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quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Abordagem da violência doméstica em "Mulheres Apaixonadas" foi histórica

 A reprise de "Mulheres Apaixonadas" está em plena reta final no "Vale a Pena Ver de Novo" e o fenômeno de Manoel Carlos vem repercutindo muito nas redes sociais, o que apenas comprova que o sucesso é atemporal. O autor criou um novelão da melhor qualidade e entre os muitos acertos estão as várias boas abordagens de temas importantes, como a violência doméstica. A saga de Raquel (Helena Ranaldi) foi uma das mais emblemáticas da história. 

A professora de Educação Física vivia um relacionamento abusivo com Marcos (Dan Stulbach) em uma época em que essa classificação sequer existia e havia uma tensão constante no ar antes mesmo do personagem entrar na novela. Raquel estava sempre em estado de alerta diante de qualquer movimentação estranha e tudo piorou quando o ex-marido começou a telefonar sem deixar qualquer recado. Era um enredo de suspense em um núcleo secundário dentro de um folhetim tradicional. Mas a trama ganhou ainda mais destaque com a chegada do aterrorizante homem. 

Não havia cena leve entre os dois. Até em momentos aparentemente tranquilos, o clima sombrio se fazia presente graças ao bom trabalho da direção de Ricardo Waddington e ao show dos atores. Marcos protagonizava várias sequências assustadoras e eram violências de todos os tipos: físicas, psicológicas e morais.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

"Filhas de Eva" é uma série agradável e despretensiosa

 A Globo estreou "Filhas de Eva" na Globoplay em março de 2021. Agora, mais de um ano depois, a série, criada e escrita por Adriana Falcão, Jô Abdu, Martha Mendonça e Nelito Fernandes, com direção artística de Leonardo Nogueira, estreou na televisão aberta nesta terça, dia 12. Com dois episódios semanais, exibidos às terças e quintas, a trama pode ser apreciada por um público mais amplo.


Três mulheres fortes e independentes. Recordações de uma vida inteira. Momentos inesquecíveis que parecem ter acontecido há muito tempo e uma pergunta em comum: até onde elas irão para encontrar a felicidade? Esse é o questionamento que dá início à série. Consequências e impactos de decisões importantes são o pano de fundo deste drama leve, com pinceladas de humor cotidiano e que levanta reflexões comuns a todos. A história fala sobre família, amizade e liberdade, suscitando questões que levam a pensar sobre as mudanças, os obstáculos e a coragem necessários para dar um novo rumo à vida, seja em qual fase for. 

A trama se desencadeia a partir das histórias de Stella (Renata Sorrah), Lívia (Giovanna Antonelli) e Cléo (Vanessa Giácomo). As três atrizes dividiram a cena em "A Regra do Jogo", problemática novela de João Emanuel Carneiro, exibida em 2015. O trio honra o protagonismo da série e as personagens têm camadas que proporcionam um tom mais naturalista na interpretação.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Tudo sobre a coletiva online de "A Força do Querer"

 A Globo promoveu semana passada uma coletiva online sobre a volta de "A Força do Querer", melhor novela de Glória Perez e um grande sucesso de 2017. Fui um dos convidados e conto um pouco sobre o que foi falado no delicioso bate-papo com os atores. A trama substitui "Fina Estampa" (2011) no horário nobre da emissora e tem tudo para manter o êxito de audiência da faixa, embora seja uma reprise bem mais recente. A coletiva foi dividida em duas partes. 

A primeira parte das entrevistas foi realizada na terça-feira passada (15/09) ---- com a presença de Juliana Paes, Elizângela, Mariana Xavier e Dandara Mariana ---- e a segunda na quinta-feira (17/09) ---- com Paolla Oliveira, Emílio Dantas, Maria Fernanda Cândido, Dan Stulbach, Carol Duarte e Silvero Pereira. Todos comentaram da alegria desse trabalho com a história tão bem desenvolvida por Glória. E não negaram que o imenso sucesso ajudou a deixar o clima nos bastidores ainda melhor. Até porque foi um folhetim que funcionou desde o início e vários conflitos e personagens marcaram, vide Bibi Perigosa (Juliana Paes), policial Jeiza (Paolla Oliveira), sereia Ritinha (Isis Valverde), Ivana/Ivan (Carol Duarte), entre tantos outros. 

Perguntei aos atores uma cena mais difícil que protagonizaram na trama e uma mais leve ou divertida. A querida Elizângela, intérprete de Aurora, mãe de Bibi Perigosa, nem pensou duas vezes: "A da prisão. Aquele momento em que eu tive que bater na Juliana foi difícil. Apesar dos ensaios, não sabia como fazer na hora e foi algo bem dramático", disse a veterana que viveu um de seus maiores momentos na televisão. Juliana concordou com a amiga e ainda confessou que detesta cena de briga.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ótimos em "A Força do Querer", Dan Stulbach e Maria Fernanda Cândido voltaram às novelas em grande estilo

Ele estava longe das novelas há seis anos e ela não participava de um folhetim inteiro há 13 anos (as fracas "Fina Estampa" e "Como Uma Onda" foram as últimas de cada um, respectivamente). Agora, Dan Stulbach e Maria Fernanda Cândido estão de volta na ótima "A Força do Querer", escrita por Glória Perez e dirigida por Rogério Gomes, em pleno horário nobre da Globo, e fazendo uma dobradinha merecedora de muitos elogios.


A autora os presenteou com perfis densos e bem construídos. Eugênio e Joyce são casados, mas enfrentam problemas nessa relação e também com os dois filhos. Ele é um sujeito íntegro e doce, enquanto ela é uma mulher autoritária e fútil. As diferenças sempre estiveram presentes, mas o relacionamento conseguia uma harmonia. De uns anos para cá, todavia, essas questões começaram a afastá-los. Tanto que o marido vem mergulhando mais no trabalho e a esposa vem se dedicando cada vez mais a controlar a vida de Ruy (Fiuk) e Ivana (Carol Duarte).

O relacionamento sofreu um abalo maior com a chegada de Irene (Débora Falabella), oportunista que tenta dar um golpe em Eugênio. O contexto, por sinal, lembra muito o triângulo protagonizado por Alexandre Borges (Raul Cadore), Débora Bloch (Silvia) e Letícia Sabatella (Yvone) em "Caminho das Índias", da mesma autora. Porém, a trama atual vem sendo bem melhor desenvolvida, além dos perfis serem bem mais atrativos.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Série impecável, "Os Experientes" valorizou os atores veteranos e comprovou que a velhice rende várias histórias primorosas

Foram apenas quatro episódios. "Os Experientes" estreou no dia 10 de abril e teve seu último episódio exibido no dia 1º de maio. A série foi produzida no final de dezembro de 2013 e início de 2014, mas só conseguiu espaço na grade da Globo em 2015. E é de se lamentar não só a demora da emissora para colocar este produto no ar, como também a curta temporada. Afinal, o seriado que colocou os mais velhos como protagonistas apresentou um conjunto de qualidades.


A produção expôs mais uma parceria de sucesso entre a Globo e a O2 Filmes (responsável pela coprodução), repetindo a competência vista em "Felizes para sempre?", minissérie do início do ano, citando apenas um exemplo mais recente. Dirigida por Fernando Meirelles e criada pelo seu filho, Quico Meirelles, a série (roteirizada por Antônio Prata, que escreveu o primeiro, e Márcio Alemão Delgado, escritor dos três restantes) apresentou quatro episódios independentes, colocando em evidência várias formas de lidar com a experiência de vida, e todos foram primorosos.

O primeiro contou com a luxuosa participação de Beatriz Segall vivendo a esperta Yolanda, senhorinha que se viu vítima de um assalto a banco e conseguiu ser mais inteligente que o assaltante e os policiais juntos. A atriz teve uma ótima parceria com João Cortês, ator conhecido pelos comerciais de celular que se mostrou uma grata surpresa.

sábado, 12 de julho de 2014

Com um final surpreendente, "Segunda Dama" abre brecha para uma ótima segunda temporada

A série escrita e protagonizada por Heloísa Périssé ---- que também contou com a ajuda no roteiro de Paula Amaral e Isabel Muniz ---- terminou nesta quinta-feira (10/07). Com supervisão de texto de João Emanuel Carneiro e dirigida por Rogério Gomes, "Segunda Dama" começou repleta de todos os clichês dramatúrgicos que envolvem a história de irmãs gêmeas, mas chegou ao fim surpreendendo o telespectador.


A história de Marali e Analu foi muito bem construída e apresentada ao público aos poucos. Embora o primeiro episódio tenha deixado clara toda a trama da série, ao longo dos episódios foi possível observar que o passado das irmãs explicava toda a intensão da troca de identidade do presente. No início, não havia ficado clara a razão de Analu, a irmã rica e esnobe, ter proposto para Marali, a irmã pobre e ignorante, a inversão momentânea de papéis; entretanto, depois foi possível detectar a razão da vilã: assassinar a mãe de seu marido (interpretada magistralmente por Laura Cardoso, em uma participação especial), para que ele, como único herdeiro, passasse para a esposa todos os seus bens.

A grande virada da trama foi justamente quando Analu, vestida de Marali, empurra a senhora de cadeira de rodas em uma cachoeira, com o intuito de se livrar da inimiga, transformar Paulo Hélio (Dan Stulbach) no herdeiro e ainda incriminar a irmã gêmea, se livrando de qualquer suspeita, unindo o 'útil ao agradável'.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

"Mulheres Apaixonadas": a última grande novela de Manoel Carlos

Exibida entre 17 de fevereiro e 10 de outubro de 2003, "Mulheres Apaixonadas" foi a última grande novela de Manoel Carlos. O autor, que se equivocou com "Páginas da Vida" e "Viver a Vida", e agora com "Em Família" está em seu pior momento, escreveu uma trama que foi um enorme sucesso e entrou para a galeria de grandes folhetins da teledramaturgia.


Após novelas excelentes, como "História de Amor", "Por Amor" e "Laços de Família", Maneco conseguiu emplacar uma quarta trama seguida e surpreender o telespectador através de uma obra tão boa quanto as anteriores. O folhetim apresentou uma gama de histórias repletas de dramas envolventes e ainda presenteou o público com personagens muito bem construídos. O elenco também era um dos pontos fortes. Difícil apontar algum ator que não tenha ido bem em meio a tantos grandes nomes.

Todos os núcleos tiveram destaque, onde temas fortes e muitas vezes emocionantes permeavam os conflitos e os dramas dos personagens. Difícil esquecer o ciúme doentio de Heloísa (Giulia Gam em seu melhor papel na carreira); a bonita relação que Téo (Tony Ramos) tinha com a menina Salete (Bruna Marquezine); o alcoolismo de Santana (Vera Holtz); o romance lésbico de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli); o preconceito de Paulinha (Ana Roberta Gualda); o agressivo psicopata