Petrus Castrus - Marasmo (EP Decca/VC PEP 1384 - 1971)
Formados em 1971, os Petrus Castrus eram liderados pelos irmãos Pedro Castro (voz, guitarra, ex–Chinchilas) e José Castro (baixo). Recrutaram dois antigos membros dos Play Boys - Júlio Pereira (guitarra, mais tarde Xarhanga) e Rui Reis (teclas) , aos quais se juntaria ainda João Seixas (bateria). Começaram então a praticar uma música próxima do rock sinfónico, então muito em voga. Conseguem um contrato discográfico com a Valentim de Carvalho e editam dois EP’s com os títulos "Marasmo" e "Tudo isto, Tudo Mais", que foram muito bem recebidos pela crítica. Desvinculam-se da editora e assinam pela recém-formada Sassetti onde editam o seu álbum de estreia intitulado "Mestre", hoje considerado um dos melhores discos portugueses de todos os tempos. O disco foi gravado em França, no mesmo estúdio onde José Afonso gravou o seu álbum "Cantigas do Maio". "Mestre" é constituído por músicas com poemas de Bocage, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner Anderson. O facto de terem gravado estes poetas vale-lhes a confiscação do disco por três meses pela famigerada Comissão de Censura. Pouco tempo depois da gravação do disco Júlio Pereira sai, para formar os Xarhanga. Ainda antes do 25 de Abril de 1974, os Petrus Castrus gravaram o single "A Bananeira", só editado depois dessa data. A atitude de sátira social, desde sempre associada à banda e por ela assumida, não tinha nada a ver com as propostas musicais surgidas no pós-revolução, em que se tentava dizer de uma só vez o que esteve escondido durante muitos anos, através da chamada música de intervenção. Como a banda não se sentia confortável nesse papel, suspende as suas actividades. João Seixas e Rui Reis ingressam nos Plutónicos, mais tarde Ferro & Fogo. João Seixas haveria de reencontrar Júlio Pereira, quando fez parte da banda do autor de “Cavaquinho”, em concertos ao vivo. Os irmãos Castro partem para o estrangeiro para regressar em 1976, licenciados em economia e engenharia. Em 1976 a banda retoma actividades com um novo LP intitulado "Ascensão e Queda". Em trio, com os irmãos Castro e Miguel Urbano na bateria, os Petrus Castrus contam, ainda, com as participações de Fernando Girão (aka Very Nice), Lena d’Água e Nuno Rodrigues (membro da Banda do Casaco). Embora seja um fracasso comercial e tenha sido arrasado pela crítica da época, hoje esse disco é procurado, sobretudo pelos coleccionadores de música progressiva, tendo sido objecto de uma reedição por uma editora sul-coreana. Ainda gravaram mais dois singles, "Cândida" e "Agente Altamente Secreto", mas só será editado o primeiro. Chegaram a dar alguns concertos ao vivo e desapareceram.
De referir as excelentes partes instrumentais deste grupo, aproximando-se de conhecidas bandas internacionais como os Pink Floyd (1ºs registos), Pulsar, Manfred band Earth Band, Procol Harum, apenas para referir algumas.
Faixas/Tracks:
1. Marasmo (5:39)
2. Ovo de Chumbo (2:44)
3. Batucada Vulgaris (2:59)
Membros da banda neste EP:
- Pedro Castro - Baixo
- José Castro - Keyboards, Vocals
- Rui Reis - Piano, Orgão
- Júlio Pereira - Guitarra
- João Seixas / Bateria
- José Mário - Xilofone
Fonte: Under Review
Petrus Castrus was one of the first portuguese progressive rock bands and his great symphonic work "Ascençao e Queda" ("Rise and Fall"), published in 1976 which includes "Indecisão e Demência" ("Indecision and Dementia").
It gets very influenced by Procol Harum, but suddenly turns into a beautiful melody more symphonic GG style, where as usual the voice work is excellent, two male voices of the Castro brothers in collision with the softest and the stunning Lena d'Agua (here knowledge of the Portuguese language matters).
What is most impressive is the number of radical changes that this band can offer in each track. In "Marasmo" ("Marasmus") enjoy the melodic fluidity of synthesizers, harpsichord, piano and acoustic guitar. The structural complexity of certain passages gives it a dense sound that ultimately ends up in achieving peace and calmitude, and "Batucada Vulgaris" theme included in the LP Psychedelic Portugal drums and percussion are also used either to enrich the timbre work either to score a little more pace, at one time or other. Excellent EP that deserves much more popularity, good for any listener who does not care about lyrics in a foreign language."
By Dom (ProgNotFrog)
EP gentilmente cedido por Luís Futre.
Ripado do vinil. Digitalização (capas e áudio) e masterização, por Carlos Santos.