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Maria de Lourdes Resende – Canções Portuguesas de Belo Marques Com a Orquestra Típica Estoril (EP 1955).

quinta-feira, 12 de junho de 2014



Maria de Lourdes Resende – Canções Portuguesas de Belo Marques Com a Orquestra Típica Estoril (EP Estoril, MS 1009, 1955).
Direcção musical do Maestro Belo Marques.
EP considerado raro.


Faixas/Tracks:

01 – Alcobaça (S. Tavares e Belo Marques)
02 – Feia (S. Tavares e Belo Marques)
03 – Mulher Pequenina (Belo Marques e G. Junqueiro)
04 – Moleirinha (Belo Marques e G. Junqueiro)


Maria de Lourdes Resende ou Maria de Lurdes Resende como também aparece grafado o seu nome, (Barreiro, 29 de Janeiro de 1927) é uma conhecida cantora portuguesa.
O início da sua carreira foi auspicioso. Começando a cantar em 1945 na Emissora Nacional teve o raro privilégio de criar as mais belas canções desse extraordinário poeta-compositor que foi o maestro Belo Marques.
Quem não se lembra de canções antológicas como são ainda hoje “Alcobaça”, "Leiria”, “O Deserto" e, uma que Belo Marques lhe dedicou especialmente e a que deu o título de “Feia”.
Essa belíssima canção com um poema de grande dignidade justifica-se por si mas não define Maria de Lurdes Resende que tem uma encantadora personalidade e uma das mais belas vozes que Portugal já ouviu.
Detentora de uma vasta galeria de prémios merecidíssimos, foi Rainha da Rádio por duas vezes, recebeu um “Óscar” da Imprensa, foi Princesa da TV além de muitos outros que fazem justiça às suas excepcionais qualidades de intérprete.
Participou em numerosos Festivais Nacionais e Internacionais e levou a música portuguesa com a maior dignidade a vários países da Europa, América do Norte e do Sul, sendo de assinalar a sua presença no Brasil por várias vezes, uma das quais se prolongou por mais de um ano cumprindo contratos com um êxito assinalável.


O Maestro Belo Marques era conhecido por "o rapaz do violoncelo" pela tertúlia do Café Gelo, no Rossio, mas o grande público recordá-lo-á mais pela autoria de canções como Grão de Arroz, Alcobaça ou Feia. Canções que, ironicamente, foram necessárias ao maestro José Belo Marques para sobreviver, já que a sua ambição era a de ser compositor sinfónico...
Nascido em Leiria em 1898, considerado "menino prodígio" por dominar já vários instrumentos aos treze anos, após quatro anos de estudo, José Belo Marques não teve uma formação musical convencional. De facto, aos 16 anos actuava no Casino Mondego, na Figueira da Foz, onde conheceu o seu mentor João Passos, igualmente violoncelista e que o ajudou a escolher aquele instrumento. Em 1918 tornava-se músico profissional nos paquetes e viajou até 1929, só nesse ano se fixando em Lisboa onde iniciou estudos mais tradicionais. Pelo meio, ia sempre escrevendo obras sinfónicas, mas a dificuldade de sobreviver com estas composições levou-o a aceitar o convite da Emissora Nacional, em 1935, para se juntar aos seus quadros. Dessa primeira estadia na estação de rádio, que durou três anos, ficou célebre a sua orientação do quarteto vocal de Mota Pereira, Paulo Amorim, Guilherme Kjolner e Fernando Pereira.
Em 1938 foi para Moçambique, de onde regressou à Emissora Nacional em 1941, para abraçar definitivamente a canção popular, formando a Orquestra Típica Portuguesa e dirigindo a Orquestra de Variedades (cuja direcção passa a Tavares Belo em 1946) e o Centro de Preparação de Artistas. É, contudo, posterior a toda esta carreira a sua composição mais conhecida, Alcobaça, com letra de Silva Tavares, criada por Maria de Lurdes Resende nos finais dos anos cinquenta e que, como disse em tempos, lhe pagou a casa que construiu em Arruda dos Vinhos. Escreveu igualmente marchas populares e criou música para uma vintena de revistas e meia-dúzia de filmes, tendo assinado cerca de sete centenas de canções. Retirou-se do olhar público na década de sessenta. Faleceu em 1986. 

Fonte: Alcobaça/Personalidades e Macua/Biografias.

EP ripado do vinil e gentilmente cedido pelo nosso amigo Acácio Sousa, a quem agradecemos.
Masterização por Carlos Santos.