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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022: as melhores cenas do ano

 Com a voltas das gravações em virtude do avanço da vacinação contra a covid-19, as novelas retornaram ao ritmo normal. No entanto, no início do ano várias produções ainda enfrentavam as restrições por conta da variante ômicron e algumas já entraram no ar finalizadas, como "Nos Tempos do Imperador", "Quanto Mais Vida, Melhor!" e "Um Lugar ao Sol". Já ao longo de 2022 tudo foi voltando ao ritmo normal. E foram muitas cenas merecedoras de elogios. Vamos a mais uma retrospectiva: 




Paula desabafa com a filha em "Quanto Mais Vida, Melhor!":

Giovanna Antonelli e a grata revelação Nina Tomsic emocionaram no momento em que Paula contou para a Ingrid que antes dela teve uma filha que faleceu. Um raro momento de fragilidade da personagem egocêntrica da novela das sete que ainda culminou em uma nova briga no desfecho da sequência. As duas atrizes brilharam. 


Passagem de tempo em "Um Lugar ao Sol":

Apenas três meses se passaram, mas Lícia Manzo conseguiu transformar a passagem em uma aula de sensibilidade com a exibição de vários momentos da novela das nove enquanto Ravi (Juan Paiva) narrava a metáfora das formigas. A autora é a que melhor consegue criar passagens de tempo. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Retrospectiva 2022: os melhores casais do ano

 As produções televisivas voltaram ao ritmo normal de gravações por conta do avanço da vacinação contra a covid-19. A temporada de reprises acabou. E com isso vários casais se destacaram nas novelas ao longo de 2022. Vamos a eles: 




Guilherme e Flávia ("Quanto Mais Vida, Melhor!"): 

 A deliciosa "Quanto Mais Vida, Melhor!" foi um grande acerto de Mauro Wilson e o autor foi muito feliz na construção do casal interpretado por Mateus Solano e Valentina Herszage na trama. Os atores viveram pai e filha em "Pega Pega" (2017), reprisada ano passado, e representaram um casal que conquistou o público. A dançarina de pole dance que vivia metida em confusões foi a maior responsável pelo início do processo de 'humanização' do cirurgião que era abusivo e controlador. A música "Together", cantada por Sia, tema de Flávia, deixavam as cenas do par ainda melhores. A ótima repercussão nas redes sociais foi fruto de uma soma muito feliz de atores, personagens e desenvolvimento. 



Violeta e Eugênio ("Além da Ilusão"): 

Malu Galli e Marcello Novaes transbordaram química desde a primeira cena, quando os personagens se conheceram e logo se implicaram. Uma fórmula que raramente falha na teledramaturgia. O jogo de gato e rato seguiu ao longo de "Além da Ilusão" e o casal virou o mais bem aceito nas redes sociais. Violeta era uma personagem muito sofrida e cheia de feridas não cicatrizadas. Seus momentos com Eugênio acabaram funcionando como uma válvula de escape para a mãe da protagonista da história de Alessandra Poggi. O casal ainda teve a melhor música da novela: "Easy on me", de Adele. 


sexta-feira, 25 de março de 2022

Apesar dos obstáculos e último capítulo decepcionante, "Um Lugar ao Sol" termina com mais qualidades que defeitos

 A estreia de Lícia Manzo no horário nobre da Globo foi complicada. "Um Lugar ao Sol" não teve um caminho fácil. Foram vários empecilhos que atrapalharam seu primeiro folhetim na faixa mais importante da emissora, após dois bem-sucedidos trabalhos às 18h com "A Vida da Gente" e "Sete Vidas". Foi uma novela impecável? Não. Mas mesmo contra todos os obstáculos e dificuldades, a autora conseguiu entregar para o público uma ótima história, repleta de cenas densas, boas viradas e conflitos bem construídos, cujo ciclo se fechou nesta sexta-feira, dia 25. 

A história contou a saga de Christian (Cauã Reymond) que tomou o lugar de seu irmão gêmeo, Renato, porque nunca aceitou o destino difícil que a vida lhe impôs. Inicialmente íntegro e repleto de princípios, o protagonista foi deixando seu caráter de lado pela ambição desmedida e acabou se transformando em um sujeito muito pior que o problemático e instável irmão que acabou assassinado quando tentou negociar a dívida do sujeito que era sua cópia e tinha acabado de conhecer. Os irmãos conviveram por apenas algumas horas. Não foi uma mera novela sobre gêmeos. Foi uma novela sobre um homem que conquistou seu lugar ao sol através de atos condenáveis e que foram se agravando a cada momento. 

A coragem em exibir uma trama onde o protagonista se transformava no vilão de sua própria vida merece muitos elogios. Lícia arriscou ao fazer com que o público virasse o julgador da vida de Christian. O telespectador era a testemunha, o promotor e o juiz. Tanto que foi impossível torcer por ele. Na verdade, a expectativa sempre foi em cima da derrocada do personagem.

quarta-feira, 23 de março de 2022

Cauã Reymond viveu um de seus melhores momentos na televisão em "Um Lugar ao Sol"

 A densa novela de Lícia Manzo se encaminha para o final e uma das muitas qualidades de "Um Lugar ao Sol" foi o trabalho do elenco. Como a trama sofreu várias paralizações por conta da pandemia do novo coronavírus, o ritmo das gravações não foi corrido. Houve tempo para os atores entenderem seus personagens e aprofundarem as camadas dos tipos tão bem escritos pela autora. E Cauã Reymond foi um dos que se beneficiaram. 

Cauã chegou a declarar em entrevistas que a novela não teve aquele ritmo frenético que um folhetim sem pandemia teria, o que beneficiou a sua atuação. Ele tem razão. É um de seus melhores momentos na televisão. O ator conseguiu diferenciar os gêmeos Renato e Christian de forma brilhante no início da novela e a missão não era simples. Afinal, não era o clichê do gêmeo bom e mau. Eram duas pessoas repleta de dramas que resultaram em diferentes personalidades por conta da separação ainda na infância (um foi adotado por uma família rica e o outro chegou a ser devolvido e morou no orfanato até completar 18 anos). 

Renato era um típico playboy mimado que teve tudo o que o dinheiro poderia proporcionar. Mas o que sobrou em bens materiais faltou em educação e caráter. O rapaz não respeitava a namorada (Bárbara - Alinne Moraes), a traía constantemente e vivia se metendo em vários confusões, incluindo o assassinato de um homem porque estava dirigindo bêbado. Aliás, era viciado em álcool e cocaína. Já Christian sempre foi um jovem correto e sonhava em achar o irmão gêmeo. O sonho do irmão pobre foi realizado logo no começo da trama e não segurou a inveja quando viu do que foi privado naquela vida.

terça-feira, 22 de março de 2022

"Quanto Mais Vida, Melhor!" e "Um Lugar ao Sol" não mereciam a baixa audiência

 Após um longo período de reprises, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Globo estreou duas novelas inéditas quase em sequência: "Um Lugar ao Sol" ingressou na faixa nobre no dia 8 de novembro  e "Quanto Mais Vida, Melhor!" começou no horário das sete no dia 22 do mesmo mês de 2021. Infelizmente, desde então as duas produções não vêm obtendo bons índices de audiência. Mas a verdade é que os folhetins não mereciam os números tão abaixo do que a emissora esperava. 

As novelas esbanjam qualidades, são muito bem dirigidas e têm todas as características de uma história propícia para seus respectivos horários. A trama de Lícia Manzo marca a estreia da autora na faixa das 21h, após as irretocáveis "A Vida da Gente" (2011) e "Sete Vidas" (2015) no horário das seis. Já a produção de Mauro Wilson é sua estreia como novelista solo, após um longo tempo como colaborador e autor de séries, como "Os Amadores" (2005/06/07), "A Fórmula" (2017) e "Ilha de Ferro" (2018). 

"Um Lugar ao Sol" sofreu uma redução de capítulos porque começou a ser gravada antes da pandemia. Os trabalhos precisaram ser interrompidos e meses depois retomados, mas ainda com poucas vacinas para a população. Ficou com apenas 107 capítulos, desmembrados em 119 por conta de um esticamento de última hora por conta dos atrasos nas gravações de "Pantanal". Lícia não guardou conflitos nos primeiros meses e apresentou uma história ágil, cheia de acontecimentos. Nem assim os índices reagiram.

sexta-feira, 18 de março de 2022

Irretocável como Rebeca em "Um Lugar ao Sol", Andréa Beltrão voltou às novelas em grande estilo

 A atual novela das nove está a poucos capítulos de seu fim e Lícia Manzo vem conduzindo seu enredo com competência. "Um Lugar ao Sol" é uma novela repleta de tipos reais, onde todos estão certos e errados ao mesmo tempo. Todos os perfis cometem atitudes condenáveis o tempo inteiro. E uma das personagens que mais tem se destacado na trama, através de vários sentimentos e angústias, é Rebeca, interpretada com brilhantismo por Andréa Beltrão. 

A atriz estava afastada das novelas desde 2001, quando esteve em "As Filhas da Mãe", trama das sete de Silvio de Abreu. Depois foram várias séries ao longo dos anos, onde fez mais sucesso no humor, como em "A Grande Família" e "Tapas & Beijos". Após 20 anos longe dos folhetins, Andréa ganhou uma personagem cheia de camadas e bons conflitos. Fica difícil imaginar outra intérprete no papel, que parece escrito sob medida por Lícia. Embora seja um perfil coadjuvante, há muito destaque. 

Rebeca é uma ex-modelo que enfrenta o peso da idade. Aos 50 anos, a personagem já não recebe quase convites de trabalho e em vários momentos é reforçado como o mercado da moda costuma descartar mulheres mais velhas. Para culminar, a filha de Santiago (José de Abreu) enfrenta a inveja velada das irmãs, Nicole (Ana Baird) e Bárbara (Alinne Moraes), que nunca aceitaram vê-la como a preferida do pai.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Globo tratou "Um Lugar ao Sol" com má vontade e desrespeito

 Nunca ficou tão evidente a má vontade de uma emissora com seu próprio produto. É até difícil estabelecer qualquer tipo de lógica para analisar o que a Globo fez com "Um Lugar ao Sol". Isso porque o desrespeito com a novela de Lícia Manzo, faltando apenas poucos dias para seu final, é explícito mesmo meses antes da produção estrear. Mas nos últimos dois meses de novela tudo ficou cada vez mais frequente e incômodo. 

Em virtude da pandemia do novo coronavírus, onde a contaminação da variante ômicron se mostrou muito maior, a emissora precisou atrasar a estreia de "Pantanal". O remake da obra de sucesso de Benedito Ruy Barbosa, exibida na Rede Manchete na década de 90, e adaptado pelo neto do autor, Bruno Luperi, é tratado como a salvação da Globo. Praticamente uma galinha dos ovos de ouro. Mas vários integrantes da equipe e do elenco pegaram covid. As gravações precisaram de uma pausa. Prevista para o início de março, a estreia foi remarcada para o dia 28. 

Portanto, "Um Lugar ao Sol" precisou ser esticada em duas semanas. Mas a novela já foi finalizada há muitos meses e não há qualquer possibilidade de novos conflitos. A solução está na edição dos capítulos. Antes com cerca de 55 minutos de duração, vários passaram a durar por volta de 35 minutos. A questão é que todo o trabalho de edição foi feito nas primeiras semanas de 'esticamento' de uma maneira porca.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Juan Paiva fez jus ao destaque de Ravi em "Um Lugar ao Sol"

A novela das nove escrita por Lícia Manzo está perto de seu fim e teve muitas qualidades. Uma delas é a acertada escalação do elenco, repleto de grandes nomes. Outro êxito da autora foi a escolha de Juan Paiva para viver o retraído Ravi, irmão de coração do protagonista Christian (Cauã Reymond). O personagem tem uma grande importância na história e tem sido um prazer acompanhar o desempenho de Juan Paiva em cena. 


Ravi conheceu Christian no abrigo para menores onde o gêmeo rejeitado por Elenice (Ana Beatriz Nogueira) foi parar pouco tempo depois da separação de seu irmão. Os dois acabaram criando um forte vínculo. O protagonista saiu do local quando completou 18 anos e prometeu vir buscar o seu irmão de alma. A promessa foi cumprida quando Ravi também fez 18 anos. Os dois viraram cúmplices no plano de Christian, que usurpou o lugar de Renato assim que o milionário foi assassinado quando tentou resolver a dívida do irmão gêmeo com o tráfico de drogas. Christian 'enricou' e melhorou a vida financeira de Ravi, que ganhou um emprego de motorista particular. 

O passado do personagem de Juan Paiva foi contado apenas em um capítulo da primeira semana de novela em um breve flashback. A mãe era usuária de drogas e abandonou o menino. Também ficou subentendido que Ravi nasceu com um problema cognitivo por causa do vício da mãe. Inicialmente, parecia até que o rapaz tinha um leve grau de autismo.

sexta-feira, 11 de março de 2022

"Um Lugar ao Sol" prova que muita gente reclama de clichês, mas não vive sem eles

 A novela de Lícia Manzo está em plena reta final e desde o início da produção, incluindo a divulgação nas coletivas online, a autora deixou claro que "Um Lugar ao Sol" não era uma mera novela de gêmeos, como tantas que o telespectador já viu. Agora fica clara a explicação da escritora. Realmente não é e passou longe de ser. A ousadia em matar Renato (Cauã Reymond) logo no começo do enredo e depois focar apenas na saga de Christian (Cauã) usurpando a vida do irmão foi uma ousadia merecedora de elogios. 


A autora optou pelo mais difícil: confiar na potência de sua narrativa e evitar situações óbvias envolvendo trama de gêmeos. Não teve gêmeo bom e gêmeo mau. Renato era um playboy inconsequente e problemático, mas passou longe da vilania. Christian era um sujeito íntegro, mas também estava longe de ser uma pessoa boazinha. Os dois eram sujeitos repletos de camadas e contradições. Agora, com o protagonista no posto da presidência da Redentor que tanto almejou, ficou claro que o falso Renato se transformou em algo muito pior que seu irmão. 

Apesar de alguns tropeços na trama, como a enrolação de alguns conflitos que acabaram caindo na repetição e a edição dos capítulos por conta de um esticamento forçado pela Globo, "Um Lugar ao Sol" segue com boas qualidades. No entanto, é comum ver nas redes sociais comentários reclamando da ausência de Renato.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Não havia necessidade da virada de Stephany em "Um Lugar ao Sol"

 A autora Lícia Manzo é conhecida por suas tramas realistas e sem grandes viradas ou acontecimentos catárticos. O que não é demérito. "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", suas duas novelas das seis primorosas, são a prova. No entanto, a autora conseguiu mostrar uma nova faceta com "Um Lugar ao Sol". Foram vários momentos de tirar o fôlego e com reviravoltas muito bem construídas. Deixou explícito que também sabe fazer quando quer. Mas o plot criado para Stephany (Renata Gaspar) se mostrou equivocado e desnecessário. 


A personagem protagoniza uma situação grave e muito presente na vida de várias mulheres: a violência doméstica. Vários folhetins já abordaram o tema e Lícia vem tratando com seriedade. Roney (Danilo Granghéia) é um marido violento e abusivo. Stephany nunca conseguiu se livrar do companheiro e acaba sempre cedendo aos teatros emocionais. Demorou muito para ter coragem e denunciá-lo por agressão, mas, retratando a realidade, nada aconteceu com ele. Ainda assim, acaba reatando em vários momentos. 

Ao contrário da irmã, Érica (Fernanda de Freitas), Stephany não tem muita instrução. Já teve atitudes questionáveis, como insinuar que a irmã deu um golpe do baú no ricaço. No entanto, sempre foi uma ótima amiga com Érica e amorosa com o sobrinho. No capítulo de ontem, após mais uma agressão sofrida, recebeu a ajuda de Renato, que atendeu ao pedido da esposa de Santiago (José de Abreu).

segunda-feira, 7 de março de 2022

Gabriela e Ilana formam o melhor casal de "Um Lugar ao Sol"

 A novela das nove de Lícia Manzo está a poucas semanas do fim. E a história de "Um Lugar ao Sol" se mostrou tão realista que ficou difícil torcer para algum casal. Aliás, é uma característica da autora. É complicado torcer fielmente por alguém ou um romance em tramas onde todos têm qualidades e defeitos, muitas vezes protagonizando situações que tiram o telespectador do sério. Mas há uma exceção que vem sendo explorada na reta final: Gabriela (Natália Lage) e Ilana (Mariana Lima). 

O casal foi o que mais demorou a acontecer. Algo, infelizmente, corriqueiro em romances LGBTs na ficção. Sempre ocorre depois da metade de novela no ar e às vezes somente nas últimas semanas, como é o caso citado. Ilana começou a trama casada com Breno (Marco Ricca), um sujeito com a vida profissional frustrada e que vivia insistindo para a esposa engravidar. A questão era motivo de várias brigas. O fato dele ganhar menos que ela também resultava em desentendimentos. Não era uma relação saudável. 

Após muito resistir, a personagem aceitou realizar uma inseminação artificial. Acabou engravidando de gêmeas. E a ginecologista que acompanhou a gestação foi Gabriela, uma grande amiga de adolescência. O público só soube depois que a médica flertou com Ilana na juventude e isso resultou no afastamento delas porque Ilana não se sentiu mais confortável.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Lícia Manzo e Ana Beatriz Nogueira repetem a bem-sucedida parceria de "A Vida da Gente" em "Um Lugar ao Sol"

 Todo autor tem aquele ator ou atriz com quem gosta de trabalhar. Não por acaso, há intérpretes que estão sempre na lista de escalação de determinados escritores. É a chamada 'panelinha'. É impossível acabar com a prática porque é natural que o roteirista queira trabalhar novamente com quem já defendeu um personagem seu com brilhantismo. Isso tem sido visto, por exemplo, em "Um lugar ao Sol". Lícia Manzo e Ana Beatriz Nogueira estão repetindo a bem-sucedida parceria de "A Vida da Gente". 

A primeira novela de Lícia Manzo, exibida em 2011, é a terceira mais vendida da Globo e foi reprisada recentemente em virtude da paralisação das gravações por conta da pandemia do coronavírus. Ana foi um dos destaques na pele da narcisista Eva, mãe de Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano). A personagem tinha uma veneração doentia pela filha tenista e desprezava a outra de forma cruel. A atriz protagonizou muitas cenas de forte intensidade dramática e despertou a antipatia do público. Foi o papel mais importante da intérprete na televisão. Dava gosto assistir qualquer momento de Eva por conta do talento de Ana Beatriz Nogueira. 

O curioso é que, embora fosse um perfil detestável, Eva tinha seus momentos de humor em virtude da quantidade de absurdos que proferia. Não por acaso, agora, dez anos depois, Lícia Manzo resolveu presentear a atriz com uma personagem que tem a comicidade como principal característica. Parte da crítica especializada costuma apontar a ausência de humor nas novelas da autora como uma espécie de demérito.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Brilhantemente defendida por Alinne Moraes, Bárbara é a personagem mais complexa de "Um Lugar ao Sol"

 Lícia Manzo é uma autora detalhista. Seus personagens costumam ter várias características que os tornam humanos e nada maniqueístas. Mesmo um perfil que aparenta ser um vilão analisando superficialmente suas atitudes, na verdade não é. Um dos maiores exemplos é a Bárbara, de "Um Lugar ao Sol", interpretada com brilhantismo por Alinne Moraes. 

Bárbara é uma típica patricinha da elite carioca. Mimada e vivendo em uma bolha, a personagem não sabe nada da realidade da vida. As únicas pessoas com quem se importa são Renato (Cauã Reymond), o marido por quem nutre uma assustadora dependência emocional, e Nicole (Ana Baird), a irmã que sempre cuidou dela. Outra pessoa que recebe seu carinho é a sogra, Elenice (Ana Beatriz Nogueira), por se tratar da idealização de uma mãe que ela nunca teve. Isso porque sua mãe sofria de bipolaridade e faleceu por conta da doença --- ainda não ficou claro, mas tudo indica que se tratou de suicídio.

Embora seja arrogante e se ache acima dos outros, a personagem já sofreu muito em sua vida. Problemas de uma branca, jovem, rica e cis? Ok, mas ainda assim questões bem sérias. Os surtos constantes sofridos pela mãe deixaram um trauma em Bárbara e Nicole. Apenas um flashback até o momento retratou a vida das irmãs na adolescência, mas foi o suficiente para observar como nasceu a cumplicidade delas e seus respectivos traumas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Após participação tripla, Gillray Coutinho merece personagens de destaque na televisão

 Há muitos atores que acabam ficando conhecidos do grande público não por personagens marcantes e, sim, por suas várias participações em novelas e séries. Infelizmente, são profissionais que ainda não ganharam um personagem de destaque na televisão, mas mesmo assim estão sempre presentes na telinha. É o caso de Gillray Coutinho, que recentemente esteve nas três novelas inéditas da Globo. 

A Globo costumava ser rigorosa para não repetir muitos atores, mas o fim dos contratos longos e a chegada da pandemia do novo coronavírus, implicando em um amontoado de reprises, enterrou a prática da emissora. E o fato das três novelas atuais irem ao ar totalmente gravadas também facilitou a aparição tripla do ator. Pois enquanto gravava uma, a outra já tinha sido quase finalizada. A inusitada situação só foi percebida com maior facilidade porque Gillray tem um rosto muito característico e manteve o bigode em todos os papéis. 

A primeira participação foi em "Quanto Mais Vida, Melhor", atual novela das sete, escrita por Mauro Wilson e dirigida por Allan Fiterman, onde interpretou o piloto do avião que caiu e vitimou os quatro protagonistas. No entanto, seu personagem foi o único que morreu de fato e logo se despediu no segundo capítulo com uma ida feliz para o céu.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021: os destaques do ano

Mesmo em um ano tão doloroso, com tantas perdas e crises, foi possível elaborar uma lista de destaques do ano. A vacinação ajudou a retomar os trabalhos, mesmo que aos poucos, e no segundo semestre já há várias produções inéditas no ar. O streaming foi um mercado que cresceu muito no segundo ano de pandemia, enquanto a audiência da televisão aberta caiu com tantas reprises. Vamos para a última retrospectiva do blog: 





"BBB 21": 

Beneficiado pelo intenso período de confinamento em virtude da pandemia do novo coronavírus e por uma escalação repleta de perfis atrativos, a vigésima primeira edição do "Big Brother Brasil" foi um sucesso estrondoso. Logo na primeira semana o reality já caiu na boca do povo com toda a polêmica envolvendo Lucas Penteado e Karol Conká, que acabou virando a grande vilã da edição. O favoritismo de Juliette Freire só cresceu ao longo das semanas e a participante foi a vencedora com a maior porcentagem da história do reality: mais de 90% de preferência popular em uma final tripla. Tiago Leifert fez um discurso marcante para a campeã, que realmente foi um fenômeno, saindo com mais de 24 milhões de seguidores no Instagram (hoje já com mais de 33 milhões). Segundo dados divulgados por Boninho, 163 milhões de brasileiros estiveram em algum momento de olho nos brothers. Foi o "BBB" que mais faturou: R$ 550 milhões, 50% a mais que o do ano passado. Vale destacar ainda outros participantes que protagonizaram a edição, para o bem ou para o mal, como Gil do Vigor, Sarah, Viih Tube, Camilla de Lucas, Lumena, Carla Diaz, Projota, entre tantos. O êxito do programa foi tão grande que a Globoplay explorou até onde deu, vide os documentários de Karol Conká --- "A Vida Depois do Tombo" ---, Juliette --- "Você Nunca Esteve Sozinha" e agora no final do ano o de Gil do Vigor --- "Gil na Califórnia". 


"Salve-se Quem Puder":

O encurtamento da novela das sete da Globo, por conta da pandemia do novo coronavírus, fez muito bem para o enredo de Daniel Ortiz. A retomada da produção expôs uma história mais ágil e sem enrolações. A saga das atrapalhadas Luna, Alexia e Kyra foi divertida e destacou o talento de Juliana Paiva, Deborah Secco e Vitória Strada, que transbordaram sintonia. A trama tinha um quê infantil e agradou o público. A reta final foi repleta de cenas de ação e emocionantes, como o 'reencontro' de Luna com sua mãe, Helena (Flávia Alessandra). O autor só tropeçou feio no excesso de triângulos amorosos com desfecho que se arrastaram até o último capítulo, o que implicou em problemas evidentes de desenvolvimento. Mas o saldo geral foi positivo e uma espécie de volta por cima de Ortiz após a fraca e criticada "Haja Coração". 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021: as melhores atrizes e os melhores atores do ano

 Como já mencionado na retrospectiva anterior, ano de 2021 foi o segundo com pandemia. Após o caos mundial instaurado pelo novo coronavírus em 2020, gravações foram interrompidas e o setor audiovisual foi um dos mais afetados. As reprises viraram as protagonistas da programação. A esperança veio com a chegada da vacina e o avanço da vacinação causou um impacto positivo. Embora os protocolos ainda sejam necessários, os trabalhos vão sendo retomados pouco a pouco. A Globo conseguiu finalizar as novelas interrompidas ano passado e está com três inéditas no ar no segundo semestre. A Record conseguiu produzir uma novela dividida em várias fases ao longo do ano. Vamos então aos eleitos melhores intérpretes: 





Melhores Atrizes: 





1- Regina Casé.

A Lurdes foi o maior acerto de "Amor de Mãe". Tanto que foi a única personagem que se manteve na memória do público. Tirando a procura desesperada da mãe pelo filho Domênico, quase  ninguém lembra mais do restante do enredo. Isso é fruto do carisma da personagem e do talento da atriz, que compôs uma mãe crível e de fácil identificação. Regina despertou risos e lágrimas com grande facilidade no enredo de Manuela Dias. 


 

2- Marjorie Estiano.

Uma atriz que brilha em todo papel. E Carolina segue como uma de suas mais densas personagens. Marjorie continuou emocionando na pele da médica na quarta temporada de "Sob Pressão" e protagonizou várias cenas ótimas com Julio Andrade e Ana Flávia Cavalcanti. A temática central da fase de 2021 foi a disputa pela guarda do filho de Evandro e sua companheira teve vital importância durante todo o processo, o que valorizou a atriz. 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Retrospectiva 2021: as melhores cenas do ano

No segundo ano de pandemia, as produções no setor da teledramaturgia seguiram em passos lentos. Reprises dominando a programação no primeiro semestre e novas tramas gravadas em ritmo cuidadoso. No entanto, os folhetins interrompidos em 2020 por conta da pausa nos trabalhos foram finalizados e tiveram seus desfechos exibidos. Novos produtos também foram gravados e agora, no segundo semestre, a Globo já conseguiu estar com três novelas inéditas no ar. A Record conseguiu manter a inédita "Gênesis" no ar durante quase todo o ano, mas atualmente precisou apelar para a reprise da mesma trama antes de produzir a nova. Vamos então para a lista de melhores cenas do ano: 







Eva chora a morte do filho em "Gênesis":
A primeira fase da novela bíblica da Record retratou a conhecida história de Adão e Eva. O sucesso de audiência foi grande e Juliana Boller foi um acerto do elenco. A atriz brilhou como Eva e sua cena mais emocionante foi a morte de Abel (Caio Manhente), assassinado pelo irmão Caim (Eduardo Speroni). A dor daquela mãe com a perda de seu filho foi passada com muita entrega pela intérprete. 



Animais vão para a Arca de Noé em "Gênesis":
A segunda fase da novela bíblica da Record abordou a mais atrativa trama da Bíblia. E os efeitos especiais dos animais correndo para a arca construída por Noé (Oscar Magrini) ficaram muito bem feitos. A sequência emocionou e teve uma dose de adrenalina que fez toda a diferença. 


terça-feira, 30 de novembro de 2021

Repleta de bons ganchos, "Um Lugar ao Sol" merece mais prestígio da Globo e do telespectador

 A estreia de Lícia Manzo no horário nobre, após as primorosas "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", vem sendo o melhor dos presentes. "Um Lugar ao Sol" está no ar há menos de um mês, mas a autora já conseguiu apresentar sua história central com bastante habilidade e, aos poucos, os núcleos paralelos vão surgindo e, também, com vários conflitos bem construídos. Não há cena desnecessária. Tudo tem um sentido ou uma razão para estar ali. 


Impressiona como Lícia vem desenvolvendo seu roteiro sem enrolação ou pontas soltas. Todos os núcleos têm uma ligação e as peças acabam se encaixando mais cedo ou mais tarde. A autora está conseguindo contar sua história com dinamismo, apresentando capítulos repletos de acontecimentos e encerrados sempre com ganchos de tirar o fôlego. Como a produção terá apenas 107 capítulos, há uma maior facilidade para evitar a chamada barriga (período de enrolação). Mas, ao mesmo tempo, havia o risco de uma pressa que atrapalharia o entendimento e a densidade do enredo, o que não tem acontecido. 

A escritora está mostrando um novo lado até então desconhecido do público que acompanhou suas duas novelas anteriores. Isso porque as já citadas "A Vida da Gente" e "Sete Vidas" não eram folhetins de grandes viradas ou ganchos impactantes. Eram folhetins que retratavam o cotidiano de uma forma delicada e envolvente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

"Um Lugar ao Sol" vem apresentando um início ágil e promissor

 "O que todo mundo quer na vida é uma oportunidade. Uma chance. Mas e se para ter um lugar ao sol você tivesse que encarar suas sombras? Você deixaria de ser quem é para chegar aonde quer?" A mensagem do teaser de "Um Lugar ao Sol", nova novela das nove da Globo, que estreou nesta segunda-feira (08/11), totalmente inédita e já toda gravada, provoca curiosidade sobre mais uma história da talentosa Lícia Manzo, autora que fez sucesso em "A Vida da Gente" (2011) e "Sete Vidas" (2015), ambas na faixa das seis, e agora estreia no horário nobre da emissora apostando no dramalhão clássico. 


A escritora não costuma utilizar maniqueísmo em suas obras. Ninguém é muito bom ou muito mau. Todos têm suas complexidades e controvérsias de qualquer ser humano. Portanto, a trama que norteia a produção foge do clichê, ainda que se utilize dele. Meio confuso? Nem tanto. Lícia conta o folhetim clássico do gêmeo que ocupa o lugar do outro. Mas do jeito dela. E um jeito que o público já aprendeu a admirar. Tanto que os primeiros capítulos da nova novela das nove vêm causando a melhor das impressões. 

A estreia já conseguiu arrebatar pela forma como tudo foi apresentado ao público. Em uma hora e meia de capítulo, praticamente uma duração de filme, Lícia mostrou o nascimento dos gêmeos, algumas passagens de tempo muito bem colocadas pela direção de Maurício Farias, e como cada irmão se adaptou à nova vida.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

"Um Lugar ao Sol": o que esperar da nova novela das nove?

A nova trama das 21h da Globo estreia hoje, dia 8 de novembro, e marca a chegada de Lícia Manzo no horário mais nobre da emissora. A autora é a responsável por dois primorosos folhetins das 18h: "A Vida da Gente", de 2011(reprisada recentemente), e "Sete Vidas", de 2015. Duas histórias que primaram pela sensibilidade e resultaram em uma sucessão de elogios do público e da crítica. Há uma expectativa muito grande para "Um Lugar ao Sol", pois a força dramática das histórias da escritora sempre foram perfeitas para a principal faixa de novelas do canal. 

 Mas a verdade é que Lícia Manzo enfrentou uma verdadeira saga até estrear sua primeira novela no horário nobre. Após o êxito de "Sete Vidas", a autora foi escalada para escrever uma novela das 23h, prevista para 2016. A sinopse foi criada e o título era "Jogo da Memória". A trama abordaria uma relação incestuosa entre uma irmã e seu irmão por parte de pai em três épocas distintas. Mas a Globo achou o investimento caro para uma trama que teria três fases. O projeto acabou cancelado, mas Lícia escreveu a história inteira, que segue engavetado. Pediram, então, para a escritora fazer uma novela sem horário definido. Pedido aceito. 

A princípio, a Globo decidiu destinar a nova trama de Lícia para as 18h. Porém, outra vez criaram empecilhos e uma nova ordem veio: adaptar o enredo para a faixa das 21h. Quando tudo parecia certo, a direção não achou que a história não tinha a força necessária e uma nova adaptação foi feita, segundo várias notas de colunistas.