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sexta-feira, 15 de maio de 2026

“Três Graças” resgatou o novelão clássico e devolveu esperança ao horário nobre da Globo

 Após o problemático e catastrófico remake de "Vale Tudo", é possível afirmar que "Três Graças" foi um verdadeiro sopro de esperança no horário nobre da Globo. A novela, que chegou ao fim nesta sexta-feira (15/05), marcou o retorno de Aguinaldo Silva à emissora após seu desligamento motivado pelo fracasso e pelas inúmeras polêmicas que cercaram "O Sétimo Guardião", sua última obra até então. Naquela produção, tudo deu errado: do enredo aos bastidores, passando pelo elenco e pelas decisões criativas. Ironicamente, Aguinaldo foi recontratado justamente no período em que a Globo produzia o remake de "Vale Tudo", novela da qual foi um dos autores originais ao lado de Gilberto Braga e Leonor Bassères. O único autor vivo do fenômeno viu sua obra ser mutilada por Manuela Dias e, conhecido por sua língua ferina, preferiu não comentar diretamente o resultado. Resolveu responder da melhor maneira possível: escrevendo novela.


E a resposta veio forte. Aguinaldo declarou que queria descobrir se ainda sabia fazer novelas. Descobriu --- e provou --- que sabe muito. Ao lado de Virgilio Silva e Zé Dassilva, entregou uma obra que abraçou sem vergonha o folhetim clássico, entendendo perfeitamente aquilo que parte da dramaturgia atual parece ter desaprendido: novela precisa de construção, catarse e emoção. Não basta parecer uma série de streaming de quinze capítulos esticada até não poder mais. Em "Três Graças", os conflitos tiveram tempo para amadurecer, as viradas foram preparadas e os dramas nunca surgiam de maneira gratuita. Tudo era cuidadosamente trabalhado para atingir o telespectador no momento certo.

A trama centrada em Gerluce (Sophie Charlotte), Lígia (Dira Paes) e Joélly (Alana Cabral) foi um dos grandes acertos da novela. Três mulheres de gerações diferentes marcadas pela maternidade precoce e pelo abandono masculino serviram como retrato de milhares de brasileiras.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Roubo das estátuas rende deliciosa catarse e ótima virada em "Três Graças"

 Foram muitos dias de incertezas e adiamentos até chegar o momento em que finalmente o grupo liderado por Gerluce (Sophie Charlotte) invadiu a mansão de Arminda (Grazi Massafera) com o objetivo de expropriar a estátua 'As Três Graças'. Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé Dassilva souberam trabalhar a expectativa do público através de uma habilidosa estruturação de roteiro para não deixar um momento tão importante da novela das nove ficar sem o impacto necessário para a narrativa. E funcionou. 


Joaquim (Marcos Palmeira), Misael (Belo), Júnior (Guthierry Sotero) e Viviane (Gabriela Loran) aguardaram Gerluce no ferro velho para acertarem os últimos detalhes do plano. Todos estavam nervosos, mas certos de que era o melhor a se fazer para salvar os doentes da Chacrinha. No dia seguinte, o grupo saiu no caminhão batizado de Nazaré (referência ao sucesso de Renata Sorrah na pele da vilã em "Senhora do Destino") rumo ao bairro da Aclimação. Claudia (Lorrana Moussinho) observou toda a movimentação e contou para Rogério (Eduardo Moscovis), o que foi um plot twist para o público que não tinha ideia que os personagens sabiam do plano. 

Muito tensa, Gerluce aguardou seus aliados dentro do casarão, mas a primeira pessoa que avistou o bando entrando, usando máscaras, foi Arminda (Grazi Massafera). A mocinha tentou proteger dona Josefa (Arlete Salles) para fingir que era uma vítima , mas levou um tapa de Joaquim, o que assustou a vilã.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

"Três Graças" é o que o remake de "Vale Tudo" tentou ser e fracassou

 Aguinaldo Silva nunca teve papas na língua. O autor é conhecido pelas suas opiniões sinceras sobre diversos assuntos, incluindo o trabalho de seus colegas. Não por acaso, vários jornalistas tentaram de toda maneira extrair alguma declaração sua a respeito do remake desastroso de "Vale Tudo". Até porque ele também é o único escritor vivo da obra original. Mas as poucas falas sobre o assunto foram genéricas e discretas. Só que agora, através da excelente "Três Graças", que assina junto com Zé Dassilva e Virgílio Silva, é possível observar tudo o que o escritor achou da adaptação de Manuela Dias. 


Há diversas situações da atual novela das nove da Globo, dirigida com brilhantismo por Luiz Henrique Rios, que alfinetam de forma sutil a produção anterior que chegou ao fim há menos de dois meses. O autor tem uma maneira espirituosa e sofisticada de transformar o remake em combustível criativo. Em vez de cair na armadilha fácil de ataques diretos ou grosseiros, a nova trama usa o fiasco alheio como lente de aumento para refletir sobre a própria teledramaturgia brasileira: seus exageros, suas repetições, e promessas de reinvenção que muitas vezes fica apenas no 'release'. 

Aguinaldo, Zé e Virgílio criaram um novelão clássico, onde um novelo vem sendo desfeito aos poucos, sem atropelos, e com uma estruturação que engrandece a narrativa e os personagens, ou seja, tudo o que o remake não teve.