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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Selma Egrei pôde mostrar a grande atriz que é em "Velho Chico"

O elenco da primeira fase de "Velho Chico" ---- escrita por Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi, dirigida por Luiz Fernando Carvalho ---- foi muito enxuto. Eram poucos os personagens e a história era voltada apenas para o enredo central, que retratava a tradicional guerra de famílias por poder. Rodrigo Santoro foi o grande protagonista e defendeu com maestria o controverso Afrânio. Porém, um outro grande destaque do início do folhetim foi justamente um nome que estava precisando há tempos de um bom papel nas novelas: Selma Egrei. E, para o privilégio do público, a sua personagem foi uma das poucas que permaneceram na segunda fase, através de um minucioso processo de caracterização.


A atriz esbanja talento e é uma das melhores profissionais do meio, embora não tenha tido tantos papéis significativos na televisão --- o que é de se lamentar bastante, inclusive. Ela ganhou de Luiz Fernando Carvalho (que fez questão de escalá-la) uma personagem interessantíssima, representante da maior licença poética do folhetim. Encarnação era uma autoritária e amargurada mulher, que nunca se conformou com a morte de seu primogênito, afogado no Rio São Francisco. Viúva do influente Coronel Jacinto (Tarcísio Meira), a matriarca da poderosa família fez questão de dominar seu outro filho, Afrânio (Rodrigo Santoro), que assumiu a posição do pai na região.

Ela era a figura clássica da Rainha má e louca dos contos de fadas, mas também podia ser uma representação de Lady Macbeth, figura clássica de William Shakespeare. E a licença poética estava justamente no figurino da personagem que não condizia com o ambiente retratado na trama ---- sertão nordestino, na fictícia Grotas de São Francisco ---- e muito menos com a época.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os destaques do ano

A última retrospectiva e a última postagem do ano, honrando a tradição do blog, é sobre os grandes destaques de 2015. A Globo não teve sorte no horário nobre, mas em compensação emplacou o maior sucesso das 23h e exibiu duas novelas das seis primorosas. Já a Record conseguiu um êxito jamais alcançado com sua primeira novela bíblica, enquanto o SBT manteve a boa média alcançada com mais uma novelinha infantil. A Band exibiu duas ótimas temporadas do melhor reality culinário do país e o canal a cabo GNT produziu algumas boas séries. Enfim, vamos aos destaques deste ano:






"Verdades Secretas".
A melhor novela do ano e o maior sucesso de 2015. A primeira trama inédita das 23h (após quatro remakes), com 64 capítulos e média de 20 pontos, foi mais um grande acerto do autor Walcyr Carrasco, que repetiu a bem-sucedida parceria com o diretor Mauro Mendonça Filho, cuja direção primorosa foi um dos trunfos do folhetim. A história abordou com maestria uma sucessão de temas polêmicos e pesados, prendendo o telespectador diante da televisão até o começo da madrugada. Prostituição, submundo da moda, sexo, drogas, traição, enfim, foram várias temáticas fortes que permearam o roteiro da novela das onze. Destaque também para o excelente elenco, os dúbios personagens, a bela fotografia, além da trilha sonora de qualidade e dos instigantes conflitos.




"Sete Vidas".
A segunda novela de Lícia Manzo teve apenas 104 capítulos, ficando cerca de quatro meses no ar. E a autora mais uma vez, após a envolvente e impecável "A Vida da Gente" (2012), conseguiu emocionar o telespectador com seu texto repleto de sentimentos e com sua história recheada de personagens totalmente reais. Dirigida por Jayme Monjardim, a trama sobre um navegador solitário e traumatizado, que se via diante de sete filhos desconhecidos, foi fascinante e ainda abordou muito bem as novas formações familiares. O bem escalado elenco soube representar com competência todas as pessoas criadas pela talentosa autora e foi um prazer acompanhar todos os desdobramentos de uma história onde a grande vilã era a vida. O grau de realismo dos dramas era tão alto que muitas vezes o público tinha a sensação de espiar tudo pelo buraco da fechadura. Linda novela e elevou em dois pontos a média do horário.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: os melhores casais do ano

Seguindo com a retrospectiva do ano que passou, nada mais justo do que relembrar os melhores casais da ficção. Assim como costuma ocorrer em todos os anos, foram muitos pares que transbordaram química e despertaram torcidas. Claro que os equivocados também existiram, mas esses nem merecem menção. O que vale é a listagem dos romances que engrandeceram os enredos e conquistaram o telespectador.






Lígia e Miguel ("Sete Vidas"): A novela de Lícia Manzo foi um primor e um dos muitos destaques foi o casal protagonista, formado por uma mulher segura de si e um homem complexado. O romance conturbado foi envolvente do primeiro ao último capítulo e os dois não tiveram que enfrentar vilões ao longo da história: o grande impedimento para a felicidade do casal era justamente a vida e todos os traumas que ela causou no sofrido navegador, que se viu no meio de um furacão e cercado por sete filhos completamente desconhecidos. Débora Bloch e Domingos Montagner repetiram a boa química vista em "Cordel Encantado" e combinaram perfeitamente.



Danny Bond e Marília ("Felizes para sempre?"): A prostituta conheceu o amor da sua vida em um programa a três, quando foi chamada para apimentar a relação de um casal que estava em crise. Ela acabou provocando a obsessão de Cláudio (Enrique Diaz) e apresentou a pureza de um sentimento verdadeiro para Marília, mulher que estava a cada dia mais infeliz no casamento. As duas protagonizaram lindas cenas na obra de Euclydes Marinho, onde a cumplicidade se fazia presente em meio a uma trama repleta de podridão e corrupção por todos os lados. O final foi trágico ---- a garota de programa foi assassinada pelo marido do seu amor ----, mas o breve romance foi muito bonito e cheio de sensualidade. Paolla Oliveira e Maria Fernanda Cândido estavam totalmente entregues.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

"APCA" faz justiça em grande parte das categorias de TV e consagra o sucesso de "Verdades Secretas"

Nesta quarta-feira (02/12), a "Associação Paulista de Críticos de Arte" votou, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nos melhores do ano. Dividida em sete categorias, a seleção dos finalistas ---- das grandes produções e dos profissionais que mais se destacaram na televisão brasileira ---- foi uma das mais equilibradas e justas, onde a grande vencedora (assim como ocorreu no "Prêmio Extra", só que o jornal se baseou na votação popular) foi a novela "Verdades Secretas", que levou três troféus.


A trama de Walcyr Carrasco, que foi o maior sucesso de Globo em 2015, levou a estatueta de Melhor Novela e com todo mérito. A instigante história, repleta de reviravoltas e com uma boa dose de terror psicológico, foi um dos melhores e mais bem-sucedidos folhetins do autor. A produção foi de extremo capricho, sendo plenamente recompensada pelo reconhecimento do público e da crítica. A trama concorreu com "Sete Vidas" e "Além do Tempo", que também eram muito merecedoras do prêmio, pois são obras maravilhosas. "Os Dez Mandamentos" e "I love Paraisópolis" (que não merecia estar ali) foram as outras concorrentes.

Grazi Massafera mais uma vez teve a sua total entrega reconhecida e ganhou como Melhor Atriz. A Larissa foi uma das personagens mais impactantes de "Verdades Secretas" e toda a sua degradação nas drogas impressionou. Não só pela triste situação em si, como também pela interpretação visceral de Grazi, que contou ainda com uma caracterização assustadoramente real.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Série impecável, "Os Experientes" valorizou os atores veteranos e comprovou que a velhice rende várias histórias primorosas

Foram apenas quatro episódios. "Os Experientes" estreou no dia 10 de abril e teve seu último episódio exibido no dia 1º de maio. A série foi produzida no final de dezembro de 2013 e início de 2014, mas só conseguiu espaço na grade da Globo em 2015. E é de se lamentar não só a demora da emissora para colocar este produto no ar, como também a curta temporada. Afinal, o seriado que colocou os mais velhos como protagonistas apresentou um conjunto de qualidades.


A produção expôs mais uma parceria de sucesso entre a Globo e a O2 Filmes (responsável pela coprodução), repetindo a competência vista em "Felizes para sempre?", minissérie do início do ano, citando apenas um exemplo mais recente. Dirigida por Fernando Meirelles e criada pelo seu filho, Quico Meirelles, a série (roteirizada por Antônio Prata, que escreveu o primeiro, e Márcio Alemão Delgado, escritor dos três restantes) apresentou quatro episódios independentes, colocando em evidência várias formas de lidar com a experiência de vida, e todos foram primorosos.

O primeiro contou com a luxuosa participação de Beatriz Segall vivendo a esperta Yolanda, senhorinha que se viu vítima de um assalto a banco e conseguiu ser mais inteligente que o assaltante e os policiais juntos. A atriz teve uma ótima parceria com João Cortês, ator conhecido pelos comerciais de celular que se mostrou uma grata surpresa.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O show de Beatriz Segall e a ótima estreia de "Os Experientes"

A velhice não é o fim da vida, mas uma parte dela. E, assim como a juventude, merece ser valorizada. A idade não mostra somente os sinais da passagem do tempo, ela também expõe a experiência e toda a vivência da pessoa. Portanto, nada melhor do que criar uma série para contar algumas histórias onde os personagens mais velhos são os protagonistas. Tendo esta proposta como base, Fernando Meirelles e seu filho, Quico Meirelles, criaram "Os Experientes, que estreou na segunda sexta-feira de abril (10/04).


A série é fruto de mais uma parceria bem-sucedida da Globo com a O2 Filmes e roteirizada por Antônio Prata e Márcio Alemão Delgado. Foi produzida entre novembro e dezembro de 2013, sendo finalizada no início de 2014, mas só foi ao ar em abril de 2015. A justificativa da Globo era a falta de espaço na grade, porém, depois do primeiro episódio primoroso, fica difícil compreender a razão desta demora em estrear o produto. Porque o capricho da produção ficou evidente logo nos primeiros minutos de exibição.

Serão apenas quatro episódios dissociados e todos debatem sobre o envelhecer, destacando como a sociedade se comporta diante dos mais idosos. Os atores veteranos são as grandes estrelas. A estreia foi protagonizada pela talentosa Beatriz Segall, que viveu a perspicaz Yolanda, uma senhorinha sequestrada dentro de um banco durante um assalto.