Embora "Dona de Mim" tenha começado como uma novela rica em camadas emocionais e temas sociais relevantes, é impossível ignorar o desvio narrativo que acabou reduzindo boa parte do enredo da trama de Rosane Svartman, dirigida por Allan Fiterman, à disputa de guarda de Sofia (Elis Cabral) e à curatela de Rosa (Suely Franco). A volta de Ellen (Camila Pitanga), a menos de um mês do final da produção, é mais uma prova de como o folhetim ficou refém do repetitivo recurso dramático, quase sempre dependente de decisões judiciais exageradas, repetitivas e inverossímeis.
Todas as escolhas dos juízes foram repletas de absurdos. As decisões foram baseadas apenas em conveniências de roteiro para provocar aparentes viradas ou grandes movimentações na história. Mas foram apenas falsas reviravoltas porque o enredo andou em círculos ao longo dos meses, o que é uma pena. Vale lembrar que a primeira sentença foi a retirada do nome de Abel (Tony Ramos) da certidão de nascimento de Sofia porque o empresário sabia que não era o pai da menina, o que é até uma punição plausível diante do ato ilegal do personagem. Mas passar a guarda provisória para Vanderson (Armando Babaioff) só porque ele era o pai biológico foi um escárnio. Afinal, o vilão não tinha emprego e nem residência fixa, ainda tinha passagem pela polícia.
Ao longo dos meses, as discussões sobre o futuro da criança dominaram a história, tendo sempre Leona (Clara Moneke) como ponto de apoio, o que é natural em se tratando da protagonista. A relação de cumplicidade das personagens é linda e o amor que as une genuíno. Por isso mesmo não havia a necessidade de um juiz colocá-las morando juntas.