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quinta-feira, 30 de abril de 2026

“Terra Nostra”: um épico da imigração italiana que conquistou o público

 Exibida entre 20 de setembro de 1999 e 2 de junho de 2000, Terra Nostra foi mais um fenômeno de audiência de Benedito Ruy Barbosa, que já havia conquistado enorme sucesso com "O Rei do Gado". A novela — reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2004 e também no Canal Viva em 2019 — foi dirigida por Jayme Monjardim e teve como foco central o romance entre Matteo e Giuliana, ambientado no contexto da imigração italiana no Brasil.


Situada entre o final do século XIX e o início do século XX, a trama se desenvolve majoritariamente nas fazendas de café do interior de São Paulo, destino de muitos italianos que buscavam melhores condições de vida. A história ressalta a importância da imigração na formação da sociedade brasileira, acompanhando o casal vivido por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, que enfrenta inúmeros obstáculos para ficar junto.

A narrativa começa em 1894, com o navio Andrea I partindo de Gênova rumo ao Brasil, trazendo camponeses que fugiam da crise econômica na Itália. A bordo estão Giuliana com seus pais (Júlio e Ana — Gianfrancesco Guarnieri e Bete Mendes), além de Matteo, que viaja sozinho em busca de uma nova vida. O romance entre os protagonistas surge rapidamente, mas é interrompido por uma epidemia de peste no navio, que mata os pais da jovem e quase leva Matteo à morte.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

"Cabocla" foi um remake saboroso

 A edição especial de "Cabocla" chega ao fim nesta sexta-feira, dia 14. O remake exibido em 2004 foi a terceira adaptação da obra de Benedito Ruy Barbosa, após a versão de 1959 da TV Rio e a de 1979 da própria Globo. A reprise ocupou a faixa 'pós-Jornal Hoje', preenchida anteriormente pelo extinto "Vídeo Show", que até hoje a emissora não nomeou. Então segue mantendo a classificação de 'edição especial', sendo que de especial não tem nada, já que tem a mesma duração das reexibições do "Vale a Pena Ver de Novo". 


"Cabocla" é inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto – escritor da primeira fase do Modernismo - e se passa no fictício município rural de Vila da Mata, em 1918. De um lado da história, a disputa por terras entre os coronéis Boanerges (Tony Ramos) e Justino (Mauro Mendonça) e, do outro, a paixão de Zuca, personagem que revelou a atriz Vanessa Giácomo na TV, pelo "almofadinha" Luís Jerônimo, primo de Boanerges.

No começo da trama, a jovem está noiva do peão Tobias - vivido por Malvino Salvador, também em sua estreia na TV - mas acaba se encantando pelo bon-vivant depois de o rapaz passar uma noite no hotel de seus pais, Zé da Estação (Otávio Augusto) e Sinhá Bina (Jussara Freire). Luís, filho do exportador de açúcar Joaquim (Reginaldo Faria) e um assíduo frequentador de festas no Rio de Janeiro, é aconselhado pelo doutor Edmundo (Othon Bastos) a se mudar para o Interior ao ser diagnosticado com tuberculose.

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Fracasso de remake expôs que "Renascer" nunca foi uma obra prima

 A Globo anunciou com pompa e circunstância o remake de "Renascer". Em todas as chamadas, a novela era classificada como 'a obra prima de Benedito Ruy Barbosa'. Tamanha pretensão tinha um objetivo: chamar atenção para repetir o sucesso do remake de "Pantanal", copiado a colado por Bruno Luperi em 2022 e que caiu na boca do povo. Mas a adaptação da trama de 1993 diminuiu em um ponto a média geral de "Terra e Paixão", que tinha elevado em três pontos a média do fiasco "Travessia". Só se falou em outra coisa enquanto a trama estava no ar. Ou seja, a emissora queria um novo êxito e conseguiu um novo fracasso. 


As razões são muitas para explicar a baixa audiência da produção e a repercussão praticamente nula. "Renascer" apresentou diversos problemas quando foi exibida e nenhum deles foi corrigido pelo neto do autor na nova leitura. A ausência de carisma de vários personagens, a falta de enredo para 213 capítulos, o ritmo modorrento, a total falta de acontecimentos relevantes ao longo dos meses e os raros e pouco atrativos conflitos já eram percebidos em 1993. Mas, como o folhetim foi um fenômeno há 31 anos, apenas os acertos foram aclamados, enquanto os erros acabaram convenientemente ignorados.

A história original está longe de ser muito significativa na teledramaturgia em comparação a outros sucessos de Benedito, como a já citada "Pantanal", além de "O Rei do Gado" e "Terra Nostra". A própria concepção dela se mostra controversa porque a criação se deu a um pedido da Globo, após o fenômeno de "Pantanal" na extinta Rede Manchete. A emissora queria uma "Pantanal" para chamar de sua e pediu ao autor para criá-la. A trama marcou o retorno de Benedito à líder, após o êxito na concorrência.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

"O Rei do Gado" expõe a essência de toda novela de Benedito Ruy Barbosa

 A quarta reprise de "O Rei do Gado" chegou ao fim na sexta-feira retrasada, dia 2 de junho. E foi um quarto sucesso. Um dos maiores êxitos de Benedito Ruy Barbosa começou a ser reexibido em novembro do ano passado e foi crescendo gradativamente na audiência. Na reta final, ultrapassou várias vezes "Amor Perfeito", folhetim das seis inédito da Globo. A emissora tinha reprisado a produção em duas ocasiões: em 1999 e, em 2015, na comemoração dos 50 anos do canal. A novela também foi transmitida pelo Canal Viva em 2011. É um fenômeno incontestável. 


A tradicional trama do ódio entre duas famílias, cujo conflito é aumentado com o amor nascido entre seus herdeiros, conquistou o público. A rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazzi era o eixo central da primeira fase da trama (passada em 1943), que durou sete capítulos e foi impecável. Antônio Fagundes e Tarcísio Meira protagonizaram ótimos embates e os fazendeiros que se odiavam foram brilhantemente interpretados por eles.

 Antônio Mezenga e Giuseppe Berdinazzi eram homens poderosos, determinados e extremamente passionais. Defendiam seus interesses com unhas e dentes e a principal razão da grande rivalidade entre eles era a faixa de terra que ficava na divisa das duas fazendas ----- cada um era dono de um cafezal. Mas os eternos rivais não contavam que seus filhos se apaixonassem.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

"O Rei do Gado" sempre vale a pena ver de novo

 Um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa começa a ser reexibido no "Vale a Pena Ver de Novo" nesta segunda-feira (07/11). "O Rei do Gado" é um dos grandes clássicos da teledramaturgia e um dos trabalhos mais elogiados do autor. Mas não é a primeira reprise. A Globo já reprisou a produção em duas ocasiões: em 1999 e em 2015 na comemoração dos 50 anos de emissora. A novela também foi transmitida pelo Canal Viva em 2011. Ou seja, é a quarta vez que a história é contada para o público. Agora a decisão foi tomada em virtude do recente sucesso do remake de "Pantanal", escrito pelo mesmo Benedito.


 A tradicional história do ódio entre duas famílias, cujo conflito é aumentado com o amor nascido entre seus herdeiros, foi abordada pelo autor e conquistou o público. A rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazi era o eixo central da primeira fase da trama (passada em 1943), que durou sete capítulos e foi impecável. Antônio Fagundes e Tarcísio Meira protagonizaram ótimos embates e os fazendeiros que se odiavam foram brilhantemente interpretados por eles.

 Antônio Mezenga e Giuseppe Berdinazi eram homens poderosos, determinados e extremamente passionais. Defendiam seus interesses com unhas e dentes e a principal razão da grande rivalidade entre eles era a faixa de terra que ficava na divisa das duas fazendas ----- cada um era dono de um cafezal. Mas os eternos rivais não contavam que seus filhos se apaixonassem.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Sem adaptações relevantes, sucesso do remake de "Pantanal" se deu pela força da história e dos personagens emblemáticos de Benedito Ruy Barbosa

 O remake de "Pantanal" teve um tratamento diferenciado da Globo. Houve um intenso trabalho de divulgação bem antes da produção estrear e enquanto estava no ar foi assunto de todos os programas de entretenimento da grade. Também investiu bastante na novela que teve um clima de superprodução. O esforço valeu a pena. A obra baseada fielmente na história escrita por Benedito Ruy Barbosa na Rede Manchete em 1990, que chegou ao fim nesta sexta-feira (07/10), teve uma boa repercussão e audiência satisfatória. Fez sucesso. Aumentou oito pontos a média geral da faixa em comparação com a antecessora, "Um Lugar ao Sol", que não recebeu o mesmo tratamento.


A fotografia e o elenco foram os grandes trunfos da trama adaptada por Bruno Luperi, neto do autor. A direção de Rogério Gomes impressionou na primeira fase, enquanto a de Gustavo Fernandez manteve a qualidade na segunda. As imagens --- com direção de fotografia de Walter Carvalho --- encheram os olhos e pareciam pinturas. A preocupação em gravar várias cenas sempre ao entardecer, aproveitando os breves minutos do pôr-do-sol diante do verde e das águas do Pantanal, teve um resultado deslumbrante e deve credenciar a obra para concorrer ao Emmy Internacional. 

A primeira fase foi impecável. Com poucos personagens e um bom ritmo, sem pecar pela lentidão ou uma correria desnecessária, a trama logo conquistou o telespectador através dos personagens emblemáticos criados por Benedito há 32 anos e pelos atores que aproveitaram a curta chance que tiveram.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Bruno Luperi joga no lixo a oportunidade de consertar os equívocos de "Pantanal"

 É raro existir uma novela perfeita. Até os maiores sucessos de todos os tempos tiveram suas falhas. É algo normal na teledramaturgia e em qualquer produção de teatro ou audiovisual. Dá para contar nos dedos os roteiros impecáveis. "Pantanal" foi um fenômeno da Rede Manchete e entrou para a história por conta dos personagens marcantes, cenas de nudez e ter ameaçado a liderança da Globo em 1990. Porém, o folhetim de Benedito Ruy Barbosa teve seus equívocos e muitos nunca foram esquecidos. A realização de um remake era a chance para aperfeiçoar um produto tão querido pelos telespectadores. 


Mas Bruno Luperi, neto do autor e responsável pela adaptação, jogou no lixo a oportunidade de ouro que teve. Ou foi obrigado pelo avô a jogar no lixo, é importante levantar a dúvida. Isso porque o remake vem se mantendo praticamente idêntico ao produto original, exibido há 32 anos. Foram pouquíssimas mudanças até o momento. Uma das raras foi a alteração na personalidade de Jove (Jesuíta Barbosa). O mocinho de Marcos Winter era sarcástico, de pavio curto e machista. O atual é militante, introspectivo e 'zen'. Já algumas falas hoje vistas como homofóbicas, sobre Zaquieu (Silvero Pereira), também foram minimamente reformuladas. 

A outra pequena mudança foi a segunda família de Tenório (Murilo Benício). Em 1990, era formada por atores brancos e agora foram escalados intérpretes negros para uma representatividade, já que na história original só tinha um negro no elenco. Todavia, na prática, a mexida não provocou nada de diferente no roteiro. Tudo segue exatamente igual ao texto de 32 anos atrás.

segunda-feira, 28 de março de 2022

"Pantanal": o que esperar da nova novela das nove?

 O remake do sucesso de Benedito Ruy Barbosa, exibido na Rede Manchete, em 1990, vem sendo tratado pela Globo como o salvador do horário nobre. Isso porque a emissora vem em um processo de divulgação massiva há quase um ano, o que refletiu diretamente na campanha porca de "Um Lugar ao Sol", escrita por Lícia Manzo, que chegou ao fim com uma baixa audiência. A nova produção, que estreou nesta segunda-feira (28), é adaptada pelo neto de Benedito, Bruno Luperi, que escreveu junto com o avô a problemática "Velho Chico", exibida em 2016. 

"Pantanal" é uma saga familiar que tem o amor como fio condutor e a natureza como protagonista. Fonte da maior concentração de fauna das Américas e maior planície alagada do mundo, o Pantanal foi inspiração para a obra escrita há mais de 30 anos por Benedito e dirigida na época por Jayme Monjardim ---- agora com direção artística de Rogério Gomes. No tronco central dessa jornada, repleta de dramas familiares e conflitos, está a história do velho Joventino (Irandhir Santos) e seu filho, José Leôncio (Renato Góes / Marcos Palmeira). A vida como peão de comitiva os levou para o Pantanal, onde Joventino aprendeu a lição mais importante de sua vida: que a natureza pode mais do que o homem. Ao confiar o seu destino nas mãos da natureza, o peão compreende que na lida - e na vida - nada se conquista através da força, ou no laço, como ele acreditava. Nascia, assim, a lenda do maior peão de toda aquela região. Velho Joventino ficou afamado por trazer os bois selvagens, os ditos marruás, no feitiço. Porém, foi logo após essa compreensão, que Joventino desapareceu sem deixar rastros, deixando o filho, José Leôncio, sozinho à espera de seu pai.
 
Cinco anos depois, em uma viagem ao Rio de Janeiro, José Leôncio se apaixona e casa com Madeleine (Bruna Linzmeyer / Karine Teles). Os dois se mudam para o Pantanal onde nasce Jove (Jesuíta Barbosa). A passagem de Madeleine pela fazenda, porém, é um caos. Com saudade da vida urbana e da mordomia da mansão de seus pais no Rio de Janeiro, a jovem não se acomoda àquela sina de solidão que é ser mulher de peão.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Marcada por duas mortes e alguns problemas visíveis, "Velho Chico" foi uma bela e controversa novela

Uma avalanche de imprevistos. Assim pode ser classificada "Velho Chico", novela que marcou o retorno de Benedito Ruy Barbosa ao horário nobre da Globo, após 14 anos escrevendo remakes às 18h. A novela ---- supervisionada pelo autor e escrita pelo neto Bruno Luperi, dirigida por Luiz Fernando Carvalho ---- chegou ao fim nesta sexta (30/09), depois de ter ficado praticamente sete meses no ar. Foram altos e baixos ao longo de sua exibição, tendo ainda duas tragédias durante o percurso: o falecimento do grandioso Umberto Magnani (vítima de um Acidente Vascular Encefálico) e a morte chocante do protagonista Domingos Montagner, afogado no Rio São Francisco, mesclando duramente ficção e realidade.


Primeiramente, o folhetim não estava previsto para o horário das nove e sim para o das seis. Mas, em virtude do imenso fracasso de "Babilônia" e do medo da emissora em apostar na realidade nua e crua ---- após "A Regra do Jogo" ter enfrentado dificuldades iniciais em ser aceita pelo telespectador ----, a obra idealizada por Benedito foi remanejada. O sucesso da reprise de "O Rei do Gado" (um dos maiores acertos do autor) no "Vale a Pena Ver de Novo" também foi primordial para essa mudança brusca comandada por Silvio de Abreu, responsável pela organização de toda a dramaturgia do canal. Com isso, a estreia de "A Lei do Amor" foi adiada e uma trama rural começou a ser exibida com o intuito de reconquistar a audiência.

A história reuniu absolutamente tudo o que Benedito já contou várias vezes em seus folhetins anteriores: o amor proibido dos herdeiros de famílias rivais, um padre apaziguador, um bar onde todos se reúnem, o coronelismo típico das cidades interioranas e o debate sobre terras.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Cenas emocionantes e poéticas marcam reta final de "Velho Chico"

"Velho Chico" está em sua última semana e a novela de Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi foi bastante problemática. Entretanto, o folhetim vem apresentando uma reta final repleta de cenas emocionantes, algumas em função da trágica morte de Domingos Montagner, lamentavelmente. Os capítulos que começaram a ir ao ar sem a presença do querido ator são justamente os que marcam os vários fechamentos de ciclos do enredo. E todo o elenco tem protagonizado momentos belíssimos.


A estratégia de Luiz Fernando Carvalho para driblar a ausência do saudoso ator nas cenas finais foi arriscada, mas funcionou plenamente e ainda serviu para homenagear Domingos. Ao transformar uma câmera subjetiva na figura do Santo, o diretor fez com que a visão do personagem se fundisse com a do público. O que a lente (operada com maestria por Leandro Pagliaro) mostrava era exatamente o que o patriarca da família Dos Anjos via. E todos os atores passaram a olhar para a câmera, contracenando com um objeto inanimado que representava toda a força cênica daquele intérprete tão talentoso.

As cenas ficaram com uma sensibilidade rara, expondo o talento do elenco e a força que todos precisaram ter durante aqueles instantes, onde a dor da ausência ficava ainda mais cruel. A preparação do casamento de Olívia (Giullia Buscacio) e Miguel (Gabriel Leone), iniciada logo depois da notícia da gravidez da menina, foi repleta de delicadeza, fazendo dos olhares os verdadeiros protagonistas.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Nova fase de "Velho Chico" enfrenta crise de identidade e ritmo arrastado

A segunda fase de "Velho Chico" começou a ser exibida no dia 11 de abril, após 24 capítulos ---- que primaram pela entrega do elenco, belas imagens e cenas emocionantes  ---- da primeira fase. E a sensação é uma só: a novela mudou radicalmente. Começando pelas atuações e indo para o contexto do enredo, o conjunto do folhetim de Benedito Ruy Barbosa ---- escrito por Bruno Luperi e Edmara Barbosa ---- está reiniciando praticamente do zero, após uma passagem de tempo de 28 anos. Apesar das tentativas, fica difícil observar uma continuidade na maioria das situações.


E por incrível que pareça, o grau de fantasia aumentou na mesma proporção que o grau de realismo. Isso porque as mazelas que envolvem o Rio São Francisco e todas as famílias da região começaram a ser retratadas, enquanto todas as consequências da passagem dos anos vêm se mostrando fantasiosas demais. É a primeira vez que há um choque maior entre o enredo do autor e a direção de Luiz Fernando Carvalho. Há uma certa incompatibilidade que pode ser observada ao longo dos capítulos, o que não ocorria na primeira fase ---- afinal, era ambientada nos anos 60, 70 e 80, épocas propícias para a exploração do lado lúdico do diretor.

Agora, teoricamente, a trama é ambientada em 2016. Porém, fica claro que, apesar de ter seguido uma cronologia até então, "Velho Chico" mergulhou em um universo paralelo atemporal, onde os anos se passaram, mas as únicas coisas que mudaram foram os personagens, claramente afetados pelo tempo. Os carros são antigos e o figurino é híbrido, onde há uma espécie de mistura das vestimentas das três décadas passadas.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Direção primorosa, linda fotografia e entrega do elenco marcaram a primeira fase de "Velho Chico"

A primeira fase de "Velho Chico" chegou ao fim no último sábado (09/04), com a rápida continuação do casamento de Tereza (Júlia Dalavia) e Carlos Eduardo (Rafael Vitti). Depois do desfecho dessa cena, foi exibido o desespero de Santo (Renato Góes) e um compacto com várias cenas sendo reprisadas. O capítulo, aliás, foi quase um "Vale a Pena Ver de Novo", onde os flashbacks reinaram. Não havia mais o que mostrar e optaram por uma espécie de retrospectiva. Mas, apesar desse encerramento decepcionante, a primeira etapa da novela foi marcada pela direção primorosa, belíssima fotografia e grandes atuações.


Foram 24 capítulos e três passagens de tempo. A primeira fase foi focada principalmente em duas sagas amorosas, que sofreram diferentes tipos de empecilhos. O romance de Afrânio (Rodrigo Santoro) e Iolanda (Carol Castro) foi abruptamente interrompido por causa da morte do pai do rapaz, o poderoso coronel Jacinto (Tarcísio Meira), fazendo o bom vivant voltar para sua terra (Grotas de São Francisco) e assumir o lugar do homem mais temido da região. Já a história de amor de Tereza e Santo (Renato Góes) foi justamente destruída por Afrânio, pai da garota, que era inimigo mortal dos familiares e amigos do mocinho. Conflitos amorosos dentro da mesma família.

O Rio São Francisco, que sempre foi classificado como o grande pano de fundo do enredo (vide o próprio título do folhetim), não teve muita importância. Serviu apenas como cenário para a primeira transa de Santo e Tereza, em um clipe lindíssimo repleto de belas imagens. Ao que tudo indica, na segunda fase o rio terá sua importância aumentada e servirá como base para muitos conflitos.

terça-feira, 15 de março de 2016

"Velho Chico" estreia com boas atuações e forte assinatura de Luiz Fernando Carvalho

O universo urbano e contemporâneo que vem ocupando o horário nobre há anos saiu de cena, após 14 anos. Justamente o mesmo tempo que Benedito Ruy Barbosa estava afastado da faixa mais importante da Globo ---- ele foi o autor da problemática e fracassada "Esperança", folhetim ambientado na década de 30, exibido em 2002. Agora, sendo apenas supervisor e responsável pela criação da nova obra, o escritor retorna apresentando embates entre donos de terras, famílias rivais, moda de viola e romance proibido. Ou seja, tudo o que sempre exibiu em suas novelas essencialmente rurais.


A atual produção é escrita por Edmara Barbosa, sua filha, e Bruno Luperi, seu neto. As três gerações trabalham juntas no projeto e a ideia de mesclar vivências diferentes no comando da história pode ser benéfica para o conjunto. E o diretor Luiz Fernando Carvalho --- antigo parceiro de Benedito (esteve com ele em "Renascer", "O Rei do Gado", "Esperança" e no remake de "Meu Pedacinho de Chão") --- já conseguiu imprimir sua marca logo na estreia. O toque lírico pôde ser observado o tempo todo e a primeira fase, que terá 24 capítulos, será marcada por esse diferencial. Tanto que ficou impossível não lembrar de "Hoje é Dia de Maria", minissérie dirigida por ele, que teve fotografia bem parecida e essência poética semelhante.

Luiz Fernando Carvalho, inclusive, abusou de lindíssimas imagens e priorizou um tom teatral que destacou a competência do elenco. Tudo combinou com o capricho dos cenários e caracterizações propositalmente exageradas. Assim como fez em "Meu Pedacinho de Chão", por exemplo, o diretor resolveu adotar o escapismo da fantasia para permear essa primeira fase.

terça-feira, 8 de março de 2016

"Velho Chico": o que esperar da próxima novela das nove?

Após 14 anos longe da faixa nobre, Benedito Ruy Barbosa voltará ao horário mais importante da Globo. "Velho Chico" estreia no dia 14 de março, substituindo "A Regra do Jogo", de João Emanuel Carneiro. Porém, o autor será apenas supervisor do folhetim, que está sendo escrito por Edmara Barbosa, sua filha, e Bruno Luperi, seu neto. Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a produção terá tudo o que todas as obras de Benedito sempre tiveram: fazendeiros rivais com filhos que se apaixonam, um barzinho onde todos se encontram, e muita moda de viola.


Dividida em duas fases principais, a trama começa no final da década de 60 e chega aos dias atuais. A primeira fase pode ser vista nas lindas chamadas e já é possível perceber que o diretor transformou a história inicial em algo lúdico, como já fez em produções como "Hoje é Dia de Maria" e o remake de "Meu Pedacinho de Chão" (também de Benedito). Fica clara a identidade de Luiz Fernando Carvalho, que se preocupou, como sempre, nos mínimos detalhes de cenários e figurinos, além de uma fotografia de encher os olhos. Há um ar lírico em todo o conjunto.

A trama terá como pano de fundo o Rio São Francisco e a sinopse já tinha sido enviada para a Globo em 2009. A emissora acabou adiando o projeto, que sempre acabava ficando para depois. Inicialmente projetada para ser uma novela das seis, o folhetim, após muitos adiamentos, foi confirmado para o segundo semestre deste ano, substituindo "Êta Mundo Bom!", de Walcyr Carrasco.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

"Terra Nostra": um sucesso que marcou época

Exibida entre 20 de setembro de 1999 e 2 de junho de 2000, "Terra Nostra" foi mais um fenômeno de audiência de Benedito Ruy Barbosa, depois do autor ter colhido os frutos do imenso sucesso de "O Rei do Gado" em 1996. A novela ----- reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo" em 2004 ---- foi dirigida por Jayme Monjardim e teve o romance de Matteo e Giuliana como foco central de uma trama que contou um pouco sobre a imigração italiana no Brasil.


Ambientada entre o final do século XIX e início do século XX, a maior parte da história se passa nas fazendas de café do interior de São Paulo, locais cobiçados por vários italianos que vêm ao Brasil procurando melhores condições de trabalho. O enredo focou na importância da imigração na formação da sociedade brasileira através do casal interpretado por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, que precisou enfrentar inúmeros obstáculos e várias adversidades para ficar junto.

A trama foi iniciada em 1894 com o navio Andrea I deixando o porto de Gênova, na Itália, e cruzando o Oceano Atlântico, transportando várias camponeses italianos que fugiam da crise econômica do seu país para tentar a sorte em terras brasileiras. Afinal, os fazendeiros estavam precisando de mão de obra nas plantações de café depois da libertação dos escravos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Comemorando 50 anos, Globo foi bem presenteada com "O Rei do Gado", "Malhação Sonhos", "Sete Vidas" e "Alto Astral"

A Globo não tem motivos para comemorar os seus 50 anos no horário nobre. "Babilônia segue com uma audiência preocupante e está cheia de problemas de desenvolvimento. No entanto, este importante 2015 para a emissora tem sido bastante promissor na faixa das 16h30 às 20h30. "O Rei do Gado" no "Vale a Pena Ver de Novo", "Malhação Sonhos", "Sete Vidas" e "Alto Astral" (esta recém terminada) vêm garantindo bons índices e todas são produções de muita qualidade.


A reprise de um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa foi um grande presente para a grade vespertina da Globo. A audiência da reexibição de "Cobras & Lagartos", trama anterior, foi desastrosa e oscilava entre 9 e 12 pontos, números nada atrativos para os padrões da líder. Mas, a trama em torno da inesquecível rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazzi ---- somada ao ótimo elenco composto de nomes como Raul Cortez, Antônio Fagundes, Patrícia Pillar, Ana Rosa, Carlos Vereza, entre outros ---- elevou o Ibope, e desde então o folhetim vem obtendo índices em torno dos 17 pontos, com pequenas variáveis.

"Malhação Sonhos", por sua vez, também conseguiu aumentar os números da fraca temporada anterior chamada de 'Casa Cheia'. Rosane Svartman e Paulo Halm vêm conduzindo a história com competência. Eles evitam qualquer tipo de enrolação, procurando sempre manter o enredo movimentado (mesclam momentos cômicos com dramáticos muito bem), e ainda fazem uma boa inserção de pequenos números musicais em algumas cenas.

terça-feira, 24 de março de 2015

Oitava edição do "Prêmio Quem" de TV valoriza a qualidade de "Meu Pedacinho de Chão"

A cerimônia de entrega da oitava edição do "Prêmio Quem" aconteceu na noite da última quinta-feira (19/03). Foram várias categorias e muitos premiados. A categoria TV consagrou a elogiada "Meu Pedacinho de Chão" com três troféus, desbancando, inclusive, a favorita "Império", que levava vantagem por ter sido uma novela das nove, ainda por cima recém-terminada. A maioria dos vencedores foi justa e a reunião contou com a presença de vários indicados.


Na categoria Melhor Ator, ganhou o grande Irandhir Santos em virtude do seu impecável trabalho em "Meu Pedacinho de Chão". O Zelão foi um personagem cativante e o intérprete conquistou os telespectadores. Sua entrega era visível e absolutamente todas as suas cenas eram sensíveis, tendo a poesia como pano de fundo. O capataz virou o mocinho da história, dirigida brilhantemente por um inspirado Luiz Fernando Carvalho. Nada mais merecido do que Irandhir levar o troféu para casa e colocá-lo ao lado do outro que ganhou no prestigiado "APCA" (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Cláudia Abreu faturou na categoria de Melhor Atriz. Ela esbanja talento e sempre se destaca quando está em alguma produção, entretanto, a Pâmela Parker, do fracasso "Geração Brasil", não foi um de seus grandes momentos na carreira.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"O Rei do Gado": um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa

Um dos maiores sucessos de Benedito Ruy Barbosa começou a ser reexibido no "Vale a Pena Ver de Novo" no dia 12 de janeiro. A Globo decidiu reprisar "O Rei do Gado" para comemorar os seus 50 anos e, embora tenha uma vasta lista de marcantes produções que merecem ser vistas novamente, acertou na escolha deste clássico da teledramaturgia. A trama já havia sido reprisada pela emissora em 1999 e a novela foi transmitida pelo Canal Viva em 2011.


A tradicional história do ódio entre duas famílias, cujo conflito é aumentado com o amor nascido entre seus herdeiros, foi abordada pelo autor e conquistou o público. A rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazi era o eixo central da primeira fase da trama (passada em 1943), que durou sete capítulos e foi impecável. Antônio Fagundes e Tarcísio Meira protagonizaram ótimos embates e os fazendeiros que se odiavam foram brilhantemente interpretados por eles.

Antônio Mezenga e Giuseppe Berdinazi eram homens poderosos, determinados e extremamente passionais. Defendiam seus interesses com unhas e dentes e a principal razão da grande rivalidade entre eles era a faixa de terra que ficava na divisa das duas fazendas ----- cada um era dono de um cafezal. Mas os eternos rivais não contavam que seus filhos se apaixonassem.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

"Meu Pedacinho de Chão": chegou ao fim um mundo mágico em forma de novela

O mundo encantado de "Meu Pedacinho de Chão" se despediu do telespectador nesta sexta-feira (01/08). O remake de Benedito Ruy Barbosa (a obra original é de 1972) foi transformado em uma linda fábula pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, que se 'apossou' do folhetim, ousou ao apostar no tom lúdico e conseguiu deixar esta produção impecável esteticamente. Assim que estreou, a novela impressionou pelo capricho dos cenários e das cenas poéticas, que foram alguns dos pontos altos da história.


O diretor acertou em cheio ao apostar em uma linguagem mais teatral, fazendo jus ao colorido do figurino e aos naturais exageros fantasiosos da cidade cenográfica, onde os troncos das árvores eram de várias cores e os animais de brinquedo. Luiz Fernando Carvalho sempre foi ousado em seus trabalhos, mas muitas vezes esta sua ousadia prejudicava a produção em virtude dos excessos. As séries "A Pedra do Reino" e "Capitu" são alguns exemplos. Porém, neste remake, sua interferência funcionou como um atrativo e tanto dentro de um folhetim que pecou por não ter apresentado conflitos que despertassem interesse e movimentassem a história.

A novela tinha uma trama simples, poucos acontecimentos relevantes e várias situações já vistas em obras de Benedito: um padre simpático e comilão, dois fazendeiros poderosos que se detestam e acabam tendo que se entender porque seus respectivos filhos se apaixonam, um capataz que serve cegamente ao vilão,

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pituca e Serelepe encantam e atores mirins brilham em "Meu Pedacinho de Chão"

A emoção e a poesia estão presentes em todas as relações de "Meu Pedacinho de Chão". Até mesmo nas protagonizadas pelo vilão Coronel Epaminondas (Osmar Prado). E entre tantas situações bonitas e encantadoras, há uma relação ingênua e repleta de cumplicidade, que é vivida justamente por duas crianças: Pituca e Serelepe. A amizade dos dois é um dos pontos fortes da história escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho.


Logo no primeiro capítulo do remake, Geytsa Garcia e Tomás Sampaio se destacaram, até porque a história é contada sob a ótica das duas crianças, o que justifica os cenários coloridos e a trama infantil. Os atores-mirins são gratas revelações e a naturalidade com que interpretam os personagens é impressionante. Os dois não declamam o texto e conseguem dizê-lo com sentimento, o que deixa as cenas leves e reais.

Aliás, os perfis são os únicos da novela que não apresentam tons exagerados, reforçando a premissa da obra, que é contada (e fantasiada) justamente por eles. Geytsa e Tomás ganharam papéis importantes e a confiança que foi depositada na dupla está sendo recompensada em todas as cenas de "Meu Pedacinho de Chão".