Mostrando postagens com marcador cenas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cenas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de maio de 2026

"A Nobreza do Amor" tem início bem estruturado e sem pressa, mas escassez de figurantes é um problema

 Há um contraste curioso e bastante positivo no trabalho de Duca Rachid, Elisio Lopes Jr. e Julio Fischer em "A Nobreza do Amor". Depois de uma experiência anterior marcada por atropelos narrativos em "Amor Perfeito", o trio demonstra, agora, um domínio muito mais consciente do tempo dramático e isso faz toda a diferença.


Há quase dois meses no ar, a novela das seis se revela um folhetim agradável de acompanhar justamente por aquilo que antes faltou: paciência. A construção das tramas é cuidadosa, sem a pressa que compromete o envolvimento do público. O romance entre a princesa Alika, vivida por Duda Santos, e o plebeu Tonho, de Ronald Sotto, é o melhor exemplo disso. Desde o primeiro encontro atravessado, com direito a esbarrão e troca de farpas, até o início do namoro, houve um percurso gradual, convincente e saboroso de acompanhar. Nada soa apressado, ao contrário, cada avanço do casal parece merecido.

A própria chegada da protagonista a Barro Preto, fugindo do golpe de estado liderado por Jendal (Lázaro Ramos), estabelece bem o tom da narrativa. A perda do pai, a adaptação a uma nova realidade e a construção de novas relações ---- inclusive sob a identidade de Lúcia ---- são desenvolvidas com equilíbrio.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

"Três Graças" prova que o público está sempre pronto para uma boa cena de surra

 A novela "Três Graças" acerta em cheio ao resgatar um elemento clássico da teledramaturgia: o confronto físico como ápice catártico de uma rivalidade bem construída. A sequência em que Gerluce, vivida por Sophie Charlotte, finalmente estapeia a vilã Arminda, de Grazi Massafera, não é gratuita nem apelativa e, sim, consequência dramática de uma escalada de violências emocionais, morais e até criminais.


Há tempos parte da crítica torce o nariz para esse tipo de recurso, sob o argumento de que ele contraria uma desejável sororidade feminina. Mas "Três Graças" demonstra que uma coisa não anula a outra. Aqui, não se trata de mulheres disputando um homem ----- Arminda, aliás, jamais demonstrou interesse por Paulinho (Rômulo Estrela). O embate nasce de algo muito mais grave: as consequências do esquema de remédios falsos comandado por Ferette, papel de Murilo Benício, que quase custou a vida de Lígia (Dira Paes), mãe da protagonista.

Somam-se a isso as humilhações constantes sofridas por Gerluce dentro da casa da vilã, enquanto cuidava de Josefa (Arlete Salles), e, sobretudo, o ato imperdoável de Arminda ao tentar matar Joelly (Alana Cabral), empurrando-a da escada durante a gravidez.

sábado, 14 de março de 2026

Último capítulo de "Êta Mundo Melhor!" desrespeita elenco e público

 É normal que, em qualquer novela, algumas cenas gravadas acabem ficando de fora da edição final. A televisão trabalha com limites rígidos de tempo e, muitas vezes, pequenos ajustes são inevitáveis para que o capítulo caiba na duração prevista. No entanto, o que aconteceu no último capítulo de "Êta Mundo Melhor!" ultrapassa em muito esse tipo de ajuste comum. O episódio final foi marcado por cortes tão significativos que acabaram comprometendo a narrativa e demonstrando um profundo desrespeito tanto com o elenco quanto com o público.


Vários desfechos simplesmente desapareceram da tela. Personagens que acompanharam toda a trajetória da história tiveram seus destinos resumidos de forma abrupta ou sequer mostrados. Um dos casos envolve Olga (Maria Carol) e Carmem (Cristiane Amorim). As duas personagens foram parar na cadeia, mas as cenas gravadas pelas atrizes dentro da cela --- que dariam contexto e encerramento à punição --- não foram exibidas. O público só soube que elas existiam porque as próprias intérpretes publicaram fotos dos bastidores nas redes sociais. Ou seja, o material foi gravado, mas simplesmente não foi ao ar.

O mesmo aconteceu com o casamento de Zenaide (Evelyn Castro) e do detetive Sabiá (Fábio de Luca), outra sequência que acabou cortada.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Larissa Manoela se destacou em "Êta Mundo Melhor!"

 Faltando pouco mais de uma semana para o fim de "Êta Mundo Melhor!", a participação de Larissa Manoela como Estela se consolidou como um dos acertos da continuação de "Êta Mundo Bom!", escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson dirigida por Amora Mautner. Esta é sua segunda novela na Globo, após a estreia como protagonista em "Além da Ilusão" (2022), e a personagem encontrou um espaço importante dentro da história.


Ao longo da trama, Larissa construiu uma Estela sensível, determinada e muito ligada à filha, sua única família. A atriz teve bons momentos nos embates da enfermeira com os vilões Sandra (Flávia Alessandra) e Ernesto (Eriberto Leão), especialmente nas cenas em que a personagem precisou confrontar ameaças diretas à própria vida e à segurança da filha. Nessas sequências, ela demonstrou firmeza sem perder o tom humano que caracteriza a enfermeira.

Entre os momentos mais marcantes está a delicada sequência da morte da mãe de Estela, em cena com Letícia Sabatella.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

"Três Graças" apresenta sequências de tirar o fôlego

 O capítulo deste sábado, dia 21, de "Três Graças'", marcou uma nova virada na trama: Joélly (Alana Cabral) entrou em trabalho de parto depois que Lena (Bárbara Reis) bateu o carro enquanto era perseguida por Samira (Fernanda Vasconcellos). Muito assustada, a jovem, que estava indo ao shopping com a amiga para comprar peças do enxoval do bebê, percebeu que a bolsa estourou. Indecisa, ela acabou aceitando ser levada ao hospital por Samira e Edilberto (Júlio Rocha), já fazendo apelos para que não peguem a criança depois do nascimento. 

No local do acidente, Lena acordou, ferida e desorientada, enquanto Raul (Paulo Mendes) e Jorginho (Juliano Cazarré) a encontraram e perguntaram sobre Joélly. Uma pessoa que observou tudo afirmou que a jovem tinha sido levada por uma mulher de cabelo curto e Raul concluiu que se trata da chef do restaurante da Fundação Ferette. Ele lembrou do cartão que ela lhe entregou com um endereço para o momento de a bebê nascer e correu até o lugar com Jorginho. No trajeto, pressionado, Raul contou para o pai de Joélly sobre o acordo que fizeram com Samira em troca de pagar suas dívidas com Bagdá (Xamã). Revoltado com a atitude de Raul, Jorginho obrigou ele a descer do carro e seguiu sozinho para o endereço.

Enquanto isso, a chef de cozinha e Edilberto chegaram com Joélly numa clínica clandestina. A jovem estranhou o local e implorou para que Samira não levasse o bebê depois do parto, mas ela ignorou os apelos e disse que Joélly vai se acostumar com a falta da criança, assim como aconteceu na sua experiência pessoal.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Alana Cabral é uma grata surpresa em "Três Graças"

 A estreia de Alana Cabral como uma das protagonistas em "Três Graças" tem sido um dos pontos mais interessantes da atual safra de novelas. Em seu primeiro papel à frente de uma trama, e ainda tão jovem, a atriz demonstra uma segurança que chama atenção na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva, dirigida por Luiz Henrique Rios.


Desde os primeiros capítulos, Alana construiu Joelly com delicadeza, evitando exageros. Sua interpretação aposta no naturalismo, o que faz com que os conflitos da personagem pareçam orgânicos. Para alguém em seu primeiro protagonismo, é notável a forma como ela sustenta cenas longas e emocionalmente exigentes sem perder o tom. Claro que dividir o protagonismo com Sophie Charlotte (Gerluce) e Dira Paes (Lígia) serve como ponto de apoio importante, mas seu bom desempenho merece reconhecimento.

Há ainda um desafio adicional em sua composição: Joelly é uma adolescente impulsiva, que muitas vezes faz o que quer, toma decisões precipitadas e contraria conselhos. Um perfil assim facilmente poderia irritar o público ou gerar rejeição. Ainda mais diante da relação com outra figura irresponsável, o instável Raul (Paulo Mendes).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Capítulo 100 de "Três Graças" faz jus ao que a novela apresenta de melhor

 A cerimônia de inauguração da nova farmácia da Fundação Ferette na Chacrinha marcou o capítulo 100 de 'Três Graças', que foi ao ar nesta quinta-feira, dia 12, com uma sequência de acontecimentos impactantes, que se estendem para os capítulos seguintes. O evento foi idealizado por Xênica (Carla Marins) com o objetivo de fazer com que Ferette (Murilo Benício) acreditasse que seria um momento de celebração de suas ações sociais na comunidade, mas a intenção foi mostrar para todos que Rogério (Eduardo Moscovis) estava vivo.


Na ocasião, Gerluce (Sophie Charlotte) encontrou Paulinho (Romulo Estrela) a serviço, acompanhado do delegado Jairo (André Mattos) e Juquinha (Gabriela Medvedovski). O clima estava melhor entre os dois após ela pedir perdão por ter escondido informações sobre Rogério. A cerimônia começou e Ferette discursou para o público, apresentando Leonardo (Pedro Novaes) como seu sucessor no comando da Fundação. Arminda (Grazi Massafera) acompanhou o discurso de perto. Neste momento, Misael (Belo) estava com sua arma na mira do empresário, pronto para colocar o plano em prática no momento mais oportuno.


Enquanto isso, Zenilda (Andréia Horta) apareceu de surpresa no flat de Rogério. Ao saber de tudo o que aconteceu em torno da "morte" do empresário e sobre o esquema dos remédios falsos, a advogada selou com ele uma parceria para acabar com o ex-marido e Arminda e seguiram para o evento.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Participação de Crô funcionou bem em "Três Graças"

 A participação de Crô em "Três Graças" chegou ao fim nesta segunda-feira (02/02) e se destacou pela maneira cuidadosa com que o personagem foi reapresentado ao público. Ao trazer uma figura tão conhecida de "Fina Estampa" para sua nova novela, Aguinaldo Silva optou por uma abordagem contida e funcional, sem recorrer ao excesso ou à simples repetição de fórmulas que já deram certo no passado. Crô surgiu inserido na narrativa de forma natural, respeitou o novo contexto da trama e dialogou com os personagens e conflitos que movem "Três Graças".


Marcelo Serrado demonstrou familiaridade absoluta com o papel. O ator manteve os elementos que definem Crô, vide o humor peculiar, a ironia fina e o jeito expansivo, mas soube moldá-lo ao novo contexto. Essa escolha tornou o personagem reconhecível, mas também coerente com a história em que esteve inserido. Não houve a sensação de um personagem “importado” apenas para chamar atenção; houve, sim, a impressão de alguém que fez sentido dentro daquele universo.

Do ponto de vista narrativo, Crô cumpriu uma função clara. Sua presença, ainda que breve, ajudou a movimentar a trama, criou situações específicas e provocou reações nos demais personagens, contribuindo para o desenvolvimento dos acontecimentos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

"Três Graças" presenteia público com aguardadas catarses e ótimos embates

A novela "Três Graças, escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Ze Dassilva, vive um de seus momentos mais potentes ao apostar em capítulos que expõem feridas emocionais sem abrir mão do conflito dramático. Todos os acontecimentos recentes vêm prendendo a atenção do público com aguardadas catarses, que vieram após uma construção minuciosa dos autores através de um desenvolvimento muito bem estruturado.


A sequência em que a vilã Arminda (Grazi Massafera) abandona momentaneamente sua couraça de frieza para ir atrás do filho Raul (Paulo Mendes) nas ruas é um desses acertos. Ao mostrar a personagem vulnerável, quase perdida, a trama humaniza quem até então parecia movida apenas por impulsividade e total crueldade com seu herdeiro. É uma virada inteligente: Arminda continua sendo vilã, mas passa a ser também mãe, e essa contradição dá densidade à narrativa e prende o espectador pelo afeto e pela surpresa. A escolha de tirá-la de seus ambientes de poder e colocá-la em contato direto com a dureza da rua reforça visualmente essa fragilidade, além de permitir à atriz explorar nuances emocionais que enriquecem ainda mais a personagem.

Outro destaque é o embate entre Ferette (Murilo Benício) e a filha Lorena (Alanis Guillen), que escancara o preconceito ainda presente em muitas famílias. O homofóbico, ao questionar de forma agressiva o namoro da filha com outra mulher, funciona como espelho incômodo de uma realidade social persistente.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025: as melhores cenas do ano

 A teledramaturgia de 2025 teve altos e baixos diante do evidente cortes de custos da Globo em suas produções, que afetam cenários, externas e até escalações, entre outros problemas visíveis de falta de criatividade nos roteiros. A longa duração das novelas também é outro fator que prejudica o desempenho de muitas histórias.  Ainda assim, as produções nacionais têm inúmeras qualidades e várias cenas mereceram menção ao longo do ano. Vamos a elas. 





Maristela canta a música tema de "Garota do Momento": 

Simplesmente hilária a cena em que a vilã canta "Tuti Frutti", tema de abertura da novela das seis de Alessandra Poggi. Foram apenas 24 segundos, mas suficientes para a gigante Lilia Cabral brilhar, como de costume. 



Gigi acusa Sebastian de roubo em "Volta por Cima": 

A cena marcou a virada do mordomo da família falida da novela das sete de Cláudia Souto. A sequência em que Gigi acusou Sebastian de roubo foi brilhantemente protagonizada por Rodrigo Fagundes e Fábio Lago, sendo necessário também citar Drica Moraes, pois no mesmo momento Joyce descobriu que Sebastian era apaixonado por ela. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

"Dona de Mim" virou refém de decisões judiciais repetitivas e inverossímeis

 Embora "Dona de Mim" tenha começado como uma novela rica em camadas emocionais e temas sociais relevantes, é impossível ignorar o desvio narrativo que acabou reduzindo boa parte do enredo da trama de Rosane Svartman, dirigida por Allan Fiterman, à disputa de guarda de Sofia (Elis Cabral) e à curatela de Rosa (Suely Franco). A volta de Ellen (Camila Pitanga), a menos de um mês do final da produção, é mais uma prova de como o folhetim ficou refém do repetitivo recurso dramático, quase sempre dependente de decisões judiciais exageradas, repetitivas e inverossímeis.


Todas as escolhas dos juízes foram repletas de absurdos. As decisões foram baseadas apenas em conveniências de roteiro para provocar aparentes viradas ou grandes movimentações na história. Mas foram apenas falsas reviravoltas porque o enredo andou em círculos ao longo dos meses, o que é uma pena. Vale lembrar que a primeira sentença foi a retirada do nome de Abel (Tony Ramos) da certidão de nascimento de Sofia porque o empresário sabia que não era o pai da menina, o que é até uma punição plausível diante do ato ilegal do personagem. Mas passar a guarda provisória para Vanderson (Armando Babaioff) só porque ele era o pai biológico foi um escárnio. Afinal, o vilão não tinha emprego e nem residência fixa, ainda tinha passagem pela polícia. 

Ao longo dos meses, as discussões sobre o futuro da criança dominaram a história, tendo sempre Leona (Clara Moneke) como ponto de apoio, o que é natural em se tratando da protagonista. A relação de cumplicidade das personagens é linda e o amor que as une genuíno. Por isso mesmo não havia a necessidade de um juiz colocá-las morando juntas.

sábado, 15 de novembro de 2025

"Dona de Mim" aborda a questão da violência com necessário e incômodo realismo

 Os capítulos recentes da atual novela das sete, escrita por Rosane Svartman e dirigida por Allan Fiterman, exibiram cenas da invasão policial em uma favela e todos os reflexos que esse tipo de operação provoca na vida dos moradores e dos próprios policiais através da figura do mocinho. Foram situações que geraram um forte impacto emocional nos personagens de "Dona de Mim" e também no público. 


A trama central anda maçante com os desdobramentos em torno da guarda da Sofia (Elis Cabral), vilanias repetitivas do Jaques (Marcello Novaes) e situações jurídicas que são constantemente utilizadas como conveniências de roteiro. A 'vilanização' de Samuel (Juan Paiva) para causar uma turbulência em sua relação com Leona (Clara Moneke), que anda cada vez mais obcecada pela menina, também prejudica a história. Por isso foi tão importante deixar de lado esse arco, ainda que por apenas dois capítulos, e transferir o foco para o núcleo secundário da Barreira e todos os conflitos que rodeiam a vida controversa de Ryan (L7nnon). 

As cenas da invasão constituíram um dos pontos altos da narrativa, demonstrando a força estética e dramática da novela. A direção soube explorar com maestria a tensão do momento, criando uma atmosfera de urgência que prendeu o telespectador desde o primeiro segundo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

"Vale Tudo" foi um remake apolítico, descaracterizado, raso, absurdo e covarde

 O remake de "Vale Tudo" sofreu um massacre de críticas muito antes da sua estreia. A ideia de uma nova versão da melhor novela já feita na teledramaturgia provocou uma série de desconfianças por razões óbvias e a rejeição nas redes sociais foi gigante, o que fez a missão da nova trama ser ainda mais complicada. Afinal, o objetivo era repetir o sucesso, manter a qualidade, não desrespeitar a obra original e provar que todas as críticas tinham sido precipitadas. Porém, a adaptação de Manuela Dias, dirigida por Paulo Silvestrini, chegou ao fim nesta sexta-feira (17/10) sem conseguir alcançar nem um terço das metas.  


A autora até conseguiu enganar o público e a imprensa no começo do remake, quando as similaridades com a obra de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères eram muitas. Mas, ao longo dos messes, foi ficando evidente a precariedade do texto, a destruição de arcos dramáticos fundamentais, a direção repleta de equívocos e novos conflitos que só empobreceram a narrativa, a ponto da essência do enredo ter se perdido por completo. A pergunta central --- "Vale a pena ser honesto no Brasil?" --- perdeu a relevância porque não houve discussão alguma de temas pertinentes e incômodos para a sociedade. 

A principal característica do remake foi a covardia. A história de 1988 transbordava política e abordava assuntos que geravam debates. Mas é importante ressaltar que não se tratava de política partidária e, sim, a política do dia a dia de todo cidadão brasileiro, aquelas atitudes que quase sempre caminhavam na linha tênue entre a integridade e a canalhice. Tanto que não havia personagem perfeito em "Vale Tudo". Todos tinham algum tipo de falha, o que proporcionava uma sucessão de embates éticos e controversos sobre a conduta de cada um.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Remake de "Vale Tudo" é um amontoado de conflitos superficiais e absurdos

 O remake de "Vale Tudo" vem enfrentando uma sucessão de críticas e todas em relação aos novos conflitos criados por Manuela Dias são justas e pertinentes. A autora quer abordar milhares de assuntos possíveis e não consegue dar profundidade a nenhum, o que deixa a adaptação da obra original de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Brassères superficial e genérica. O pior é que a essência do folhetim é deixada de lado, a ponto da pergunta central --- "Vale a pena ser honesto no Brasil?" --- perder toda a relevância porque não há discussão alguma de temas pertinentes e incômodos para a sociedade. 


É impressionante os inúmeros temas que já foram explorados na história e não houve um sequer que tenha durado mais de uma semana. Todos surgem e são resolvidos em tempo recorde. Não há uma construção mínima para envolver o público, o que esvazia qualquer abordagem e automaticamente deixa os dramas dos personagens sem qualquer impacto. É humanamente impossível o telespectador ter alguma empatia por aquelas pessoas fictícias diante da ausência de uma linha narrativa ou arco dramático sólido. 

Assexualidade, tráfico de animais, adoção por casais homoafetivos, redução dos gases do efeito estufa, vício em jogo do tigrinho, pensão alimentícia, etarismo, assédio moral, falta de sexo no casamento, Burnout, bebê reborn, onlyfans, racismo, maternidade solo, enfim, nem dá para enumerar todas as abordagens rasas da trama.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Abordagem da morte de Abel em "Dona de Mim" prova que a dor precisa ser sentida nas novelas

 Semana passada foi ao ar a sequência mais triste de "Dona de Mim", atual novela das sete escrita por Rosane Svartman e dirigida por Allan Fiterman: a morte de Abel, que marcou a despedida do grande Tony Ramos da trama das sete da Globo. Porém, a saída de um dos principais personagens do enredo não foi corrida e a autora soube aproveitar todos os desdobramentos dramáticos que um falecimento causa na vida de uma família. 


A sequência do acidente trágico teve efeitos especiais dignos e impactou o público. Não foi algo feito de qualquer maneira ou com gráficos toscos, como tem sido visto em vários folhetins recentes, vide "Família é Tudo" e "Vale Tudo", citando apenas alguns exemplos. E o principal foi o detalhamento do que aconteceu depois da morte de Abel e Rebeca  (Silvia Pfeifer). O desespero dos personagens diante do sumiço do empresário, a procura por notícias, as especulações a respeito, o telefonema avisando da descoberta do carro com o corpo da advogada, enfim, tudo foi dividido com o telespectador, o que rendeu cenas de intensa carga dramática. 

A cena do velório também foi aproveitada para destacar o talento os atores, especialmente Suely Franco, que protagonizou seus melhores momentos na trama através da profunda dor de uma mãe que enterrou um filho. Também foi interessante conhecer um pouco mais do ritual judaico, uma vez que Rosa rasgou o bolso da blusa de Jaques (Marcello Novaes), gesto que significa o coração dilacerado pela perda.

segunda-feira, 31 de março de 2025

"Volta por Cima" entra na reta final e apresenta seu melhor capítulo

 Nesta segunda-feira (31/03), enquanto as atenções da Globo estavam todas voltadas para a estreia do remake de "Vale Tudo", incluindo uma intensa campanha de divulgação, a novela das sete apresentou seu melhor capítulo, com direito a muita ação, catarse e uma virada em praticamente todos os núcleos. "Volta por Cima" apresentou uma sucessão de boas cenas e nem deu para o telespectador se distrair por algum momento. 


A novela estava mais tranquila nas últimas semanas e a inevitável barriga (período em que nada de relevante acontece), presente em praticamente todos os folhetins, estava visível. No entanto, Claudia Souto conseguiu disfarçá-la com habilidade e colocou pequenos acontecimentos em cada capítulo. Também evitou que a história começasse a andar em círculos, o que costuma prejudicar qualquer produto que fica muitos meses no ar. 

A autora preparou o início da guerra dos contraventores pelos territórios através do racha na família Barros, desde que foi exposto em uma reunião que Gigi (Rodrigo Fagundes) e Marco (Guilherme Weber) eram filhos de Rodolfo (José de Abreu) e que Gerson (Enrique Diaz) não era mais o único herdeiro do poderoso bicheiro.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Maior fracasso da história da Globo, "Mania de Você" foi uma novela catastrófica

 Nesta sexta-feira (28/03), para o alívio dos telespectadores, do elenco e da Globo, chegou ao fim "Mania de Você", o maior fracasso de público e crítica do horário nobre da emissora. A novela de João Emanuel Carneiro, dirigida por Carlos Araújo, foi uma das piores já escritas na história da teledramaturgia e se mostrou uma avalanche de equívocos, onde absolutamente nada se salvou. É um caso que jamais será esquecido e servirá para análises futuras do quão catastrófica foi essa produção. 

Um dos graves problemas da obra foi o péssimo desenvolvimento do amor dos mocinhos, agravado ainda mais com os vários cortes na primeira fase, realizados através da intervenção de Amauri Soares, atual todo poderoso do setor de teledramaturgia da Globo, que só enfia os pés pelas mãos desde que assumiu o cargo. O amor avassalador que Viola (Gabz) e Rudá (Nicolas Prattes) sentiam um pelo outro teve um desenvolvimento sem qualquer cuidado. Amor à primeira vista de mocinhos quase sempre fracassa nos tempos atuais, ainda mais quando a relação tem como consequência uma dupla traição, sofrida por Luma (Agatha Moreira) e Mavi (Chay Suede).

Viola traiu Luma, tendo um caso com o namorado da amiga e sem nunca ter apresentado qualquer tipo de remorso, uma vez que a traiu novamente depois que foi perdoada. Rudá nunca demonstrou qualquer cuidado com Luma, mesmo diante de uma relação que teve seu início ainda na infância. Tanto que a traía várias vezes sem peso algum na consciência. E nem a passagem de tempo serviu para amadurecer o personagem.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Virada em "Mania de Você" deixou a novela ainda pior

 A atual novela das nove já é considerado um caso perdido. A dois meses de seu fim, "Mania de Você" mergulhou em um buraco sem fundo e não há boia de salvação. Mas João Emanuel Carneiro tentou uma última cartada com uma nova virada no capítulo 100, exibido recentemente, utilizando o clichê que ele tanto gosta: a vingança. Mas é impressionante como a sua obra não consegue apresentar nada que empolgue ou surpreenda positivamente. A trama, que já estava muito ruim, conseguiu ficar pior. 


A novela está cercada de situações absurdas e não há credibilidade em absolutamente nenhum conflito. A virada até poderia marcar uma nova fase e corrigir alguns erros, mas as soluções encontradas pelo autor deixaram o conjunto da obra catastrófico. É até desanimadora a constatação diante de um elenco tão talentoso e que vem fazendo o que pode. Tudo o que vem acontecendo após a falsa morte de Viola (Gabz) beira o inacreditável, até mesmo em uma ficção. Afinal, todo folhetim tem suas licenças poéticas e algumas cenas que desafiam a lógica, mas o que tem sido visto em "Mania de Você" deixa qualquer telespectador incrédulo e irritado. 

A mocinha ser dada como morta e voltar para se vingar é um clássico e a premissa costuma atrair a atenção do público por ser um recurso quase sempre irresistível. Só que a sequência da 'morte' de Viola se mostrou constrangedora, tanto na execução quanto no texto. Mavi (Chay Suede) sabotou um helicóptero para matar Volney (Paulo Rocha), só que foi o fruto de sua obsessão que entrou na aeronave para fugir do vilão, que a perseguia.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

"Volta por Cima" é uma novela gostosa de acompanhar

 Na quinta-feira passada, dia 23, "Volta por Cima" chegou ao seu centésimo capítulo. E a atual novela das sete da Globo, dirigida por André Câmara, vem sendo muito bem conduzida por Claudia Souto. A autora está desenvolvendo com competência os conflitos de sua história, que tem poucos personagens e muitos bons atores no elenco. 


O capítulo 100 trouxe a aguardada reviravolta na família de Madá (Jéssica Ellen). Jayme (Juliano Cazarré) contou para Doralice (Tereza Seiblitz) a verdade sobre o bilhete premiado que Osmar (Milhem Cortaz) roubou, o que provocou o choque da mãe da mocinha, que resolveu tirar a história a limpo e foi ao encontro do irmão na casa de Violeta (Isabel Teixeira). O tio de Tati (Bia Santana) tentou explicar as razões que o levaram a pegar o prêmio de Lindomar (MV Bill), mas Doralice explodiu e o acusou de ter roubado a própria família e ter seguido com a vida como se nada tivesse acontecido, mesmo sabendo que elas precisavam do dinheiro. Ainda travou uma discussão com Violeta, o que resultou em ótimas cenas de Tereza, Milhem e Isabel. 

Com a revelação do segredo, o que as filhas de Doralice mais temiam acaba acontecendo: a decepção e a tensão gerada fizeram a costureira passar mal e ser levada às pressas para o hospital. E o quadro de Doralice se agravou, resultando em uma parada cardíaca.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Nova virada em "Garota do Momento" proporciona ótimas cenas

 Sim, caro leitor, está ficando repetitivo. De novo "Garota do Momento?" Não tem outro assunto? Até tem, mas está difícil não escrever sempre sobre a atual novela das seis da Globo. Alessandra Poggi vem escrevendo um capítulo melhor que o outro e neste sábado, dia 25, foi ao ar a sequência mais aguardada da trama, que resultou em um gancho de arrepiar: Beatriz (Duda Santos) revelou a todos que é filha de Clarice (Carol Castro). 


A revelação aconteceu durante o concurso 'Senhoritas Galantes', promovido pela Tecelagem Tropical, graças a um delicioso 'crossover' feito pela autora, que trouxe o amado casal Eugênio (Marcello Novaes) e Violeta (Malu Galli) de volta, após o sucesso em "Além da Ilusão", novela que marcou sua estreia como escritora solo, em 2022, também na faixa das seis. A famosa união do útil ao agradável. E a utilização de uma grande festa para a tão aguardada cena da protagonista é aquele clichê quase que indispensável para gerar todo o impacto necessário. O fato de ter sido um desfile de máscaras deixou tudo ainda melhor.

Aliás, a sequência em que Beatriz venceu o concurso e, na hora do recebimento de seu prêmio, retirou sua máscara, para a surpresa de todos, lembrou bastante a volta triunfal de Clara Tavares (Bianca Bin) em "O Outro Lado do Paraíso", fenômeno de Walcyr Carrasco exibido em 2017 no horário nobre. Só faltou a frase 'Não imaginam o prazer que é estar de volta'. E isso é um elogio.