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segunda-feira, 23 de março de 2026

Juca de Oliveira: o rigor e a grandeza de quem fez da arte um compromisso eterno

 A morte de Juca de Oliveira, aos 91 anos, neste sábado (21/03), encerra uma das trajetórias mais sólidas e elegantes da dramaturgia brasileira. Dono de uma presença cênica rara, ele construiu uma carreira marcada pela inteligência interpretativa, pela dicção impecável e por uma capacidade singular de transitar entre o teatro, a televisão e o cinema sem jamais perder densidade artística.


No palco, onde muitos o consideram insubstituível, Juca consolidou-se como um ator de rigor técnico e apuro intelectual. Sua formação teatral foi determinante para o tipo de intérprete que viria a ser: alguém que compreendia profundamente o texto, que valorizava o subtexto e que nunca se rendia a soluções fáceis. Essa base sólida o acompanhou também em seus trabalhos na televisão, onde alcançou enorme popularidade sem abrir mão da qualidade.

Entre seus papéis mais marcantes está o inesquecível João Gibão, de "Saramandaia" (1976), personagem que sintetizou bem sua habilidade de equilibrar o fantástico e o humano.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Sérgio Mamberti e Juca de Oliveira foram os destaques de "Flor do Caribe"

Normalmente é uma estratégia infalível: escalar um bom ator para interpretar um interessante personagem e viver uma boa história é garantia de êxito. Portanto, Walther Negrão mostrou que sabia exatamente o que estava fazendo quando escalou Sérgio Mamberti para dar vida ao Dionísio Albuquerque e Juca de Oliveira para viver o Samuel em "Flor do Caribe", atualmente reprisada pela Globo e em reta final.


Desde o primeiro capítulo, ficou evidente que esses dois grandes atores haviam recebido ótimos papéis. Em uma novela onde o 'mais do mesmo' se fez presente em quase todos os núcleos, foi um grande acerto do autor abordar a questão do nazismo, ainda que tenha precisado usar da licença-poética para justificar a diferença de idade entre os personagens.

Dionísio participou ativamente do nazismo delatando as famílias dos judeus, as enviando diretamente para o campo de concentração. Entre os traídos pelo vilão, estava Samuel, na época uma criança, e seus pais. O pai de Ester (Grazi Massafera) acabou ficando sozinho no mundo, enquanto que o avô de Alberto

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Série impecável, "Os Experientes" valorizou os atores veteranos e comprovou que a velhice rende várias histórias primorosas

Foram apenas quatro episódios. "Os Experientes" estreou no dia 10 de abril e teve seu último episódio exibido no dia 1º de maio. A série foi produzida no final de dezembro de 2013 e início de 2014, mas só conseguiu espaço na grade da Globo em 2015. E é de se lamentar não só a demora da emissora para colocar este produto no ar, como também a curta temporada. Afinal, o seriado que colocou os mais velhos como protagonistas apresentou um conjunto de qualidades.


A produção expôs mais uma parceria de sucesso entre a Globo e a O2 Filmes (responsável pela coprodução), repetindo a competência vista em "Felizes para sempre?", minissérie do início do ano, citando apenas um exemplo mais recente. Dirigida por Fernando Meirelles e criada pelo seu filho, Quico Meirelles, a série (roteirizada por Antônio Prata, que escreveu o primeiro, e Márcio Alemão Delgado, escritor dos três restantes) apresentou quatro episódios independentes, colocando em evidência várias formas de lidar com a experiência de vida, e todos foram primorosos.

O primeiro contou com a luxuosa participação de Beatriz Segall vivendo a esperta Yolanda, senhorinha que se viu vítima de um assalto a banco e conseguiu ser mais inteligente que o assaltante e os policiais juntos. A atriz teve uma ótima parceria com João Cortês, ator conhecido pelos comerciais de celular que se mostrou uma grata surpresa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"O Clone": o maior êxito de Glória Perez

Entre 1 de outubro de 2001 e 14 de junho de 2002, a Globo exibiu "O Clone", um de seus maiores sucessos, que ainda conseguiu emplacar em vários países, consolidando seu êxito. A novela de Glória Perez foi seu melhor trabalho da carreira e a autora foi muito feliz na construção desta história tão rica e repleta de personagens atraentes. A produção foi reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" entre 10 de janeiro e 9 de setembro de 2011, repetindo a boa aceitação que teve na época.


Protagonizada por Giovanna Antonelli e Murilo Benício, o folhetim estreou pouco depois do atentado às Torres Gêmeas, tragédia que abalou os Estados Unidos e chocou o mundo. Houve até um certo desconforto inicial, uma vez que parte da trama era ambientada em Marrocos, na cidade de Fez, onde viviam vários muçulmanos. Mas a polêmica não durou muito tempo e os costumes daquele povo caíram no gosto popular, comprovando que o núcleo foi um dos muitos acertos da produção.

A novela abordou vários temas polêmicos e soube explorá-los com competência. Dividida em duas fase, a história começa em 1983, apresentando a vida de Leônidas (Reginaldo Faria), rico empresário, pai de gêmeos idênticos (Lucas e Diogo, vividos por Murilo), que não tem muito tempo para os filhos.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Canal Viva acerta com a reprise da instigante série "A Cura"

No dia 10 de agosto de 2010, estreou na Globo uma série que viria a ser uma das melhores produzidas pela emissora: "A Cura". Escrita por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, e dirigida por Ricardo Waddingon, a trama presenteou o telespectador com uma instigante história que mesclava espiritismo, drama psicológico e suspense com precisão. E quem perdeu esta primorosa produção, tem a oportunidade de assisti-la no Canal Viva, que começou a reprisá-la às quintas-feiras, às 23h10 (horários alternativos: madrugada de quinta para sexta: 2h45 e sábado: 14h30).


A série conta a história de Dimas (Selton Mello), um jovem inseguro que cresceu sendo acusado pela morte de um amigo e que volta à sua cidade (Diamantina - MG) 20 anos depois, formado em medicina, e tentando provar que é um profissional competente e uma pessoa boa. Obviamente, enfrenta a ira dos moradores locais. E até mesmo seus familiares temem pelo rapaz, uma vez que a acusação sofrida por ele ainda está viva na memória de todos os habitantes. Somado a isso, o protagonista ainda tem um sério conflito consigo mesmo, devido ao dom que tem: sua capacidade curativa que foge à ciência. Conhecido pelos seus diagnósticos difíceis, o cirurgião tenta a todo custo esconder seu inexplicável poder; que já foi visto na cidade anos atrás através de Dr. Otto (Juca de Oliveira), causando uma grande polêmica, criando rixas entre os que achavam o médico um curandeiro e os que o chamavam de assassino.

Além de apresentar esta riquíssima trama central, a série tem uma narrativa entre o presente e o passado, que ajuda a explicar toda a história ao longo dos episódios. Isso porque Silvério (Carmo Dalla Vechia) é antepassado de Oto. O monstruoso homem explora escravos no século XVIII, usando de todo tipo de crueldade para encontrar diamantes e ouro. Entretanto, recebe o castigo que merece

sábado, 14 de setembro de 2013

"Flor do Caribe" fica marcada pelo ritmo arrastado e chega ao fim sem empolgar

Após apresentar uma reta final entediante e completamente arrastada, chegou ao fim, nessa sexta-feira (13/09), "Flor do Caribe". A trama estreou tendo como missão reerguer o ibope do horário, cujos índices anteriores deixaram a desejar, vide "A Vida da Gente", "Amor Eterno Amor" e "Lado a Lado". Não conseguiu. A média geral em São Paulo fechou com 21 pontos, um ponto a menos que a impecável trama de Lícia Manzo, considerada um fracasso nos números.


A história de Walther Negrão começou fraca e sem qualquer atrativo. A obsessão do vilão em roubar a mocinha do mocinho era óbvia e os demais núcleos não empolgaram. A boa primeira impressão ficou por conta das lindíssimas imagens, bem usadas pelo diretor Jayme Monjardim. Entretanto, com o passar das semanas, a novela foi ganhando bons elementos. A temática do nazismo começou a ser melhor aprofundada (de uma forma bem didática, é bom dizer), a fuga de Cassiano (Henri Castelli) transmitiu a impressão de que uma grande vingança seria iniciada e a entrada de Daniela Escobar deixou claro que Natália e Juliano (Bruno Gissoni) formariam um lindo casal.

Parecia de fato que a trama engrenaria de vez. Porém, com o tempo, foi possível constatar que a obra seria recheada de altos e baixos, onde o ritmo arrastado seria um dos problemas. Poucas viradas ocorreram na trama e quase sempre o público se via diante de situações que se repetiam ou então não saíam do

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sérgio Mamberti e Juca de Oliveira: os grandes destaques de "Flor do Caribe"

Normalmente é uma estratégia infalível: escalar um bom ator para interpretar um interessante personagem para viver uma boa história é garantia de êxito. Portanto, Walther Negrão mostrou que sabia exatamente o que estava fazendo quando escalou Sérgio Mamberti para dar vida ao Dionísio Albuquerque e Juca de Oliveira para viver o Samuel em "Flor do Caribe".


Desde o primeiro capítulo, ficou evidente que esses dois grandes atores haviam recebido ótimos papéis. Em uma novela onde o 'mais do mesmo' se fez presente em quase todos os núcleos, foi um grande acerto do autor abordar a questão do nazismo, ainda que tenha precisado usar da licença-poética para justificar a diferença de idade entre os personagens.

Dionísio participou ativamente do nazismo delatando as famílias dos judeus, as enviando diretamente para o campo de concentração. Entre os traídos pelo vilão, estava Samuel, na época uma criança, e seus pais. O pai de Ester (Grazi Massafera) acabou ficando sozinho no mundo, enquanto que o avô de Alberto

segunda-feira, 11 de março de 2013

Flor do Caribe estreia com lindas imagens mas peca ao optar por uma história óbvia e pouco atraente

A nova trama das seis estreou com clima de verão. Walther Negrão resolveu repetir a fórmula usada em "Tropicaliente" e "Como uma Onda", além de ter utilizado também algumas características de "Araguaia; todas novelas escritas pelo autor. "Flor do Caribe" apresentou ao telespectador imagens lindíssimas e uma fotografia impecável. Isso, claro, somado a homens sem camisa e mulheres de biquíni em meio a um elenco dominado por atores jovens. Entretanto, em se tratando de história, a obra deixou muito a desejar e decepcionou pela obviedade.


Ao apresentar um enredo onde o vilão tem como objetivo roubar a mocinha de seu melhor amigo, o autor mostra que não está nem um pouco interessado em apresentar algo novo ao público, muito pelo contrário, prefere seguir o caminho já amplamente utilizado nas novelas da década de 80 e 90. Infelizmente esse equívoco no roteiro foi apenas piorado com a atuação do triângulo amoroso. Grazi Massafera está longe de ser a péssima atriz que muitos acham mas não foi feliz (por enquanto) na composição de Ester, que se apresentou melosa demais. Henri Castelli não comprometeu na pele do mocinho Cassiano mas também não se destacou. Já Igor Rickli precisa melhorar muito como o mimado Alberto. O principal vilão da história, além de inexpressivo, está caricato e parece vindo de uma trama mexicana.

Se a obviedade do núcleo principal desanimou, o mesmo não se pode dizer dos personagens de Sérgio Mamberti e Juca de Oliveira. Dionísio e Samuel são rivais mesmo sem saber. O primeiro é um rico empresário e foi um dos ajudantes dos nazistas na época da Segunda Guerra Mundial. O outro é um judeu traumatizado pelas

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Santiago se revela na reta final de Avenida Brasil e Juca de Oliveira cresce em cena

Ele era um velhinho bondoso e transbordava ternura. Entrou na história pouco depois do centésimo capítulo. Tinha uma oficina que consertava brinquedos, principalmente bonecas. Formava um lindo par com Lucinda e demonstrava preocupação com as maldades de Carminha, sua filha. Assim como a mãe do lixão e Nilo, guardava um mistério que só seria descoberto nos momentos finais. Este era o perfil de Santiago, o personagem que, nos últimos dias, surpreendeu a todos e revelou ser o maior vilão de "Avenida Brasil", responsável pelas maiores atrocidades da novela.


Juca de Oliveira foi presenteado pela segunda vez com um personagem que inicia bonzinho, mas no final mostra a verdadeira face demoníaca. O primeiro foi Otto, da excelente série "A Cura", também escrita por João Emanuel Carneiro, onde o telespectador pôde acompanhar uma história fascinante e enigmática, que só ficou clara nos últimos episódios. Agora, com Santiago, o ator consegue mostrar sua grandiosidade no horário nobre, ao interpretar um tipo que parecia um mero figurante, mas que acabou virando um dos pilares da novela.

Santiago é um sujeito frio, pérfido, que aterrorizou a vida da filha e de todos que o cercaram. Após muito tempo apresentando poucas pistas, João Emanuel Carneiro começou a apresentar para o público a história que desencadeou o início de tudo. Carminha teve a quem puxar e perto do pai a vilã parece até uma mera aprendiz. Ao que tudo indica, a ex de Tufão era abusada sexualmente na infância e