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Morreu o cantor e intérprete do Fado, Carlos do Carmo, aos 81 anos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021


 Morreu o cantor e intérprete do Fado, Carlos do Carmo aos 81 anos. 

Faleceu Carlos do Carmo esta manhã (6ª feira, dia 1 de janeiro de 2021), no Hospital de Santa Maria em Lisboa, vítima de aneurisma. 
Carlos do Carmo, nome artístico de Carlos do Carmo de Ascensão Almeida (Lisboa, 21 de dezembro de 1939 – 01 de janeiro de 2021), foi um cantor e intérprete de fado português. Figura maior do panorama fadista Carlos do Carmo, era filho único da grande fadista Lucília do Carmo e do empresário Alfredo Almeida. O fadista fez um curso superior de hotelaria na Suiça, que incluiu um curso de contabilidade e gestão e o estudo de várias línguas estrangeiras, facto que lhe permitiu falar fluentemente francês, inglês, alemão, italiano e espanhol. 
Em 1963, Carlos do Carmo inicia a sua carreira como intérprete, acumulando durante essa década e na seguinte, a gestão da a casa de fados Faia com a vida artística. 
Apesar de apenas saber de cor o Fado "Loucura", de autoria de Júlio de Sousa, ao interpretá-lo numa reunião de amigos, em 1963, é de tal modo elogiada a sua forma de cantar que lhe pedem para gravar essa faixa, editado num EP do seu amigo Mário Simões. 
Mais tarde edita um EP em nome próprio, o disco "Carlos do Carmo com Orquestra de Joaquim Luiz Gomes". Em 1967 a Casa da Imprensa distingue-o com o prémio “Melhor Intérprete” e, em 1970, atribui-lhe o prémio Pozal Domingues de “Melhor Disco do Ano”, para o seu primeiro álbum, intitulado "O Fado de Carlos do Carmo", editado pela Alvorada em 1969. Posteriormente lançou numerosos EPs e LPs. 


Destacamos sucessos como “Por Morrer uma Andorinha”, "Um Homem na Cidade", editado em 1977, “O Cacilheiro”, “Fado do Campo Grande”, “O Amarelo da Carris” ou “O Homem das Castanhas” que se tornaram verdadeiros clássicos de sucesso entre o vasto repertório de Carlos do Carmo. 
As suas passagens no Olympia de Paris, nas Óperas de Frankfurt e de Wiesbaden, no Canecão do Rio de Janeiro, no Savoy de Helsínquia, no Auditório Nacional de Paris, no Teatro da Rainha em Haia, no Teatro de São Petersburgo, no Place des Arts em Montréal, no Tivoli de Copenhaga ou no Memorial da América Latina em São Paulo são momentos muito altos na carreira do fadista. 
As primeiras digressões são realizadas no início da década de 70, com espectáculos em Angola, Estados Unidos e Canadá e, em 1973, estreia-se no Brasil, cantando ao lado de Elis Regina, no Copacabana Palace do Rio de Janeiro. 
No ano de 1976 o fadista representa Portugal no Festival da Eurovisão na Holanda, com a canção "Uma Flor de Verde Pinho", um poema de Manuel Alegre com música de José Niza. 
O fadista canta pela primeira vez no Olympia, em Paris, a 11 e 12 de Outubro de 1980 e na Alte Oper de Frankfurt em 1982, palco onde tem tal sucesso que a gravação do espectáculo é editada em disco e onde regressa para actuar nos dois anos seguintes. 
Ainda na década de 80, Carlos do Carmo é distinguido com diversos prémios, dos quais destacamos o prémio “Fadista”, atribuído pela revista “Nova Gente”, em 1983; e o Título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, em 1987. 
Na celebração dos seus 25 anos de carreira, em 1988, faz digressões pelos Estados Unidos, Europa e Brasil, facto bastante revelador da sua popularidade, em particular junto das comunidades portuguesas. 
No final da década de 90 devemos destacar a atribuição, pelo Presidente da República, em 1997, do Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique e, no ano seguinte o Globo de Ouro "Excelência e Mérito", com que foi distinguido pela SIC. 
O fadista participa também como intérprete no filme de Carlos Saura o que lhe valeu a atribuição, em 2008, do prémio Goya "Melhor Canção Original", para o tema "Fado da Saudade", distinção da Academia Espanhola das Artes Cinematográficas. 
Carlos do Carmo foi uma das principais figuras da primeira edição do Festival de Fado de Madrid, realizado em 2011. a 7 de Novembro recebeu o troféu "Homenagem ao Fado", da Sociedade Portuguesa de Autores. 
Em 2013, Carlos do Carmo participa em vários concertos, evocativos dos seus 50 anos de carreira, destacam-se os concertos no claustro do Mosteiro dos Jerónimos e os concertos no grande auditório do CCB. A 23 de Outubro, Carlos do Carmo recebe o "Diploma de Honra ao Mérito da Ordem dos Músicos do Brasil - Conselho Regional de São Paulo. A 19 de Novembro de 2014, Carlos do Carmo recebeu o "Grammy Lifetime Achievement Award - Premio a la Excelencia Musical 2014, pela Academia Latina de Artes y Ciencias de la Grabación. 
Carlos do Carmo faleceu hoje, 01-01-2021, aos 81 anos, após 58 anos de carreira.

Fonte: Museu do Fado.

R.I.P.