefa' com "Salve Jorge" (2013) era manter o imenso sucesso de "Avenida Brasil", falhando na missão.


Pela primeira vez, após várias novelas, a autora não abordará cultura de outros países e focará exclusivamente no Brasil. Tanto que a história começou na fictícia vila do Parazinho, no Pará, tendo a sensual Ritinha (Isis Valverde) como figural central. Ela é uma das três protagonistas do enredo, dividindo o posto com Bibi Perigosa (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). Glória adotará um esquema de rodízio de protagonismos, mesclando as três futuramente, tendo a policial vivida por Paolla como elo de ligação, pois a mesma se envolverá com o ex de Ritinha (Zeca - Marco Pigossi) e tentará prender Bibi ---- que vira a Baronesa do Pó após se envolver com um traficante (Rubinho - Emílio Dantas).

O curioso é que na estreia só uma protagonista apareceu de fato e ainda assim bem pouco. O desgaste da relação de Bibi com Caio (Rodrigo Lombardi) foi exposto, para logo depois vir o término e a junção definitiva dela com Rubinho. Já a sensual Ritinha só apareceu nos minutos finais, nadando no rio em meios aos peixes. Nada de Jeiza.

terça-feira, 28 de março de 2017

"A Força do Querer": o que esperar da próxima novela das nove?

A última novela de Glória Perez no horário nobre não deixou saudades. "Salve Jorge" (2013) tinha como grande objetivo manter o sucesso da faixa após o fenômeno "Avenida Brasil", mas fracassou miseravelmente na complicada missão. Cheia de furos, situações absurdas e personagens sem carisma, a trama foi massacrada por crítica e público, tendo ainda vários atores fazendo figuração de luxo como defeito. Para culminar, a própria escritora criticou a direção fraca do folhetim. Agora, passados quatro anos, a veterana autora retorna com um enredo focado na vida de três mulheres e não terá um país de fora (com bordões, danças e costumes) como parte do conjunto.


A história, dirigida por Rogério Gomes, será protagonizada por três personagens femininas fortes: a policial Jeiza (Paolla Oliveira), a bandida Bibi Perigosa (Juliana Paes) e a sedutora Ritinha (Isis Valverde). O trio norteará o roteiro e cada uma terá o seu momento na novela. A escolha das atrizes se mostra muito bem pensada, pois são nomes de peso e que geram repercussão. Glória declarou que os conflitos serão contados individualmente no início para só depois tudo se entrelaçar. O clipe de 30 minutos da trama (que pode ser conferido aqui) dedica praticamente dez minutos para cada protagonista, mesclando com alguns núcleos paralelos que prometem outras situações interessantes.

Movidas pelo querer, as pessoas são sempre desafiadas a fazer escolhas. Escolhas que fazem bem ou que se voltam contra. Os quereres são múltiplos e se interligam, se chocando ou se harmonizando. São justamente essas questões que serão traduzidas através do enredo escrito por Glória.