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José Afonso e Francisco Fanhais – República (LP 1975)

domingo, 25 de abril de 2021




José Afonso e Francisco Fanhais – República (LP Q.L. 01, 1975).
Edição italiana. LP considerado raro.
Género: Intervenção, Folk, MPP.


República” foi gravado em Roma/Itália, em 30 de Setembro e 1 de Outubro de 1975, nos Estúdios das Santini Edizioni. Álbum de solidariedade para com o jornal República e a Reforma Agrária, editado naquele ano, com interpretações de José Afonso e de Francisco Fanhais, que inclui um tema inédito, “Foi No Sábado Passado”, escrito a propósito de uma manifestação de solidariedade com a revolução portuguesa, realizada em Roma. O LP foi editado por iniciativa conjunta do Manifesto e das organizações Lotta Continua e Vanguardia Operaria, e nunca foi distribuído em Portugal. O produto da venda dos discos destinava-se ao apoio à Comissão de Trabalhadores do Jornal “República” ou, caso o jornal fosse, entretanto, extinto, ao Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre.
Este disco é paradigmático dessa altura não só porque regista algumas canções com um formato despido (só com voz, viola e pouco mais), conjunto (este disco não é só de José Afonso, mas de José Afonso e Fanhais) e com um objectivo: foi gravado e lançado em Itália (não foi comercializado em Portugal, sendo muito raro), para financiar o jornal República. Assim, o LP apresenta-nos canções emblemáticas, tradicionais e decisivas para a leitura da luta pela liberdade. Fanhais dá o mote, com a conhecida “Para Não Dizer Que Não Falei de Flores”, do cantor e compositor brasileiro Geraldo Vandré. O disco é histórico e vale essencialmente pelas novas roupagens de canções já conhecidas, pelos novos registos e pela participação de Francisco Fanhais, já que o cantor apenas gravou um álbum e dois EPs.

Fonte: AJA (Associação José Afonso) e Altair82.


Faixas/Tracklist:

A1 - P'ra Não Dizer Que Não Falei Das Flores (Geraldo Vaudré)
A2 - Se os Teus Olhos Se Vendessem (Traditional)
A3 - Foi No Sábado Passado (José Afonso)
A4 - Canta Camarada (popular, José Afonso)
A5 - Eu Hei-De Ir Colher Macela (Traditional)
B1 - O Pão Que Sobra à Riqueza (Traditional)
B2 – Os Vampiros (José Afonso)
B3 - Senhora do Almortão (Traditional)
B4 - Letra Para Um Hino (Manuel Alegre, Francisco Fanhais)
B5 - Ladaínha do Arcebispo (José Afonso, Francisco Fanhais)

Músicos/Musicians:

Voz, Guitarra – Francisco Fanhais, José Afonso
Flauta – Sara Modigliani
Guitarra, Bateria, Mandolin – Carlo Ciasca
Guitarra, Percussão, Berimbau – Mimmo Maugeri
Percussão – Giorgio Vivaldi

LP ripado do vinil e gentilmente cedido pelo nosso amigo M. S., a quem agradecemos.
Masterização por Carlos Santos.

Padre Fanhais ‎– Canções Da Cidade Nova (LP 1970)

domingo, 24 de abril de 2016




Padre Fanhais ‎– Canções Da Cidade Nova (LP Zip Zip ‎– ZIP 2004/L, 1970).

Uma obra discográfica que agitou as mentes mais conservadoras na altura da sua edição e que trouxe alguns dissabores ao autor. Tal como aconteceu com José Afonso, também ele foi impedido de leccionar e inclusive de exercer o sacerdócio (nesta altura ainda assinava como Padre Fanhais). Entre os poemas musicados, os destaques vão para os poetas Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Garcia Lorca e António Aleixo. Contracapa com uma “Dedicatória” de José Afonso, o cantautor que Fanhais mais admirava. (em Culto do Vinil)


Francisco Fanhais (Vila Nova da Barquinha, Praia do Ribatejo, 17 de Maio de 1941) também conhecido por Padre Fanhais, é um ex-sacerdote católico e cantor português. Intérprete da música portuguesa de intervenção, Francisco Fanhais entrou para o seminário com dez anos e foi ordenado padre aos vinte e três.
Através da música tornou-se um expoente máximo dos católicos progressistas que, desde 1958, se demarcou progressivamente do regime ditatorial.
Emergiu na ribalta da música portuguesa após a participação no célebre programa de televisão Zip-Zip. Ainda em 1969 lança Cantilenas, o seu disco de estreia. Aparece na capa do primeiro número da revista Mundo da Canção, editada em 19 de Dezembro de 1969. O seu álbum Canções da Cidade Nova é editado em 1970. A partir de poemas de Sophia de Mello Breyner, musicou Cantanta da Paz e Porque.
Impedido de cantar, de exercer o sacerdócio e de leccionar nas escolas oficiais, emigra para França em 1971. Entretanto torna-se militante da LUAR, de Emídio Guerreiro.
Regressa a Portugal após o 25 de Abril de 1974 e colabora nas campanhas de dinamização cultural do Movimento das Forças Armadas. Em 1975 é um dos participantes no disco República de José Afonso, gravado ao vivo em Itália.
No disco Ao Vivo no Coliseu de José Afonso, aparece a fazer coros na canção Natal dos Simples.
Em 1993 junta-se a Manuel Freire e Pedro Barroso para apresentarem o espectáculo “Encontro”. A 9 de Junho de 1995 foi feito Oficial da Ordem da Liberdade, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal.


Fonte: Wikipedia


Dedicatória de José Afonso a Fanhais (incluída na contracapa do disco):

"Tu que cantas, 
Defronte, 
De faces atentas, 
e Seguras, 
Faz do teu Canto, 
Uma funda, 
Nesse lugar, 
Entre outras mãos mais fortes, 
e mais duras, 
Te estenderei, 
A Minha mão fraterna. 
Canta Amigo!"

José Afonso


Faixas/Tracklist:

A1 Meu Povo Que Jaz (César Pratas, Francisco Fernandes)
A2 Corpo Renascido (Manuel Alegre, Pedro Lobo Antunes)
A3 Os Labirintos (Garcia Lorca, Pedro Lobo Antunes)
A4 Porque (Sophia de Mello Breyner Andresen, Francisco Fernandes)
A5 Canto Do Ceifeiro (Eduardo Valente Da Fonseca, Francisco Fernandes)
A6 Cantata Da Paz (Sophia de Mello Breyner Andresen, Rui Paz)
B1 Poema (Ilídio Rocha, Padre Fanhais)
B2 Descalça Vai Para A Fonte / Leonor (António Cabral, Padre Fanhais)
B3 À Saída Do Correio (António Cabral, Padre Fanhais)
B4 As Pobres Solteiras (António Rebordão Navarro, Padre Fanhais)
B5 Quadras Do Poeta Aleixo (António Aleixo, Padre Fanhais)
B6 Canção Da Cidade Nova (Fernando Melro, Francisco Fernandes)

Álbum gravado nos estúdios da Nacional Filmes.
Arranjos e Direcção musical por Thilo Krasmann
Guitarras – Fernando Alvim, Pedro Caldeira Cabral

LP ripado do vinil e gentilmente cedido pelo nosso amigo Luís Futre, a quem agradecemos.
Masterização por Carlos Santos.