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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Gerluce: a mocinha que reinventou o protagonismo em "Três Graças" e consagrou Sophie Charlotte

 A construção de Gerluce em "Três Graças" é um daqueles raros acertos que lembram por que a teledramaturgia ainda pode surpreender mesmo dentro de formatos tão consolidados. Em vez de seguir o caminho previsível da mocinha irretocável, a novela apostou em uma protagonista complexa, movida por afetos profundos, mas também capaz de atravessar zonas moralmente ambíguas --- e é justamente aí que reside seu maior trunfo.

Gerluce foi apaixonante porque nunca foi idealizada. Sua trajetória não foi diminuída em nenhum momento, nem engolida por tramas paralelas, como tantas vezes acontece. Ao contrário: o enredo orbitou suas decisões, seus dilemas e suas consequências. Mesmo dividindo o protagonismo com Lígia (Dira Paes) e Joelly (Alana Cabral), sua mãe e sua filha, a narrativa soube equilibrar as três forças sem apagar o brilho central da personagem. O título da novela ganha sentido não apenas simbólico, mas dramático ---- são três mulheres conectadas por amor, resistência e sobrevivência.

A ousadia dos autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva ao colocar essa protagonista liderando uma quadrilha e arquitetando o roubo da estátua das Três Graças foi um sopro de frescor. Ainda que o pano de fundo remeta ao clássico arquétipo de Robin Hood, a história não suaviza as escolhas de Gerluce.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Rogério foi o personagem mais inútil de "Três Graças"

 Todo personagem dado como morto que retorna vivíssimo para se vingar costuma despertar a atenção do público. É um dos maiores clichês da teledramaturgia e um recurso frequentemente utilizado por autores quando precisam criar conflitos capazes de movimentar a trama. Não foi diferente em "Três Graças", novela das nove escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva.


A suposta morte de Rogério, personagem de Eduardo Moscovis, carregava mistério desde os primeiros capítulos, e seu retorno rendeu uma das melhores catarses da novela. A cena em que surgiu vivo diante de Arminda, vivida por Grazi Massafera, e Ferette, interpretado por Murilo Benício, seus algozes que tentaram assassiná-lo, teve impacto e prometia uma verdadeira virada na história.

O problema é que, ao longo dos meses, Rogério foi sendo escanteado até virar praticamente um espectador da própria trama.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fernanda Vasconcellos brilha como Samira em "Três Graças"

 A atuação de Fernanda Vasconcellos em "Três Graças" confirma sua maturidade artística ao assumir um dos papéis mais sombrios da trama. Como Samira, uma vilã psicopata envolvida com tráfico de bebês, a atriz opta por um caminho menos óbvio e justamente por isso mais perturbador na trama de Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgilio Silva. 


Enquanto outros antagonistas da novela seguem uma linha mais expansiva, com explosões, gritos e gestos largos, Fernanda constrói sua personagem com contenção. Sua interpretação é econômica, quase minimalista. A ameaça não está em discursos inflamados, mas na frieza calculada. O olhar parado, o sorriso discreto fora de contexto e a postura sempre controlada criam uma tensão constante. Samira assusta não pelo excesso, mas pelo vazio emocional que transmite.

Essa escolha se mostrou especialmente eficaz nas cenas recentes envolvendo o parto de Joelly. No momento em que a protagonista viveu a vulnerabilidade extrema do nascimento da filha, Samira surgiu como uma presença silenciosa e atenta, mais interessada na “mercadoria” do que no drama humano diante dela.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Daphne Bozaski transforma Lucélia em um dos destaques de "Três Graças"

 A trajetória de Daphne Bozaski até chegar a Lucélia de "Três Graças" é, por si só, um estudo interessante sobre construção de carreira e, sobretudo, sobre expansão de registro interpretativo. Depois de anos marcada por personagens que exigiam um certo “tom acima”, mais estilizado ou mesmo teatral, a atriz finalmente encontra aqui um terreno onde o naturalismo não apenas é possível, como se torna sua principal ferramenta de composição.


Desde os primeiros trabalhos em "Pedro e Bianca" e "Que Monstro Te Mordeu?" (ambas em 2014), onde a expressividade mais aberta era quase uma exigência do formato, Daphne demonstrava presença cênica e domínio técnico. Esse traço se consolidou com a icônica Benê de "Malhação - Viva a Diferença" (2017), papel que exigia precisão, sensibilidade e um cuidado extremo para evitar caricaturas em cima da abordagem do autismo ---- algo que ela realizou com enorme êxito, conquistando público e crítica. Em "As Five" (2020/24), teve ainda a oportunidade de maturar essa criação, explorando novas camadas da personagem.

Mesmo quando o material não ajudava tanto, como em "Nos Tempos do Imperador" (2022), onde viveu a tímica Dolores, ou quando mergulhava de vez no campo da caricatura em "Família é Tudo!" (2024), quando brilhou na pele da estereotipada Lupita,

terça-feira, 24 de março de 2026

Laurinha Figueroa foi uma das vilãs mais emblemáticas da teledramaturgia

 A reprise de "Rainha da Sucata" no Vale a Pena Ver de Novo, em plena reta final, oferece uma oportunidade de revisitar uma das vilãs mais icônicas da teledramaturgia brasileira, Laurinha Figueroa, e reconhecer a magnitude da interpretação de Gloria Menezes. Laurinha não é apenas má; ela é essencialmente cruel, preconceituosa, racista e elitista, encarnando os vícios e contradições de uma elite marcada pelo poder e pela hipocrisia. A personagem se despediu da trama no capítulo emblemático reexibido nesta terça-feira (24/03).


O único traço de humanidade de Laurinha reside no amor pelo enteado Edu (Tony Ramos), sentimento que rapidamente se transforma em obsessão e catalisa muitas das ações mais perversas de Laurinha, revelando uma complexidade emocional rara para uma vilã da época. O autor Silvio de Abreu fez uma construção hábil.

Mesmo inserida em um enredo maniqueísta, Laurinha apresenta sutilezas que a engrandecem. Cada gesto calculado, cada olhar desconfiado, cada pausa estratégica expõe camadas de vulnerabilidade, frustração e desejo de controle.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Larissa Manoela se destacou em "Êta Mundo Melhor!"

 Faltando pouco mais de uma semana para o fim de "Êta Mundo Melhor!", a participação de Larissa Manoela como Estela se consolidou como um dos acertos da continuação de "Êta Mundo Bom!", escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson dirigida por Amora Mautner. Esta é sua segunda novela na Globo, após a estreia como protagonista em "Além da Ilusão" (2022), e a personagem encontrou um espaço importante dentro da história.


Ao longo da trama, Larissa construiu uma Estela sensível, determinada e muito ligada à filha, sua única família. A atriz teve bons momentos nos embates da enfermeira com os vilões Sandra (Flávia Alessandra) e Ernesto (Eriberto Leão), especialmente nas cenas em que a personagem precisou confrontar ameaças diretas à própria vida e à segurança da filha. Nessas sequências, ela demonstrou firmeza sem perder o tom humano que caracteriza a enfermeira.

Entre os momentos mais marcantes está a delicada sequência da morte da mãe de Estela, em cena com Letícia Sabatella.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Claudia Abreu esbanja talento como Filipa em "Dona de Mim"

 A atual novela das sete da Globo, escrita por Rosane Svartman e dirigida por Allan Fiterman, está a um mês de seu fim e um dos maiores acertos de "Dona de Mim" foi o seu elenco. A escalação, repleta de novos talentos e atores já reconhecidos, é uma característica da autora. E a presença de Claudia Abreu enriqueceu a trama, principalmente porque a espetacular atriz viveu uma mulher bipolar, cujos conflitos dominam a narrativa do início ao fim. 


A intérprete estava longe das novelas há nove anos, após ter protagonizado a problemática e fracassada "A Lei do Amor", em 2016. Durante esse hiato, Claudia se dedicou ao teatro e participou de séries. Aliás, a atriz conseguiu conciliar "Dona de Mim" com a peça "Os Mambembes", onde atua ao lado dos colegas Paulo Betti, Julia Lemmertz, Debora Evelyn, Orã Figueiredo, Emilio de Mello, Leandro Santanna e Caio Padilha. Além de ser mãe de quatro filhos. É uma pessoa que está sempre em movimento. 

A atuação de Claudia Abreu é um dos elementos mais marcantes da novela das sete. A atriz entrega uma performance que alia técnica refinada e profunda sensibilidade emocional. Filipa, em suas mãos, nunca é reduzida a um rótulo ou a um conjunto de sintomas: ela é uma mulher multifacetada, cheia de sonhos, contradições, vulnerabilidades e momentos luminosos.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Henrique Barreira roubou a cena como Murilo em "Família é Tudo"

 Um dos personagens mais cativantes de "Família é Tudo", atual novela das sete da Globo, escrita por Daniel Ortiz e dirigida por Fred Mayrink, é o Murilo. O personagem é uma figura terciária, até quaternária, do enredo, mas foi crescendo ao longo da história e muito por conta do talento de Henrique Barreira.


O advogado surgiu logo no início da trama como um fiel escudeiro de Electra (Juliana Paiva) e era a única pessoa que acreditava na inocência da personagem, além da irmã, Vênus (Nathalia Dill). O rapaz sempre fez de tudo para defender a sua cliente da acusação de tentativa de homicídio e lutou durante cinco anos pelo habeas corpus. Só que tamanha dedicação tinha um motivo: sempre foi apaixonado pela mulher que tinha uma relação com seu irmão, Luca (Jayme Matarazzo). No entanto, manteve seu sentimento em sigilo e nunca tentou algo a mais, mesmo durante o longo período em que a amada estava presa. 

O personagem acabou virando o mocinho da novela, uma vez que a figura oficial, o Tom, interpretado pelo ótimo Renato Góes, acabou perdendo a força diante do desenvolvimento equivocado do autor. Enquanto Daniel Ortiz criava situações forçadas e sem nexo para separar Tom de Vênus, incluindo até um aneurisma inventado nos 45 minutos do segundo tempo, o advogado foi ficando cada vez mais querido do grande público.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Ótimo como Sérgio, Marcos Caruso foi valorizado em "Elas por Elas"

 O telespectador mais atento já está cansado de saber que todas as novelas depois da pandemia praticamente aboliram a presença de atores mais velhos em cena. Dá para contar nos dedos de uma mão quantos estão no elenco dos três folhetins atuais da Globo. O etarismo está a cada dia mais descarado. Ator ou atriz com mais de 65 anos na televisão virou raridade. Por isso é tão gratificante ver Marcos Caruso em "Elas por Elas". 


O veterano, aos 72 anos, ganhou um dos melhores personagens do remake de Alessandro Marson e Thereza Falcão. O personagem foi interpretado brilhantemente pelo saudoso Mário Lago na obra original de Cassiano Cabus Mendes, exibida em 1982. Mas há 42 anos o pai de Helena (Aracy Balabanian) não tinha o mesmo destaque que tem agora. Até porque a releitura dos autores passou a contar uma história inédita depois do centésimo capítulo, que marcou o encerramento da obra na época. A descoberta da troca dos bebês ocorreu apenas no penúltimo capítulo e nem deu tempo para aproveitar os bons desdobramentos que aquele crime causaria. A dupla soube aproveitá-los na adaptação. 

E o aproveitamento dos conflitos em torno do principal núcleo de "Elas por Elas" vem proporcionando para Caruso uma sucessão de ótimas cenas. Até porque na versão original Sérgio era o responsável pela troca das crianças, mas não pelo assassinato de Bruno.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Ruan Aguiar ganhou uma merecida oportunidade em "Fuzuê"

 Há vários atores talentosos buscando uma oportunidade no audiovisual. Infelizmente, muitos não conseguem quebrar a barreira das chamadas 'panelinhas' de autores e diretores, enquanto alguns que atingem o objetivo acabam limitados a pequenas participações sem maior relevância. Por isso é tão bom ver Ruan Aguiar se destacando em "Fuzuê". 


A novela das sete da Globo está em seu último mês de exibição e enfrentou inúmeras turbulências. A trama marcou a estreia do competente Gustavo Reiz como autor na emissora, mas a audiência não correspondeu, o que provocou várias mudanças no enredo e a entrada de Ricardo Linhares na supervisão de texto. De fato, a história tem vários defeitos evidentes e quase todos não conseguiram ser consertados. Mas, entre tantas alterações equivocadas, uma mudança deu certo: o crescimento de Merreca.

O bandido que 'comanda' o bairro em que vários personagens moram não tinha muito destaque no início do folhetim. O sujeito mal-encarado fazia aparições pontuais e quase sempre sequestrando alguém. Mas, mesmo com poucas cenas, já ficava perceptível a boa atuação de Ruan Aguiar.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Duda Santos foi uma grata surpresa de "Renascer"

 A primeira fase de "Renascer" vem recebendo uma imensidão de elogios e todos são muito justos. Entre os vários acertos está o bem escalado elenco. Há muitos atores experientes e outros mais novatos. Todos vêm brilhando na trama. E um dos maiores êxitos foi a seleção de Duda Santos para viver a mocinha da história de Benedito Ruy Barbosa, adaptada por Bruno Luperi. 


É verdade que Maria Santa é a mocinha apenas da primeira fase, o que é uma pena. O desfecho trágico da personagem é conhecido por todos que acompanharam o enredo em 1993. Mas, mesmo com uma participação breve, é um dos papéis mais marcantes da produção. Por isso qualquer deslize na escolha da atriz prejudicaria o impacto dramático que a figura daquela mulher representa no roteiro. 

A ideia de apostar em um novo rosto é sempre válida, embora arriscada em se tratando de um papel central. É necessário um cuidado maior em cima da escalação. E que bom que viram em Duda Santos uma Santinha. A intérprete não está estreando na televisão, mas é apenas seu segundo trabalho. O primeiro foi em "Travessia", novela fracassada de Gloria Perez encerrada em maio do ano passado.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Por que a homossexualidade de Érico foi anulada em "Amor Perfeito"?

 O fenômeno "Vai na Fé" deixou sua marca na teledramaturgia e dificilmente perderá o posto de melhor novela de 2023. Rosane Svartman fez um novelão que deixou o público saudoso desde o seu término. No entanto, a trama foi manchada pela cúpula da Globo, comandada por Amauri Soares, que censurou vários beijos de casais homoafetivos. Já no caso da atual novela das seis, em plena reta final, fica a dúvida se houve interferência da emissora ou apenas um desenvolvimento bastante questionável envolvendo Érico (Carmo Dalla Vecchia).


O personagem de "Amor Perfeito" sempre foi descrito como homossexual, inclusive no Gshow, site oficial da Globo. Na coletiva de imprensa, vale lembrar, o ator falou da questão que envolvia o seu personagem com alegria, já que se assumiu não tem muito tempo. Casado há anos com o autor João Emanuel Carneiro e pais de um menino, Carmo não esconde mais o quão é bem resolvido e feliz. Tanto que perguntas sobre o seu relacionamento foram frequentes na festa de lançamento da trama por conta da identificação com o seu papel, que vivia um romance às escondidas.

 A dificuldade de assumir uma relação gay em uma história de época era o maior conflito de Érico. O advogado tinha um romance secreto com o trompetista Romeu Telles (Domingos de Alcântara) e o caso acabou descoberto por Gilda (Mariana Ximenes) e Gaspar (Thiago Lacerda), o que causou a sua subserviência ao então casal de vilões.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Renata Sorrah foi um dos grandes destaques de "Vai na Fé"

 A atual novela das sete, escrita por Rosane Svartman e dirigida por Paulo Silvestrini, foi um sucesso e fez por merecer. Foram vários os acertos do folhetim da Globo e entre eles o bem escalado elenco, onde quase todos foram valorizados como mereciam. E um dos grandes destaques da produção foi a grandiosa Renata Sorrah. 


A veterana estava afastada das novelas desde 2015, quando viveu a problemática Nora, na controversa "A Regra do Jogo", de João Emanuel Carneiro. Três anos depois, a atriz fez uma breve participação em outra produção do mesmo autor: "Segundo Sol", que enfrentou muitos problemas de desenvolvimento. A intérprete esteve apenas nas semanas finais e brilhou ao lado de Adriana Esteves. Já em 2021, protagonizou "Filhas de Eva", ótima série do Globoplay, exibida pela Globo ano passado, onde viveu a elegante Stella Fontini. 

Após oito anos longe dos folhetins, Renata ganhou uma personagem que engrandece seu talento e ainda faz uma deliciosa homenagem a vários clássicos da teledramaturgia. Isso porque Wilma Campos é uma atriz decadente, apaixonada por teatro, que chegou a fazer sucesso no passado, mas foi se frustrando ao longo dos anos com a escassez de bons papeis para profissionais da sua idade. Em suma: uma pessoa que sofre do chamado etarismo, preconceito com os mais velhos.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Grace Gianoukas precisa entrar para o elenco fixo de "Terra e Paixão"

 A atual novela das nove da Globo vem ganhando ritmo à medida que Walcyr Carrasco tem preparado as bombas que explodirão mais para frente em "Terra e Paixão". É verdade que o primeiro mês de história esteve focado exclusivamente em cenas que tiveram como única função reiterar os conflitos do núcleo central e dos secundários. Aliás, é um método conhecido do autor e utilizado em todos os seus folhetins. Mas o casamento de Petra (Debora Ozório) iniciou uma leva de acontecimentos que marcarão as próximas semanas e um deles foi a luxuosa participação de Grace Gianoukas. 


A filha de Antônio La Selva (Tony Ramos) se envolveu com um golpista, mas o todo poderoso da região acabou aceitando a relação diante de um acordo com o italiano, onde o genro tem a missão de impedir que Petra tome antidepressivos e ainda a auxilie no comando dos negócios da família. Só que Luigi (Rainer Cadete) está envolvido em uma sucessão de falcatruas e até suas informações sobre a família são mentirosas. Então, após um longo tempo falando que seus pais eram donos de um castelo na Itália, o sujeito precisou arrumar uma mãe para marcar presença no casório. 

A ideia de achar uma atriz decadente para o 'papel' foi de Anely (Tatá Werneck), a maior cúmplice do 171, e a dupla foi atrás da mulher a quem denominaram de Roma. Grace dominou a cena assim que apareceu e o novo trio deu certo logo de cara. O mais engraçado é que Luigi ensinou apenas uma expressão em italiano para a canastrona: 'Grazie Mille' (muito obrigado). E foi apenas isso que a 'mãe' do noivo falou durante toda a festa.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Brilhante em "Vai na Fé", Sheron Menezzes merecia uma protagonista há tempos

 O capítulo desta quinta-feira (18/05) de "Vai na Fé" foi um dos melhores da novela das sete de sucesso de Rosane Svartman. E só não pode ser classificado como o melhor porque a história fica no ar até agosto, então muitos outros tão bons quanto ainda certamente virão. Mas o capítulo marcou uma das revelações mais esperadas do enredo: a identidade do pai biológico de Jenifer (Bella Campos). O impacto dramático da notícia colocou Sheron Menezzes diante de uma sucessão de cenas difíceis, todas defendidas com uma entrega visceral. 


A sequência em que a protagonista descobriu através de Ben (Samuel de Assis) que tinha sido abusada no passado por Theo (Emílio Dantas) foi a mais impactante e emocionante da produção até agora. Começou com a incredulidade da personagem, depois passou pelo horror do choque e finalizou com um choro dilacerante de desespero. Quase cinco minutos de intensa carga dramática. Todos os momentos interpretados brilhantemente por Sheron Menezzes. Deu para sentir a dor daquela mulher e foi impossível não ter se emocionado junto com ela. Vale também elogiar Samuel de Assis, um ótimo ator que tem honrado o protagonismo ao lado de sua parceira. 

Sol é uma mocinha que nunca teve medo dos obstáculos da vida e, mesmo diante de vários dramas que a assolam, procura manter a fé em sua religião e no amor pela família. No entanto, um trauma no passado se manteve presente em lembranças dolorosas: o término com o seu grande amor e uma relação sexual que virou a sombra de uma culpa devastadora.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Nicolas Prattes vive grande fase em "Todas as Flores"

 A novela de João Emanuel Carneiro vem colecionando elogios. "Todas as Flores", folhetim exclusivo do Globoplay, está com uma ótima aceitação e há uma ansiedade com os cinco capítulos semanais disponibilizados toda quarta-feira, fruto dos bons ganchos do autor. E uma das tramas mais atrativas é a protagonizada por Diego, interpretado com brilhantismo por Nicolas Prattes. 


A saga do personagem é praticamente uma novela paralela. Tanto que Diego aparenta ser o mocinho da história, pois sofre tanto quanto Maíra (Sophie Charlotte), a mocinha. O rapaz passou por uma sucessão de desgraças logo no primeiro capítulo, onde vivia em total desespero. Passava necessidades com a mãe e os dois irmãos menores, teve o barraco onde morava com eles derrubado pela prefeitura, conseguiu pegar as economias da família mas foi furtado logo depois e para culminar pegou carona com um ricaço que atropelou e matou uma inocente enquanto dirigia bêbado. 

Diego estava tão no buraco que acabou aceitando a proposta do sogro de Olavo (André Loddi), o sujeito que assassinou uma mulher enquanto dirigia alcoolizado. Luís Felipe (Cássio Gabus Mendes) ofereceu dinheiro para que o assumisse o crime de seu genro. Diego acabou aceitando e foi para a cadeia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

O show de Kelzy Ecard em "Todas as Flores"

 A novela exclusiva do Globoplay vem apresentando capítulos que prendem o telespectador. João Emanuel Carneiro anda bastante inspirado em "Todas as Flores". E entre os vários acertos do folhetim está o elenco bem escalado. São vários talentos, tanto na trama central quanto nas secundárias e terciárias. Kelzy Ecard é uma das que arrebataram o público logo de cara. Isso porque sua personagem vive uma sucessão de desgraças (o texto tem spoiler). 

Dona Dequinha é a mãe do rapaz que mais sofre na história: Diego, interpretado pelo ótimo Nicolas Prattes. Também é mãe de Jéssica (Duda Batsow) e Biel (Rodrigo Vidal). A família teve sua humilde casa demolida pela prefeitura no primeiro capítulo e ainda perdeu o pouco que tinha de dinheiro em um furto. Foram todos morar a rua, mas Diego foi parar na cadeia depois que aceitou a proposta de um ricaço para assumir um crime que não cometeu. Acabou enganado e a mãe precisou lidar com um filho na prisão e dois passando fome junto com ela. 

Para culminar, Dequinha sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e ficou internada em um hospital público. Enquanto estava impossibilitada, os dois filhos acabaram caindo nas garras de Galo (Jackson Antunes), um morador de rua envolvido com o esquema de tráfico humano promovido por Zoé (Regina Casé), a grande vilã do enredo.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Brilhante como Heloísa, Paloma Duarte rouba a cena em "Além da Ilusão"

 A novela das seis da Globo apresenta um elenco de peso. São vários nomes talentosos que compõem o time escalado pela autora Alessandra Poggi e pelo diretor Luiz Henrique Rios. Entre tantos bons destaques, há uma personagem que engrandeceu "Além da Ilusão" logo que surgiu em cena e segue até agora despertando uma boa atenção de quem assiste graças ao atrativo arco dramático e ao desempenho de sua intérprete: Paloma Duarte. 


Heloísa se mostrou um perfil interessante logo na primeira semana da novela. Isso porque Afonso (Lima Duarte em uma luxuosa participação especial) deu a neta, Clara, para adoção e nunca contou sobre o paradeiro da criança para a filha. Em seu leito de morte resolveu expor tudo o que sabia, mas faleceu pouco antes de falar. A cena foi forte e Paloma deu um show ao lado de seu avô da vida real. Helô sempre carregou essa dor, jamais perdoou o pai e até hoje nutre a esperança de encontrar a herdeira. 

Recentemente, o público ficou sabendo de outro ótimo 'plot' do roteiro: a filha de Heloísa é fruto de um abuso sofrido ainda em sua adolescência, quando Matias (Antônio Calloni), então casado com Violeta (Malu Galli), a seduziu.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Bruno Luperi erra feio ao manter a morte de Madeleine no remake de "Pantanal"

 O remake de "Pantanal" vem sendo muito bem adaptado por Bruno Luperi. O autor vem honrando a obra de sucesso de Benedito Ruy Barbosa, seu avô, exibida em 1990 na Rede Manchete. As alterações na história são sutis, o que até facilita as comparações com a versão original através de vídeos na internet. Justamente por não ter optado em maiores mudanças que o escritor manteve a morte de Madeleine no enredo 32 anos depois. E foi aí que errou feio. 

Após ter protagonizado discussões com Irma (Camila Morgado) e Mariana (Selma Egrei) no Rio de Janeiro, a mãe de Jove (Jesuíta Barbosa) morreu em um trágico acidente. A personagem entrou em um avião de pequeno porte e foi atrás de José Leôncio (Marcos Palmeira). Arrependida de ter largado aquela vida há 20 anos, Madeleine tentou fazer as pazes com o filho e ainda se reconciliar com o ex. Mas o tempo ruim provocou a queda do avião, que não deixou sobreviventes. A cena foi muito bem realizada e Karine deu um banho de emoção com a personagem fazendo um breve retrospecto sobre sua vida.

Em 1990, foi exatamente a tragédia que encerrou o ciclo da ricaça. Porém, não era o plano de Benedito Ruy Barbosa. O autor queria que Madeleine sobrevivesse ao acidente graças ao Velho do Rio (vivido por Cláudio Marzo na época e por Osmar Prado atualmente). E seria uma virada incrível para a personagem que sempre teve uma vida de futilidades. O objetivo era expor o descobrimento de uma nova vida, assim como ocorreu com Joventino no Pantanal.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Não havia necessidade da virada de Stephany em "Um Lugar ao Sol"

 A autora Lícia Manzo é conhecida por suas tramas realistas e sem grandes viradas ou acontecimentos catárticos. O que não é demérito. "A Vida da Gente" e "Sete Vidas", suas duas novelas das seis primorosas, são a prova. No entanto, a autora conseguiu mostrar uma nova faceta com "Um Lugar ao Sol". Foram vários momentos de tirar o fôlego e com reviravoltas muito bem construídas. Deixou explícito que também sabe fazer quando quer. Mas o plot criado para Stephany (Renata Gaspar) se mostrou equivocado e desnecessário. 


A personagem protagoniza uma situação grave e muito presente na vida de várias mulheres: a violência doméstica. Vários folhetins já abordaram o tema e Lícia vem tratando com seriedade. Roney (Danilo Granghéia) é um marido violento e abusivo. Stephany nunca conseguiu se livrar do companheiro e acaba sempre cedendo aos teatros emocionais. Demorou muito para ter coragem e denunciá-lo por agressão, mas, retratando a realidade, nada aconteceu com ele. Ainda assim, acaba reatando em vários momentos. 

Ao contrário da irmã, Érica (Fernanda de Freitas), Stephany não tem muita instrução. Já teve atitudes questionáveis, como insinuar que a irmã deu um golpe do baú no ricaço. No entanto, sempre foi uma ótima amiga com Érica e amorosa com o sobrinho. No capítulo de ontem, após mais uma agressão sofrida, recebeu a ajuda de Renato, que atendeu ao pedido da esposa de Santiago (José de Abreu).