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sexta-feira, 27 de junho de 2025

"Garota do Momento" teve altos e baixos, mas foi uma deliciosa novela das seis

 A novela das seis da Globo, escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Natalia Grimberg, chegou ao fim nesta sexta-feira, após 203 capítulos. "Garota do Momento" conquistou o público por várias razões e a trama sai de cena com um saldo muito positivo, que inclui um enredo envolvente, um elenco que brilhou em sua totalidade, casais apaixonantes, personagens bem escritos e uma trilha deliciosa. No entanto, a produção também apresentou problemas visíveis em seu desenvolvimento, o que provocou muitas críticas justas dos telespectadores nas redes sociais. 


A sinopse da novela é muito bem amarrada. Beatriz (Duda Santos) acreditava desde os quatro anos ter sido abandonada pela mãe, Clarice (Carol Castro). Só que ela não sabia que, na verdade, Clarice tinha perdido a memória em um grave acidente. Dezesseis anos depois, quando finalmente descobriu o paradeiro da mãe, Beatriz se deparou com uma outra Bia (Maisa) em seu lugar, precisou lidar com essa nova realidade e iniciou uma saga que conquistou o público. Nessa busca por identidade, surgiu o entendimento de sua potência, desafiando os padrões impostos na década de 1950, quando se tornou garota-propaganda de uma das maiores empresas de sabonetes do país e depois virou atriz e protagonista de um folhetim.

A novela se mostrou impecável até por volta do capítulo 100. Era um capítulo melhor que o outro, onde o dinamismo dominava a narrativa e sempre presenteava o telespectador com vários acontecimentos, ao mesmo tempo que aprofundava os dramas de todos os núcleos de uma forma rica. Até porque os personagens sempre foram muito bem interpretados e os conflitos despertaram a atenção.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Conveniências de roteiro destroem arco central de "Garota do Momento"

 A atual novela das seis da Globo, escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Natalia Grimberg, segue com qualidades e prendendo a atenção do telespectador, o que é fruto da gama de bons personagens, um elenco repleto de talentos e conflitos atrativos em todos os núcleos. No entanto, a trama vem apresentando um problema visível no núcleo central por conta das conveniências de roteiro em torno da vilania de Bia (Maisa) e seletividade de Clarice (Carol Castro). 


Primeiramente, é importante ressaltar que Maisa está ótima no papel. A atriz estreou nas novelas da Globo com o pé direito. Vale lembrar que a vilã foi oferecida a Larissa Manoela, que também estreou na emissora pelas mãos de Alessandra Poggi, em "Além da Ilusão", onde brilhou na pele das irmãs protagonistas. A intérprete, porém, recusou o papel, que ficou para a sua grande amiga. E Maisa está segura em cena desde o início. A tarefa não é fácil, pois contracena com muitos colegas de grande talento, o que poderia expor a falta de capacidade de uma profissional mais limitada. E até agora não tem deixado a desejar. 

A questão é o roteiro que a autora resolveu criar em torno da sua vilã. Bia começou como uma patricinha mimada e obcecada por Beto (Pedro Novaes). Só que todos os seus planos para separá-lo de Beatriz (Duda Santos) davam errado. Apesar de tantos fracassos, nunca desistia de seus objetivos. Porém, ao longo dos meses, a personagem foi ganhando boas camadas através de sua aproximação com Ronaldo (João Vitor Silva).

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

"Garota do Momento" apresenta mais um capítulo impecável

 A atual novela das seis da Globo vem angariando cada vez mais elogios, inclusive internacionais, vide a matéria da revista Variety, companhia de mídia sediada nos Estados Unidos, que conversou com a autora Alessandra Poggi e o conteúdo foi disponibilizado nesta segunda-feira (20/01). Coincidentemente, no mesmo dia foi exibido mais uma capítulo impecável da trama, que iniciou cheio de adrenalina e terminou repleto de emoção. 


A história, muito bem desenvolvida desde o começo, vem sendo preparada para um novo rumo, após uma virada drástica na vida da protagonista. Uma das partes do mote central do enredo foi solucionada semana passada, quando Beatriz (Duda Santos) descobriu que Beto (Pedro Novaes) era vítima de uma armação de Basílio (Cauê Campos) e reatou com seu amado. A reconciliação originou outra revelação: a mocinha soube, através de seu namorado, que Clarice (Carol Castro) perdeu a memória e por isso não lembra que ela é sua filha. Ao mesmo tempo, Zélia (Letícia Colin) desvendou toda a armação de Maristela (Lilia Cabral) e Juliano (Fábio Assunção) e os chantageou para conseguir parte das ações da Perfumaria Carioca. Ainda solucionou o mistério envolvendo a origem de Beatriz e contou aos vilões, que resolveram matar a garota. 

A execução do plano e suas consequências foram exibidas no capítulo desta segunda, que resultou em uma sucessão de cenas brilhantes. Após inúmeros acidentes realizados porcamente e com visível contenção de custos, a Globo finalmente voltou a fazer sequências de seus bons tempos, o que implicou em uma cena muito bem dirigida pela equipe de Natália Grimberg, que deixou o público em êxtase nas redes sociais.

sábado, 11 de janeiro de 2025

"Garota do Momento" apresenta capítulo de tirar o fôlego

 A atual novela das seis da Globo está a cada dia melhor e há 59 capítulos sem um defeito sequer, o que é uma tarefa muito difícil. Alessandra Poggi vem conduzindo "Garota do Momento" com maestria e apresentando um novelão, como há muito tempo não se via. E no capítulo deste sábado, dia 11, a autora preparou uma virada em todos os núcleos ao mesmo tempo, o que proporcionou um show de atuações e muitas cenas merecedoras de elogios. 


A descoberta do plano de Basílio (Cauê Campos) e Maristela (Lilia Cabral) para separar os mocinhos marcou a reconciliação de Beto (Pedro Novaes) e Beatriz (Duda Santos), o que evidenciou mais uma vez a química dos atores e a beleza do casal que honra o protagonismo da história. Mas o fim farsa também rendeu uma baita cena de Duda e Cauê, que brilharam quando a mocinha colocou seu agora ex-melhor amigo contra a parede. 

E ainda no núcleo central, mais uma sequência de impacto foi ao ar e protagonizada por Letícia Colin, que está brilhante como Zélia. A vilã, após muitas investigações, foi até Petrópolis, município do Rio de Janeiro, saber mais do passado de Clarice (Carol Castro) e conseguiu encaixar todas as peças do quebra-cabeças assim que viu uma foto de sua falsa irmã em um porta-retrato no orfanato, onde a personagem morava com sua filha e a sogra, Carmem (Solange Couto).

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

"Garota do Momento" reúne todos os clichês de um ótimo folhetim

 A estreia de Alessandra Poggi como autora solo foi em "Além da Ilusão", novela das seis exibida em 2022 e que foi muito bem-sucedida. A história conquistou o público e apresentou ingredientes infalíveis de um delicioso dramalhão. Dois anos depois, a escritora estreou sua nova trama na mesma faixa horária, nesta segunda-feira (04/11), na Globo, e repete a fórmula que deu certo anteriormente. "Garota do Momento" vem apresentando um início dos mais promissores. 


A sinopse da novela é muito bem amarrada. Beatriz (Duda Santos) acredita desde os quatro anos ter sido abandonada pela mãe, Clarice (Carol Castro). Só que ela não sabe que, na verdade, Clarice perdeu a memória em um grave acidente. Dezesseis anos depois, quando finalmente descobre o paradeiro da mãe, Beatriz se depara com uma outra Bia (Maisa) em seu lugar e precisa lidar com essa nova realidade, dando início a uma jornada – cheia de obstáculos – de reconciliação com o passado. Nessa busca por identidade, surge o entendimento de sua potência, ao desafiar os padrões impostos na década de 1950, quando se torna garota-propaganda de uma das maiores empresas de sabonetes do país.  

O primeiro capítulo começou com a jovem Beatriz descobrindo que sua mãe está viva. A mãe, uma pintora talentosa, havia deixado a menina sob os cuidados da avó, Carmem (Solange Couto), anos atrás, em Petrópolis, enquanto tentava uma oportunidade no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

"Garota do Momento": o que esperar da nova novela das seis?

 Se o que vivemos nos molda, o que acontece quando precisamos redefinir a história da nossa própria biografia? Em 'Garota do Momento', nova novela da seis, escrita por Alessandra Poggi com direção artística de Natalia Grimberg, Beatriz (Duda Santos) acredita desde os quatro anos ter sido abandonada pela mãe, Clarice (Carol Castro). Só que ela não sabe que, na verdade, Clarice perdeu a memória em um grave acidente. É a partir daí que o enredo, que estreou nesta segunda-feira, dia 4, no lugar de "No Rancho Fundo", se desenvolve utilizando todos os elementos clássicos de um folhetim de época das 18h da Globo. 

O pano de fundo da história é o ano de 1958, quando o rock americano fazia a cabeça dos jovens, a bossa nova chegava e se misturava às canções da Época de Ouro do rádio e a indústria crescia como nunca. Tudo começa quando Clarice (Carol Castro) – viúva com grande talento para a pintura, mas que ganha a vida como lavadeira – deixa a pequena Beatriz aos cuidados da sogra, Carmem (Solange Couto) e viaja de Petrópolis para cidade do Rio de Janeiro, na tentativa de participar de uma exposição em uma galeria de arte. Na capital, Clarice conhece o empresário Juliano Alencar (Fabio Assunção), herdeiro da Perfumaria Carioca. Ele se apaixona por ela à primeira vista e lhe propõe casamento. Essa união quase não acontece: Clarice flagra uma briga entre Juliano e a amante dele, Valéria (Julia Stockler), que acaba morrendo acidentalmente na confusão. Quando vai denunciá-lo, Clarice sofre um grave acidente e perde parte da memória. Como se lembra apenas de que tinha uma filha chamada Beatriz, seu noivo e a mãe dele, a inescrupulosa Maristela (Lilia Cabral), aproveitam-se da situação e entregam a Clarice outra menina para criar, afirmando ser a filha dela, e por isso, batizada com o mesmo nome. Trata-se de Bia (Maisa), filha que Juliano teve com Valéria.  
  
Para garantir que o plano dê certo, Maristela e Juliano criam um falso passado para Clarice, que inclui até uma família fictícia. Até então funcionária dos Alencar na Perfumaria Carioca, Zélia (Leticia Colin) fecha um acordo com Maristela e passa a figurar como irmã de Clarice.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Tudo sobre a primeira coletiva online de "Garota do Momento", a próxima novela das seis

 A Globo promoveu na terça-feira retrasada, dia 15, a primeira coletiva online de "Garota do Momento", próxima novela escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Natalia Grimberg. Participaram a autora, a diretora, o diretor Jeferson De e os atores Fábio Assunção, Letícia Colin, Solange Couto, Tatiana Tibúrcio, Cridemar Aquino, Phillipp Lavra, Gabriel Milane, Rebeca Carvalho, Carla Cristina Cardoso, Bete Mendes, Debora Ozório, Maisa, João Vitor Oliveira, Ícaro Silva, Klara Castanho e Palomma Duarte. Fui um dos convidados e conto sobre o bate-papo. 


Alessandra Poggi explicou sua nova novela: "É uma fábula de esperança. Queremos dar essa sensação de quentinho no coração. Copacabana de 1958. Queria fazer uma novela anos 50 e decidi por 1958 pelo ano de otimismo com o Brasil sendo campeão da Copa do Mundo, da Bossa Nova, quando Adalgisa Colombo ganhou o Miss Brasil, a população comprando mais aparelhos de TV, Brasília sendo construída, o Cinema Novo, tem rock, as lambretas, enfim. Procuramos fazer o resgate dessa época. Na época, ainda vigorava o código civil de 1916. A mulher era considerada incapaz, não tinha CPF, não tinha divórcio. A gente vai trazer questões que ainda conversam com os dias de hoje. Vamos ter mulheres que dão um grito de liberdade, mas prefiro falar que a novela é feminina e não feminista".

Natalia Grimberg comentou sobre a trilha sonora: "No horário das seis o público quer sonhar junto. Trazemos brasilidade na nossa trilha e optamos em colocar metade da nossa trilha com regravações de artistas pretos, tanto nacionais como internacionais.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Apesar dos problemas na trama central, "Além da Ilusão" foi uma deliciosa novela das seis

 Alessandra Poggi não se saiu mal em sua primeira novela como autora solo. "Além da Ilusão" foi uma agradável trama das seis e cumpriu a missão de entreter o público com um enredo que mesclou bem drama e humor. A direção de Luiz Henrique Rios é um bônus para qualquer folhetim e novamente fez a diferença. E os índices de audiência foram melhores em comparação com a fracassada novela anterior ("Nos Tempos do Imperador"). O saldo da produção, que chegou ao fim nesta sexta-feira, é positivo. No entanto, os problemas da narrativa ficaram claros em vários momentos, o que prejudicaram o desenvolvimento do roteiro.

O maior erro da autora foi a condução do plot central. Poggi achou que o público logo esqueceria da primeira fase da trama e ficaria apenas focado na volta por cima de Davi (Rafael Vitti) e em seu amor por Isadora (Larissa Manoela). Só que não tinha como deixar de lado um crime tão bárbaro, ainda mais diante da forma irresponsável que tudo foi se desenvolvendo. Davi se apaixonou perdidamente por Elisa (Larissa Manoela), mas a menina acabou assassinada pelo pai, Matias (Antônio Calloni), que cometeu o crime por acidente, já que sua intenção era matar o futuro genro. O juiz conseguiu incriminar o rapaz, que foi condenado a 20 anos de cadeia, mas escapou da prisão após dez anos para provar sua inocência. Só que sofreu um acidente de trem, roubou a identidade de um passageiro aparentemente morto e começou a trabalhar na tecelagem de sua ex-sogra. Até que viu Isadora crescida, de quem era amigo dez anos atrás, e se apaixonou perdidamente assim que olhou pra cara da garota. Um contexto que precisava de um mínimo de cuidado. 

Não houve preocupação da autora para desenvolver o amor de uma forma sutil. Por mais que tenha repetido no texto que Davi se apaixonou pelo jeito de Isadora, não foi isso que aconteceu. Não é possível colocar em diálogos situações que não ocorreram e querer que o público compre. Daria tempo de sobra para o mocinho ir se apaixonando pela convivência com Dorinha e ainda se questionando a respeito de um sentimento que não deveria se repetir. Afinal, além de ter tirado a virgindade das duas irmãs, uma delas foi assassinada e ele foi incriminado injustamente.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Romance dos mocinhos de "Além da Ilusão" é repleto de situações problemáticas

 "Além da Ilusão" vem se mostrando uma novela das seis com boas qualidades e Alessandra Poggi acertou na condução de vários personagens. Sua primeira novela como autora solo é gostosa de assistir. No entanto, há um fato que desperta questionamentos à medida que a história avança: a relação dos mocinhos. O desenvolvimento em torno do amor que une Davi (Rafael Vitti) e Isadora (Larissa Manoela) teve falhas perceptíveis desde o início e agora, com a produção se encaminhando para a reta final, tudo ficou mais incômodo. 

É preciso ressaltar que o romance do casal necessitaria de um cuidado maior na construção em virtude do drama pesado do enredo. Nada mais chato do que problematizar ficção, mas é um contexto impossível de ignorar. Davi se apaixona perdidamente por Elisa (Larissa Manoela), mas a menina acaba assassinada pelo pai, Matias (Antônio Calloni), que comete o crime por acidente, já que sua intenção era matar o futuro genro, após flagrá-lo tentando fugir com a mocinha. Para culminar, o juiz consegue incriminar o rapaz, que é condenado a 20 anos de cadeia, mas escapa da prisão após dez anos. O mocinho foge com o objetivo de provar sua inocência. Só que, por conta das coincidências novelescas, acaba sofrendo um acidente de trem, rouba a identidade de um passageiro aparentemente morto e começa a trabalhar na tecelagem de sua ex-sogra. 

Com o nome falso de Rafael Antunes, o personagem logo criou vínculos com todos e conheceu Isadora (Larissa Manoela), a irmã de Elisa, de quem era amigo dez anos atrás. Sim, Davi, já adulto, conhecia Dorinha ainda criança. A situação já despertava incômodo. Mas piorou quando o mocinho se apaixonou subitamente assim que a viu.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Trama central de "Além da Ilusão" se perde em meio a repetições sem lógica

 É importante começar o texto enfatizando que "Além da Ilusão" segue com boas qualidades e recentemente apresentou uma sucessão de cenas lindas referentes ao arco dramático de Heloísa (Paloma Duarte). Era a catarse mais esperada pelo público e honrou a expectativa. O conjunto da obra continua com saldo positivo. Todavia, a trama central se perdeu há meses e só vem piorando a cada capítulo. 

Alessandra Poggi começou sua história de forma criativa. Era muito divertido acompanhar a estupidez dos vilões e a esperteza dos mocinhos. Todos os planos de Joaquim (Danilo Mesquita) e Úrsula (Bárbara Paz) davam errado, enquanto Davi/Rafael (Rafael Vitti) e Dorinha (Larissa Manoela) sempre conseguiam se desvencilhar das maldades. Era uma 'novidade' muito bem-vinda até porque na maioria das novelas os malvados costumam esbanjar inteligência e os 'heróis' se mostram uns idiotas. 

Mas, para manter uma aparente agilidade na narrativa, a autora começou a se perder quando alterou a personalidade de Dorinha. Antes feminista e à frente do seu tempo, a mocinha virou uma chorona que tem medo do julgamento da sociedade de 1945.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

"Além da Ilusão" sai da mesmice com mocinhos espertos e vilões burros

 A atual novela das seis, dirigida por Luiz Henrique Rios, tem reunido todos os ingredientes que um bom folhetim da faixa precisa ter. Após um início bastante pesado, onde um pai assassinou a própria filha e incriminou um inocente, a trama vem sendo contada de maneira leve. A trilha sonora é um primor e os figurinos coloridos, o que remete a uma novela mais lúdica. Alessandra Poggi conseguiu reunir vários bons clichês com sua trama. Ao mesmo tempo, a autora merece uma menção especial por uma ousadia peculiar que vem praticando em "Além da Ilusão".

A maioria dos folhetins, para não dizer todos, costumam apresentar vilões inteligentes e mocinhos burros. Afinal, os planos dos malvados precisam dar certo ao longo da história para o roteiro andar. Caso contrário, fica quase impossível exibir um enredo clássico com viradas e movimentações. Tanto que o público já aprendeu a engolir certas situações forçadas porque sabe que é necessário para a teledramaturgia. Ainda que certos questionamentos sejam feitos, como achar um absurdo determinado personagem não ter percebido tal armação, por exemplo. 

Porém, a autora tem conseguido inovar em sua novela. Ao menos até agora, os mocinhos estão sempre um passo a frente dos vilões, que enfiam os pés pelas mãos a todo instante. Joaquim (Danilo Mesquita) é um completo imbecil e a cada plano que coloca em prática para afastar Isadora (Larissa Manoela), sua noiva, de Rafael (Rafael Vitti) consegue piorar sua relação com a herdeira da Tecelagem Tropical.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Com uma primeira fase arrebatadora, "Além da Ilusão" apresenta promissor começo

 A nova novela das seis da Globo estreou semana passada e vem se mostrando bem diferente da soturna produção anterior, "Nos Tempos do Imperador". Colorida, bem iluminada e repleta de clichês irresistíveis de um clássico folhetim, a história de Alessandra Poggi, que estreia como autora solo ---- após uma parceria com Angela Chaves em "Os Dias Eram Assim", de 2017 ----, apresentou uma primeira fase com convidativos conflitos, onde o conto de fadas foi mesclado com a tragédia. 

O enredo central foi exposto com uma certa pressa, pois o 'plot' envolvendo os protagonistas apresentou sua maior catarse já no sexto capítulo, exibido no último sábado (12/02). O público acompanhou o amor à primeira vista do simpático Davi (Rafael Vitti), artista de rua que ganha a vida como mágico, e da linda Elisa (Larissa Manoela), filha de um poderoso juiz, Matias (Antônio Calloni), que odiou a possibilidade de romance logo de cara. A construção do amor dos mocinhos foi feita em apenas dois capítulos. Isso porque a felicidade do casal não dura e acabam separados para sempre. 

Poucos personagens foram focados, de fato, fora do núcleo principal. Algo comum no início de toda novela e que ajuda a prender mais a atenção de quem assiste, pois não há maiores dispersões com dramas de perfis secundários. Ainda assim já foi possível perceber a força da trama protagonizada por Heloísa (Paloma Duarte), que nunca perdoou o pai, Afonso (Lima Duarte), por ter dado sua filha para adoção.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

"Além da Ilusão": o que esperar da nova novela das seis?

A nova novela das seis promete ser bem diferente da recém-terminada "Nos Tempos do Imperador". Alessandra Poggi estreia como novelista solo, após uma parceria com Angela Chaves em "Os Dias Eram Assim", novela das 23h, exibida em 2017. A autora promete uma história com uma roupagem mais leve, com um toque de conto de fadas, ainda que haja elementos densos para o roteiro se movimentar. O diretor Luiz Henrique Rios também endossa a intenção do novo folhetim e ainda o classifica como uma 'fábula temporal'. 

Em ‘Além da Ilusão’, o público vai acompanhar a história de Davi (Rafael Vitti) e Isadora (Sofia Budke/ Larissa Manoela), em uma viagem ao Brasil das décadas de 1930 e 1940, marcado por tempos de profundas mudanças. Ambientada em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, e dividida em duas fases, entre 1934 e 1944, a produção é marcada por histórias de amor, traição, esperança, justiça e muito humor. A trama começa em Poços de Caldas, Minas Gerais, com o fascínio de Isadora (Sofia Budke), ainda criança, pelas mágicas do jovem Davi (Rafael Vitti). De férias na cidade, a pequena Dora, filha do influente Juiz Matias (Antonio Calloni) e de Violeta (Malu Galli), vive a expectativa da festa de aniversário de 18 anos de sua irmã, a sonhadora Elisa (Larissa Manoela). 

Davi é órfão de pai e mãe e foi com o avô que aprendeu seus primeiros truques de mágica. Apesar da vida difícil que leva, o jovem chegou a concluir seus estudos antes da família perder tudo, mas seu maior desejo é se tornar um ilusionista. Em sua passagem pela cidade, o jovem conhece, casualmente, Elisa no dia do baile de aniversário e eles se apaixonam. Matias não aceita a situação entre os dois e arma para separar o mágico de sua filha, por quem nutre verdadeira devoção. 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Tudo sobre a terceira coletiva online de "Além da Ilusão", próxima novela das seis

 A Globo promoveu na quinta-feira passada, dia 27, a terceira coletiva online de "Além da Ilusão". Participaram a autora Alessandra Poggi, o diretor Luiz Henrique Rios, e os atores: Antônio Calloni, Malu Galli, Alexandra Richter, Mariah da Penha, Olívia Araújo, Marcello Novaes, Gaby Amarantos, Eriberto Leão, Bárbara Paz e Paloma Duarte. Fui um dos convidados e conto agora tudo sobre o bate-papo. 

"Minha personagem não se permite nenhum tipo de felicidade na vida dela. Demora muito a ceder ao amor de Leônidas. Todos nós trabalhamos muito na preparação do elenco e a gente percebe isso logo no primeiro capítulo. Acredito que todo mundo vai curtir muito. É uma novela acolchoada de afeto. E eu ando arreganhando os dentes em tudo quanto é canto. Botaram minha família em cena. Dividir uma personagem com minha filha (Clara Duarte, que vive Heloísa na fase jovem) e pela primeira vez contracenar com meu avô (Lima Duarte). Agora vou falar um pouco da Heloísa. Essa novela fala de tantos temas importantes. Ela me dá uma oportunidade, uma voz, muito emocionante ao falar sobre ter uma filha que vou arrancada de mim e entregue para doação. Isso acontece tanto, tanta menina passa por isso. E o quanto isso transforma e deforma a alma de um ser humano", contou Paloma Duarte. 

"Essa atração do Leônidas por Heloísa explica um pouco do passado dele que será revelado ao longo da história. E meu personagem tem uma devoção pelo Matias. Ele tenta ajudá-lo a se 'curar' em virtude do que passou com a filha assassinada.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Tudo sobre a coletiva online de "Além da Ilusão", próxima novela das seis

 A Globo promoveu na sexta-feira passada, dia 7, a primeira coletiva online de "Além da Ilusão", próxima novela das seis, escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Luiz Henrique Rios. Participaram a autora, o diretor, além dos protagonistas Rafael Vitti e Larissa Manoela. Fui um dos convidados e conto um pouco sobre o bate-papo para vocês. 

"Tudo acontece porque eles se apaixonam à primeira vista. É um amor verdadeiro, genuíno, que eles acreditam que merece ser vivido. Estou muito empolgado com nossa história. Lari é uma parceira excepcional, uma grata surpresa. Tem muita história e depois tem uma tensão na trama para movimentar. E há uma afinidade geral da equipe. Foi mágico ir para Poços de Caldas (MG). As pessoas são incríveis. Tinha uma multidão acompanhando as gravações, mas todos muito respeitosos. Eu não assisti, mas sei que está uma coisa linda. Foi empolgante começar a novela com uma viagem. E estava precisando voltar a trabalhar. A gente está nesse projeto há uns dois anos. E tivemos a ajuda da Maria Beta Peres (preparadora de elenco) para construir a relação do casal. Aliás, são dois casais, né. Davi com Elisa e Davi com Isadora. E é muito simbólico para mim voltar a trabalhar com o Luiz Henrique Rios, depois de 8 anos de Malhação Sonhos", contou Rafael Vitti. 

"O início, das poucas imagens que vimos, está muito bonito. Curiosa para saber o que vem por aí. Tive uma ansiedade de controlar a expectativa. Fiquei muito realizada. Amo dramaturgia, amo fazer novela. Fui muito bem recebida na Globo. Foi um desafio viver essas duas meninas. Primeiro a Elisa e depois a Isadora, que segue levando a história. O Rafa foi um parceiro incrível. A Isadora, como convivi com uma atriz mirim gênia (Sofia Budke), peguei muita inspiração dessa menina. Porque a Isadora presencia a morte da irmã, Elisa, ainda na infância. Isso a deixou fragilizada e ao mesmo tempo muito forte.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Chamada de supersérie, "Os Dias Eram Assim" não teve nada de super e nem de série

Após seis novelas exibidas na faixa das onze ---- "O Astro", "Gabriela", "O Rebu", "Saramandaia", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade"----, inserindo o folhetim em um horário mais tarde, permitindo maiores liberdades nas cenas, a Globo decidiu mudar a classificação do produto em 2017, optando por chamar "Os Dias Eram Assim" de 'supersérie'. O que seria a sétima novela da faixa (planejada anteriormente para às 18h, inclusive), virou a primeira supersérie da emissora. Mas, não podiam ter escolhido trama pior para fazer essa alteração. Isso porque a produção, que chegou ao fim nesta segunda-feira (18/09), não teve nada de super e muito menos de série.


Primeiro, porque teve 88 capítulos, ficando no ar por seis meses. Foi a produção mais longa das 23h, superando todas as novelas anteriores, que tinham como característica o menor número de capítulos (normalmente em torno de 60). E, segundo, porque o enredo das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi apresentou todos os clichês possíveis de um folhetim, fazendo do conjunto um dramalhão clássico. Entretanto, infelizmente, todos esses recursos foram muito mal usados pelas autoras. Afinal, não há mal algum no clichê, desde que bem conduzido. Não foi o caso. Ainda mais em um produto que era classificado como 'supersérie'. Inclusive, nem ritmo de uma série teve. O enredo se arrastou ao longo dos meses e parecia interminável.

O início da trama, dirigida por Carlos Araújo, parecia promissor. Ambientada na década de 70, tendo a Ditadura Militar como pano de fundo, a história de amor protagonizada por Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) despertou interesse e o primeiro capítulo deixou uma ótima impressão.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Pega Pega" e "Os Dias Eram Assim" não fazem por merecer seus elevados índices de audiência

A Globo só tem motivos para sorrir. Está em um período de calmaria, com uma audiência excelente em absolutamente todas as suas produções. A emissora foi a única a crescer no Ibope nos primeiros sete meses de 2017. Claro que é preciso levar em consideração o desligamento do sinal analógico de Record, SBT e Rede TV!, que saíram da TV Paga de São Paulo desde março. Porém, no Painel Nacional de Televisão (que faz a média geral em todo o país), a líder também cresceu e está com índices ótimos. Ou seja, está em grande fase mesmo. E vários desses sucessos são merecidos, como "Malhação - Viva a Diferença", "Novo Mundo" e "A Força do Querer", três tramas deliciosas e bem estruturadas. Porém, há duas que têm destoado: "Pega Pega" e "Os Dias Eram Assim".


A novela das sete e a das onze (chamada agora de "supersérie") não fazem jus aos elevados índices que vêm marcando, comprovando que nem sempre audiência e qualidade caminham juntas. Curiosamente, as duas histórias são escritas por autoras estreantes. Mas, esse fato é apenas uma coincidência, pois vários escritores tiveram estreias com o pé direito na emissora. Aliás, levando em consideração apenas resultados que a Globo busca (ou seja, Ibope), elas conseguiram atingir o objetivo. Porém, no caso das três ---- Cláudia Souto, Alessandra Poggi e Angela Chaves ----, é evidente a fragilidade de seus enredos. Definitivamente, não são obras que empolgam, envolvem, divertem ou marcam.  Deixam muito a desejar.

Em "Pega Pega", a desconfiança já ficou plantada em virtude das chamadas pouco convidativas e do enredo limitado. Será que um drama baseado no roubo milionário de um hotel conseguiria se sustentar por tantos meses? A resposta é não. Por sinal, não conseguiu manter o interesse nem por um mês. Cláudia criou uma situação aparentemente atrativa, mas não soube desenrolá-la e nem criar núcleos paralelos que ajudassem a sustentar o conjunto ao longo dos meses.

terça-feira, 30 de maio de 2017

O que há de errado em "Os Dias Eram Assim?"

A nova novela das onze da Globo, agora chamada de "supersérie", estreou no dia 17 de abril, ou seja, está há pouco mais de um mês no ar. A trama das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi, dirigida por Carlos Araújo, teve um início promissor. E a obra tem várias qualidades, como o elenco recheado de talentos, a trilha sonora de qualidade ímpar, a química dos mocinhos e a reconstituição de época perfeita. Então, afinal, o que há de errado com a produção? Por que a audiência está tão baixa? Por que a repercussão é nula? Por que o nível de desinteresse se mostra tão grande?


Audiência e qualidade nem sempre caminham juntas, nunca é demais ressaltar. Porém, no caso da atual trama, os números abaixo do esperado estão fazendo jus ao que é exibido. Como mencionado, não há nada de equivocado nos quesitos enumerados, pelo contrário. Tudo foi pensado muito bem para esse produto. A escalação do elenco não poderia ter sido melhor, a escolha das músicas foi precisa e todo o trabalho da produção de arte em torno dos cenários e figurinos dos anos 70/80 (época do enredo que tem a Ditadura Militar como pano de fundo) é perceptível. A questão é que se esqueceram de um 'detalhe' que é primordial: o roteiro.

A história das autoras tem um potencial enorme que não é explorado: a Ditadura. A situação política do país é tratada de forma rasa e extremamente maniqueísta. O obstáculo para o romance dos mocinhos, por exemplo, poderia ser usado em qualquer novela. O poderoso Arnaldo (Antônio Calloni) era apoiador do regime militar e muito conservador.

terça-feira, 18 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim" tem estreia despretensiosa e promissora

"O que a história separou só o amor pode unir de novo". A nova novela das onze, agora chamada de "supersérie", representa bem a frase dita no teaser da produção: um amor entre dois jovens sendo atingido o tempo todo por um doloroso contexto histórico. "Os Dias Eram Assim" estreou nesta segunda-feira (17/04) com um capítulo despretensioso e que retratou muito bem (em apenas 40 minutos) tudo o que o enredo irá abordar ao longo dos próximos meses. Um romance clássico norteia o roteiro, cujo foco é a Ditadura Militar e todos os processos enfrentados pelo Brasil nas décadas de 70, 80 e 90. Ficção e a realidade que muitos viveram sendo mesclados.


Prevista inicialmente para ser um folhetim das seis, a produção foi transferida para o horário das onze e acabou beneficiada, pois a faixa permite uma exploração bem maior em torno das torturas, crimes e momentos mais fortes envolvendo o regime militar. Angela Chaves e Alessandra Poggi estreiam a primeira novela delas como autoras principais, após anos trabalhando como colaboradoras. A Globo vem investindo cada vez mais em escritores novos e a atitude é mais do que válida. A exibição do primeiro capítulo (disponível uma semana antes pelo aplicativo Globo Play) mostrou um enredo bem estruturado e dramas bastante convidativos.

A trama começou exibindo imagens reais de manifestações a favor da constituição, dos militares revistando pessoas nas ruas e capas de jornal a respeito do "AI-5" (o Ato Institucional mais duro do governo militar), do anúncio dos Gorilas de um golpe contra Jango, entre outras matérias. E toda essa compilação era embalada pela marcante música "Deus Lhe Pague", cantada pela saudosa Elis Regina.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

"Os Dias Eram Assim": o que esperar da próxima novela das onze?

A Globo resolveu chamar as suas novelas das 23h de "supersérie". A razão é desconhecida, mas parece que nada mais é do que uma simples vergonha em assumir o gênero folhetim em mais uma faixa. A questão é que perceberam isso um pouco tarde, após seis novelas já terem sido exibidas ----- "O Astro", "Gabriela", "Saramandaia", "O Rebu", "Verdades Secretas" e "Liberdade, Liberdade". Até porque essa trama terá cerca de 90 capítulos, sendo mais do que os enredos anteriores (que tiveram por volta de 60). Ou seja, essa súbita alteração classificatória soa ridícula. Mas, deixando isso de lado, a nova produção vem apresentando chamadas convidativas e teve um clipe animador (que pode ser conferido aqui).


Com o título de "Os Dias Eram Assim", a novela das estreantes Angela Chaves e Alessandra Poggi foi escolhida às pressas para substituir "Jogo da Vida", folhetim de Lícia Manzo que iria ao ar este ano e acabou transformado em minissérie, adiado para 2018. A trama das autoras novatas --- que já trabalharam como colaboradoras de Manoel Carlos, Gilberto Braga, entre outros ----, dirigida por Carlos Araújo, terá a Ditadura Militar como pano de fundo e aproveitará o horário mais permissivo para cenas fortes para explorar toda essa fase tenebrosa do país. Mas, obviamente, terá uma linda história de amor norteando o roteiro, utilizando as diferentes ideologias políticas como foco de conflito. Vale lembrar de produções icônicas que conseguiram mergulhar no tema e contar uma bela trama, como "Anos Rebeldes" (1992), por exemplo, e até mesmo a primeira fase de "Senhora do Destino" (2004).

A trama começa no dia 21 de junho de 1970, dia da final da Copa do Mundo, com o Brasil terminando o torneio tricampeão. É no cenário de euforia das pessoas nas ruas que Renato (Renato Góes) e Alice (Sophie Charlotte) se conhecem, iniciando uma história de amor que atravessará duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes do país --- da repressão às diretas.