Carlos Mendes Canta Amor Combate de Joaquim Pessoa (LP Toma Lá Disco, S.C.A.R.L. – TLP 003, 1976).
"Amor Combate", gravado em Lisboa e Odeceixe entre Fevereiro e Agosto de 1976.
Disco considerado raro.
Em 1976, Carlos Mendes fundou com Paulo de Carvalho e Fernando Tordo, a discográfica “Toma Lá Disco”. Nesse mesmo ano, saiu o álbum “Amor Combate”, ao qual se seguiu, em 1977, “Canções de ex-Cravo e Malviver”. “Amélia dos olhos doces”, “Ruas de Lisboa” e “Lisboa, meu amor” são alguns dos êxitos saídos destes dois discos.
Carlos Mendes nasceu em 1947 e foi um dos membros fundadores do grupo Sheiks, uma banda excelente para a época em Portugal (conhecidos como os Beatles portugueses), que ajudou a abrir os horizontes musicais nacionais. Pelos Sheiks passaram também Paulo de Carvalho e Fernando Tordo, entre outros.
Quando Carlos Mendes deixou os Sheiks, no inicio da década de 70, enveredou por uma carreira a solo que iria dar, primeiramente origem a dois álbuns de originais, em 1976 e 1977, respectivamente “Amor Combate” e “Canções de Ex-Cravo e Malviver” (autênticas pérolas da musica portuguesa) repletos de brilhantes momentos musicais de sua autoria, sobre intemporais poemas de Joaquim Pessoa. Dois discos marcantes, considerados dos melhores da década de 70, com orquestrações monumentais do maestro Pedro Osório, numa muito feliz e irrepetível conjugação de talentos. É uma fase extraordinária da música ligeira portuguesa, marcada pelo fervilhar revolucionário, em que o talento de grandes poetas, cantores, compositores e orquestradores, exacerbado pelo afluxo de adrenalina que é comum a todos os períodos de grandes mudanças ideológicas e sociais, convergia e desaguava num revolto mar de inspiração, genialidade e criatividade musicais.
Carlos Mendes é hoje considerado como um dos grandes cantores portugueses "esquecidos" por parte do grande público nacional.
Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro, em 1948. Poeta e Artista Plástico, os seus poemas foram musicados e cantados por uma série de grandes artistas como, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Manuel Freire, Fernando Tordo, Paco Bandeira, José Mário Branco, Samuel, To é Brito, Rui Veloso, Vitorino, Jorge Palma, Tonicha, Lúcia Moniz, Fernando Pereira, Kátia Guerreiro, Carlos do Carmo e outros.
Fonte: Wikipedia e Portugal-On-Line
Faixas/Tracklist:
A1 Amor Combate (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. José Luís Simões) 2:29
A2 Trágica História De D. Urraca E Do Infante (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. José Luís Simões) 2:41
A3 Canção Amarga (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. José Luís Simões) 3:35
A4 Alcácer Que Vier ((Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. Pedro Osório) 3:48
A5 Poema Nada (acomp. Ana Maria Lucas, Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. José Luís Simões) 3:07
B1 Balada Para Uma Mulher (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, Orq. Pedro Osório) 4:16
B2 Por Terras Do Alentejo (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. José Luís Simões) 1:41
B3 Mulher (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. José Luís Simões) 1:54
B4 Quem (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes) 3:21
B5 O Canto E As Lágrimas / Fala Do Poeta Morto (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. Pedro Osório) 2:40
B6 Um Cheirinho de Alecrim (Joaquim Pessoa, Carlos Mendes, orq. Pedro Osório) 3:36
Intervenientes:
Coros por Carlos Mendes, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho
Musicos:
Adolfo Campos Chaves, Adácio Pestana, Agostinho Jorge Henriques, Amâncio Freitas Costa, António Da Cunha Neto, António De Oliveira E Silva, António Duarte Neves, Carlos Mendes, Clóvis Sá De Bandeira, Fernando Falé, Fernando Tordo, Gilberto Mota, Henrique Luz Fernandes, Idílio Gomes, Joaquim Falcão, Joaquim Martins De Carvalho, José Manel Rosa De Sá Machado, João Augusto Nogueira, João Oliver Pereira, Luisa Vasconcelos, Manuel Augusto Póvoas, Manuel Lopes Fernandes, Maria Da Conceição Nogueira Gomes, Maria Manuela Rosado Mora, Maria Margarida Justo Pereira, Pedro Osório, René Felix Da Costa, Ricardo Ventura, Rui Reis, Zé Da Ponte
Poema: Amor Combate (Joaquim Pessoa)
Meu amor que eu não sei.
Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto.
Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:
O nosso amor é sangue. É seiva.
É sol. É Primavera.
Amor intenso. amor imenso. amor instante.
O nosso amor é uma arma. É uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.
O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.
Assim se lê o poema que baptiza este disco, um dos mais límpidos trabalhos de Carlos Mendes. O dicionário fornece os seguintes significados para essa palavra: claro, transparente, puro, sem mancha, qualquer deles adaptando-se na perfeição ao pulsar geral do álbum. Ao poema-título, Joaquim Pessoa adicionou mais dez e Carlos Mendes teve o bom gosto de os musicar a todos. Nascia assim, o 1º disco gravado na editora “Toma Lá Disco” a primeira editora discográfica independente que existiu em Portugal, fundada nesse mesmo ano por Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo, entre outros autores. Não admira portanto que estes últimos tenham colaborado também na gravação deste disco, quer adicionando as suas vozes aos coros quer participando como músicos de estúdio. Aliás, é impressionante a quantidade (e qualidade) dos músicos presentes (ver ficha técnica) o que não impediu o som final de apresentar as tais características cristalinas a que se fez referência.
“Amor Combate” seria premiado pela crítica como o Melhor Disco do Ano. Não obstante essa distinção, quase 40 anos decorridos, ainda não houve a sua reedição em CD.
João Carlos Marques
LP gentilmente cedido pelo nosso amigo Jota/Rato, a quem agradecemos.