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Morreu Moraes Moreira, cantor e compositor brasileiro, aos 72 anos.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Morreu Moraes Moreira, cantor e compositor brasileiro, aos 72 anos. 

O cantor e compositor brasileiro Moraes Moreira morreu na madrugada desta segunda-feira (13) aos 72 anos, no Rio de Janeiro, após ter sofrido um enfarte agudo do miocárdio. 
Antonio Carlos Moreira Pires nasceu em Ituaçu, no interior da Bahia, em 8 de julho de 1947. Começou a tocar sanfona de doze baixos em festas de São João e outros eventos na cidade. Na adolescência, aprendeu a tocar violão enquanto fazia o curso de ciências em Caculé, na região sudoeste da Bahia, em 1967. Aos 19 anos, foi para Salvador, onde começou a estudar no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Aí, conheceu os seus futuros companheiros da banda “Novos Baianos”, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor, além de Tom Zé. 
Em 1968, eles criaram o espectáculo que deu origem aos Novos Baianos, “Desembarque dos Bichos depois do Dilúvio Universal”. O grupo já tinha também a participação de Baby do Brasil (Baby Consuelo, na época) na voz, e o guitarrista Pepeu Gomes, quando foi participar no popular Festival da Música Popular Brasileira na TV em 1969, com a música “De Vera”, de Moreira e Galvão. 
No ano seguinte, o grupo lançou o seu disco de estreia, “Ferro Na Boneca”. Mas a sua grande obra viria após uma visita de João Gilberto à casa em que eles moravam juntos, já no Rio de Janeiro. Em 1972, lançaram o álbum “Acabou Chorare”, que consagrou os Novos Baianos. O trabalho juntava samba, rock, bossa nova, frevo, choro e baião. 
Deste álbum de 1972, destacamos as faixas “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente, além de “Preta Pretinha”, “Mistério do Planeta”, “A Menina Dança”, “Besta É Tu” e a faixa título, todas de coautoria de Moraes Moreira. Este LP é reconhecido como um dos melhores, senão o melhor, do pop brasileiro. Foi um passo adiante do tropicalismo de Caetano, Gil e Tom Zé, no abraço ao rock e à psicadélica hippie, na fusão de ritmos brasileiros, na recusa a seguir padrões no período mais duro da ditadura militar. O grupo mudou-se para Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, onde seguiam a cultura hippie dos EUA e da Europa em plena ditadura militar brasileira. Lançaram ainda três discos, cujo sucesso não foi tão grande, o que levou a desentendimentos. Moreira permaneceu no grupo de 1969 até 1975, quando saiu para iniciar a sua carreira a solo. No entanto, já em 1997, ele ainda reuniu o grupo Novos Baianos para lançar o disco ao vivo “Infinito Circular”, com canções dos discos anteriores e algumas inéditas. Em 2007, Moraes Moreira publicou o livro A História dos Novos Baianos e Outros Versos, escrito em linguagem de cordel, que conta a história dos Novos Baianos. 
Em 2017, ele lançou outro livro, o "Poeta Não Tem Idade", com cerca de 60 textos sobre homenagens a Luiz Gonzaga, Machado de Assis, Gilberto Gil e muitos outros. 
Nos últimos anos, Moraes Moreira envolveu-se em shows de reunião dos Novos Baianos e também em trabalhos a solo. No total, o artista lançou mais de 60 discos entre a sua carreira a solo, Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar, além da parceria com o guitarrista Pepeu Gomes. 
Na passada segunda-feira (13), Moraes Moreira faleceu aos 72 anos. 
Em sua homenagem apresentamos aquele que foi considerado o seu melhor álbum. 

R.I.P. 




Os Novos Baianos ‎– Acabou Chorare (LP Som Livre ‎– SSIG-6004, 1972/Brasil).
Produtor – Eustaquio Sena.
Género: Samba, MPB, Pop.


Acabou Chorare” é o segundo álbum do grupo brasileiro 'Novos Baianos', que se formou na Bahia/Brasil na década de 60. Este grupo vocal e instrumental era constituído por Galvão (letrista), Moraes Moreira (vocal e violão), Paulinho Boca de Cantor (vocal e pandeiro), Baby Consuelo (vocal e percussão, hoje Baby do Brasil), Pepeu Gomes (guitarra, viola, violão e bandolim), Dadi (baixo e violão), Jorginho (bateria, guitarra, cavaquinho, uculelê e bongô), Baixinho (bateria e bombo) e Bolacha (bongô e percussão). É considerado um dos grupos mais importantes e revolucionários da música brasileira. 'Acabou Chorare' foi lançado em 1972 pela gravadora Som Livre após o sucesso do seu primeiro LP 'É Ferro Na Boneca!', em 1970. O LP de 1972, é considerado um dos álbuns mais importantes e influentes de toda a carreira da banda, tendo alcançado o primeiro lugar no ranking dos 100 melhores álbuns brasileiros da Rolling Stone Brasil. A canção 'Preta, Pretinha' ficou em 20º lugar na mesma lista de publicações das melhores músicas brasileiras de todos os tempos. Após o lançamento do LP, "Acabou Chorare" ficou quase no topo nas paradas de álbuns, por mais de trinta semanas e recebeu enorme apoio da rádio em todo o Brasil. Também se tornou muito popular na Europa, pouco depois. O som único deste disco é o resultado da fusão do samba, MPB, rock 'n' roll e bossa nova e fortes influências de João Gilberto, que frequentemente tocava com o grupo, assim como da lenda da bossa nova, Gilberto Gil.


Faixas/Tracklist: 

A1 - Brasil Pandeiro (Assis Valente) 
A2 - Preta Pretinha (Galvão, Morais) 
A3 - Tinindo Trincando (Galvão, Morais) 
A4 - Swing de Campo Grande (Galvão, Morais, Paulinho) 
A5 - Acabou Chorare (Galvão, Morais) 
B1 - Mistério do Planeta (Galvão, Morais) 
B2 - A Menina Dança (Galvão, Morais) 
B3 - Besta É Tu (Galvão, Morais, Pepeu) 
B4 - Um Bilhete P'ra Didi (banda de apoio - A Cór Do Som) (Galvão, Morais) 
B5 - Preta Pretinha (Galvão, Morais) 

Músicos Intervenientes/Personnel: 

Vozes – Baby Consuelo, Morais, Paulinho Boca de Cantor 
Baixo – Dadi 
Bongos – Bolacha 
Guitarra Clássica - Morais 
Guitarra Clássica Solo – Pepeu 
Bateria, Bongos, Cavaquinho – Jorginho 
Bateria, Bongos, Percussão – Baixinho 
Guitarra e arranjos– Pepeu 
Voz, Maracas, Ferrinhos – Baby Consuelo 
Pandeiro – Paulinho Boca de Cantor 
Arranjos por Moraes Moreira

LP gravado no Estúdio Somil, Rio de Janeiro, Brasil. 

LP gentilmente cedido pelo nosso amigo Jacon Varella, a quem agradecemos. Agradecimento também ao nosso amigo Candido Cesar pela informação.