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Minha Aldeia - Música Portuguesa - V/A (LP Estoril 1954-1955)
sábado, 15 de março de 2014
Minha Aldeia - Música Portuguesa V/A (LP Estoril 10” LD 5012, 1954/1955).
Inclui a Orquestra de Belo Marques, Manuel Moreno e Sérgio.
Disco LP (tamanho reduzido – 10 inch) reunindo apenas 8 temas de música portuguesa, já com alguma degradação no som, mas considerado muito raro.
Faixas/Tracklist:
01 – Trompete Amoroso (B. Marques)
02 – Lisboa antiga (J. Galhardo)
03 – Minha aldeia (B. Marques)
04 – Vassourinha (Arranj. B. Marques)
05 – Junto à ermida do monte (M. Moreno)
06 – O Vagabundo (M. Moreno)
07 – Nem só saudade (Sérgio)
08 – Tu não te importas (Sérgio)
Tudo aponta que a primeira edição em disco de vinil em Portugal terá sido algures no ano de 1954 pela editora Estoril. Esta etiqueta de Lisboa lançou no mercado a primeira microgravação em Portugal. Manuel Simões falecido em Agosto de 2008 com 91 anos, inaugurou na década de 50 o selo Estoril e a sua própria fábrica de discos de vinil. A "Estoril" tinha sede na Rua 1º de Dezembro, em Lisboa.
Em finais de 1954 a Estoril iniciou a edição de discos de vinil 45 rpm com a sigla MS 10xx. As edições prolongaram-se durante alguns (poucos) anos tendo a marca se concentrado quase exclusivamente em música portuguesa, aproveitando em parte gravações já editadas em 78rpm. Dados os poucos gira-discos existentes em Portugal nessa época, a Estoril escolheu como alvo preferencial o então reduzido mercado dos turistas que nos visitavam. Por isso a contracapa dos discos têm textos em francês e inglês e frases alusivas tais como "Take Portugal back with you in a record of its music".
A etiqueta desapareceu antes do fim da década, na época em que a Alvorada entrou no mercado, mas os seus discos merecem ser conservados como relíquia histórica dos inícios do vinil em Portugal.
Belo Marques era conhecido por "o rapaz do violoncelo" pela tertúlia do Café Gelo, no Rossio, mas o grande público recordá-lo-á mais pela autoria de canções como Grão de Arroz, Alcobaça ou Feia. Canções que, ironicamente, foram necessárias ao maestro José Belo Marques para sobreviver, já que a sua ambição era a de ser compositor sinfónico...
Nascido em Leiria em 1898, considerado "menino prodígio" por dominar já vários instrumentos aos treze anos, após quatro anos de estudo, José Belo Marques não teve uma formação musical convencional. De facto, aos 16 anos actuava no Casino Mondego, na Figueira da Foz, onde conheceu o seu mentor João Passos, igualmente violoncelista e que o ajudou a escolher aquele instrumento. Em 1918 tornava-se músico profissional nos paquetes e viajou até 1929, só nesse ano se fixando em Lisboa onde iniciou estudos mais tradicionais. Pelo meio, ia sempre escrevendo obras sinfónicas, mas a dificuldade de sobreviver com estas composições levou-o a aceitar o convite da Emissora Nacional, em 1935, para se juntar aos seus quadros. Dessa primeira estadia na estação de rádio, que durou três anos, ficou célebre a sua orientação do quarteto vocal de Mota Pereira, Paulo Amorim, Guilherme Kjolner e Fernando Pereira.
Em 1938 foi para Moçambique, de onde regressou à Emissora Nacional em 1941, para abraçar definitivamente a canção popular, formando a Orquestra Típica Portuguesa e dirigindo a Orquestra de Variedades (cuja direcção passa a Tavares Belo em 1946) e o Centro de Preparação de Artistas. É, contudo, posterior a toda esta carreira a sua composição mais conhecida, Alcobaça, com letra de Silva Tavares, criada por Maria de Lurdes Resende nos finais dos anos cinquenta e que - como disse em tempos - lhe pagou a casa que construiu em Arruda dos Vinhos. Escreveu igualmente marchas populares e criou música para uma vintena de revistas e meia-dúzia de filmes, tendo assinado cerca de sete centenas de canções. Retirou-se do olhar público na década de sessenta. Faleceu em 1986.
Fonte: Blog Macua - Biografias
LP ripado do vinil e gentilmente cedido pelo nosso amigo Acácio Sousa, a quem agradecemos.
Masterização por Carlos Santos.
Publicada por Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver à(s) 08:00 2 comentários
Etiquetas: Colectâneas, Maestro Belo Marques, Minha Aldeia, Portugal, V/A, Varios
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