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Eu, A Alegria de Viver e a Escola, Na Minha Longa e Lusófona Errância (Livro)

sexta-feira, 12 de julho de 2013
 


Eu, A Alegria de Viver e a Escola, Na Minha Longa e Lusófona Errância

 (Livro de Cândido Azevedo).
Foi com muito prazer e uma agradável surpresa que recebemos este fantástico livro de recordações e não só..., do nosso velho e querido amigo (de infância) Cândido Azevedo (autor). Do historial curricular deste ex-Pupilos do Exército,  é actualmente Professor Doutor  do Instituto Politécnico de Macau/RPC. Tem dedicado particular atenção à história da diáspora portuguesa, investigando sobretudo os aspectos sociais e culturais da presença portuguesa na Ásia, o que o levou a obter em 2001, na Universidade do Porto, o grau de Doutor.


O livro com o título "Eu, A Alegria de Viver e a Escola, Na Minha Longa e Lusófona Errância", leva-nos às memórias e às recordações dos bons e velhos tempos desde a nossa meninice, nos finais dos anos 50 e aos anos 60 e seguintes. A interessante parte decorrida em Lourenço Marques/Moçambique descreve primorosamente a época e o ambiente.
De leitura fácil, nostálgica mas muito objectiva, são aqui relembrados factos, pessoas, lugares e ambientes, desde a nossa infância e juventude, naquelas inesquecíveis terras de Moçambique.
O livro é na realidade uma viagem, uma digressão desde criança, jovem, até ao homem e ao amigo.
Cândido teve a delicadeza de referir a minha pessoa no seu livro...bons tempos!
Não poderia deixar de transcrever algumas (entre muitas) interessantes e marcantes passagens da obra que, pela memória, pelos factos ou até por lugares ou alguns nomes nele referidos, me fazem "rebobinar" e viajar gostosamente no tempo e em simultâneo, recordar vidas, ambientes, aventuras comuns e a amizade que nos une.

"...era tempo de férias e das mais diversas brincadeiras: hóquei no SNECI, correr os "dinky toys" pelas bordas do passeios, descer as rampas vizinhas em carrinhos de rolamentos ou, de chapéu, coldres e pistolas, brincar aos "cowboys"...Outras vezes, mais calmos, recolhia-mo-nos no clube da rapaziada, o "Clube da Ripinha Azul", um simples casebre de pranchas de madeira encimadas por chapas de zinco e atravessadas por uma ripa azul...vedado às meninas, pese embora os pedidos da Emília Osório, Beia Cardoso, Bambina Urbani, Hortense Monteiro e outras...Não, ali era o momento dos rapazes, das nossas leituras de revistas aos quadradinhos. Era o tempo para, em silêncio, emoção e atenção, vivermos os nossos heróis, assumirmos as nossas personagens. De tudo líamos "Falcão", "Guri", "Cavaleiro Andante", "Dom Chicote", "Zorro" e os Almanaques do Bolinha, Luluzinha e o Tio Patinhas. As preferências, sem hesitações, iam para as "cowboiadas". Eu vivia agora o papel de Buffalo Bill, o eterno apaixonado da Calamity Jane; o Américo sentia-se Buck Jones sempre montado no seu fiel Silver; os primos Luís Carlos e António Jorge assumiam-se respectivamente como Tom Mix e Hopalong Cassidy; o Júlio Cardoso Roy Rogers; o José Cardoso, sempre do contra, preferia ser o famoso bandido Billy The Kid e o Craveirinha e a sua cadelinha, respectivamente de cabo Rusty e Rin-Tin-Tin...e ali ficávamos horas...".


Cândido Azevedo (esq.) e Carlos Santos (dta.), no Jardim Vasco da Gama, em Lourenço Marques.


Ou ainda..."Na ânsia da saudade, procurava os amigos. Revejo uns. Outros, agora homenzinhos, haviam seguido os seus destinos. Já não partilharia com eles nos anos seguintes, as aventuras da adolescência que nos aguardava, como namorar as "bifas" sul africanas na praia da Polana, ir espreitar as bailarinas da Rua Major Araújo ou criar a banda de garagem sob a batuta do Carlos Santos...".

Neste livro são recordados muitos outros episódios da nossa juventude...um rol de recordações descritas de forma exemplar.
Muito obrigado Cândido pela tua atenção e por esta tua lembrança que já reli 3 ou 4 vezes e onde sempre encontro, em cada leitura, mais um pormenor.

Abraço do amigo 
Carlos Santos