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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Os 30 anos de "Roque Santeiro", uma das novelas mais significativas da teledramaturgia

Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, com base no original do próprio Dias (a peça "O Berço do Herói"), "Roque Santeiro" foi uma novela que entrou para a história da teledramaturgia e também da televisão. A primeira versão da produção estava prevista para estrear em agosto de 1975, sendo protagonizada por Betty Faria (Viúva Porcina), Francisco Cuoco (Roque Santeiro) e Lima Duarte (Sinhozinho Malta). Porém, em virtude da Ditadura Militar, que censurou o produto, o folhetim foi cancelado e todo o material perdido.


A novela só conseguiu ser produzida em 1985, ou seja, dez anos depois, mantendo Lima Duarte como um dos protagonistas, mas com duas mudanças nas outras pontas do triângulo central. Betty e Francisco não voltaram, sendo substituídos por Regina Duarte e José Wilker. Após este período um tanto quanto turbulento, a história ambientada na fictícia cidade de Asa Branca (tratada como um microcosmo do Brasil) foi finalmente exibida, fez um imenso sucesso e ficou eternizada na memória dos telespectadores. O folhetim ainda foi reprisado três vezes: duas na própria Globo e uma no Canal Viva.

Os autores fizeram uma ótima sátira à exploração política e comercial da fé popular através de personagens carismáticos e bem exagerados. Os moradores de Asa Branca vivem em função dos supostos milagres atribuídos a Roque Santeiro, um coroinha e artesão de imagens sacras que morreu defendendo a cidade do perigoso bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro) ----- boato que se espalhou no local, virando uma grande verdade ----- e todos veneram aquela figura.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"Senhora do Destino": o último grande sucesso de Aguinaldo Silva

Exibida entre 28 de junho de 2004 e 11 de março de 2005, "Senhora do Destino" foi um fenômeno de audiência e arrebatou o público com uma história tipicamente folhetinesca. A missão de Aguinaldo Silva não era nada fácil: substituir "Celebridade", sucesso de Gilberto Braga no horário nobre da Globo. Mas o autor não só manteve os bons índices, como também lançou personagens tão marcantes quanto os da produção de seu colega e terminou sua obra com números elevadíssimos no Ibope.


Dividida em duas fases, a história começa em 1968, período da ditadura militar.  Nesta primeira parte, a trama se resumiu na vida de três mulheres: a corajosa jornalista Josefa (Marília Gabriela) ---- inimiga mortal da ditadura, que sofre perseguição da censura ----, a lutadora Maria do Carmo (Carolina Dieckmann) ---- nordestina que vem para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor para seus cinco filhos ----- e Nazaré Tedesco (Adriana Esteves) ---- prostituta gananciosa que procura mudar sua vida a qualquer custo.

A trama se desenrola em torno do sequestro do bebê da protagonista. Justamente no dia da decretação do AI-5, Maria do Carmo, assim que chega ao Rio, se vê no centro de uma imensa confusão que ocorria nas ruas do Centro da Cidade, com militares agredindo manifestantes e invadindo sedes de jornais oposicionistas, como o Diário de Notícias, chefiado por Josefa.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Morte de José Wilker choca e deixa o mundo das artes dramáticas mais pobre

Na madrugada do último sábado (05/04), José Wilker sofreu um infarto fulminante e faleceu enquanto dormia no apartamento da namorada. A morte do ator, que tinha 66 anos e faria 67 em agosto, chocou o país e entristeceu a todos. Após a morte do grande Paulo Goulart, o mundo das artes dramáticas ficou ainda mais pobre com mais essa perda. E uma perda muito precoce.


José Wilker de Almeida nasceu em Juazeiro do Norte e virou um dos mais respeitados atores do país. Com mais de 40 produções televisivas (novelas, minisséries e séries) no currículo, várias peças teatrais e mais de 60 filmes, o ator ficou marcado por vários personagens emblemáticos e sua presença engrandecia qualquer obra. Após ganhar o prêmio Molière de Melhor Ator pela peça 'O Arquiteto e o Imperador da Assíria', Zé foi convidado por Dias Gomes para participar de "Bandeira 2", sua primeira novela. A partir de então, não parou mais. Marcou presença em "O Bofe" (1972), "Cavalo de Aço" (1973), "Os Ossos do Barão" (1973), "Corrida do Ouro" (1974) e "A Cartomante" (1974), até ganhar um grande papel em "Gabriela" (1975), quando interpretou o Mundinho Falcão, um dos grandes personagens da trama de Jorge Amado.

Em 1976, brilhou na novela "Anjo Mau" vivendo o mocinho Rodrigo ---- iniciando uma longeva parceria com Susana Vieira, que interpretou a babá Nice, seu par romântico (que se repetiria em outras produções, como "A Próxima Vítima" e "Senhora do Destino") ---- e fez um estrondoso sucesso no cinema quando deu vida ao Vadinho, de "Dona Flor e seus dois maridos", uma das maiores bilheterias do cinema nacional.

sábado, 27 de outubro de 2012

Gabriela chega ao fim e mostra que Walcyr Carrasco está apto a estrear no horário nobre

A nova adaptação de "Gabriela" terminou na noite dessa sexta-feira (26/10) e encerrou com chave de ouro mais um sucesso de Walcyr Carrasco. Com um último capítulo onde Coronel Ramiro Bastos (Antônio Fagundes) morre no meio da praça; Mundinho (Mateus Solano) e Gerusa (Luiza Valdetaro) finalmente se casam; uma nova política chega em Ilhéus e Nacib (Humberto Martins) perdoa Gabriela (Juliana Paes); o telespectador pôde se emocionar com os finais felizes e não se arrependeu de ter acompanhado esse remake desde a estreia.


O autor modificou a história em vários aspectos e deu uma nova roupagem à obra de Jorge Amado. Ao inserir personagens cativantes como Lindinalva (Giovanna Lancellotti), Dona Dorotéia (Laura Cardoso), Juvenal (Marco Pigossi) e Berto (Rodrigo Andrade), por exemplo, Walcyr aumentou as possibilidades da novela, o que gerou uma resposta imediata do público: o núcleo acabou virando um dos mais queridos e os atores foram excelentes. Outro acerto foi aumentar o destaque de Coronel Jesuíno, que mal aparecia no livro, e acabou tendo uma grande importância na novela, presenteando o telespectador com o show de José Wilker. Vanessa Giácomo, mais uma talento, fez uma Malvina  revolucionária e apaixonante --- pena que não tenha aparecido  no último capítulo. Já Fabiana Karla surpreendeu ao compor sua Olga e convenceu. Gero Camilo fez um Miss Pirangi sarcástico e foi ótimo ver acompanhar o mistério sobre o misterioso par do 'invertido' ---  Coronel Amâncio (Genésio de Barros),  filho de Dorotéia, um sujeito hipócrita e machista, mas que se redimiu no fim.

No entanto, nem tudo foram flores. A protagonista da trama não emplacou e Juliana Paes, apesar de ser uma boa atriz, acabou não convencendo ao viver Gabriela. Tinha momentos onde a personagem não aparentava inocência, mesclada com sensualidade, e sim que tinha problemas mentais. O excesso de sorrisos também prejudicou. Outro que errou feio foi

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

José Wilker e Laura Cardoso: os grandiosos destaques de "Gabriela"

A nova versão de "Gabriela", escrita por Walcyr Carrasco, entra em sua última semana de exibição. O telespectador já sente o final se aproximando e começa a se despedir dos personagens presentes na obra de Jorge Amado. Muitos se destacaram, outros se apagaram e alguns nem serão lembrados. Mas entre os muitos atores que brilharam, dois foram os grandes destaques e protagonizaram um festival de cenas ótimas nessa nova adaptação: José Wilker e Laura Cardoso. 


Coronel Jesuíno e Dona Dorotéia já mostraram que se destacariam logo na primeira cena. José Wilker e Laura Cardoso são dois atores consagrados e já fizeram inúmeros trabalhos na televisão, teatro e cinema. Ou seja, estão em um patamar muito elevado e não precisavam provar mais nada para ninguém; no entanto, ambos conseguiram surpreender o telespectador a cada cena que era exibida.

Embora o livro não tenha destacado muito a história de Jesuíno, na novela essa situação foi alterada, dando novos rumos e ocorrendo exatamente o contrário: o personagem cresceu e o público pôde acompanhar a atuação magnífica de José Wilker; que conseguiu compor um sujeito machista, violento, frio e intolerante da forma mais genial possível. A sequência em que o Coronel flagra sua esposa, Dona Sinhazinha, nos braços do amante, acabou sendo uma

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Com uma atuação magistral de José Wilker, "Gabriela" apresenta seu melhor capítulo desde a estreia

O capítulo desta terça-feira (07/08) de "Gabriela" estava sendo muito esperado pelo público, após uma grande gancho na sexta-feira passada --- Coronel Jesuíno (José Wilker) estava prestes a flagrar sua esposa transando com o amante. E a excelência da cena provou que valeu a pena esperar por este momento, que com certeza ficará marcado na memória de todos.


José Wilker teve uma atuação magistral e não moveu nenhum músculo da face durante a sequência mais forte da novela. Coronel Jesuíno arrombou a porta da casa onde fica o consultório de Osmundo (Erik Marmo); subiu as escadas; girou a maçaneta da porta do quarto em que Sinhazinha (Maitê Proença) e seu amante estavam; se deparou com os dois se beijando; olhou; mirou; e atirou em ambos a sangue frio. Uma cena marcante e muito pesada. Maitê Proença emocionou na última aparição, embora tenha tido um desempenho de altos e baixos durante sua participação. Já Erik Marmo foi inexpressivo do início ao fim; entretanto, nada disso atrapalhou a esperada cena de "Gabriela".

Mas o capítulo todo foi merecedor de um festival de elogios. Além desta forte situação, foi mostrado a reação positiva da cidade após o assassinato brutal. A imensa maioria dos habitantes (todos religiosos fervorosos) aprovou a atitude do Coronel e o